5 Bygningssektoren
5.3 Oppsummerende vurdering
3.4.1.1 O problema
Para Löbach (2001) o processo de Design, além de um processo criativo, é um processo de solução de problemas. Partindo, novamente, da realidade do amputado apresentada nos capítulos anteriores, podemos assegurar que o dispositivo protésico utilizado é demasiado importante na qualidade de vida, para não merecer uma atenção reforçada. Com ele, o paciente poderá retomar a sua vida e as suas atividades. Associado à possibilidade de poder praticar alguma atividade física, seja por lazer ou por desporto, que possa beneficiar de forma decisiva o processo de reabilitação, melhorando o controlo da prótese por parte do amputado. Poderá, igualmente, alterar a perceção das pessoas com amputações em relação a si mesmas, bem como a perceção da sociedade (Gorgatti & Costa, 2008).
Relembrando que, parte dos utilizadores de prótese, após terem ultrapassado a barreira da reabilitação, exigem o máximo desempenho dos componentes protésicos (Matos, 2009). Nesta fase, torna-se comum escolher e conjugar componentes protésicos de forma a configurar uma prótese com o desempenho pretendido, o que implica, geralmente, uma prótese para cada atividade e um novo encaixe para cada prótese. As características deste encaixe rígido, que faz o interface entre o coto e o restante corpo protésico são problemáticas, a sua produção que é atualmente um processo artesanal em Portugal apresenta um custo que pode oscilar entre 600 € €. Por outro lado, na área da saúde, a redução dos riscos e a prevenção de erros de uso são preocupações predominantes que precisam ser abordadas ao longo do processo de desenvolvimento de dispositivos médicos (Benker, 2015). Sendo que, as próteses e os seus diferentes componentes não podem ser modificados sem uma boa compreensão do alinhamento e dos efeitos nefastos provocados por qualquer alteração, foi necessário focar a atenção numa solução mais efetiva. Outro aspeto importante, que deve ser considerado, passa pela forte evolução tecnológica dos componentes, que
será somada as outras motivações no ato de configuração ou otimização do dispositivo.
Sob a perspetiva económica, a lógica dos produtos industriais consiste em que, aquando produzidos devam proporcionar pela sua venda, um lucro. Além disto, a natureza do produto deve garantir que “seu uso possa efetivamente satisfazer as necessidades do utilizador, já que este é único motivo que o induz a despender algum dinheiro na sua compra” (Löbach, 2001, p. 39).
3.4.1.2 Análise do mercado
Atualmente existem apenas dois produtos no mercado que poderão preencher, de alguma forma, os requisitos necessários para alcançar os objetivos do produto na função prática.
Foi criado e patenteado um sistema de ligação designado de Ferrier Coupler, originado pela empresa Ferrier Coupler Inc. (Ferrier, 2012), este permite desconectar com facilidade diversos componentes de uma prótese do membro inferior. O sistema foi criado por Lyle Ferrier e está protegido pela patente americana, US:5,326,352 com a data de 5 Julho de 1994 (Ferrier, 1994) e pode ser integrado entre as várias partes constituintes de uma prótese do membro inferior.
Podemos verificar na Figura 3-8 que, o sistema é constituído por duas principais partes, cada uma é fixada aos componentes da prótese existente. m m l g “m ” (nº14 da figura 3-5) que poderá ser l l g “ êm ” (nº22 da figura 3-5). A conexão e desconexão entre estes componentes, é efetuada através do respetivo aperto e desaperto de um pino roscado (nº27 da figura 3-5) que une as duas partes.
Capítulo 3: Projeto de Design Industrial
Figura 3-8: Perpetiva explodida l g “F ” (Ferrier, 1994)
A principal desvantagem desta ligação passa pela necessidade da utilização de uma ferramenta, a fim de poder interagir com o pino. Este fator pode proporcionar um tempo de realização da tarefa um pouco elevado.
Este sistema apresenta igualmente limitações relacionadas com o princípio do mecanismo, seus componentes e respetivos materiais. Estas ligações pressupõem a utilização de adaptadores estruturais, através dos quais, deverá passar um pino roscado, de origem polimérica, que irá sofrer fortes níveis de desgaste ao longo da sua utilização. Por outro lado, considera-se que a manipulação das ligações, por torção, não seja devidamente segura por permitir que alguém, para além do utilizador, consiga desenroscar o pino de ligação. Para além disso, no momento de ligação, o pino acrescenta uma protuberância potenciadora de acidentes e no momento da sua remoção pode-se, facilmente perder o componente pelo facto de ele se separar isoladamente dos restantes elementos da ligação Ferrier, (Costa, 2013).
Por outro lado, a patente americana US:6,972,042 B2 datada do dia 6 de Dezembro de 2005 (Benson, 2005) apresenta uma estrutura de bloqueio e libertação rápida (nº40 da Figura 3-9). Este mecanismo é constituído por várias partes com funções distintas. A parte superior apresenta quatro parafusos de ajuste (nº380 da Figura 3-9) utilizados para fixar ao adaptador macho em pirâmide existente nos sistemas protésicos atuais. Esta parte, de
geometria tubular, possui um diâmetro interno ligeiramente superior ao diâmetro externo do tubo protésico, a fim de realizar a ligação.
Na parte de fixação é acoplado um manípulo (nº300 da Figura 3-9) com uma superfície excêntrica (nº620 da Figura 3-9) que representa o eixo do manípulo. Esta parte de fixação também contem duas abas opostas, entre as quais, existe uma ranhura ao longo de todo o comprimento longitudinal da porção tubular que vem permitir introduzir o tubo da prótese.
Figura 3-9: Ilustração da ligação de Benson, (Benson, 2005)
Na sua colocação, o utilizador deve ajustar a porca roscada (nº370 da Figura 3-9) de forma a definir o quão ajustado deve ficar a ligação entre o sistema de libertação rápida e o tubo (Benson, 2005).
A principal desvantagem desta ligação passa pela falta de mecanismo de alinhamento. É possível colocar a prótese com qualquer orientação sem receber uma informação neste sentido. Esta tipologia de união, entre o encaixe e o corpo protésico, obriga a um realinhamento sempre que se libertar a estrutura de bloqueio. Para além disso, a aplicação do binário de aperto, necessário para o bloqueio do mecanismo, é suscetível de provocar desalinhamentos entre os componentes protésicos.
Capítulo 3: Projeto de Design Industrial
Isso obriga, a que essa ligação apenas possa ser separada por corte, levando a que cada prótese contenha o seu próprio encaixe com apenas uma função.
Figura 3-10: Procedimento de fixação de uma ligação ao encaixe.
No que diz respeito à questão estético-formal e simbólica, podemos registar o aparecimento de uma empresa com soluções que se podem enquadrar na mesma abordagem do presente trabalho. A empresa k I ™ Inc. foi fundada em 2009 por um Designer industrial, Scott Summit, e um cirurgião ortopédico. A marca aposta numa abordagem personalizada, com o objetivo de melhorar os dispositivos existentes. O slogan utilizado pela mesma é “one size fits all” q rá ser traduzido por “ m m todos” ilustra o desejo de personalizar as próteses de cada utilizador. Scott Summit é um dos dois inventores da patente Americana US: 8417487 B2, publicada em 09 de Abril de 2013 e explorada pela 3D Systems Inc. A presente invenção é dirigida para as próteses e as cintas no sentido de personalizar e alterar a aparência do membro ou da cinta. A superfície exterior da prótese pode ser uma imagem espelhada do membro residual e a superfície exterior da cinta pode ter uma superfície externa que corresponde a um membro lesionado através da inclusão de uma carcaça removível (Figura 3-11). A prótese e a carenagem, são criadas por um técnico protético com o auxílio de ferramentas de desenho assistido por computador e poderão ser ligados a uma prótese ou sobre uma cinta para alterar a aparência da prótese ou cinta (Summit & Trauner, 2013).
Figura 3-11: Esquemas da patente da solução Bespoke (Summit & Trauner, 2013)
Esta patente apresenta vinte reivindicações, que passam pelo método de criação de uma carenagem, pela aplicação de uma camada de metal ou outros acabamentos para a superfície exterior da carenagem, pela geometria dos elementos e a relação entre eles.
Este processo poderá apresentar, por um lado, uma principal desvantagem relacionada com o custo implicado para fazer este revestimento cosmético. A carenagem de base é fixada em 36 €, enquanto a aplicação de couro ou cromado pode custar até 5430 €. Por outro lado, esta carenagem é constituída por elementos unidos por parafusos, o que exige uma certa manualidade na sua colocação e remoção.