10 Kommunikasjon mellom
13.5.1 Oppdatert kunnskap om erfaringer
A melhoria das condições de vida das populações, a valorização da infância e a organização e funcionamento dos serviços de saúde, nomeadamente na assistência materno-infantil, tem assumido importância fundamental na diminuição da morbi-mortalidade, e na promoção de condições que facilitam o desenvolvimento saudável da gravidez, parto e pós-parto, para a mulher, a criança e a família.
No que se refere aos serviços de saúde, e mais especificamente aos CS, aumentou o número de enfermeiras com Especialização em Saúde Materna e Obstetrícia, que trouxeram novas dinâmicas aos serviços, iniciando projectos, em que incorporaram orientações da OMS, do PNS e da DGS quer no que se refere à promoção do AM, quer na promoção da saúde mental da mulher.
Diversificou-se a oferta de serviços públicos com cursos de preparação para o parto e/ou para a parentalidade, incluiu-se a VD no pós-parto na carteira básica de serviços das USF e cumulativamente alargaram-se horários de atendimento para permitir maior acessibilidade às mulheres trabalhadoras
Face à incorporação destes novos profissionais, a partir de 2006, a Sub-Região de Saúde de Viana do Castelo desenvolveu projectos que visavam aumentar o número de CS com cursos de preparação para o parto, e aumentar a prevalência do AM até aos seis meses.
A diversidade de oferta de serviços, se em alguns casos é clara quanto aos objectivos, é menos clara quanto às estratégias para os atingir e raramente se procede à avaliação da eficiência e eficácia, comparativamente com outros serviços implementados ou quanto à sua complementaridade.
É neste contexto de alteração das dinâmicas dos serviços que se desenvolve o presente estudo, em que se pretende avaliar a eficácia da oferta de serviços de saúde, sendo que para o conhecimento mais aprofundado da situação, melhor delimitação da problemática e identificação de variáveis, se procedeu a um estudo exploratório prévio (Apêndice I), após autorização prévia da Administração da Sub-Região de Saúde de Viana do Castelo (Anexo 1).
Deste constatou-se que as intervenções de Enfermagem abordavam multiplicidade de assuntos (com ênfase no bem-estar materno fetal e da criança, AM, e transição para a parentalidade), com
diversidade de estratégias e contextos de intervenção, sendo os cuidados orientados para a satisfação de necessidades bio-psico-sociais da mulher e da família, visando a sua capacitação e empoderamento.
Assim, a questão que orientou o presente estudo foi:
Qual o contributo das intervenções de enfermeiras dos CSP da Sub-Região de Saúde de Viana do Castelo para a promoção da transição para a maternidade e do AM?
No presente capítulo pretende-se apresentar o método e os resultados decorrentes da investigação.
4.1-FINALIDADESEOBJECTIVOS
Constituem-se como principais finalidades do presente estudo:
• Definir contributos para as intervenções de Enfermagem de CSP na promoção/EPS de primíparas, no âmbito da promoção da transição para a maternidade e do AM.
• Contribuir para o desenvolvimento do conhecimento da disciplina de Enfermagem, na área da promoção da saúde e EPS, nomeadamente no âmbito na intervenção na transição para a maternidade e AM.
Para o estudo traçaram-se os seguintes objectivos:
A. Analisar os contributos das intervenções de enfermeiras de CS do distrito de Viana do Castelo, com primíparas, no âmbito do auto-cuidado e dos cuidados à criança, entre o terceiro trimestre de gravidez e os seis meses após o parto.
Para tal pretende-se:
• Conhecer os contributos das intervenções das enfermeiras para o auto-cuidado e cuidados à criança;
• Avaliar a evolução dos contributos das intervenções para o auto-cuidado e cuidados à criança; • Avaliar a influência do modo de intervenção de Enfermagem, na percepção dos
contributos da intervenção.
B. Analisar os contributos das intervenções de enfermeiras de CS do distrito de Viana do Castelo, com primíparas, no processo de transição para a maternidade, entre o terceiro trimestre de gravidez e os seis meses após o parto.
• Avaliar a percepção do ajustamento à maternidade;
• Avaliar a evolução da percepção do ajustamento à maternidade;
• Avaliar a influência do modo de intervenção de enfermagem na percepção do ajustamento à maternidade;
• Avaliar a percepção da Auto-Estima Materna;
• Avaliar a evolução da percepção de Auto-Estima Materna;
• Avaliar a influência do modo de intervenção de Enfermagem na percepção da Auto-Estima Materna.
C. Analisar os contributos das intervenções de enfermeiras de CS do distrito de Viana do Castelo, com primíparas, no âmbito da promoção do AM, entre o terceiro trimestre de gravidez e os seis meses após o parto.
Para tal pretende-se:
• Avaliar a taxa de iniciação do AM;
• Avaliar a taxa de prevalência do AM ao primeiro e sexto mês após o parto; • Avaliar a duração do AM;
• Avaliar a influência do modo de intervenção de Enfermagem na iniciação, prevalência e duração do AM;
• Conhecer as vantagens atribuídas ao AM;
• Avaliar a evolução das vantagens atribuídas ao AM;
• Avaliar a influência do modo de intervenção de Enfermagem na importância atribuída às vantagens do AM;
• Conhecer a avaliação materna da amamentação;
• Avaliar a evolução da avaliação materna da amamentação;
• Avaliar a influência do modo de intervenção de Enfermagem na avaliação materna da amamentação.
4.2-DEFINIÇÃODECONCEITOS
Para efeitos do presente estudo considera-se:
Primípara – grávida com expectativa de parir o primeiro filho nado-vivo, ou puérpera que pariu o primeiro filho nado-vivo.
Cuidados à criança – Intervenções que as mães (ou principal cuidador) executam à criança para satisfazer as suas necessidades.
Educação para a saúde – Intervenções das enfermeiras junto das mães (ou principal cuidador), com o objectivo de proporcionar informação, orientação, supervisão e treino, que contribuam para o desenvolvimento de competências no auto-cuidado e prestação de cuidados à criança.
Aleitamento materno exclusivo – Proporcionar à criança apenas leite materno (sem outros líquidos ou sólidos à excepção de medicamentos).
Aleitamento materno predominante - Proporcionar à criança leite materno e outros líquidos, à excepção de leite artificial.
Aleitamento materno – Proporcionar à criança leite materno e outros alimentos (água, leite artificial, leite de outros mamíferos, outros alimentos).
Ajustamento materno – Adaptação positiva à maternidade.
Auto-Estima Materna – Primípara sentir-se bem consigo e com o bebé.
Avaliação materna da amamentação – Satisfação da primípara com a amamentação. Visita domiciliária – Intervenção efectuada por enfermeiras de CS, na residência das primíparas.
Preparação para a parentalidade/parto – Intervenção com um grupo de primíparas, no CS, com o objectivo de preparar para o parto e parentalidade.
4.3-DESENHODEINVESTIGAÇÃO
O nosso primeiro objectivo era o de analisar, entre a 26ª e a 28ª semana de gravidez, as percepções das primíparas, quanto às expectativas relacionadas com os contributos das intervenções das enfermeiras dos CS, para os cuidados à criança e auto-cuidado, a transição para a maternidade e o AM. Para tal utilizamos um plano correlacional em que os dados foram colhidos sem manipulação nem intervenção por parte do investigador. Pretendeu-se ainda avaliar a homogeneidade entre os grupos.
Num segundo momento foi nosso objectivo analisar as percepções das primíparas relativamente às mesmas variáveis e cumulativamente a avaliação da amamentação e auto-estima materna (componente concorrencial do estudo) e os impactos decorrentes dos diferentes modos de intervenção a que as primíparas foram expostas, nas variáveis referidas. Não se pretendeu manipular, nem controlar deliberadamente nenhuma variável, mas aproveitar os diferentes modos de
intervenção das enfermeiras e avaliar os seus efeitos nas variáveis dependentes, tratando-se então de um estudo quasi-experimental.
Assim o plano da experiência foi o seguinte:
Figura 2– Design da investigação
Coorte 26ª-28ª sem. gravidez Da 26ª-28ª sem. de gravidez ao parto Até 15 dias após o parto 1º mês após o parto 6º mês após o parto A O1 X gr O2 O3 B O1 X gr X vd O2 O3 C O1 O2 O3 D O3
O1 – Avaliação inicial; O2 – segundo momento de colheita de dados; O3 – terceiro momento de colheita de dados. X gr –EPS em grupo (preparação para a parentalidade/parto)
X vd – Visita Domiciliária
A distribuição dos efectivos pelas coortes foi efectuado após o segundo momentos de colheita de dados, pois só nesse momento foi possível conhecer o modo de intervenção a que as primíparas estiveram expostas.
No desenho de investigação existem três momentos de colheita de dados (O1; O2 e O3) e três modos de intervenção. Para além do normalmente efectuado (consulta individual a que todas as primíparas estiveram expostas) em duas das coortes (A e B) as primíparas participaram em cursos de preparação para a parentalidade/parto (Xgr) que estavam implementados em seis CS e se iniciavam a partir da 28ª semana de gravidez. São cursos com sessões em grupo, em que a participação é da iniciativa das primíparas. As primíparas da coorte B tiveram uma visita domiciliária (Xvd), até ao 15º dia após o parto, que visava dar respostas às suas necessidades nos seus contextos de vida sendo uma prática que ocorre em diferentes CS.
A existência de coortes em que são efectuadas três administrações dos mesmos instrumentos (O1, O2 e O3) permite-nos analisar as diferenças entre os vários momentos e diferenciar os efeitos dos modos de intervenção e de maturação.
A um conjunto de primíparas (coorte D) só foi efectuada a última administração do instrumento para permitir controlar possíveis efeitos de aprendizagem do instrumento de colheita de dados (reflexão proporcionada pelas perguntas anteriormente apresentadas), sendo este efeito plausível pelo curto espaço de tempo que medeia as três administrações. Tendo-se controlado o efeito do pré- teste, o efeito da intervenção pré-parto (Xgr) é comparado com o efeito da intervenção no pré e pós- parto (Xgr e Xvd) e com o efeito da intervenção natural (somente consulta individual), sendo que deste
modo as análises no primeiro e no sexto mês após o parto permitem evidenciar os efeitos dos diferentes modos de intervenção.
O estudo é correlacional, transversal (na comparação entre os grupos nos diferentes momentos), longitudinal (analisando a evolução entre os três momentos de colheita de dados), prospectivo no pré-parto e retrospectivo nos momentos posteriores.
É um estudo cego, uma vez que as primíparas desconhecem o desenho de estudo e a coorte que integram, não o sendo para o investigador, que conhece a distribuição das primíparas pelas coortes.