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Obs.46. Quando Lucas estava com 0;09(04), a EE realizou o pré-teste da atividade “onde está o brinquedo?” mostrando para o bebê um brinquedo bem colorido que chamava muito sua atenção e ele ficou olhando, tentando pegá-lo. Perante o bebê a EE escondeu o brinquedo atrás dela e ficou perguntando: onde estava o brinquedo?

Lucas olhou para as mãos da EE e percebeu que o brinquedo não estava com ela; automaticamente desistiu e foi procurar outro brinquedo.

Obs.47. Aos 0;09(11), a EE deu início à atividade, sentando de frente para Lucas e mostrando-lhe um brinquedo bem atrativo, deixando-o brincar um pouco com o mesmo e, em seguida, diante dos seus olhos escondeu o brinquedo nas suas costas.

Lucas ficou parado olhando para a EE e esta então lhe perguntou: onde esta o brinquedo? O bebê olhou para as mãos da EE, depois olhou em volta, voltando a olhar as mãos da EE. Não encontrando o objeto logo se distraiu com outra coisa e não quis mais participar da atividade.

Tudo indicou que o objeto não se conservou para o bebê que ainda confunde mudança de posição com mudança de estado: ao ser escondido o objeto se dilui.

Obs.48. Quatro dias após, aos 0;09(15), a EE antes de iniciar a atividade ficou brincando um pouco com o Lucas para descentrai-lo. Após alguns minutos deu início à atividade: mostrou o objeto desejado para Lucas e deixou-o segurá-lo por algum tempo e depois pediu de volta. Na sua frente escondeu o brinquedo nas suas costas e perguntou-lhe onde estava o brinquedo. Automaticamente o bebê olhou para as mãos da EE e não vendo o que queria, engatinhou ao redor da EE e encontrou o brinquedo, esboçando um enorme sorriso ao pegar o objeto desejado.

A EE repetiu a atividade mais três vezes e em todas ele agiu da mesma forma que na primeira, lembrando que essa reação da conservação do objeto, entre 8 e 12 meses, é considerada normal. Contudo, além de conservar o objeto o bebê contornou o obstáculo coordenando seus deslocamentos com os deslocamentos do brinquedo. Esta é uma reação típica da quinta fase, reação circular terciária.

Obs.49. Após dez dias de recesso da instituição, ou seja, sem estimulação, o bebê apresentou regressão. Aos 0;09(25), a EE deu início à atividade brincando descontraidamente com Lucas até perceber qual seu brinquedo predileto. A EE sentou-se de frente para Lucas e ficou mostrando-lhe o brinquedo e, ao mesmo tempo, brincando e deixando-o manuseá-lo. Após alguns minutos, ela escondeu o brinquedo nas suas costas e perguntou-lhe onde ele estava. Ele olhou para as mãos da EE e não encontrando ficou um tempo parado olhando para ela e em seguida, saiu engatinhando para o lado oposto ao da EE, à procura de qualquer outro brinquedo, distraindo-se.

A EE repetiu a atividade mais três vezes, mas em nenhuma delas o Lucas chegou a tentar olhar atrás dela para encontrar o objeto desejado. Não repetiu a reação de procura do objeto escondido de dez dias atrás.

Obs.50. Após dois dias, aos 0;09(27), como de rotina a EE iniciou a atividade sentando Lucas de frente para ela, mostrando-lhe o brinquedo, e deixando que ele brincasse junto para aumentar seu interesse. Depois de alguns minutos ela escondeu o brinquedo nas suas costas e perguntou-lhe onde este estava.

Ele, então, olhou para as mãos da EE e não encontrando o que procurava se distraiu e saiu.

A EE repetiu a atividade e ele ao ser perguntado onde estava o brinquedo olhou mais uma vez para as mãos da EE, ficou parado olhando para ela perguntando pelo brinquedo e, de repente, começou a

engatinhar ao redor dela até que encontrou o que estava sendo procurado. A atividade foi repetida mais duas vezes e em ambas o resultado foi igual ao da segunda tentativa.

O bebê apresentou a reação de procura do objeto escondido que indica o nascimento da inteligência prática, como, também, indícios do grupo empírico dos deslocamentos espaciais que se estrutura no segundo semestre do segundo ano de vida.

Obs.51. Como este foi o último dia de pesquisa, essa atividade foi considerada o pós-teste, aos exatos 0;9(29), a EE iniciou-a sentando-se de frente para Lucas e mostrando para ele o brinquedo que ele mais gostava e deixando que o mesmo brincasse junto e manipulasse o mesmo quando quisesse. Após alguns minutos, ela pegou o brinquedo e escondeu nas costas perante o bebê. A seguir, perguntou-lhe onde estava o brinquedo.

Os olhos dele foram direto para as mãos da EE que continuou perguntando pelo brinquedo, mais que imediatamente ele engatinhou ao redor dela e encontrou o objeto desejado.

A EE repetiu a atividade, mais quatro vezes e, em todas, ele primeiro olhou as mãos da EE para, em seguida, ir direto para o local onde o brinquedo estava escondido.

O bebê apresentou a reação da conservação do objeto indicando o nascimento da inteligência sensório-motora ou inteligência prática, com traços de antecipação de reações próprias da fase seguinte.

Obs.52. O pré-teste do Arthur (bebê de controle) 0;09(11), foi realizado no mesmo dia que o pré-teste de Lucas. A EE iniciou a atividade do mesmo modo que fez com Lucas.

Diante o ato da EE de esconder o objeto em suas costas, o bebê olhou para as suas mãos e, em seguida para o seu rosto. A EE continuou perguntando-lhe onde estava o brinquedo. Ele voltou a olhar para as mãos da EE, mas não encontrando, distraiu-se facilmente e saiu à procura de outra coisa para brincar.

Obs.53. Vinte e cinco dias após o pré-teste, aos 0;10(06) foi realizado o pós- teste com Arthur (bebê de controle). A EE antes de dar início à atividade ficou brincando com Arthur no meio de vários brinquedos para observar as suas preferências. Após ter escolhido o brinquedo, a EE sentou-se de frente para o bebê e ficou mostrando-lhe o brinquedo, deixando-o brincar, manipulando o mesmo com o objetivo de seu interesse aumentar ainda mais.

Depois de alguns minutos, a EE pediu o brinquedo para Arthur, que lhe entregou sem problema e, então, escondeu nas suas costas com o bebê vendo. Em seguida, ficou perguntando onde estava o brinquedo e ele olhou para as mãos da EE, que continuou repetindo a pergunta. Ele ficou olhando para ela e, após alguns segundos, engatinhou ao seu redor e encontrou o brinquedo desejado. Vale ressaltar que nesse experimento, Arthur conseguiu apresentar o comportamento de rodeio e a conservação do objeto.

Cabe acentuar que, com quase doze meses, o bebê de controle, também, apresentou conservação do objeto como, também, coordenou os deslocamentos espaciais realizados tanto pelo objeto quanto por ele próprio. Nessa atividade a estimulação precoce não apresentou vantagens com esses bebês, necessitando amostragem maior para se verificar algumas diferenças favoráveis à estimulação precoce.

Obs.54. Com Augusto, o pré-teste da atividade, “onde está o brinquedo?”, foi realizado quando este estava com 0;10(01). A EE antes de dar início à

atividade sentou-se um pouco com Augusto e ficou brincando com ele para descontrair e observar por qual brinquedo que ele demonstrava maior interesse. Deixou que o bebê manipulasse o brinquedo preferido. A seguir, perguntou-lhe onde ele estava.

Augusto olhou diretamente para as mãos da EE e, em seguida, para ela, que continuou perguntando pelo brinquedo. O bebê voltou a olhar para as mãos dela e nada encontrando perdeu o interesse e saiu em busca de outra coisa para brincar.

A EE repetiu a atividade mais uma vez e ele agiu da mesma forma; tentou repetir mais algumas vezes, mas ele não quis mais participar. O bebê não apresentou a reação da conservação do objeto.

Obs.55. Após seis dias, aos 0;10(07), A EE iniciou a atividade do mesmo modo: deixou o bebê manipular o brinquedo preferido. A seguir, pediu-lhe o brinquedo e escondeu nas costas, perguntando-lhe onde estava o brinquedo. Ele olhou para as mãos da EE, depois ficou parado olhando para ela que continuava a perguntar onde estava o brinquedo.

Augusto, então, olhou mais uma vez para as mãos da EE, percebendo que o objeto desejado não estava ali, engatinhou um pouco ao redor da EE, mas no meio do caminho, desistiu e voltou para onde estava; voltou a olhar as mãos dela. Não encontrando o brinquedo, distraiu-se e saiu à procura de outra coisa para brincar.

A EE repetiu a atividade com ele e agora, após olhar para as mãos da EE como da primeira vez, começou a engatinhar ao redor da EE e foi até suas costas onde, então, encontrou o brinquedo, esboçou um enorme sorriso e não quis mais soltar o objeto desejado por nada.

O bebê apresentou a reação de contornar o obstáculo, comportamento que demonstra a conservação do objeto.

Além disso, a reação de contornar obstáculos indica uma característica importante do grupo empírico dos deslocamentos espaciais: associatividade, que denota criatividade na solução de uma situação nova.

Obs.56. Aos 0;10(14), a EE deu início à atividade do mesmo modo, com o bebê manipulando o brinquedo preferido e, após alguns minutos, escondendo em suas costas, emitindo a pergunta: onde está o brinquedo?

Augusto, então, olhou para as mãos da EE e não encontrando ficou olhando para ela que continuou perguntando-lhe onde estava o brinquedo. Ele olhou mais uma vez para as mãos da EE e não encontrando saiu engatinhando em busca de outra coisa para brincar. A EE repetiu a atividade com o Augusto mais três vezes e nessas, ele agiu diferente da primeira tentativa, após ter escondido o brinquedo e perguntado para ele onde o mesmo estava ele primeiro olhou suas mãos e após alguns segundos engatinhou ao redor dela, encontrando o brinquedo em todas as últimas experiências. Percebemos aqui que o bebê apresentou a reação de conservação do objeto, com bastante firmeza, bem como dos seus deslocamentos espaciais.

Obs.57. Aos 0;10(25), após onze dias de recesso da instituição sem os exercícios diários, a EE repetiu o experimento, mas o bebê não demonstrou interesse e saiu à procura de outro brinquedo.

A EE então realizou a atividade mais uma vez e a reação de Augusto foi a mesma da primeira tentativa.

Quando a EE repetiu pela terceira e quarta vez a brincadeira Augusto, ao invés de sair engatinhando como nas duas primeiras tentativas e após olhar as mãos da EE engatinhou ao seu redor e encontrou o objeto desejado.

Vale ressaltar que Augusto apresentou o comportamento do rodeio que é uma reação precoce, no primeiro ano de vida, cuja característica é conservar o objeto, mas não seus deslocamentos.

Obs.58. Aos 0;10(29), foi realizado o pós-teste com Augusto, pois este foi o último dia da pesquisa de campo. Após quatro dias repetiu o experimento como fazia diariamente.

Augusto olhou para as mãos da EE e não encontrando foi engatinhando ao seu redor para encontrar o objeto desejado, sem dificuldade.

A EE repetiu a atividade mais quatro vezes e em todas, ele agiu como na primeira vez; apresentou conservação tanto do objeto quanto dos seus deslocamentos. Geralmente, o bebê afasta o obstáculo para pegar o objeto, mas nesta observação a conservação do objeto foi acompanhada pela reação de contornar o obstáculo.

Obs.59. O pré-teste de Júlia (bebê de controle) foi realizado no mesmo dia que o de Augusto, quando esta estava com 0;09(26). A EE iniciou a atividade sentando junto com Júlia e observando por qual brinquedo ela mais se interessava. Após alguns minutos, sentou-se de frente para Júlia com o brinquedo escolhido nas mãos e ficou mostrando para ela deixando que ela, brincasse com o mesmo manipulando e levando a boca por alguns minutos. Depois, pediu o brinquedo de volta e, na frente da bebê, escondeu nas suas costas.

Em seguida, ficou perguntando onde estava o brinquedo. Júlia olhou para as mãos da EE e, depois, olhou para ela que continuou perguntando onde estava o brinquedo. Júlia distraiu-se com facilidade e saiu à procura de outra coisa para brincar. Ela, ainda, não apresentou a reação da conservação do objeto e nem de seus deslocamentos.

Obs.60. Após vinte e cinco dias, aos 0;10(21) foi realizado o pós-teste com Júlia (bebê de controle), mesmo que dia que foi realizado o do Augusto (bebê experimental). Ela apresentou a conservação do objeto, engatinhando e contornando a EE que mantinha o brinquedo escondido atrás das costas.

Júlia olhou para as mãos da EE e não encontrando olhou alguns segundos para ela e depois engatinhou em volta da EE e encontrou o brinquedo desejado.

Cabe acentuar que a estimulação precoce nesta atividade, como também nas outras, não passou por um controle exaustivo porque as demais funcionárias presenciaram o experimento e cuidavam de todos os bebês. Para se ter uma resposta real deste tipo de estimulação tudo indica que bebês de controle e bebês experimentais devam freqüentar berçários diferentes.