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In document Ledelse i mediestormer (sider 41-46)

Como dissemos anteriormente, compreendemos o processo de transmissão cultural como um constructo utilizado para compreendermos o processo no qual aspectos da cultura vindos de gerações prévias são apreendidos e perpetuados por novas gerações numa dinâmica transformativa. Convergente com esta posição, o psicólogo Cultural Jaan Valsiner (2007) destacou que no processo de transmissão cultural ocorre uma transformação contínua dos envolvidos na relação, isto é, a informação, as pessoas e, consequentemente, a cultura, são transformados ininterruptamente.

Neste sentido, celebra os modelos bidirecional e multidirecional de transmissão cultural como aqueles que irão dar conta da riqueza de oportunidades advindas do entrelaçar-se e no atravessar na natureza e no mundo. Nesta concepção, cada geração busca dar subsídio ou suporte frente o desenvolvimento de novos integrantes do grupo ou da nova geração. Isto é, os membros da geração sucessora analisam as mensagens destinadas a eles (transmitidas pelos mais “velhos” do grupo) reestruturando suas propriedades e, com isso, se apossam de um conteúdo transformado, o que pressupõem, um caráter altamente transformativo e criativo da transmissão cultural.

Os modelos bidirecional e multidirecional de transmissão cultural se baseiam na pressuposição de que todos os envolvidos no processo transformam ativamente todas as mensagens culturais a eles destinadas. Assim sendo, pressupõem um papel ativo dos membros do grupo, ao, simultaneamente, reconstruírem, em diferentes cursos, as mensagens culturais e a si mesmos. Isto é, é multidirecional, uma vez que, afeta e, consequentemente, transforma todo o tecido cultural envolvido na relação numa relação dinâmica e processual de afetação e transformação do tecido cultural enquanto aspectos externos ao indivíduo e é bidirecional, ao passo que, possibilita a dinâmica e o processo de afetação e transformação do indivíduo consigo mesmo numa relação entre o seu interno e o externo. Em outras palavras, emerge um processo dinâmico de transformação (e manutenções) de aspectos da cultura e do indivíduo horizontalmente, transversalmente e verticalmente. Articulando com que vem sendo dito aqui, faz-se notar, nos pressupostos de Valsiner (2007) um movimento “criativo” representado pelo o que foi acusado acerca do inevitável fazer-se

surgir das transformações e mudanças nas relações indivíduo-cultura. Nesta medida, é seguro afirmar que, baseado Valsiner (2007), esta cultura dinâmica, processual, interativa e inventiva emerge, se conserva e se propaga através de processos de transmissões culturais bidirecionais e multidirecionais.

No quadro 2 é apresentado um esquema que pretende ilustrar os modelos bidirecional e multidirecional de transmissão cultural baseado em Valsiner (2007).

Quadro 2. Esquema ilustrativo do modelo de Transmissão Cultural Bidirecional e Multidirecional

No esquema apresentado, os indivíduos e/ou aspectos culturais aparecem sob as rubricas de formas geométricas. Nesta medida, cada uma das formas geométricas representa um indivíduo ou um aspecto cultural que cria algum tipo de demanda naquele tecido. Destaca-se o círculo como principal meio de exemplificação neste momento. Como se pode perceber o círculo afeta e é afetado multidirecionalmente por todos (quadrado, triangulo e losango) que fazem parte daquele singular tecido. A afetação, portanto é multidirecional na medida em que se criam demandas a todos os envolvidos na relação. Além disso, ressalta-se a relação de afetação que o círculo efetiva consigo mesmo, isto é, na transformação multidirecional o círculo entra em contato com diferentes demandas que de alguma forma produzem transformações que evocam diferentes círculos (diferentes ‘Eus’ e ‘Outros’) que se afetam bidirecionalmente no seio da relação multidirecional estabelecida entre todos os envolvidos neste ilustrativo tecido cultural.

Como se faz notar, portanto, se tomarmos o círculo como um aspecto ou mensagem cultural podemos compreender a transformação que se dá nas formas/topografias advindas de cada afetação multi e bidirecional preservando similitudes simbólicas e/ou funcionais no processo de transmissão

cultural, ou seja, todos continuam a serem formas geométricas, conquanto, sendo e representando topografias e funções transformadas na dinâmica processual, estrutural e interativa criada.

Em resumo, este é um movimento em que existe uma transformação bidirecional e multidirecional de todos os envolvidos, este movimento resulta em uma novas transformações e novas perpetuações, sendo criadas estruturas ao longo do processo e, destarte, possibilitando e/ou permitindo a apreensão de aspectos de um e de outro em diferentes ou iguais medidas e direções. Assim, observa-se que as relações emergentes entre as pessoas, seus mundos, as culturas, os outros, o si, etc, acontecem em um movimento contínuo e ininterrupto, tal como ilustrado no esquema do quadro 2.

“Nas entrelinhas” do texto de Valsiner (2007) fica, explicitamente, destacado, portanto, que o que está em foco é a questão da transformação e mudança da mensagem cultural e dos modos de agir individuais e coletivos em decorrência das relações que estabelecem. Considerar a multidirecionalidade e a bidirecionalidade da relação entre as pessoas na socialização é considerar que cada um na relação é afetado mutuamente pelo outro, promovendo, assim, uma transformação, também, mutua dos agentes em relação. Assim sendo, nota-se, através desta assunção, que toda a perspectiva do homem é construída socialmente (Wagner, 1981; Valsiner, 1998; Boesch, 2001). Complementando, cada indivíduo em interação transforma ativamente o que recebe do outro buscando integrá-las em seu próprio conteúdo que pode ser (e é) transformado durante este processo (Simão, 2010).

Desta forma, a multidirecionalidade e a bidirecionalidade no processo de desenvolvimento humano implica em considerar que as mensagens dirigidas mutuamente, uns para os outros, serão elaboradas desta ou daquela maneira, num processo transformativo.

Esta forma de compreensão acerca do que estamos entendendo como processo de transmissão cultural, isto é, um constructo utilizado para entendermos o processo no qual aspectos da cultura vindos de gerações prévias são apreendidos e perpetuados por novas gerações numa dinâmica transformativa, aparece neste estudo com propriedades que abarcam a noção de cultura desenvolvida aqui.

Nesta medida, apoiados nas conjunturas desenvolvidas nesta análise teórico-metodológica, passaremos a apresentar os comentários adicionais acerca do que temos tratado até aqui com vistas a produzir ‘uma ponte’ entre o que tem sido especulado em nível teórico-metodológico frente ao que será relatado e desenvolvido experimentalmente neste trabalho.

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