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Oppgavens struktur

Vedlegg 4 Intervjuguide

1.3 Oppgavens struktur

Afim de investigar o modo como o Facebook de Cid é abordado na cobertura do O Povo, de que maneira é utilizado como fonte de informação e como a fanpage é explorada na

construção do noticiário, será necessário nos debruçarmos sobre a forma e o conteúdo dos textos publicados no jornal. Nesse sentido, consideramos que a Análise de Conteúdo (AC) tem contribuições a dar à pesquisa.

Caregnato e Mutti (2006, p. 683-684) apontam uma série de diferenças entre AC e

AD, que assim podem ser resumidas: “A AD trabalha com o sentido e não com o conteúdo; já

a AC trabalha com o conteúdo, com a materialidade lingüística através das condições empíricas

do texto, estabelecendo categorias para sua interpretação”. São, portanto, as condições

empíricas do texto que interessam na análise de conteúdo, que pode, ainda, ser de natureza qualitativa ou quantitativa – enquanto na AD prevalece apenas a interpretação qualitativa.

Bardin (1977, P. 38) define AC como “um conjunto de técnicas de análise das comunicações, que utilizam procedimentos sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo

das mensagens”. A metodologia de análise, explica a autora, irá variar de acordo com as

perguntas da pesquisa e a natureza do corpusempírico. Conforme afirma: “O analista possui à sua disposição (ou cria) todo um jogo de operações analíticas, mais ou menos adaptadas à natureza do material e à questão que procura resolver” (BARDIN, 1977, p. 42).

A maior parte das técnicas de AC são as do tipo temática ou frequencial, sendo

“tema” um conceito fundamental para a investigação que propomos.

Tema é a unidade de significação que se liberta naturalmente de um texto analisado segundo os critérios relativos à teoria que serve de guia à leitura. O texto pode ser recortado em ideias constituintes, em enunciados e em proposições portadoras de significações isoláveis. [...] Fazer uma análise temática consiste em descobrir os

“núcleos de sentido” que compõem a comunicação e cuja presença ou frequência de aparição podem significar alguma coisa para o objetivo analítico” (BARDIN, 1977,

p. 103-105).

À luz dos pressupostos da Análise de Conteúdo, portanto, procuraremos realizar na parte do corpus em que se aborda o conteúdo das postagens de Cid Gomes uma análise categorial temática (BARDIN, 1977, p. 153), estabelecendo categorias segundo reagrupamentos analógicos a partir de conceitos trabalhados ao longo dos dois capítulos teóricos do presente trabalho, tais como critérios de noticiabilidade, estratégias de credibilidade e legitimação, dentre outros, que detalharemos a partir do tópico 5.4

5.3.2 Análise do Discurso

Porém, compreender o modo como a fanpage de Cid é explorada na construção do noticiário não é nossa única proposta. Outro intuito é identificar os efeitos de sentidos dos discursos expressos na cobertura jornalística a respeito da estratégia do ex-governador de utilizar o Facebook para se comunicar. Assim, entendemos que a Análise do Discurso francesa será determinante para que possamos cumprir esse objetivo.

Para a AD, “discurso” significa efeito de sentido entre interlocutores (PÊCHEUX, 1988). Essa disciplina de entremeio entre a Linguística e as Ciências Sociais (ORLANDI, 2007) se interessa justamente pela produção desses sentidos, tendo como um dos princípios fundamentais a noção de que a palavra é opaca – em oposição a transparente –, que não é autônoma nem possui sentido literal único, mas, ao contrário, é sempre atravessada por contextos e ideologias. Para começar a detalhar tais premissas, recorremos a Orlandi (2001, p.

38), para quem “todo dizer é ideologicamente marcado”, ou seja, como explica Pêcheux:

O sentido de uma palavra, de uma expressão, de uma proposição etc., não existe ‘em

si mesmo’ (isto é, em sua relação transparente com a literalidade do significante), mas,

ao contrário, é determinada pelas posições ideológicas que estão em jogo no processo sócio-histórico no qual as palavras, expressões e proposições são produzidas (isto é, reproduzidas). Poderíamos resumir essa tese dizendo: as palavras, expressões, proposições etc., mudam de sentido segundo as posições sustentadas por aqueles que as empregam. (PÊCHEUX, 1997, p. 160, grifo do autor).

Autores como Caregnato e Mutti (2006, p. 681) nos ajudam a compreender melhor

esses pressupostos, acrescentando: “Na AD a linguagem vai além do texto, trazendo sentidos

pré-construídos que são ecos da memória do dizer. [...] O sentido não está ‘colado’ na palavra,

é um elemento simbólico”. Essa “memória do dizer”, por sua vez, remete a outro conceito importante, o de “interdiscurso”. Ambos fazem referência àquilo que já foi dito previamente,

aos discursos exteriores que permeiam determinado discurso. Afinal, “O sujeito tem a ilusão de ser dono do seu discurso e de ter controle sobre ele, porém não percebe estar dentro de um

contínuo, pois todo discurso já foi dito antes” (CARGENATO; MUTTI, 2006, p. 681).

Para nós, é importante a noção de que a AD também se interessa pelos implícitos em um discurso, os chamados “não-ditos”, considerando-se que estes também fornecem

sentidos ao texto. “Há uma dimensão do silêncio que remete ao caráter de incompletude da

Para a autora, o não-dito, portanto, complementa aquilo que é dito explicitamente, e deve ser buscado, percebido e considerado pelo analista.

É pertinente notar, ainda, que “o discurso acontece no espaço entre os sujeitos, e

por isso ele é efeito de sentidos entre interlocutores [...]. Existe uma materialidade textual que

carrega sentidos potenciais, e os sentidos são produzidos na relação intersubjetiva” (BENETTI,

2016, p. 238). É essa relação intersubjetiva entre os sujeitos de um processo discursivo que também deverá ser levada em conta na análise. Perceber os interlocutores envolvidos, seus lugares de fala, as ideologias que os envolvem, será, desse modo, fundamental neste trabalho.

Outro dos conceitos mais recorrentemente trabalhados na Análise do Discurso é o de Formação Discursiva (FD). O termo, desenvolvido originalmente por Foucault (1986) em A

Arqueologia do saber, tem sido utilizado em AD para definir aquilo que “determina o que pode

e o que deve ser dito” em determinada formação ideológica (PÊCHEUX, 1997, p. 160). Fischer

(2001) é pedagógica ao esmiuçar o termo:

Quando falamos em discurso publicitário, econômico, político, feminista, psiquiátrico, médico ou pedagógico, estamos afirmando que cada um compreende um conjunto de enunciados, apoiados num determinado sistema de formação discursiva: da economia, da ciência política, da medicina, da pedagogia, da psiquiatria. Isso, porém, não significa definir essas formações como disciplinas ou como sistemas fechados em si. No caso dos discursos feminista e publicitário, mesmo que não se possa falar na tradição de uma área específica, como ocorre nos outros exemplos, pode-se dizer que seus enunciados têm força de conjunto e se situam como novos campos de saber [...]. A formação discursiva deve ser vista, antes de qualquer coisa, como o princípio de dispersão e de repartição dos enunciados (idem, p.124), segundo o qual se sabe o que pode e o que deve ser dito, dentro de determinado campo [...]. Ela funciona como matriz de sentido, e os falantes nela se reconheceriam, porque as significações ali lhes parecem óbvias, naturais (FISCHER, 2001, p. 203- 204, grifos nossos).

Listados esses conceitos, ressaltamos que nosso objetivo com a AD, portanto, é buscar os sentidos embutidos em parte da cobertura do O Povo, para além da palavra escrita e de seu sentido literal. Ao nos debruçarmos sobre parte específica do corpus (aquela em que há considerações sobre a estratégia de comunicação on-line de Cid Gomes), procuraremos não explorar somente forma e conteúdo dos textos que compõem, mas investigar os sentidos que

decorrem das enunciações. Não se trata somente de analisar a materialidade, o “dito”, mas

observar o que o silêncio, o “não-dito” a respeito da fanpage do ex-governador Cid Gomes revela sobre a cobertura jornalística do O Povo.