4.3 Utslippsdata
4.3.3 Oppsummering av alle utslipp
Os distribuidores são considerados consumidores que adquirem os produtos com um desconto que varia de 25% a 42% de acordo com o montante do valor adquirido. Quanto mais se ultrapassar a meta, maior será o desconto. A empresa considera que esse desafio é estimulante para o distribuidor, por aguçar o seu interesse em alavancar as suas vendas utilizando o recrutamento indireto como forma de venda com desconto. O recrutamento indireto é o procedimento de cadastrar como distribuidores as pessoas que consomem
regularmente o produto. Esse processo implica na montagem de um grupo de consumidores cadastrados que compram com desconto o seu próprio produto direto na distribuidora, que em São Paulo localiza-se no bairro da Lapa. Isso evita que o vendedor leve todo mês o produto na casa do consumidor, pois o próprio consumidor vai, ele mesmo, comprar o seu produto na distribuidora com desconto de 25% e automaticamente fica lá a comissão de 25% do vendedor. A soma de todas as comissões, sobre todas as compras que foram feitas pelos consumidores de cada vendedor é enviada em forma de cheque nominal no final de todos os meses pelo correio.
Os supervisores são em primeiro lugar consumidores que consomem os produtos com 50% de desconto. Além disso, eles são distribuidores que exercem a atividade da empresa de forma empresarial, ou seja, compram mensalmente, obrigatoriamente o valor de dois mil e quinhentos pontos, durante todo o ano, e mantém um estoque permanente de produtos, e é assim que mantém o seu status na escala hierárquica da empresa. Uma parte desse estoque obrigatoriamente deve ser consumido para manter o seu corpo imagem que é o seu cartão de visita, e o restante pode ser vendido a outros consumidores ou repassados para a sua equipe de vendas. O nível de supervisor passa por três níveis anteriores ao nível de presidente que são: equipe mundial, equipe de expansão global e equipe de milionários. Cada um deles possui metas gradativamente mais elevadas que os acima descritos. Os supervisores que não mantiverem as suas cotas anuais que garantem a manutenção do seu
status de “supervisores ativos”, perdem o status e caem para o nível imediatamente
inferior, o de distribuidor. Uma vez perdido esse status para retomá-lo o supervisor precisa comprar de novo a cota de cinco mil pontos, ou destacar-se como distribuidor construtor de carreira.
Adotando esse procedimento a empresa acredita estar desenvolvendo o perfil do seu profissional, promovendo a sua auto-superação e a superação da concorrência através de uma equipe comprometida com as metas da empresa. Para entusiasmá-los21 ela renova neles a convicção de que nela realizarão os sonhos de riqueza e felicidade, que lhes é justo.
Para isso utilizam dinâmicas com características festivas, com músicas ao ritmo de tambores que remetem ao primitivo da cultura e provocam estados alterados de consciência no qual desperta arquétipos primitivos. O propósito dessa técnica é injetar, nesses momentos, a motivação que se conecta a energia primária do guerreiro que desceu da árvore (FLUSSER, 1979). Ela cria um clima de envolvimento com a utilização de técnicas semelhantes a dos cultos religiosos, que evocam o aspecto histórico susceptível a crenças e ritos primitivos (MAFFESOLI, 1998). Essa técnica remete às raízes onto e filogenéticas (EIBESFELDT, 1973:179) associadas não apenas à sobrevivência do indivíduo, mas também da espécie. Ela se reapropria do universo dos vínculos humanos e de uma das quatro raízes da cultura: estados alterados de consciência, sonho, jogo e psicopatologia (BYSTRINA, 1995:11). Na corporação o funcionário em estado alterado de consciência coloca o seu poder no fazer da empresa. Essas dinâmicas não despertam apenas os estados alterados de consciência, mas também as psicopatologias, porém essas a empresa ignora-as inadvertidamente. A respeito desse passado desperto que aciona os arquétipos do homem Ortega y GASSET adverte que:
[...] o passado é revenant por essência, ele tem uma única razão que é a sua, e se não lhe for dada a que tem ele retorna para impor uma razão que não tem. Se for jogado fora ele volta. A única forma de superá-lo é não desprezá-lo, contar com ele, e orientar-se por ele. E a única forma de evitar seus reveses é viver à altura dos tempos com conhecimento e consciência (ORTEGA Y GASSET, 2002:128).
Assim, evocar o primitivo, exige administração, pois ele tanto desperta quanto aprisiona – interesse da corporação – mas pode também libertar de vez a natureza errante do nômade. Um comportamento observado a partir dos estudos dos símios pela Etologia, o comportamento inquieto e exploratório, segundo Desmond MORRIS22. Nesse processo os supervisores exploram os símbolos que alimentam os vínculos humanos com o espaço corporativo e aí os seda.
O status de presidente possui quatro estratos que são marcados por brilhantes em seus pins23, e a classificação é dependente do valor das suas vendas pessoais e das vendas
22 No homem “a curiosidade infantil reforça-se cada vez mais enquanto o homem cresce. Ele nunca para de investigar, nunca se satisfaz
com o que sabe. Mal encontra resposta para uma pergunta, formula outra. Esse é o maior truque da nossa espécie para continuar a sobreviver” (MORRIS, 1997).
23 Pin é um boton especifico destinado ao presidente. A hierarquia da escala que o presidente ocupa é assinalada pelo número de
que suas redes alcançam. Isso significa que todos os profissionais dessa carreira serão eternamente vendedores; se pararem de vender ou de alimentar suas equipes de vendas eles perdem seus altos salários e sua posição no status da empresa. Porém nos Sistemas de Treinamento para Supervisores - STSs a empresa diz para os candidatos que seus ganhos são ad eterno e que os altos salários garantirão a sua aposentadoria e a dos seus filhos por toda a vida. Esse é outro fator que seduz e encanta aos que adentram ingenuamente ao sistema, sonhando tornarem-se milionários através de um passe de mágica, trabalhando até duas horas por dia como é propagado, mas isso não é verdade.
Esse mágico remete ao que diz ERASMO de Roterdam: “imaginariamente, os homens desejam comer, gozar e dormir, como os deuses”. Essa idéia é o que governa o imaginário humano, a respeito da vida mítica dos deuses e os encanta. Essa vida é a que os adeptos da empresa analisada desejam alcançar para livrarem-se do castigo de Adão e Eva: “ganhar o pão através do suor dos seus corpos”. De acordo com o autor:
[...] O trabalho mental assíduo, penoso violento, profundo, faz com que se esgotem aos poucos os espíritos e a seiva da vida humana. Assim desprovidos, eles são tomados pela loucura e esta os transforma. Como a vida só faz sentido se vivida com prazeres, a loucura é um deles e fornece uma das saídas para o sofrimento. Ela é irônica, humorística, mas também é séria. [...] E, nenhuma convivência, nenhuma sociedade, nada, enfim, pode ser agradável e duradouro sem loucura, e ninguém toleraria ninguém se não se untassem as coisas e os atos "com um pouco do mel da loucura" (ERASMO ROTERDAM, 1509:18-26).
Talvez seja essa a estratégia que a empresa usa no seu processo de integração e adaptação; untar com mel as pressões do cotidiano para que as pessoas não sintam o amargor do verdadeiro sabor do trabalho que ela lhes impõe. Nela os adeptos se entregam totalmente preocupados com a velocidade da vida atual, procurando se habituar ao processo da transformação não apenas da carne, emagrecer o corpo, mas também do espírito, levar felicidade para aqueles que desejam emagrecer e serem felizes. A empresa impregna nos adeptos a crença de que levar esse produto até as pessoas é um ato de solidariedade, pois adotando o programa as pessoas se tornarão felizes e ricas. Por esse motivo na empresa se cultua e homenageia o antecessor - aquele que levou o agregado para a empresa - como se cultua um Deus que salva. Essa crença governa o espírito corporativo.
Uma vez incorporados pelo espírito corporativo, os adeptos começam a funcionar com a sensação de que viver é dar prioridade máxima para as metas da empresa, sem se dar conta de que não possuem mais vida própria24. A sua relação com a corporação não é apenas pessoal, é íntima. Quando se submetem aos treinamentos se tornam todos iguais, muito mais que vestir o mesmo uniforme preto com camisa branca, portando um boton, eles comungam das mesmas idéias e dos mesmos ideais como se esses fossem os deles. Os significados ideológicos da empresa vão embutidos na filosofia, normas e ideologia corporativa. Ela programa o tempo do funcionário para que os seus sentidos sejam instigados a desenvolver um cuidado especial com a sua imagem que representa a empresa. Cuida para que as suas preocupações sejam voltadas para alimentar o seu sistema. Essa proximidade intensa provoca o desenvolvimento de uma sensibilidade que os faz sentir como parte do todo corporativo. Seus corpos e seus sentidos são treinados para aprender e apreender os símbolos e significados organizacionais, com eles se identificarem e através deles se orientarem e dirigirem a sua imaginação.
Para mantê-los reféns, a corporação utiliza-se do tempo programado. Ela controla a todos pelo timer do seu relógio, e esse passa a ser o senhor de todos os acontecimentos na organização e na vida dos seus adeptos. Assim a empresa determina que o seu tempo governe a existência daqueles que a ela estão submetidos. Sincroniza o tempo deles com o dela, tornando o significado de suas vidas um reflexo no espelho corporativo que revela o modelo. Assim todos são comparados e exortados a adequarem-se ao modelo padrão considerado o ideal da empresa que todos devem seguir. Isso fica muito bem definido nos treinamentos.