• No results found

Opplevelse og effekter av mediepress

In document Ledelse i mediestormer (sider 28-32)

Baseado numa orientação teórica da ação, o psicólogo Cultural Ernest Boesch destaca que a cultura se constitui como produtos da ação e, simultaneamente, como elementos que a possibilitam, apresentando, assim, uma perspectiva de cultura, tanto como uma estrutura, quanto como um processo (Boesch, 1991).

A concepção de campo de ação cultural envolvendo uma perspectiva individual e uma perspectiva coletiva destaca um campo que abarca, respectivamente, espaços individuais inter- relacionados com a estrutura cultural onde é possibilitada ou limitada a ação individual, e, espaços formados pelo entrelaçamento dos campos de ação cultural individual de duas ou mais pessoas ou de grupos de pessoas. Com isso, a cultura aparece como um campo de ação onde o agir das pessoas, individual e coletivamente, é possibilitado e restringido por condições e limites impostos à ação. Portanto, a cultura é apresentada como aquela que viabiliza e restringe, isto é, baliza (Valsiner, 1998) a ação das pessoas individual e/ou coletivamente, isto ocorrendo em meio a variações contínuas e simultâneas.

Em Boesch (2001) observa-se que “[...] uma ação será sempre realizada por um indivíduo cultural onde os lucros das oportunidades culturais são limitados por suas restrições e, ao mesmo tempo, o ator irá selecionar e adaptar os conteúdos culturais. (Grifos nossos)”. Neste ponto, destaque-se o papel restritivo da cultura, na medida em que, discrimina ao indivíduo seus limites e impõem restrições a sua ação, ao mesmo tempo em que, o indivíduo, enquanto ator, seleciona e adapta aquilo que é proporcionado pela cultura nessa relação. Ou seja, vê-se o aspecto seletivo da relação do indivíduo em seu campo cultural, isto é, não é tudo que a cultura oferece que é “apropriado” pelo indivíduo.

Com isso, conjetura-se, nesta perspectiva, que o indivíduo avalia os limites e restrições impostos pela cultura e, simultaneamente, seleciona o que será “apropriado” por ele (indivíduo). Assim, as pessoas buscam sua adaptação em seu campo de ação cultural em meio a limites e possibilidades demarcadas por variações e estabilidades advindas de uma relação contínua e necessária.

Neste sentido, fica pressuposto, então, que a cultura oferece uma gama de possibilidades e limites, portanto, até onde o indivíduo pode ou não chegar ou receber, em um campo cultural, já é parcialmente predeterminado. Dito de outra forma, existem estruturas/estabilidades na cultura que

não somente coexistem com o indivíduo, mas, além disso, o precedem. Assim, são proporcionadas condições para que o indivíduo aja em seu tecido cultural, ao mesmo tempo que, são restringidas certas ações em decorrência dos limites culturalmente impostos, isto é, a cultura, enquanto estruturas e processos, fornece aos indivíduos o direcionamento frente ao que pode ou não variar e quais variações serão aceitas ou não como parte daquele tecido cultural. Com isso, percebe-se, de forma aclarada, uma relação de interdependência dos indivíduos com a cultura, na medida em que estruturas e processos ancorados em limites e possibilidades, somente vem a existência, na relação com o homem.

Portanto, os eventos, objetos, significados, ideias e ações em um campo cultural possuem uma origem, uma história e estas estão em relação naquele espaço, o que remete, assim, a pensar que a cultura e os indivíduos são construídos através das relações que estabelecem entre si (do coadunar-se ou não) e, somente, através delas (relações) “ganham vida”, ou seja, somente na relação, que a cultura e os indivíduos assumem seus papéis.

Nesta perspectiva de cultura destacam-se dois, interessantes, pressupostos, apontados por Boesch (2001) e interpretadas por nós: 1) a Cultura como estruturas de referência para as ações das pessoas onde cada aspecto ou elemento da cultura corresponde e se relaciona com outros aspectos e elementos e 2) a cultura aparece num campo do possível para estabilidades onde cada pessoa age de forma imbricada com toda a estrutura cultural já construída e com as relações estabelecidas com seus pares, construindo, assim, progressivamente, sua história idiossincrática.

Desta forma, Boesch aponta que na relação entre as pessoas e seu tecido cultural, certas propriedades daquele dado tecido aparecem como referências para as ações das pessoas, isto mostra um caráter estrutural da cultura, isto é, aponta para traços de uma cultura que se mantêm e aparecem de forma mais estáveis ao indivíduo subsidiando suas ações. Além disso, destaca as relações de um indivíduo imbricadas em aspectos estruturais da cultura e com as pessoas que o envolve, mostrando o caráter dinâmico e processual das relações que as pessoas estabelecem em seu tecido cultural. Neste contexto, portanto, pode-se ver a noção de cultura de Boesch como uma estrutura pré- existente (Estabilidades) e, simultaneamente, um processo em desenvolvimento (em contínua variação), isto é, existe um indivíduo cultural e uma estrutura cultural, ao mesmo tempo em que, há uma relação interativa indivíduo-cultura onde existe um processo transformativo que afeta todos os envolvidos.

De fato, estes pontos sugerem uma cultura independente do indivíduo, na medida em que, aparece como uma estrutura preexistente e influencia as ações do indivíduo frente a possibilidades e

limites culturalmente impostos. Entretanto, desde esta perspectiva, não se entende a cultura como uma variável independente às pessoas, ao contrário, entende-se que as pessoas somente existirão em relação com a cultura e a cultura somente irá existir em relação às pessoas numa condição de interdependência mutua, indivíduo-cultura.

Ou seja, as relações estabelecidas entre os indivíduos e o tecido cultural a que estão envoltos possibilitam, desta forma, ‘o surgir das propriedades idiossincráticas’ de ambos e o ‘ser tocado pelo mundo’ numa condição em que a existência de um depende da existência do outro. Com isso, a cultura vista como um campo de ação, ou seja, como um espaço coletivo formado pelos espaços individuais que se tocam, leva-nos a considerá-la como uma

“[...] estrutura processual interativa bidirecional [...] na relação sujeito-cultura, nem sujeito, nem cultura são estruturas processuais totalmente abertas ou totalmente fechadas, mas parcial e circunstancialmente abertas uma às intervenções da outra, ao mesmo tempo que conservadoras. [...] fica claro, então, que Boesch não concebe a cultura como uma macrovariável independente, determinante do comportamento individual. Nem tampouco concebe como ilimitadas as transformações bidirecionais indivíduo-cultura. Ao contrário, ele propõe que “cultura” é um construto para focalizar estrutura e processo, estabilidade e transformação”. (Simão, 2010, p. 134, Grifos nossos)

Portanto, como se faz notar, a proposta de Boesch, acerca da noção de cultura, destaca a ação do indivíduo dentro de seu campo cultural. A cultura aparece como uma estrutura e um processo que proporciona possibilidades e limites para a ação das pessoas. As pessoas em relação com a cultura selecionam o que será apropriado ou descartado e, além disso, existirá, constantemente e continuamente, uma variação/transformação, tanto do indivíduo, quanto da cultura.

Esta posição de Boesch acerca da noção de cultura como estrutura e processo, inevitavelmente, se entrelaça, conforme destaca Simão (2010) com as questões acerca de estabilidades e variações de forma muito próxima ao que vem sendo discutido aqui desde a origem da espécie e, agora, num nível de complexidade cultural.

Com base nesta noção de cultura como estrutura e processo interativo, passaremos, adiante, a examinar recortes da obra “The invention of culture” de Roy Wagner publicada em 1981, com fins de destacarmos e apreendermos uma noção de cultura que outorgue o que foi destacado na obra de Boesch, assim como, o que vem sendo destacado, por nós, neste trabalho.

3.2.2 A invenção e o recorrente reinventar da cultura desde a Antropologia Cultural

In document Ledelse i mediestormer (sider 28-32)