N = 1831 hovedomsorgsgivere
3.7.2 Fremtidige behov for hjelp fra helsepersonell med adopsjonsfaglig kompetanse
Os resultados em saúde parecem, pois, depender de quem se é e o lugar onde se
vive (Nogueira, 2008: 35). Esta afirmação compila as razões que explicam o porquê de
existirem, por vezes, na mesma região e no mesmo país, diferentes padrões de morbilidade e de mortalidade. Deste modo, o nosso historial de doenças ao longo da vida tem, grosso modo, a sua génese em duas perguntas: Quem somos? Onde vivemos?
Quem somos? Esta pergunta engloba todos os factores individuais, que vão desde os biológicos ao percurso de vida como é possível ver no Quadro 1. Nesse Quadro temos factores como a idade que tem influência nas variações em saúde, mais concretamente ao nível da morbilidade e da mortalidade e ao nível da incidência e da prevalência.
Com o passar dos anos o nosso organismo, e mais especificamente as suas defesas, vão diminuindo, facto que resulta do envelhecimento celular e biológico. Assim, segundo autores como Vallin (1992), Phillips e Verhasselt (1994) e Santana (2005), citados por Nogueira (2008), os perfis epidemiológicos das populações são influenciados pela idade, pois populações jovens apresentam maior morbilidade e mortalidade por doenças infecciosas e transmissíveis (e.g., sarampo, rubéola e varicela), enquanto populações mais idosas apresentam maior incidência de patologias crónico- degenerativas (e.g., cancro, reumatismo).
Quadro 1- Factores individuas que influenciam o binómio saúde/doença
Factores individuais
Imutáveis Mutáveis
Idade Etnia
Género Estatuto socioeconómico
Percurso de vida Fonte: Elaboração própria com base em Nogueira, 2008.
O género, analisado do ponto de vista de um factor determinante ou interveniente no binómio saúde/doença, apresenta relações com factores genéticos, psicológicos, comportamentais e sociais (Marmot et al., 1984, citados por Nogueira, 2008), que consequentemente vão ter repercussões nos padrões de morbilidade e incidência, e também na mortalidade, assim como, na diferença da esperança média de vida entre géneros. Nogueira (2008), apresenta três diferenças principais entre géneros. A primeira é a maior esperança média de vida feminina, seguida por uma maior mortalidade apresentada pelo sexo masculino em todas as idades, finalizando com a maior morbilidade do sexo feminino.
No que concerne aos factores individuais mutáveis, presentes no Quadro 1, temos variáveis como a etnia, o estatuto socioeconómico e o percurso de vida. As diferenças na saúde com base na etnia estão, segundo Nogueira (2008), limitadas pela escassez de dados disponíveis e por dificuldades de ordem conceptual e metodológica.
Autores como Navarro (1990), Nazarro (1998), Zsembik et al. (2005), citados por Nogueira (2008), alertam para investigações nos Estados Unidos e no Reino Unido, que demonstram a influência das diferenças étnicas na esperança de vida, na morbilidade e na mortalidade.
Os comportamentos, sociais e culturais (e.g., crenças), especialmente os das minorias étnicas, são os factores mais estudados e referidos nas diferenças étnicas em saúde. A relação entre saúde e etnia pode ser medida, se associarmos aos factores comportamentais, o facto de as minorias étnicas serem discriminadas e ocuparem uma posição social desfavorecida, que vai influenciar negativamente as suas condições de vida e o acesso aos serviços de saúde (Donovan, 1984, citado por Nogueira, 2008).
O estatuto socioeconómico é outro factor que tem consequência no estado de saúde das populações, e a sua relação com a saúde é estudada, segundo Nogueira (2008), desde o século XII. Alguns estudos indicam que as patologias cardiovasculares são mais frequentes em baixos níveis socioeconómicos (Diez-Roux et al., 2000, 2001, citados por Nogueira, 2008). No que concerne à morbilidade e mortalidade por doenças oncológicas, os tumores do pulmão, faringe, laringe, estômago e esófago são mais frequentes nos estatutos socioeconómicos mais baixos, enquanto nos estatutos socioeconómicos mais elevados são mais frequentes os cancros do cólon, recto, mama (sexo feminino) e pele (Thomas, 1992; Rodrigues, 1993; Costa e Faggiano, 1994; Nogueira, 2001, citados por Nogueira em 2008).
O estatuto socioeconómico é influenciado por três variáveis: o rendimento, a ocupação e o nível de instrução. Estas três variáveis estão interligadas e influenciam-se mutuamente, pois quanto mais elevado for o nível de instrução melhor é a ocupação (emprego) e, consequentemente, proporciona melhores rendimentos aos indivíduos, permitindo-lhes, com mais facilidade, adquirir bens e ter uma maior qualidade de vida.
A ocupação é um factor que interfere nas diferenças em saúde, sobretudo na morbilidade e na mortalidade. Os trabalhadores manuais em comparação com os não manuais apresentam maiores riscos para a sua saúde, pois geralmente têm piores condições de trabalho. O desemprego, é mais uma variável que reforça o facto de que a ocupação profissional influencia a saúde, pois segundo autores como Ferrie et al. (2005), Dahlgren e Whitehead (1992), Costa e Faggiano (1994), citados por Nogueira (2008), os desempregados apresentam uma maior propensão para a depressão e para as doenças mentais, bem como um maior risco de suicídio e uma mais elevada mortalidade prematura.
O nível de instrução é um dos factores que pode ter influência nas variações em saúde. Normalmente, os indivíduos com mais instrução apresentam uma menor morbilidade, um melhor estado de saúde e uma maior esperança de vida segundo autores como Adler et al. (1993), Costa e Faggiano (1994), Kunst e Mackenbach
(1996), Valkonen et al. (1997), Giraldes (1998), Kunst et al. (2001), Fukuda et al. (2004) e Roos et al. (2004), citados por Nogueira (2008). Na nossa perspectiva, este facto decorre, entre outros aspectos, da maior capacidade para controlar a sua própria vida, decorrente de uma maior informação e maior acesso a ela, que se resume na palavra empoderamento e na maior capacidade para empreender comportamentos preventivos.
Outro factor individual e que interfere nas variações na saúde dos indivíduos é o percurso de vida. O percurso de vida e mais concretamente os estilos de vida são muito importantes para a nossa investigação, pois doenças como o cancro, exigem, a maior parte das vezes, um longo período de evolução, em que o estilo de vida, ou seja, hábitos, condutas, exposições (ao longo da vida) a factores de risco (e.g., campos electromagnéticos, fumar, sedentarismo), pode influenciar, a longo prazo, a saúde do indivíduo.
Em suma, depois desta análise podemos verificar que a resposta às perguntas Quem és? Quem somos?, pode determinar muitos dos nossos estados de saúde e de doença ou longo da vida.