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Segundo Stadtler (2005), os principais componentes de uma cadeia de suprimentos são a integração das organizações e a coordenação dos fluxos de materiais, informações e custos financeiros. Sendo assim, o estabelecimento de uma cadeia de suprimentos exige a escolha de parceiros adequados para constituir uma parceria entre organizações legalmente separadas, mas que realmente tenham interesse em melhorar sua eficiência e competitividade ao se relacionarem com outras empresas.

Para que isso ocorra, é necessário que exista um esforço em torno da coordenação dos fluxos ao longo da cadeia de suprimentos, com vistas a melhorar o processo produtivo como um todo através da troca de informações. Variáveis como a execução das ordens dos clientes, a verificação da disponibilidade de materiais, pessoal, máquinas e ferramentas devem ser planejadas em conjunto. Coordenar essas atividades através de diversos locais e diversas organizações é um dos maiores desafios para a gestão da cadeia de suprimentos (STADTLER, 2005).

Para Lambert, Cooper e Pagh (1998), a estrutura conceitual da gestão da cadeia de suprimentos pode ser ilustrada pela Figura 3, em que se podem ver a natureza dos relacionamentos interorganizacionais da gestão da cadeia de suprimentos e as várias etapas necessárias para projetar e gerenciar uma cadeia de suprimentos com sucesso. Inicialmente, a gestão da cadeia de suprimentos é descrita através de três elementos inter-relacionados: a estrutura, os processos de gestão e os componentes de gerenciamento de uma cadeia de suprimentos.

Figura 3: Elementos da gestão da cadeia de suprimentos.

Lambert, Cooper e Pagh (1998) ainda ressaltam que a estrutura de uma cadeia de suprimentos é composta por empresas e por suas ligações. Nesse caso, essas ligações são processos de negócios que coordenam as atividades responsáveis por produzirem um valor específico para o cliente. Os métodos de gestão são aplicados a esses processos com o objetivo de permitir uma integração e um gerenciamento de toda a cadeia.

A Figura 4 ilustra uma cadeia de suprimentos típica, com seus vários níveis de fornecedores e clientes. Os processos de negócio também podem ser vistos. É importante que a cadeia de suprimentos gerencie esta complexa rede de processo no sentido de agregar o maior valor possível ao cliente e, consequentemente, obter um melhor resultado com isso. Destaca-se ainda que no ponto central da figura 4 está localizada a empresa focal da cadeia de suprimentos. O conceito de empresa focal utilizado por este trabalho é: “a empresa central a partir da qual a cadeia de suprimentos é analisada, possui ligações com fornecedores e clientes” (COOPER, LAMBERT e PAGH, 1998).

Figura 4: Apresentação de uma cadeia de suprimentos

Fonte: Lambert, Cooper e Pagh (1998, p.7).

A gestão da cadeia de suprimentos deve ocorrer por toda a estrutura das empresas que fornecem as matérias-primas até ao consumidor final. Vários fatores devem ser levados em conta na administração, tais como a complexidade do produto, o número de fornecedores disponíveis e a disponibilidade de matérias-primas. Devem-se considerar também as dimensões dessa cadeia, uma vez que o número de fornecedores e clientes afeta diretamente a

forma de gerenciar o todo. As obrigações de cada empresa serão diferentes dependendo da posição em que cada uma se insere na cadeia de suprimentos, conforme demonstra a Figura 4 (LAMBERT, COOPER E PAGH, 1998).

Porém, Lambert, Cooper e Pagh (1998) questionam se existe a necessidade de gerenciar todos os processos em uma cadeia de suprimentos ou se alguns apenas precisariam ser monitorados. É responsabilidade da gestão da cadeia de suprimentos definir o tipo de relação adequada para cada uma das empresas especificamente em cada cadeia. Nem todos os processos, ao longo da cadeia, precisam ser estreitamente coordenados e integrados. Deve-se buscar a relação que melhor se ajuste ao conjunto específico de circunstâncias de determinada cadeia. A importância do processo é um dos fatores que devem ser levados em conta para determinar quais as partes da cadeia de suprimentos merecem mais atenção em relação à gestão.

Lambert (2006) por sua vez defende a importância de se conhecer a forma como a cadeia de suprimentos está configurada, em sua visão, são três os principais aspectos estruturais de uma cadeia de suprimentos: (i) os membros, (ii) as dimensões estruturais e (iii) os diferentes tipos de ligações existentes em todo o processo da cadeia.

Na visão de Oliveira e Leite (2010), a configuração de uma cadeia de suprimentos tem uma importância significativa para facilitar a sua gestão. O processo de configuração busca identificar quem são os membros que possuem uma ligação mais próxima ou mais distante coma empresa focal.

Ainda para Oliveira e Leite (2010) gerenciar a estrutura de uma cadeia de suprimentos é uma atividade muito importante para o seu desenvolvimento não só pela possibilidade de visualizar todos os entes participantes da cadeia e entender o papel de cada um no contexto de suprimentos. Ao analisar a forma como a cadeia e seus elos estão estruturados, é possível reduzir custos, gerenciar processos e principalmente visualizar a extensão de sua gestão.

Lambert (2006) destaca ainda que uma cadeia de suprimentos inclua todas as organizações com as quais a empresa focal interage, direta ou indiretamente, a partir do ponto de origem do seu fornecimento até o ponto de consumo, para evitar que a cadeia de suprimentos se torne muito complexa, é adequado fazer uma distinção entre os membros primários e os de apoio.

Os membros primários da cadeia de suprimentos são todas aquelas empresas que, ao realizarem suas atividades, agregam valor operacional ou de gestão para o processo central de negócio. Já os membros de apoio são as empresas que simplesmente fornecem os recursos ou bens necessários para os membros primários. É possível que algumas das empresas que

compõem a cadeia de suprimentos façam papel de membros primários e de apoio em diferentes etapas da cadeia (LAMBERT, 2006).

Em geral, o que pode ser visto na prática é que a gestão só é viável para todos clientes e fornecedores do primeiro nível de uma cadeia de suprimentos, e apenas alguns clientes ou fornecedores do segundo nível (LAMBERT, 2006).

Para Pires (2007), a gestão da cadeia de suprimentos ainda é uma área multifuncional difícil de ser classificada devido a sua característica abrangente e contemporânea. Entretanto, pode-se dizer que sua gestão tem pelo menos três grandes eixos de atuação, envolvendo (i) os seus processos, (ii) as suas práticas e (iii) a empresa em si. Esse modelo com três eixos pode ser um bom ponto de partida para ilustrar a gestão da cadeia de suprimentos e facilitar o seu entendimento.

Nessa linha, Pires (2007) defende que os processos de negócio são o eixo mais importante e devem ser executados efetivamente ao longo da cadeia de suprimentos, sendo que esse eixo representa o porquê da existência e a finalidade principal cadeia. Já as tecnologias e as práticas são os meios inovadores que viabilizam a execução dos processos utilizados ao longo da cadeia. Por fim, a estrutura organizacional e a pessoal são capazes de viabilizar as transformações para que o modelo gerencial da cadeia de suprimentos possa ser de fato entendido e implementado. Os três eixos de atuação da gestão da cadeia de suprimentos podem ser visualizados conforme a Figura 5, onde um modelo tridimensional é representado.

Figura 5: Eixos de atuação da gestão da cadeia de suprimentos.

Fonte: Pires (2007, p.87).

Em uma análise mais detalhada, é possível observar que, em determinado momento, a gestão da cadeia de suprimentos pode ser conduzida em apenas uma ou duas dimensões, uma

vez que há uma inter-relação entre os três eixos, tornando-se necessário trabalhar simultaneamente em mais de uma das direções. É fundamental, portanto, não perder a noção de interdependência dessas três dimensões (PIRES, 2007).

Por outro lado, o modelo também sugere a possibilidade de existência de uma escala de evolução em cada um dos eixos. Essa escala pode ser útil como instrumento de gestão, pois permite que a evolução dos objetivos da cadeia de suprimentos seja mensurada para não ocorrer de forma muito desigual ou desequilibrada. Ainda assim, não existe uma fórmula única para se determinar o grau de atuação em cada um dos eixos. Para reduzir custos e au- mentar o valor percebido do produto perante o consumidor final, a forma do modelo dependerá de cada situação (PIRES, 2007).

Pires (2007) defende que qualquer projeto de gestão da cadeia de suprimentos deve também considerar que o tema é eminentemente estratégico. Isso significa que não há como pensar em realizar qualquer projeto na área sem que haja uma plena conscientização, envolvimento e o suporte da alta direção da organização. Sob essa perspectiva, a gestão da cadeia de suprimentos, assim como a estratégia empresarial, deve ser devidamente planejada, implementada e controlada através dos três eixos do referido modelo.

Para Chopra e Meindl (2006), o termo cadeia de suprimentos caracteriza o deslocamento de produtos ou serviços através de seus fornecedores, fabricantes, distribuidores, lojistas e clientes. Na realidade, um fabricante pode receber material de diversos fornecedores e depois abastecer diversos distribuidores, conforme demonstra a Figura 6. Devido a essa característica, a maioria das cadeias de suprimentos acaba sendo comparada com as redes de empresas, mas, neste caso, seria mais correto utilizar um termo como redes de suprimentos para descrever a estrutura da maioria das cadeias de suprimento.

Figura 6: Apresentação dos principais elos de uma cadeia de suprimentos.

Fonte: Chopra e Meindl (2006, p.5).

Segundo Chopra e Meindl (2006), não é necessário que todos os estágios apresentados na Figura 6 façam parte da cadeia de suprimentos, mas estabelecem que o projeto da cadeia de

suprimentos dependerá das necessidades do cliente final e da capacidade de cada nível para satisfazer essas necessidades. Todos esses fluxos de informação, produtos e fundos geram custos. Portanto, é necessário que se faça um gerenciamento adequado desses fluxos para o sucesso da cadeia de suprimentos.

Já para Ayers (2006), o fluxo de uma cadeia de suprimentos não é limitado em termos de direção. Inicialmente, ocorre de fornecedores para usuários finais, principalmente durante os processos físicos de fabricação. Mas, o projeto da cadeia de suprimentos não pode ignorar os fluxos contrários existentes, tais como a devolução de produtos, pedidos de reposição, reparação e revisão. Além dos produtos, a informação e o conhecimento também têm um fluxo bidirecional dentro da cadeia.

Na visão de Stadtler (2005), o objetivo final da cadeia de suprimentos deve ser a competitividade do todo; o cliente, por sua vez, pode ser considerado como o meio para que o objetivo possa ser atingido. Ainda assim, a competitividade também pode ser melhorada através de muitos outros aspectos, como reduzir custos, aumentar a flexibilidade com relação às demandas dos clientes ou ainda através de fornecimento de qualidade superior nos produtos e serviços. A seguir apresenta-se um quadro resumo das principais características abordadas pelo trabalho.

Quadro 3: Resume as principais características das cadeias de suprimentos.

Autor (ano) Características

Chopra e Meindl (2006)

O termo cadeia de suprimentos caracteriza o deslocamento de produtos ou serviços através de seus fornecedores, fabricantes, distribuidores, lojistas e clientes.

Pires (2007)

Os processos são o eixo mais importante e devem ser executados efetivamente ao longo da cadeia de suprimentos, sendo que esse eixo representa o porquê da existência e a finalidade principal cadeia.

Lambert, Cooper e Pagh

(1998)

A estrutura de uma cadeia de suprimentos é composta por empresas e por suas ligações. Nesse caso, essas ligações são processos de negócios que coordenam as atividades responsáveis por produzirem um valor específico para o cliente.

Nem todos os processos, ao longo da cadeia, precisam ser estreitamente coordenados e integrados. Deve-se buscar a relação que melhor se ajuste ao conjunto específico de circunstâncias de determinada cadeia.

Stadtler (2005) A dificuldade para coordenar atividades através de diversos locais e diversas organizações é um dos maiores desafios para a gestão da

cadeia de suprimentos. Fonte: Elaborado pelo autor.

Aborda-se na sequência os tipos de cadeias de suprimentos mais comumente visualizados no dia-a-dia das empresas.