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KAPITTEL 5 – DYNAMISK RISIKOSTYRING I OPERASJONELL FASE

5.2 Dynamisk risikoanalyse

5.2.2 Oppfølgning av antakelser

Além dessas situações, houve casos em que os professores fizeram o concurso para preencher, justamente, as vagas da EJA. Com isso, ainda que para algumas delas não fosse o que queriam, os professores fizeram o concurso já sabendo que iriam trabalhar com jovens e adultos. Portanto, nesse caso, a atividade significou tão somente uma convocação que se deu, naturalmente, por consequência do concurso realizado.

Na minha primeira experiência de professor, eu peguei uma sala de primeira série. Era num sítio, lá no sítio Cumbi. E eu num achei essa coisa toda difícil não, porque também eram criancinhas. Aí, depois eu ensinei três anos na primeira e na segunda série. Depois, o prefeito me botou pra fora, né? Quando eu voltei, é porque eu passei no concurso e comecei a ensinar no Ensino Fundamental. Trabalhei bem seis anos... Aí, agora, eu estou na EJA, daqui, por concurso público de professor (JOÃO, 2009).

Em 2000, eu fiz o concurso de Carnaubais. E você sabe, quando a gente faz um concurso, vai pela necessidade. Então, lá, surgiu que eu ficasse no Ensino Fundamental, mas, era muito distante da cidade de Carnaubais. Ficava já numas áreas de assentamento. Daqui de Assú, para a área de assentamento, ficava mais distante ainda. Devido a isso, eu fiquei na EJA de lá, porque era na cidade. Depois, fiz o concurso de Assú. Mas, a diretora desta escola aqui me convidou pra eu vir para cá e eu aceitei. Saí da outra escola porque também ficava distante da minha casa. Houve uma conveniência e, como também gosto muito de trabalhar com jovens e adultos, aqui estou (JOSÉ, 2009).

Meu concurso foi para o ensino de primeira à quarta série na EJA. Eu fui chamado, porque... É... Fiquei na primeira colocação e fui logo chamada pra educação de jovens e adultos. Então, eu bati de cara com o nada, sem saber de nada, assim... Sem saber como lidar com os alunos... Sem saber o que fazer, né?... Como levar aquela aula... Pra que eles... Pra que saísse a contento. Fui assim, todo atordoado, mas fui! (RAIMUNDO, 2009).

Diante desses relatos, destaco a importância de se discutir o impacto que certos arranjos institucionais têm sobre o ingresso do docente em sua atividade e, ainda, sobre sua relação com o saber.

Imagine o leitor as razões pelas quais o prefeito “botou pra fora” o professor João Maria, assim como as razões que fizeram o professor José ser escalado para trabalhar nos assentamentos distantes de sua cidade. Decerto, além da falta de planejamento na lotação dos professores, não se pode descartar as “armações” de cunho político que são muito comuns nas cidades do interior. Ao ver acentuada sua condição de iniciante e, por isso, um sujeito com poucas escolhas, os professores tentam se adequar ao que é, aparentemente, a melhor “alternativa” para eles.

Se tomarmos a direção do que expõe o professor Raimundo, a linha de raciocínio se altera devido à consequência imediata do concurso, mas não despreza, mesmo assim, o viés da falta de planejamento do Poder Público. De acordo com a narrativa do entrevistado, sua chegada à EJA foi uma colisão com “o nada”, um verdadeiro bater “de cara com o nada”. Ocorre que esse “nada” não significou o inexistente, posto que havia diante dela os alunos e a realidade de uma sala de aula. Por certo, o “nada” correspondeu à ajuda mínima que o professor esperava encontrar e não encontrou.

Infelizmente, essa é a realidade de uma significativa parte das escolas que atendem aos jovens e adultos. Em acréscimo, tal situação vem se configurando como produto de uma série de fatores político-administrativos que culminam no empobrecimento de oportunidades de desenvolvimento, tanto para os alunos quanto para o professor da EJA. A Educação de Jovens e Adultos, em especial a daquelas cuja sociedade é devedora, que são os pobres, não tem gozado da merecida atenção por parte do Poder Público, especialmente, no que concerne ao acesso equitativo.

Por serem os professores as pessoas responsáveis, mais diretamente, pelo atendimento aos alunos, eles têm enfrentado sozinhos essa sensação angustiante de bater “de cara com o nada”, descrita por Raimundo.

O problema é que a preocupação com os direitos dos alunos e com a relação com o saber dos professores está cada vez menos na pauta de compromissos dos gestores públicos. Por isso, não é difícil inferir o quanto os professores que entrevistei se desviaram de seus projetos profissionais.

podia trabalhar durante o dia por causa da minha mãe que tem uma idade muito avançada e sou eu quem cuida dela. Eu num sei. Eu acho que a EJA requer do professor muito mais paciência, muito mais tolerância, certo? Mas, a minha relação com os alunos é boa, né? Eu procuro tratar eles o melhor possível, embora as minhas dificuldades ainda sejam muitas (WANJA, 2009).

Até mesmo os professores que fizeram o concurso sabendo que a vaga era para a EJA,, no caso de Wanja, não imaginaram o quanto seriam complexas as consequências de sua decisão. Isto se justifica porque a realidade flagrada, por exemplo, no espaço da escola exige muito mais dos professores do que a atividade de educar jovens e adultos possa demandar.

Nessa ordem de ideias, após a entrada dos professores no magistério, o sentido que eles davam a essa atividade mudou em função das novas experiências que passaram a viver junto aos jovens e adultos.

Como isso, é sempre relativa a objetos que se prendem a uma atividade, no caso a EJA, é para jovens e adultos que os professores fazem convergir os objetivos de sua mobilização. Ao fazer tais afirmações, lembro-me de que a Educação de Jovens e Adultos é altamente centrada no aprendiz e, por isso, exige do professor um saber específico para compreender, conhecer e reconhecer o jeito particular dos alunos de serem e estarem no mundo. Desse modo, é por causa dos alunos que os professores dizem permanecer na EJA..

O que antes era tido apenas como uma oportunidade de trabalho, e/ou de ascender socialmente, passou agora a ser visto como uma oportunidade de poder contribuir com a formação moral e intelectual dos alunos. Os móbeis que, inicialmente, conduziram-nas a essa atividade passam a ter o aluno como fonte, seja pela troca de experiência seja pelo desafio de aprender a lidar com eles. Assim sendo, o reconhecimento dos alunos, por meio das relações afetivas que se criam, é o que promove grande satisfação no trabalho de educar e, certamente, o que mantém os docentes mobilizados para permanecer nessa atividade,,conforme veremos na próxima seção.