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Oppdagelsesrisiko og dataanalyse

5. Presentasjon av funn

5.1 Dataanalyse i revisjonens planleggingsfase (1)

5.2.4 Oppdagelsesrisiko og dataanalyse

E como foi o processo político para a retomada das obras e conclusão da usina de Angra 2? 63

No governo Collor, o Pratini de Moraes, ministro de Minas e Energia, era favorável à conclusão da usina e foi à Alemanha, conversar com o governo alemão e com a Siemens. O governo alemão enfrentava naquela época a pressão dos ambientalistas, que queriam impedir a continuidade do programa nuclear, tanto na Alemanha quanto no Brasil. O Pratini conseguiu despertar novamente o interesse do governo alemão, mas depois veio o impeachment do Collor e perdemos a chance. Em seguida assumiu o Itamar Franco, que havia proposto e presidido a CPI sobre o Acordo Brasil- Alemanha, durante a ditadura militar, e havia escrito um livro contra o programa nuclear (Energia

nuclear, sua história, nossa luta, com Edwiges Cardoso).64 O presidente de Furnas era o Eliseu Rezende, muito amigo do Itamar. Para não dizer nem que sim nem que não para o Eliseu, o que fez o Itamar? Mandou para o Congresso um projeto de lei para transferir os recursos de financiamento de Angra 3 para Angra 2, que seria a única forma possível de concluir Angra 2. No entanto, ele fez isso agosto de 1994, quando o mandato dele já estava acabando e ele previa que não seria aprovado, pois não daria tempo. Mas houve uma ação muito grande, nossa e da Abdan, para conseguir a aprovação no Congresso. Atuamos junto aos parlamentares para que o projeto fosse aprovado nas comissões da Câmara e do Senado. A Sandra Cavalcanti e o Ronan Tito nos ajudaram. O projeto chegou ao

plenário, para votação, já em dezembro. Enfim, conseguimos a aprovação. Na verdade, essa

transferência do financiamento de Angra 3 para Angra 2 não tinha necessidade de ser decidida pelo Congresso, mas o Itamar assim fez para não ser o responsável. E o último ato do José Luiz Alquéres, na presidência da Eletrobras, foi a autorização para que Furnas fizesse a concorrência para a

montagem eletromecânica. Isso foi um fato importantíssimo, porque foi a única autorização formal que houve para a retomada de Angra 2. Então, em 1995, Furnas fez a concorrência para três contratos diferentes: um contrato para a área nuclear, um contrato para a convencional e um contrato para a elétrica.65 Depois foi feita uma composição entre os vencedores de cada parte e se criou um único consórcio, que foi chamado Consórcio Unamon (Consórcio de Montagem Nuclear), formado por sete empresas: Andrade Gutierrez, Tenenge, EBE, Sage, Techint, Camargo Corrêa e Ultratec. No início foi difícil, porque o país estava passando por uma época de recessão e a gente precisava tocar, em dois anos e meio, um volume muito grande de trabalho. A gente tinha que fazer 130 mil soldas, e eles conseguiram montar sete mil toneladas de tubulação. No final, estavam dentro da mesma

produtividade que a da usina alemã. Com isso, conseguimos terminar Angra 2 em 2000, com apenas seis meses de atraso. Ela entrou em operação antes do apagão de 2001. Em 2001, ela gerou 10 milhões e meio de megawatts/hora, cerca de 4% da energia do Brasil.66

Angra 2 entrou em operação em meio a uma séria crise de energia no Brasil, como o senhor acaba de lembrar. Houve algum tipo de pressão em torno disso?

Em 2000 o Brasil estava na iminência de um apagão, embora o governo não quisesse admitir isso. Em abril, no entanto, eles tiveram que anunciar o racionamento de energia. Nesse contexto, era preciso que Angra 2 entrasse em operação o mais rápido possível. O ministro de Minas e Energia, Rodolpho Tourinho Neto, chamou a mim e ao presidente da Cnen, José Mauro Esteves dos Santos, para uma reunião e nos cobrou isso.67 Mas, para a usina entrar em operação, era necessário cumprir as etapas de licenciamento. A Cnen dava licenças por etapas. O ministro ficava impaciente. Eu tinha que mandar relatório para ele todo dia! Mas não podíamos ser irresponsáveis. Era preciso colocar carga gradativamente e ir analisando os resultados dos testes.

Um pouco antes, em 1999, o senhor participou de uma comissão do governo para analisar a política de enriquecimento de combustível nuclear. Qual foi o resultado dessa comissão?

O Brasil tinha começado com o programa alemão de jato-centrífugo, no âmbito do Acordo Brasil- Alemanha, que se mostrou um processo muito caro. Enquanto isso, a Marinha desenvolveu o projeto da ultracentrífuga. Mas os dois programas não se falavam. O programa da Marinha era para produzir combustível para submarino nuclear, mas levantava receios de que fosse, na verdade, para produção

de bomba. Então o governo decidiu formar uma comissão para definir nossa política de

enriquecimento de combustível. Porque a Marinha não é o órgão adequado para produzir combustível para reator comercial. A comissão definiu que a Marinha iria vender centrífugas para a INB, o que significou a junção dos dois programas: a Marinha cederia as centrífugas e a INB produziria o combustível para as usinas. E isso caracterizou o uso comercial da centrífuga. A comissão

recomendou ao governo a instalação das unidades comerciais em Resende, nas quais a INB então usaria a centrífuga da Marinha, para produzir o combustível enriquecido para Angra 1. Até então, a INB recebia o urânio enriquecido da Urenco e o transformava em pastilhas. O projeto então passava a ser a produção do elemento combustível na fábrica de Resende, inicialmente para Angra 1, e

depois também para Angra 2.

Qual foi a posição do governo Fernando Henrique Cardoso em relação à continuidade do Acordo Nuclear Brasil-Alemanha?

Eles não poderiam ser abertamente favoráveis, mas o ministro de Minas e Energia, Raimundo Brito, foi a favor. Já o governo alemão enfrentava a oposição interna dos ambientalistas. Isso deve ter sido em 1999, e houve então um acordo tácito de que aquela seria a última renovação, de forma a permitir o término de Angra 2. E assim, em 2005, o Acordo Nuclear Brasil-Alemanha acabou.

Em 2003 o senhor saiu da Eletronuclear. Mas qual a sua avaliação do contexto nuclear sob o governo Lula?

Na época, um ponto importante que precisava ser definido era a aquisição de gerador de vapor para substituição em Angra 1. Nossa proposta era que a Nuclebrás Equipamentos Pesados (Nuclep) fabricasse o gerador, a partir da tecnologia comprada dos fabricantes. Nenhum fabricante queria um contrato apenas de repasse de tecnologia. Até que a Siemens/KWU aceitou. No entanto, não

conseguimos concretizar essa negociação ainda no governo Fernando Henrique. E quando o Lula ganhou, recebemos da equipe de transição a orientação de não assinar nenhum contrato. Fomos chamados a Brasília, Flávio Decat e eu, e tivemos uma longa reunião com a Dilma Rousseff.68

Explicamos a ela que, se não contratássemos aquela compra naquele momento, a cada ano iríamos gastar 10 milhões a mais de manutenção. No entanto, não nos autorizaram a contratar. O gerador de vapor acabou sendo comprado alguns anos depois, da própria Siemens/KWU, mas a um preço maior. Acho que tomaram uma decisão errada, e isso deu prejuízo para o país.

Desde 2005 o almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva está na presidência da Eletrobras. Ele foi a pessoa responsável pelo projeto nuclear paralelo desenvolvido pela Marinha. Qual a sua

avaliação sobre o quadro atual?

O Othon tem um currículo admirável e está olhando para além de Angra 3. Nós chegamos a fazer uma apresentação para a Dilma sobre Angra 3, demonstrando a economicidade da usina, mas ela não aceitou nada. Já o Othon conseguiu convencer o governo de que é fundamental ter um programa nuclear autossustentável, e que para isso é preciso ter outras usinas. A conjuntura do setor elétrico agora é mais favorável, mas tenho certeza de que, mais cedo ou mais tarde, o Brasil vai precisar da área nuclear. A energia eólica não é suficiente, e a hidráulica encontra grandes dificuldades para

obter as licenças. A área ambiental está complicando os empreendimentos. Ela acha que todo empreendimento precisa gerar uma compensação social grande, e isso inviabiliza o projeto.