O bem-estar das populações começou a figurar na agenda política nacional e internacional, sobretudo a partir da Segunda Guerra Mundial (1939-1945) e mais concretamente com a Declaração dos Direitos Humanos em 1948.
No período pós Segunda Guerra Mundial o conceito de bem-estar começou a ter uma maior expressão política e social. Isso deve-se à tentativa de minimizar as atrocidades e atropelamentos que sofreram os direitos humanos especialmente nesse século e também, como forma de colocar o homem no centro das preocupações sociais e de desenvolvimento.
A pergunta que então se impõe é: O que é o bem-estar? O conceito de bem-estar foi, é e será, definido, medido e redefinido eternamente. Para demonstrar essa mutação constante do conceito de bem-estar podemos fazer uma pequena viagem pelo passado recente. Após a Segunda Guerra Mundial (1945) e a Declaração dos Direitos Humanos (1948) eram os indicadores económicos (e.g., Produto Interno Bruto, poder de compra, rendimentos, desemprego) que serviam para medir, comparar e verificar as desigualdades espaciais entre as diferentes sociedades, regiões e países. De realçar que o bem-estar estava paralelamente e intrinsecamente relacionado com os indicadores económicos, ou seja, quanto mais elevado era o valor dos indicadores económicos de um determinado país maior era o bem-estar das suas populações.
Contudo, o crescimento económico não é sinónimo de desenvolvimento humano e social, e, por vezes, é precisamente o oposto. Devido a esse facto, o conceito de bem- estar começou a abranger as questões de desenvolvimento humano e social. Os indicadores usados para medir o bem-estar percorriam as mais diversas áreas, desde a saúde, economia, educação, até à cultura.
Romano (1993, citado por Almeida, 2009) agrupa as seguintes variáveis como estando intimamente relacionadas com o bem-estar: estado de saúde, padrões de vida, habitação, satisfação e condições de trabalho de educação, nível de educação, saneamento básico, acesso a serviços de saúde e aquisição de bens materiais.
De acordo com vários autores (e.g., Almeida, 2009), a partir da década de 60 do século XX, apercebemo-nos que para além de saber medir e comparar o bem-estar é preciso aferir a opinião dos indivíduos, pois todos temos diferentes formas de pensar e de gostar, temos também objectivos de vida diferentes e como tal é preciso avaliar a percepção de bem-estar por parte dos indivíduos. É importante não olvidar que o mesmo indivíduo vai ter diferentes necessidades durante os diferentes estados da sua vida (infância, adolescência, idade adulta, velhice), que consequentemente vai alterar as premissas que medem e que podem levar o indivíduo a atingir o tão desejado bem-estar.
O conceito de bem-estar ganhou uma dimensão superior quando em 1946 a Organização Mundial de Saúde publicou a sua definição de saúde e à qual já nos referimos neste capítulo. Assim sendo, o bem-estar tornou-se o conceito mais abrangente e mais multidisciplinar da actualidade levando a uma falta de consenso sobre o significado de bem-estar (Farquhar, 1995b, in Almeida, 2009).
Estas vertentes do bem-estar (o físico, o psíquico ou mental e o social), vêm aumentar a carga subjectiva destes dois conceitos. O bem-estar físico é sinónimo de falta de doença mas também pressupõe que devemos estar em harmonia com o corpo, gostar do nosso corpo e sentirmo-nos bem com o mesmo. O bem-estar mental é resultado da felicidade, da realização pessoal e da saúde mental. O bem-estar social pressupõe ausência de pobreza e de exclusão social.
Em suma, estas dimensões (física, mental e social) do conceito de bem-estar levam a um incremento de novos conceitos muito subjectivos que estão intimamente ligados ao conceito de bem-estar, que consequentemente são muito difíceis de definir e ainda mais de medir (e.g., felicidade, pobreza, exclusão, doença, saúde, realização pessoal).
Assim sendo, isoladamente o conceito de bem-estar é muito subjectivo, mutante e abstracto. A associação de bem-estar ao conceito de saúde, torna este último num conceito ainda mais abrangente, integrador e utópico, pois pode ser impossível de alcançar um completo estado de bem-estar, mas incentiva e possibilita às entidades competentes (O.M.S. e Ministérios da Saúde) tomar as mais diversas medidas de acção que permitam atingir o estado completo de bem-estar.
De acordo com Almeida (2009), a percepção e avaliação do bem-estar é pessoal, única e diverge de indivíduo para indivíduo. Assim sendo, segundo Romano (1993, in Almeida, 2009), o bem-estar é a habilidade e a capacidade de o indivíduo desempenhar as suas tarefas e obter satisfação, podendo ser percebido através da concretização ou não das suas expectativas pessoais.
O carácter abstracto e multidisciplinar torna o estado completo de bem-estar quase inatingível pois, pressupõe, entre outros: saúde, crescimento económico, desenvolvimento humano, acesso a bens essenciais, felicidade, realização pessoal e qualidade de vida. Bem-estar é também o contrário de pobreza e de exclusão social, ou seja, o bem-estar é resultado de uma série de premissas tanto ou mais complexas de definir e quantificar quanto ele mesmo.
Para finalizar, o desejo do homem em clarificar e compreender os conceitos como saúde, doença e bem-estar, que englobam a definição e quantificação de outros conceitos não menos importantes como a pobreza, a exclusão social, a qualidade de vida, a felicidade e a realização pessoal, é resultado da percepção da sua própria mortalidade.
Portanto, a percepção da mortalidade por parte do homem é, por um lado, a chave para a evolução do seu conhecimento e das sociedades, e por outro lado é um incentivo para atingir uma melhor qualidade de vida, a felicidade, a saúde e por fim o completo estado de bem-estar físico e mental. Porém, apesar do aumento da esperança média de vida e de todos os avanços na medicina e nas tecnologias, o homem na sua busca incessante pela realização pessoal e do completo estado de bem-estar, levou ao incremento no espaço de várias substâncias que estão a aumentar a sua susceptibilidade para com as doenças e fenómenos de ordem natural que no presente e no futuro podem pôr em causa a sua sobrevivência.