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Quando questionados “Quais as respostas sociais que conhece?”, apenas António e Ana demonstram nas suas palavras que tinham capacidade para procurar informação “Eu já sondei

alguns lares...As enfermeiras têm-me falado que existem para o descanso do cuidador, que ela pode ir 15 dias ou um mês para descanso do cuidador.”- (António) e “Eu pergunto tudo ao médico quando me lembro, ter trabalho no centro de saúde também ajudou.” - (Ana).

As restantes respostas aparecem sobre a forma de suporte familiar “O meu irmão também já está reformado e a minha cunhada também já esta reformada a…. Estou eu reformada o meu marido também já está. Estamos todos mais ou menos orientados. Estamos sempre disponíveis para tratar deles (…)”- (Mariana), ajudas técnicas onde referiram a ECCI “As enfermeiras que vêm cá a casa” (Lurdes), os Lares, SAD e Centro de Dia “Apoio domiciliário … conheço o lar o centro de dia”- (Ana).

Relativamente ao apoio de terceiros é possível verificar que os apoios informais surgem na primeira linha, nomeadamente o apoio de familiares, tal como afirma Paula “A minha família auxilia muito”, amigos e vizinhos. Na família surgem como elementos que prestam apoio

nomeadamente as filhas “Tenho as minhas filhas apoiam-me (…) ” - (Lurdes), conjugue “Tenho do meu marido (…)” - (Joana), irmãos “ (…) depois tenho de pedir há minha irmã, para a minha irmã ficar cá”- (António), cunhados “Tenho a minha irmã e o meu cunhado que vêm cá. Os meus filhos estão longe (…) ” - (António) e netos “Os meus meninos (netos) embora eu os ajude eles também me têm ajudado, num aspeto que é como a doutora disse (pensar em

momentos passados- terapia de reminiscência) ”- (Paula). Os amigos e vizinhos também surgem no discurso dos cuidadores como elementos que prestam apoio “Também já tenho dito as

vizinhas, de vez em quando vão ali, que precise de alguma coisa (…) ”- (Joana), “As vezes tenho amigos que me ligam e me dizem “Como é que estás? As vezes preocupo-me mais contigo do que com a tua mãe” (Paula).

Por último, surge o apoio formal, nomeadamente a ECCI “Vêm aí as enfermeiras…” -

(Joana) e o SAD “As raparigas vêm cá três vezes por dia, não é o suficiente para tratar da minha mãe.” - (Mariana). No entanto, apesar deste suporte, com características formais, é

possível verificarmos que os cuidadores o consideram manifestamente insuficiente, tal como afirmou Mariana anteriormente. O SAD presta serviços no domicílio dos idosos dependentes, de forma permanente ou temporária e tem como objetivo satisfazer as necessidades básicas e

90 auxiliar na realização das atividades de vida diária, sendo um auxílio imprescindível aos cuidadores informais que usufruem deste apoio, permitindo uma ação de proximidade e personalizada (Martins, 2006). A ECCI, resposta transversal em todos os cuidadores informais, presta serviços aos idosos em situação de dependência, doença terminal ou em situação de convalescença (cuja situação não necessita de internamento), auxiliando os cuidadores em questões técnicas e saúde. No discurso dos cuidadores a ECCI surge como uma entidade de elevada relevância e de apoio (ARSN, 2014).

Quando questionados sobre “Para além de cuidar, quais as outras atividades que realiza?” foi possível verificarmos que para além das tarefas inerentes ao ato de cuidar, os

cuidadores realizam outras atividades no seu quotidiano, nas quais destacamos o cuidados prestados a outros familiares, nomeadamente netos “Olho pelo meu marido, olha pela minha netinha, que é preciso olhar por ela, dar-lhe comer, se for preciso dar-lhe banho de um momento para o outro dou-lhe banho, ou se ela sujar a roupa tenho de lha tirar.”- (Lurdes), “Sou avó, agora neste caso a minha filha está em casa, já não necessito de a ajudar! Uma vez faz uma (comida) uma vez faz outra!”- (Joana),“E depois trato dos meus netos.”- (Paula) e

filhos “Os meus filhos de vez em quando também vêm, trazem muitas roupas e depois abalam e fica muita roupa á mesma.”- (Mariana).

As atividades domésticas também surgem como outras atividades realizadas “Faço as

limpezas na casa, faço…passo a ferro, eu lavo, olhe tenho de lavar agora à mão que a minha máquina avariou! Agora nem maquina tenho! Cozinho, e já não é pouco?” - (Lurdes), “Depois venho para casa, venho tratar do jantar, passar alguma roupa, fazer alguma limpeza”- (Joana), “ (…) vou a cozinha ver o que há, os restos de ontem e tal. Meto a loiça na máquina, por exemplo hoje, tirei a loiça da máquina, meti a roupa para lavar” - (António), “Depois vimos para casa e é o almocinho, lavar a roupa, cozinha, aquela coisa toda. Depois tenho uma coisa na ideia de ir fazer e vou. Vejo a novela.”- (Ana).

Por último, surge a atividade profissional, onde Joana (única cuidadora inserida no mercado de trabalho) afirmou que “Às 7 e meia tenho de estar ali em cima à espera do autocarro, vou á rodoviária, vou a pé ao hospital as 8horas tenho de estar a trabalhar.” - (Joana).

Após a realização das sessões verificamos que a subcategoria falta de informação e respostas informais, deixaram de ser verbalizadas pelos cuidadores informais. Após a intervenção apenas se manteve relativamente às respostas sociais as subcategorias procura de

91 informação “Ver, ver só vi lá o debaixo o Lar da Penha, tenho visto na internet coisas boas,

mas as coisas boas também são muito caras não é? Tenho consultado … em Lisboa há muita coisa de Apoio domiciliário, aquela zona de Benfica (…)”- (António) e respostas técnicas.

A família e os amigos e vizinhos “… se for preciso vir o meu filho se eu o chamar também

vem … já chegou cá a vir… e assim mais ninguém não a não ser os meus filhos … está tudo dentro de minha casa pronto”- (Lurdes), “As vizinhas também estão avisadas se o meu marido não está de vez em quando vêm ver ou pois pelo menos duas (…)” - (Joana) mantêm-se como

um apoio fundamental aos cuidadores, desparecendo no discurso os cuidados formais.

Para além de cuidar todos os cuidadores mantêm como tarefas do quotidiano os cuidados prestados a outros familiares “Tomo conta dos meus três netos, desde junho, só nas férias, vêm de 15 em 15 dias, outras vezes de 8 em 8 dias, vêm muitas vezes.” - (Paula), as atividades

domésticas “ (…) depois venho às 5 para casa é também fazer o comer ou passar roupa ou…olhe é o dia-a-dia de dona de casa.” - (Joana), e na situação e Joana a atividade

profissional.

Após a realização das sessões no domicílio dos cuidadores, e colocada a questão “Se neste

momento começa-se a ser cuidadora de que forma adaptava o seu quotidiano?” surgiram como

respostas maioritariamente a ausência de alterações, afirmando na sua maioria que não alterariam o seu dia-a-dia, mantendo todas as decisões que tomaram até agora “Se me

acontecesse agora só? Eu acho que não mudava nada, eu acho que não mudava nada.” -

(Lurdes), “Não tomaria assim decisões muito diferente...”- (António).