3.1 Effekter på vegetasjon og fauna
3.1.2 Nitrogen
A história da empresa diz que o seu sucesso resulta da sua moderna filosofia de distribuição, alta qualidade de seus produtos nutricionais elaborados com ervas e aos cuidados pessoais dos seus distribuidores. Diz que ela abre oportunidade de venda a qualquer pessoa independente do seu nível educacional, raça, cultura ou situação financeira, através de uma rede de distribuidores independentes. Induz a todos que passem pelos processos de treinamentos enfatizando a sua importância na aquisição da competência de se tornarem milionários.
Para capturar os homens, realizadores dos seus objetivos, a comunicação dessa corporação acena-lhes com cargos, papéis funcionais fixos, consagrados como os dos deuses, míticos como os das lendas (SERRES 2001). Encantados pela mensagem, os nômades atendem ao chamado divino; buscam através da corporação a competência de um Deus para se tornarem sujeitos de fato e de direito, um modelo de homens ideais18, os quais só existem na projeção imagética do mundo das máquinas (FLUSSER, 1979) e não no mundo dos vivos.
Esse espaço de encenação conforme CAILLOIS (1967) é o que simula um dos programas levados ao ar com entrevistas de membros do Conselho Consultivo de Medicina, que declaram que os produtos da empresa são validados por estudos clínicos e que outros
produtos estão sempre em desenvolvimento. Eles executam testes e dão assistência no aprendizado dos distribuidores através de treinamentos. E para dar mais segurança, afirmam que a qualidade é assegurada por altos padrões de excelência do fabricante primário dos produtos de nutrição, D & F Industries de Orange, na Califórnia.
Relacionam também o grande sucesso aos resultados concretos e significativos obtidos pelos seus clientes, assim como à confiabilidade e segurança do programa, tornando-o ideal para a auto-administração do público em geral. Segundo o apresentador, o sucesso do programa de emagrecimento é responsável pelo entusiasmo dos distribuidores, motivado pelo resultado da experiência direta adquirida com o uso pessoal dos produtos, pedra fundamental da estratégia da empresa, o marketing de rede. O presidente e fundador da empresa declarou que “não é o que você afirma sobre os produtos que conta, mas como você fala, e o sentimento que você transmite, quando comenta sobre eles para as pessoas”, ou seja, a forma como você representa nesse jogo (HUIZINGA, 1996). Ele enfatizava que a experiência pessoal estava acima da capacidade de vendas dos distribuidores. Essa experiência pessoal só pode vir de uma empresa ideal que fornece produtos que geram resultados concretos, confiáveis e reprodutíveis. É dele a seguinte afirmação: “as pessoas que trabalham nessa empresa são pessoas invejadas, consideradas por muitos como ideais e são por outros idealizadas”. A empresa reza que: “todos que a adotarem e consumirem seus produtos, em pouco tempo podem ser e se tornar o objeto de desejo para muitas pessoas”. Segundo MORIN (1990:83) o mito do modelo ideal, a imagem endeusada é um fantasma comum que leva empresas e funcionários a fracassarem. Mas, ambos esquecem ou ignoram que os deuses são da segunda realidade, portanto, imagens.
Sobre a segunda realidade, BAITELLO Jr. explica que ela “pertence ao universo simbólico, e constitui um conjunto de informações geradas e acumuladas pelo homem ao longo do tempo”. Isso ocorre pela sua capacidade imaginativa de narrativizar aquilo que não está explicitamente encadeado, como inventar relações e criar textos seja na linguagem verbal, visual, musical, performático-gestual, ou olfativa. Essa competência a empresa executa primorosamente e leva também os seus distribuidores a fazê-lo. Dessa maneira, o que governa as pessoas que nesse contexto procuram a completude é o conjunto menor
destas associações, denominado “texto” ou unidade mínima da cultura (BAITELLO Jr., 1999: 38). A empresa cultiva textos marcados pelo visual e por posturas performáticas gestuais que direcionam seus visionários.
Aqui a completude prometida pelas mensagens elaboradas pelo repertório corporativo dessa empresa é imaginária, constituída por metáforas que induzem os filiados a “estruturar intenções, comportamentos e a formar a consciência coletiva”, como mostra IASBECK (2002). Sem se dar conta de que essa completude é apenas imaginária, os adeptos se posicionam de acordo com as expectativas da empresa, consideram que o seu sucesso pessoal e satisfação na corporação são imprescindíveis para o desenvolvimento de ambos e com essa crença trabalham com afinco e dedicação, usam os produtos, modelam seus corpos e buscam a riqueza prometida.
A dedicação dos distribuidores é uma resposta às normas corporativas que afirmam: “só através da atuação dos homens no espaço corporativo poderão viver com conforto e livres do sofrimento” (BERG, 1985). Como os vendedores querem acreditar nessa promessa, para conquistar a sua realização representam os papéis que a empresa determina. Cumprem o programa de emagrecimento com rigor, como observado no depoimento no. 1 em anexo. As pessoas “passam fome, chegando a desmaiar por ficar de dois a três dias apenas tomando os tabletes com água, cortando todas as refeições. Ele já perdeu mais de sessenta quilos, diz a esposa, mas alega que tem que emagrecer mais para dar credibilidade ao produto. Outro fator relata a esposa, é que ele esteve desempregado por 3 anos e com isso a família passou muitas dificuldades. Ele acredita que emagrecendo radicalmente pode promover o produto, e vender através dos seus resultados, atingindo o status de milionário”. Esse distribuidor representa os papéis determinados pela corporação, motivado e incentivado pela “comunicação interna que desperta nele o sentimento de credibilidade, encantamento e orgulho pela empresa19” que o tornará rico.
Não está sendo ignorado aqui que cada civilização tem seu tempo e que no Brasil a empresa americana utiliza-se de elementos postiços da diversão, faz o trabalho parecer agradável e passa por uma adequação e adaptação à cultura local.
Ela utiliza-se dos sonhos dos homens para atraí-los e fazê-los suportar o enquadramento da sua natureza nômade às restrições e ao tempo corporativo, ignorando o tempo do homem. Essa empresa especificamente trabalha aspectos inusitados do perfil dos seus adeptos, pois explora os físicos, os psicológicos e coloca-os em situação de submissão absoluta. Ela os induz à construção de um corpo que não é o deles e a um repertório que não lhes pertence dentro de um tempo restrito. O enquadramento do homem ao tempo corporativo, remete à observação de PELEGRINI (2004) que diz: “os ritmos naturais deixaram de nortear o tempo social. [...] O tempo do cotidiano passou a ter a precisão numérica do relógio que sincronizava o tempo máquina”.
Essa empresa sincroniza com seu relógio o tempo de mais de um milhão de distribuidores independentes em todo o mundo, que segundo ela, apreciam a liberdade de serem seus próprios patrões. Ela declara que eles se sentem atraídos pelo seu sistema de distribuição – o marketing de rede - único utilizado pela empresa, e considerado por ela como altamente eficaz porque, transformou a operação de um único homem, o seu fundador - em uma corporação mundial de aproximadamente dois bilhões até o ano de 2003. Essa corporação atualmente é membro da Associação Brasileira de Empresas de Vendas Diretas (Direct Selling Association).
Quando a empresa diz que “eles apreciam a liberdade de serem seus próprios patrões” desconsidera que os vendedores representam papéis que ela determina e que nesse processo de representação não há criatividade e dessa maneira, a corporação se compõe de simulacros. Para explicar simulacro pode-se tomar como referência, a teoria de CAILLOIS quando ele se refere ao comportamento dos homens submetidos às regras nos jogos:
[...] A dissimulação e a simulação de uma realidade é uma invenção incessante presente nas regras do jogo mymicry, o simulacro. O simulacro é uma imitação, uma reprodução de um comportamento que é do outro. É a pessoa estar diante de uma situação na qual ele faz acreditar a si e ao outro que ele é outro que não ele mesmo. Situação complexa e surpreendente que corresponde ao mimetismo do
animal. Ela é praticada naturalmente pelas crianças quando estão imitando o adulto, pois elas extrapolam da infância para a vida adulta. [...] Consiste para o autor em fascinar o expectador evitando que uma falha o conduza a recusar a ilusão. E consiste para o expectador a se prestar a ilusão sem recusar o artifício com o qual se convida à fé, e por um tempo ele tem que acreditar que aquilo é mais real do que o real (CAILLOIS, 1967: 61 a 67).
Essa colocação do autor é perfeita para ilustrar a dissimulação praticada pelos adeptos da empresa em questão. Eles possuem uma única liberdade: fazer o que têm que
fazer são as regras desse jogo. E isso acontece até mesmo nas reuniões de diretores e
presidentes que correspondem aos altos cargos da empresa. A comunicação interna que governa a empresa impõe aos seus funcionários um destino e, sem discutir, eles se submetem e vivem caricaturados com as máscaras dos seus papéis. Adotam a identidade corporativa porque ela é imperativa para permanecerem na empresa. Isso exige deles um grande esforço, pois nômades na sua essência, eles precisam ficar surdos e insensíveis ao chamado de sua natureza andarilha para se aquietarem a representar (FLUSSER, 1979). Isso significa sedentarizar-se em um universo simbólico que foi construído sob outras referências subjetivas que não as deles. Dessa maneira, os funcionários (in)corporam valores corporativos e os re-significam para representarem os papéis designados. Esses, já foram apreendidos e utilizados para se comunicarem quando da formação dos primeiros vínculos20 sociais. E na empresa como na sociedade essa comunicação, conforme diz CASSIRER (1972) “serve para comunicar, mas também para dissimular”, o comportamento para evitar exclusão e punição.
A comunicação é aprendida na convivência social e constitui a construção dos vínculos, tanto de uma perspectiva ontogenética quanto de um ponto de vista filogenético. Essas descobertas trazidas à luz pela Etologia, deixam claro que os vínculos permitem tanto a constituição humana como a dos animais em relação com os outros seres da mesma espécie. Uma criança ou animal já nasce em uma teia de vínculos que denomina a sua sociedade. A respeito dos vínculos, o pesquisador H. Harlow apontou esse tema em suas pesquisas e BAITELLO Jr. desenvolve importante estudo que será tratado mais adiante no 2º. capítulo desse trabalho.