Ao analisarmos as entrevistas é possível verificarmos que todos os cuidadores consideraram pertinente a realização de um futuro programa de apoio aos cuidadores, justificando esta situação na importância que a comunicação tem na intervenção “Sim é importante! Importantíssimo! Porquê? Porquê? Agora para responder. Agora? É importante porque sei lá… agente a conversar também desabafa aquilo que tem a (...) ” - (Lurdes), “Sim também é importante porque a pessoa desabafa as magoas que tem não é? E é mais fácil falar com outras pessoas do que propriamente as pessoas mais chegadas” - (Joana), “Sei lá, sinto- me bem a falar (…) ”- (Mariana), “Acho que dá-nos força, dá-nos força… porque agente parece
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que ficamos com o peito cheio. Fico muito melhor quando sai daqui, estar a falar, muito aliviada. É de louvar o seu trabalho. É muito bom. Todas as pessoas deviam ter… porque isto é um género de uma terapia.”- (Paula).
Referiram também que a exposição à informação é pertinente “Sim sim…acho que era
importante porque ajudavam, explicavam certas coisas, dúvidas!” - (Joana), “A pessoa devia ter onde aconselhar se era importante ou não dizer (contar à mãe a doença que tem-doença oncológica). Mas eu como nunca tive assim esse apoio prefiro não dizer. Achei que foi melhor assim”- (Joana) e que partilhar experiências com outros cuidadores seria interessante e
importante “É interessante, é interessante. Um apoio mais psicológico e era interessante conhecer outros cuidadores e a opinião dos outros.”- (António), “É importante...toda a gente havia de ter, porque é muito bom (…) ” - (Ana).
Após as sessões, foi formulada a seguinte questão “Acha importante a existência de um programa de apoio aos cuidadores?” à qual os cuidadores responderam através de relatos sobre
a importância do trabalho desenvolvido junto deles, aludindo o seu discurso também a algumas das atividades desenvolvidas em contexto de domicílio. Os cuidadores referiram que a terapia de reminiscência realizada com recurso a fotografias foi bastante importante tal como afirma
Paula “Achei uma sessão muito emotiva também, com emoção de recordar os nossos tempos de jovem e os meus familiares e pronto tudo isso. As memórias ficam cá para o resto da vida. Ajudou-me bastante. “O jogo das emoções também aparece no discurso dos cuidadores como algo importante no processo de intervenção, afirmando que “ (…) tao mais controladinhas e
tudo (as emoções) está sim senhor” - (Lurdes), “Achei interessante (jogo das emoções) porque há certas coisas que as pessoas às vezes nem sabe como há de resolver, como dizer as coisas não é? (...) acho que sim que a pessoa certas vezes nem sabe como há de resolver certas coisas e assim está mais esclarecida (…) ”- (Joana), “Ás vezes agente parece que não sabe responder (ao abordar o jogo das emoções) pois (…) ”- (Mariana).
De acordo com Butler, 2002 cit. in Gonçalves, Albuquerque & Martín, 2008:102 pioneiro da utilização das memórias como meio de adaptação às etapas finais de vida, “a avaliação retrospetiva dos acontecimentos de vida permitia realizar um balanço das experiências significativas, resolvendo potenciais conflitos.”
Lurdes afirmou também que as sessões provocaram nela a reflexão relativamente à resiliência afirmando que “ (…) tenho pensado sobre o elástico (resiliência) às vezes tenho
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medo dele… qualquer coisa e…que eu também não sou assim muito de explodir assim fácil… acho que o elástico não vai… acho que não mas já está um pouco esticado… 30 anos a esticar, a esticar… (...) ”
A comunicação e a exposição à informação constituíram também dois fatores influentes na opinião dos cuidadores. A informação sobre as respostas sociais existentes na opinião de Paula “Foi muito importante (sessões onde foi informada sobre o descanso do cuidador), é que se eu
algum dia tiver necessidade talvez vá ai recorrer, porque não vou dizer não, porque se eu um dia tiver necessidade talvez recorra.”
A comunicação surge no discurso dos cuidadores como uma ferramenta essencial na intervenção, partilhando quase todos da importância que teve ao longo de todo o processo “ (…) sei lá e as tais coisas que me disse… pensava (depois das sessões) que tinha sido agradável estar a falar consigo… Senti-me porque falávamos e a pessoa fica mais leve, senti-me sempre à vontade para falar consigo, é especial! (risos) ” - (Joana), “(…) eu acho que sim (as preocupações têm diminuído) pelo menos o bocadito que estamos aqui sempre estamos mais distraídos (…)” - (Mariana), “ (sobre as sessões) uma pessoa também gosta de falar sobre esses assuntos e tal (…)” - (António), “Muito, muito e não devia terminar que alguém pegasse no seu trabalho e que seguisse o seu exemplo, porque me deu muita força. E estou sempre a pensar, ao sábado vem a doutora. Penso que tem sido muito proveitoso para mim. Gostei muito de falar com a doutora e ensinou-me bastante.”- (Paula).
Neste sentido, a comunicação assumiu uma forma terapêutica, permitindo desenvolver uma relação de confiança com o cuidador informal, facilitado e permitindo o desenvolvimento de competências sociais. A comunicação surge assim no âmbito do conceito de comunicação terapêutica “como a habilidade do profissional em utilizar seu conhecimento sobre comunicação para ajudar a pessoa a enfrentar seus problemas, conviver com os outros, ajustar- se ao que não pode ser mudado e superar os bloqueios à autorrealização” (Araújo, Silva & Puggina, 2007:420).
Lurdes e Paula assumiram pensar sobre a possibilidade de nomear alguém para cuidar caso um dia não tenham disponibilidade, sendo estas afirmações, na nossa perspetiva um avanço
“Sim, sim, já tenho pensado, já tenho pensado que ela de certeza absoluta, mesmo as irmãs… mas essa tem mais… tem trabalho para já não é? Essa ficava logo ai.” - (Lurdes), “Isso ainda
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não pensei (aceitar outra pessoa a cuidar da mãe) mas pronto se calhar teria de meter isso na cabeça porque para uma eventualidade estar preparada.”- (Paula).
Joana e António partilharam ainda a ideia de considerarem pertinente outros cuidadores serem expostos a um programa desenvolvimento de competências sociais afirmando que “Acho
que era importante (outros cuidadores terem sessões) porque a pessoa fica mais uma ideia de como resolver certos problemas que surgem e que a pessoa não está habituada a lidar com eles, acho que sim.”- (Joana) e que “Eu ia se houvesse como em Campo Maior o café não é? (espaço para cuidadores informais - Santa Casa da Misericórdia de Campo Maior). Eu havia de arranjar maneira de ir.”- (António).
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CAPÍTULO VII- ANÁLISE TRANSVERSAL DOS RESULTADOS EMPÍRICOS