5.1 D ISKUSJON AV RESULTATER
5.1.2 Opplevd kompetanse til å utføre jobben
De acordo com o artigo de Metodologia de Projeto (Estudantes et al., 2010), a metodologia de projeto apresenta várias fases, na qual contempla a definição dos objetivos. Os objetivos identificam os resultados que queremos atingir para a população inquirida. Estes podem incluir vários níveis, desde o geral ao específico. Os objetivos do projeto devem ser claros, em número limitado, devem utilizar uma linguagem precisa e sucinta, devendo, ainda, ser executáveis e calculáveis, tanto a nível de quantidade, como de qualidade e duração.
Uma vez identificadas as necessidades da amostra, traçou-se como objetivo geral:
Promover o desenvolvimento de competências nos familiares/cuidadores de pessoas com alteração do estado de saúde mental, nomeadamente esquizofrenia.
Benner (2001) descreve os domínios dos Cuidados de Enfermagem, entre os quais: a função de ajuda; a função de educação e de guia. O enfermeiro deve ser o facilitador, o mediador no desenvolvimento de competências nos familiares/cuidadores, respeitando-os como peritos na experiência de cuidar, transmitindo-lhes de forma segura, honesta e profissional a esperança, o otimismo e fornecendo-lhes simultaneamente informação e competências que vão ao encontro das suas necessidades, para que se sintam implicados no cuidar do seu familiar, com alteração do estado de saúde mental, de modo a melhorar a qualidade de vida da família (Alto Comissariado da Saúde/Ministério da Saúde, 2009). No cuidar, o enfermeiro deve sentir-se implicado na situação, sendo esse comprometimento que evidencia a particularidade da função de ajuda do enfermeiro (Benner, 2001).
Watson, na sua teoria sobre cuidar, alude que os objetivos “estão associados a um crescimento mental-espiritual para o Eu e outros, encontrando significa do na nossa
71 existência e experiência s, descobrindo um poder e controle interiores e potenciando instâncias de transcendência e auto-recuperação” (2002:128).
Esta autora menciona também que o cuidar exige conhecer as atitudes e as respostas do ser humano, para problemas de saúde atuais ou potenciais. Deste modo cuidar “requer ações facilitadas, ou seja, ações que permitam que outros resolvam os problemas, cresça m e transcendam o aqui e agora, ações que estão relacionados com o conhecimento geral e específico do cuidar e das respostas humanas” (2002:129).
Assim, é essencial que o enfermeiro procure conhecer e ser conhecido. Precisa de estabelecer laços com as pessoas com alteração do estado de saúde mental e com os seus familiares/cuidadores, de modo a que, ao germinar entre estes uma relação recíproca de confiança e de ajuda, esta possa dar frutos. Estes frutos irão transformar a vida dos familiares/cuidadores, pois esta relação procura apenas capacitá-los, de modo a aliviar a sobrecarga que sobre eles recai, permitindo-lhes alcançar uma melhor qualidade de vida. Através destas experiências o enfermeiro evolui como profissional e como pessoa, o que vai ao encontro do que é mencionado por Benner (2001).
A SPESM refere que “os grupos para cuidadores informais sejam predominantemente de apoio ou psicoeducativos, podem ser muito úteis na ajuda aos familiares do doente, sobretudo em áreas específicas, como o alívio da tensão ou o ganho de informação sobre a doença” (2010:38). Em consonância, a maioria das intervenções familiares, na esquizofrenia, têm atuado sobretudo na área de prevenção da doença. Com o intuito de melhorar o bem-estar de cada pessoa e o funcionamento sistémico da família.
Os Grupos Psicoedutativos são eficazes na satisfação das necessidades de informação e apoio às pessoas com esquizofrenia e suas famílias, devendo por isso passar a fazer parte do leque habitual de serviços em psiquiatria. Mas, é necessária mais investigação sobre como implementar este tipo de intervenção de forma eficiente, tendo também, em vista a definição de padrões de cuidados para estes doentes e suas famílias (Barroso et al., 2007).
Além do tratamento farmacológico e do apoio psicoterapêutico individual à pessoa portadora de esquizofrenia, considera-se também fundamental o papel desenvolvido pelos seus familiares/cuidadores, ou pelas pessoas com quem o doente convive mais de perto, dada a importância das características do ambiente no controlo e prevenção dos sintomas. As famílias não estão preparadas para lidar, de forma continuada, com sintomas e comportamentos tão complexos como os que ocorrem na esquizofrenia, e por isso podem
72 estar a estimular os sintomas que na realidade gostariam de ver minorados. Por esse motivo julga-se necessário que, em conjunto com o tratamento farmacológico (que regula a excitabilidade interna cerebral), também uma mudança no clima emocional familiar, pode ter um efeito complementar na prevenção da recaída, através da redução da intensidade dos estímulos externos a que a pessoa com alteração do estado de saúde mental está sujeita diariamente, diminuindo a alta emoção expressa (Santos, 2011).
Para que isto possa acontecer é essencial que os familiares/cuidadores sejam envolvidos no processo de tratamento, ensinados e apoiados para lidar eficazmente com a doença, sendo este o principal objetivo das intervenções psicoeducativas familiares (McFarlane, 2002; Gonçalves Pereira et al., 2007 e CNRSSM, 2007).
As intervenções psicoeducativas familiares propõem-se a aumentar conhecimentos e competências para lidar com o familiar com alteração do estado de saúde mental, reduzindo os níveis de stress na família, podendo ter repercussões positivas a nível da saúde mental dos cuidadores. A evidência destas intervenções é a sua utilização em programas educacionais, nomeadamente informação sobre a doença, meditação, etiologia, prognóstico, recursos da comunidade ou a legislação de saúde mental, compreendendo nalguns casos abordagens ao treino de comunicação ou resolução de problemas (Pereira/Sampaio, 2011).
De acordo com Magliano/Fiorillo, (2007), os diversos modelos existentes têm diferenças, no entanto, todos apresentam componentes análogas, nomeadamente no que respeita à informação sobre a doença mental (diagnóstico, sintomas característicos, efeitos da medicação, evolução da doença) e todos os modelos de intervenções psicoeducativas visam a melhoria da comunicação no seio familiar, o desenvolvimento de competências para a resolução de problemas, de estratégias de coping e de estímulo para o empenhamento social.
Segundo Fresán et al. (2001), a psicoeducação pode definir-se como a gestão organizada de informação e treino às pessoas com alteração do estado de saúde mental e seus familiares/cuidadores, sobre os sintomas, a etiologia e o tratamento, com o objetivo de melhorar os comportamentos associados à doença. Com a mesma, pretende-se que os familiares/cuidadores consigam desenvolver competências, de modo a conseguirem ter atitudes e comportamentos mais assertivos, no lidar com o familiar com alteração do estado de saúde mental, assim como, possuir um maior conhecimento acerca da doença mental. O que potencia o aumento de literacia em saúde (Pereira/Sampaio, 2011).
73 O Regulamento dos Padrões de Qualidade dos Cuidados Especializados em Enfermagem de Saúde Mental (RPQCEESM, OE, 2011:15) define literacia como:
“a capacidade de reconhecer os diferentes aspetos relacionados com a saúde mental ou com as
perturbações mentais; sabendo como procurar informação acerca da saúde mental; conhecimento de fatores de risco e causas, os tratamentos, os profissionais disponíveis, e as atitudes que promovam o
reconhecimento e a adequada busca de ajuda”.
Segundo Dixon et al., (1995) qualquer que seja o modelo base utilizado, existem características que os programas psicoeducacionais familiares deverão compreender para terem sucesso, como: olhar a esquizofrenia, como uma patologia, como outra qualquer; os orientadores devem ser profissionais de saúde; no plano estabelecido abordar a adesão à medicação; incluir as pessoas com alteração do estado de saúde mental e suas famílias/cuidadores como parceiros nos cuidados; sendo os principais intervenientes no plano terapêutico. Reconhecer a família como um recurso.
Quando é que se deve iniciar uma intervenção psicoeducacional de modo a aumentar a sua eficácia? Em relação a esta questão, ainda não há consenso. No entanto, os vários estudos publicados desde os anos 80, têm demonstrado que qualquer que seja o momento da intervenção, esta é eficaz, principalmente na redução das taxas de recaída quando comparados aos cuidados psiquiátricos convencionais (Magliano/Fiorillo, 2007 e Mari, 1998).
No presente trabalho de projeto foram realizadas várias intervenções psicoeducativas, que procuram suprir as necessidades identificadas, visto que, não é possível resolver problemas sem primeiro os identificar. Para que os familiares/cuidadores consigam apreender alguma informação que vá ao encontro da sua prática diária, sem “os
cansar” com informação de que não sentem necessidade, foi adotado um método de várias
sessões de intervenções psicoeducativas, para cada necessidade identificada, as quais poderão estar, ou não, interligadas.
As sessões psicoeducativas destinam-se aos elementos da amostra, sendo de cariz grupal e não individual, tendo como objetivos específicos:
Transmitir informação;
Fomentar uma atitude mais esclarecida e informada sobre a doença; Promover a expressão livre de emoções e afetos;
Favorecer a troca e partilha de experiências; Estimular a capacidade reflexiva;
74 Promover a compreensão e aceitação da doença mental;
Favorecer o sentimento de pertença a um grupo;
Permitir o esclarecimento de dúvidas e ensino de estratégias.