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São poucos os elementos sobre a sua atividade. Em 1861, existiria já na Santa Casa da Misericórdia de Sesimbra, uma Confraria de Nossa Senhora do Monte do Carmo, a qual teria como comissário o Padre Calisto da Silva Figueiredo, Capelão da Santa Casa da Misericórdia. Este teria a seu cargo o “aplicar as indulgências, admitir novos irmãos, lançar o escapulário

413 AMS, ERM Livro de Visitação da Igreja de Santiago anos 1666-1773, p. 25v. 414 AMS EFHAM FD 04 F2; EFHAM FD 04 F3 e 10.06.09 F1

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da dita Senhora e de dar a absolvição (…) da morte a todos os irmãos”.416 O programa de

festas de 1923 permite datar o início da confraria em 1840417. Será interessante, no entanto,

referir que a primeira notícia sobre a devoção a Nossa Senhora do Carmo, surge no início do século XVIII, em 1809-10418

Figura 31 – Imagem de Nossa Senhora do Carmo (Foto da autora, Dezembro 2012)

Segundo António Marques, a Festa do Carmo terá passado a ser celebrada por parte da

Sociedade Philarmónica da Villa de Cezimbra, vulgo Grémio ou Clube Sesimbrense419 a

partir de 1853, “pelos músicos e pelos marítimos, os dos caíques.”420 De facto, são várias as

solicitações efetuadas por parte desta sociedade à Santa Casa da Misericórdia para a celebração do culto da Senhora do Carmo:

A 18/07/1862, a Sociedade Philarmónica da Villa de Cezimbra, solicita a licença para “festejar no dia 20 do corrente [leia-se Julho] a sua insigne protectora a Senhora do Carmo,

com sermão e missa cantada e sacramento exposto”.421

Em 14/07/1863 é solicitado por parte de “José Joaquim Ferreira Corrêa, como

representante de uma das Sociedade Filarmónica de Cezimbra (…) que desejava tributar

416 AMS, SCMS Oficio resposta do Cardeal Patriarca de Lisboa (1861-1863); e AMS, SCMS Livro de Registo de Correspondência Recebida e Expedida, 1860-1888

417 MARQUES, António Reis - O Clube Sesimbrense. Contributos para a sua história (1853-2003), Camara

Municipal de Sesimbra, 2003, p. 55

418 Existência do registo de aluguer de cera para a festa do Carmo, o qual que terá revertido em $900 reis para

aquela instituição (AMS SCMS Livro de Registo de Receita, 1732-1811, p. 226

419 Para a história desta coletividade cf. MARQUES, António Reis, op. cit., 2003 420 Idem, ibidem, p. 50.

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solenes cultos à Imagem de Nossa do Monte do Carmo que se venera na Igreja da Misericórdia de Cezimbra, no dia 20 do corrente mês [Julho], com exposição do Santíssimo Sacramento.422

Em 05/08/1864: “para solenes cultos a realizar a 7 de Agosto a exposição do santíssimo

sacramento”423

Em 28/08/1866: “para solenes cultos a realizar a 2 de Setembro a exposição do santíssimo

Sacramento”.424

 Em 29/08/1867 um requerimento da Sociedade Filarmónica Cezimbrense solicita licença para “Festejar a Imagem de Nossa Senhora do Carmo nos dias 1, 2 e 3 de Setembro com

exposição do Santíssimo”.425

 Em Julho de 1920 registo de um ofício de D. Mª Amália Caldeira Braz Rumina, a solicitar autorização para realizar a festa de Nossa Senhora do Monte do Carmo de 13 a 16 de Julho.426

Pouco ou nada sabemos sobre as particularidades da actuação desta confraria, que estaria ainda activa em 1923427, sendo que pelos estatutos da Sociedade de Recreio do Grémio

Cezimbrense de1906 cabia à direção a administração da “festividade a Nossa Senhora do

Monte do Carmo ou nomear as comissões que julgue necessárias.”428

A Festividade da Senhora do Carmo seria composta pelas habituais “celebrações litúrgicas

(…) que começavam com novena preparatória, com sermão, abrilhantada por coro e orquestra”. No “domingo escolhido havia missa solene, cantada e instrumental, e também com sermão, da parte da manhã. À tarde TE-DEUM e bênção do Santíssimo Sacramento. No dia seguinte fazia-se a procissão.429

A parte lúdica da festa seria composta, inicialmente, por bazar cujo produto revertia para a Santa Casa da Misericórdia, como aconteceu, provavelmente, em 1867-68 em que um registo em Receita da Santa Casa da Misericórdia refere uma esmola tirada da Festa de Nossa Senhora do Carmo, no valor de $700 reis.430; em 1872-73 o registo de Receita e Despesa da

Santa Casa da Misericórdia refere o montante do “produto líquido do bazar por ocasião da

Festa a Nossa Senhora do Monte do Carmo em Setembro de 1872,” no valor de 31$705

422 AMS SCMS Licenças do Patriarcado, séc. XIX 423 AMS SCMS Licenças do Patriarcado, séc. XIX 424 AMS SCMS Licenças do Patriarcado, séc. XIX

425 AMS SCMS Requerimentos da Sociedade Filarmónica Cezimbrense, 1867 426 AMS SCMS Livro de Registo de Correspondência recebida, 1911-1932 427 MARQUES, António Reis, op. cit., 2003, p.55

428 Idem, ibidem, Apêndice, p. 12 429 Idem, ibidem, p.51

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reis.431 No início do século XX, a festa seria acompanhada por um festival, como refere o

ofício nº1, de 9 de Julho de 1902, do então Provedor da Santa Casa da Misericórdia, José Joaquim da Luz Rumina, que agradece “o valioso donativo feito ao hospital desta vila da

importância do saldo de contas das Festas de Nossa Senhora do Monte do Carmo e bem assim pela prompta cedência do salão do Grémio para o festival realizado por essa ocasião em benefício daquele estabelecimento”432 Para o hospital reverteriam ainda as receitas

apuradas com a arrematação de bandeiras, sendo que estas ficariam “durante um ano na posse

do arrematante até que nova festa se realizasse.”433

Em jeito de conclusão sobre a importância que a comunidade marítima dava ao culto da Nossa Senhora do Monte do Carmo, será interessante transcrever parte de um artigo publicado no Cezimbrense de 1891, e citado por António Marques “Um grupo de rapazes

artistas que se constituíram e uma sociedade filarmónica, tomou por sua padroeira a Senhora do Monte; a eles mais tarde se associaram os valentes homens do mar, que através de muitos perigos conduzem com caíques a pescaria de Cezimbra para Lisboa e outros portos.”434