O bibliotecário tem como principal objeto de trabalho a informação. Embora todo profissional, tenha
atrelado ao seu fazer grupos de tarefas inerentes a sua prática profissional, que delimitam o espaço de
atuação, nos últimos anos, tem-se percebido a ampliação do seu espaço de trabalho, bem como a
exigência por novas habilidades e competências.
Assim, a identidade do bibliotecário é definida a partir das atividades desenvolvidas e atribuições
inerentes à profissão, acrescida de competências (Dudziak, 2007). Deste modo, o bibliotecário pode
atuar como:
a) intermediário da informação - desempenha atividades de processamento técnico e fazendo
conexão entre a informação e o usuário;
63
b) mediador informacional - auxilia, orienta, educa, treina, enfim, direcionando o usuário no
processo de busca e uso da informação;
c) mediador pedagógico - intercede nos processos educativos, visando proporcionar ações
metodológicas e organizativas que promovam o aprendizado dos aprendizes; e
d) agente educacional - participa ativamente das atividades da instituição educacional em que
atua, neste aspecto conhecer o PPP é imprescindível, como agente educacional deve, também,
praticar o aprender a aprender, difundir e popularizar a ciência, explicar as implicações da
tecnologia, discutir a realidade político e social, promover a competência em informação e
acolher e valorizar as pessoas.
Atualmente, o profissional, ainda, tem dificuldade de reconhecer sua identidade, mas, vem rompendo
com muitas tradições, voltando-se para os avanços informacionais, tecnológicos, sociais e culturais,
empreendendo esforços para promover os recursos e oferecer aos seus usuários os serviços que eles
necessitam e desejam. O bibliotecário precisa ousar, enfrentando desafios, propondo novas ações,
mesmo quando algunms são contrárias, acompanhando as tendências tecnológicas positivamente e as
incorporando ao seu cotidiano, independente do formato em que se apresentem.
Esse profissional necessita conhecer sua identidade e mostrar-se de forma positiva por meio do seu
bom desempenho profissional, com ética e competências bem definidas. A competência não se reduz
ao saber, tampouco ao saber fazer, mas sim, à capacidade de mobilizar e aplicar esses conhecimentos
e capacidades, onde se colocam recursos e restrições próprias a situações especificas.
De acordo com Côrte e Bandeira (2011, p. 15) o Bibliotecário Escolar necessita ter competências como:
“Ser um investigador permanente; possuir atitudes gerenciais proativas; possuir espírito crítico e bom senso; ser participativo, flexível, inovador, criativo; facilitar a interação entre os membros da comunidade escolar; possuir capacidade gerencial e administrativa; possuir capacidade de comunicação e relacionamento interpessoal; saber que é a informação é imprescindível à formação do aluno; dominar as modernas tecnologias da informação; estar em constante questionamento; e estar atualizado na sua área de atuação; ter consciência de que o usuário é seu fim último; saber que a informação é imprescindível à formação do cidadão; reconhecer sua profissão como importante e necessária para a sociedade; reconhecer-se como um agente de transformação social e ser um leitor64
crítico, que distingue, no momento da seleção e da indicação de livro, a literatura infantil e juvenil que é de qualidade”.
A competência em informação integra diferentes habilidades e conhecimentos, influenciados pela
experiência. Para ser uma pessoa competente em informação, deve-se saber como se beneficiar do
mundo de conhecimentos e incorporar a experiência de outros em seu próprio acervo de conhecimentos.
Com a evolução do conceito de competência em informação, algumas concepções foram desenvolvidas,
e, Dudziak (2003) analisa, sintetizando e comparando três diferentes concepções da Information
Literacy, no que se refere à ênfase na Informação, no Conhecimento e no Aprendizado, conforme
ilustrado na figura 5.
Figura 5 – Diferentes concepções da competência em informação
Fonte: Dudziak (2003)
Como gestores e partícipes do processo educativo, os profissionais da informação/bibliotecários
precisam compreender e desenvolver um conjunto de atividades que promovam uma atitude positiva em
relação à biblioteca e aos recursos informacionais, criando a ambiência propícia à autonomia para a
geração de conhecimento novo e sua aplicabilidade ao contexto social, com compromisso e
comprometimento de toda a equipe, fazendo, desse modo, um planejamento global do seu projeto
educativo. Com essa postura, a biblioteca poderá ser dinamizada via o envolvimento dos alunos no uso
de um espaço que induz a eles se expressarem e construírem conhecimento, além de fundamentar os
usuários para a importância do acesso e uso das fontes de informação, na abertura de horizontes na
escola, no trabalho e condição de autonomia, no aprendizado ao longo da vida.
65
Logo, se deve entender que a informação não é uma variável social que, por si só, consegue solucionar
problemas econômicos ou de trabalho dos usuários, tampouco suas necessidades de comunicação
social e reconhecer que as pessoas desinformadas se encontram em desvantagens de oportunidades
em uma sociedade desenvolvida, além de considerar que a leitura e a pesquisa auxiliam estudantes a
construir sua identidade na relação com o mundo, a tornar-se um ser ativo e cidadão consciente e
participativo de uma sociedade. Nessa linha de pensamento, as modernas teorias de leitura e de
pesquisa apontam-nas como um processamento ativo da informação, construindo por antecipação, e
tendo como base a competência linguística e cultural do usuário (Campello, 2009).
Isso demonstra a relevância do bibliotecário averiguar, sistematicamente, as necessidades de informação
dos consulentes e satisfação com relação aos serviços e produtos fornecidos pela biblioteca, por meio
de estudo de usuários. Almeida (2000, p. 74) destaca que “o conhecimento do usuário é indispensável,
tanto para o planejamento de novos serviços de informação, como também para o aprimoramento de
serviços existentes”. Convém ressaltar que o comportamento informacional do usuário da informação,
temática de fundamental importância na área da biblioteconomia, tradicionalmente tratado pela
denominação de estudo de usos e usuários da informação, tem sido objeto de estudo, tanto em âmbito
nacional como internacional. O processo de criação de conhecimento prevê que o indivíduo seja
autônomo na busca da informação para sua construção. Além disso, ele, também, deve ser autônomo
para identificar o que sabe, as lacunas de conhecimento que existem e o que falta e, ainda, onde e como
encontrar a informação para complementar a produção de conhecimento.
Como foi visto, é essencial ter competência no uso da biblioteca, pois, é neste espaço que se realizam
os processos investigativos de busca e uso de informações. Para tanto, utilizam-se várias mídias, recursos
tecnológicos, fontes de informações e ferramentas de recuperação de informação. O usuário de
bibliotecas deve ser orientado para ser capaz de utilizar os recursos que ela possui de forma
independente. Para Kuhlthau (2006), os recursos informacionais irão se constituir num rico manancial
para propiciar o desenvolvimento de conhecimentos, habilidades e atitudes, para viver e interagir na
sociedade da informação.
66
“a Informação pode ser concebida como um recurso que tem diferentes definições, variando de acordo com o formato e o meio utilizado para o seu armazenamento e transferência e a área que a define. Considerada o principal recurso da sociedade do século XXI, no ambiente organizacional ela assume um caráter estratégico chegando a influenciar o comportamento das pessoas e seus relacionamentos no ambiente de trabalho. A busca e o uso da informação são um processo dinâmico e socialmente desordenado que se desdobra em camadas de contingências cognitivas, emocionais e situacionais”. (Ribeiro & Farias, 2018, p.100).
Ante ao desafio enfrentado pela biblioteca/bibliotecário de democratizar a informação e ser parte
integrante da aprendizagem dos alunos, a anuência da gestão é relevante para o estabelecimento e
manutenção dos projetos e atividades da biblioteca, contudo, segundo Campelo
“diversas pesquisas mostram que a maioria dos diretores tem uma compreensão limitada de como as atividades da biblioteca funcionam e de como elas contribuem para a qualidade dos projetos da escola. [...] A expectativa desses diretores é simplesmente de que o bibliotecário forneça informações para os usuários, apoie os professores quando solicitado e ajude os estudantes a encontrar materiais para as tarefas dadas pelo professor”. (Campelo, 2012, p. 58).
Por fim, compete aos gestores destacar os espaços educativos, quer seja a secretaria da escola, o
laboratório, a sala de aula ou a biblioteca, empenhando-se para que esses estejam integrados na
perspectiva de que o administrativo e o pedagógico não estejam separados, visto que ambos são
necessários e interdependentes.
Ademais, entende-se que a biblioteca e o bibliotecário devem participar ativamente de todas as atividades
da escola, mostrando-se parceiros no processo de ensino, vislumbrando ajudar na aprendizagem dos
alunos, principalmente a que envolve busca e uso da informação. Com a evolução da sociedade da
informação, espera-se que a classe bibliotecária, através de políticas de ações pedagógicas, atue
efetivamente com práticas educativas, de forma a estimular o desenvolvimento de competências que
permitam aos indivíduos o domínio das habilidades em informação e a capacidade de “aprender a
aprender”.
Pode-se concluir que a biblioteca é a porta de entrada para o conhecimento, fornece as condições básicas
para o aprendizado permanente, autonomia das decisões e para o desenvolvimento cultural dos
67