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4. DATA ANALYSIS

4.1. QUESTIONNAIRE FOR TEACHERS 1 BACKGROUND INFORMATION

4.1.2 ONLINE COURSE DESIGN

O objetivo de cotejar a estrutura organizacional e figura do professor na UNIESP/FIT com a antiga FIT foi dificultada devido à inexistência de um Regimento Acadêmico, PPI ou PDI dentro do site da instituição, seja no link referente à mantenedora, seja no link específico da FIT, situado dentro do site da UNIESP. Esta informação é relevante, pois endossa que cada faculdade da rede UNIESP, inclusive a FIT, possui seu próprio RA, PPI e PDI. A rede UNIESP não possui RA, PDI e PPI válido para todas as unidades. A viabilidade do acesso a estes documentos varia em cada faculdade. No caso da FIT, foi preciso solicitar à Direção da instituição o acesso aos documentos e estes só foram fornecidos após longa espera e sob condição de fazê-lo em até uma semana. Além disso, é nítida a ausência de documentos que expressem diretamente o papel docente dentro do site da UNIESP e, consequentemente, da unidade FIT. Não foram encontrados registros referentes a professores e suas atribuições profissionais e acadêmicas. Sobre coordenadores, foram encontrados no site referências somente no Manual do Aluno. Ademais, muitos dos documentos necessários para

melhor explicação do funcionamento das instituições estudadas permaneceram inacessíveis. Muitos destes documentos estão disponíveis apenas para funcionários pertencentes à matriz UNIESP e não são fornecidos a funcionários, colaboradores e professores de suas coligadas.

Na primeira página do site da UNIESP constam todas as unidades que fazem parte do grupo educacional, inclusive suas 103 cidades atuantes e 11 estados nos quais o grupo possui presença, inclusive um link para a unidade de Itapecerica da Serra, no caso, a FIT, demonstrando que nos dias atuais esta faculdade é mais uma entre as dezenas de unidades que fazem parte deste conglomerado educacional. Além disso, no site constam informações de planos de tipo de ensino, notícias sobre a instituição, acessos a webmails para professores e colaboradores, acesso ao “portal do aluno” e acesso às revistas eletrônicas que fazem parte da UNIESP. Algumas destas revistas eletrônicas não estão mais ativas, com suas últimas publicações tendo sido feitas em 2009. Outras continuam ativas, o que mostra a necessidade da instituição em manter o mínimo teor acadêmico com a sociedade e corpo científico. Na página principal, existe um link para acessar o organograma da instituição, entretanto não foi possível acessá-lo por problemas técnicos no site.

Ademais, na página principal do site existe acesso a “TV UNIESP” e “Rádio UNIESP”. Trata-se de duas formas de comunicação internas promovidas pela IES para os alunos oriundos do curso de Comunicação, apenas da unidade central, praticarem aquilo que aprendem e aprenderam durante seu período letivo. Estas formas de comunicação servem para mostrar a faculdade para os próprios alunos, professores e colaboradores, além de possibilitar que outras pessoas acessem o site da faculdade e assistam aos programas, ou seja, trata-se também de forma de propaganda interna e externa. A programação da rádio UNIESP é composta somente de músicas programadas para tocarem em um determinado horário. Já a TV UNIESP é composta de programas feitos pela faculdade de Comunicação desta IES. O conteúdo é referente aos principais acontecimentos em diversas unidades pertencentes à UNIESP. Algumas vezes referem- se a raros eventos culturais patrocinados pela instituição, mas na maioria das vezes é referente aos principais acontecimentos acadêmicos em algumas unidades, como, por exemplo, abertura de bibliotecas, aumento da nota do MEC para algum curso de graduação, abertura de graduação em alguma unidade, destaque de algum profissional que faz parte do quadro de funcionários da instituição ou a necessidade e importância profissional de cursar uma graduação desta instituição para melhor posicionamento no

mercado de trabalho. O acesso a TV e Rádio UNIESP foram feitos com sucesso e durante estes acessos não foram detectados nenhum tipo de referência a citações de professores.

Acessando o link da unidade FIT dentro da página principal do site da UNIESP, percebe-se que existe um leiaute utilizado igualmente pelo site principal da mantenedora. Porém, a quantidade de informações é menor, justamente por se tratar de somente uma unidade. Neste portal, pode-se notar o acesso aos três cursos que compõem a faculdade, a ouvidoria, acesso às notícias da IES, aos cursos de pós- graduação que a IES disponibiliza, aos tipos de planos para poder pagar os estudos, ao portal do aluno para ele poder acompanhar suas notas e até a história da FIT.

Nenhum curso de pós-graduação anteriormente existente na FIT foi aproveitado ou reformulado. Os cursos de pós-graduação existentes foram desenvolvidos pela UNIESP e são disponibilizados para toda a rede de modo uniforme e padronizado. São divididos em oito “áreas” que a própria instituição chama de “núcleos”. Cada núcleo possui uma gama de cursos com duração de 12 meses e todos, sem exceção, são aplicados a distância através da internet, ou seja, não são presenciais. Nenhum curso de pós-graduação é aplicado em alguma unidade da UNIESP. Os referidos módulos são os seguintes: Educação e Letras, Estratégias e Gestão; Filosofia, Sociologia e Religião; Finanças e Controles, História e Artes, Jurídico, Banking e Contabilidade. Alguns destes cursos dentro de cada módulo estão em fase de conclusão. Ressalta-se que os docentes da FIT jamais foram cogitados para atuarem na docência destes cursos de pós- graduação. Além disso, existe um link dentro desta página com informações relevantes da FIT, como a história, missão e infraestrutura da instituição, CPA, Direção e Manuais e Resoluções.

A história e missão desta página são cópias do RA citado no Capítulo I. É possível acessar alguns destes links, outros não foram possíveis por estarem indisponíveis, mesmo após várias tentativas. Porém, dentro do link “Manuais e Resoluções” acha-se o Manual do Aluno. Este aluno possui o mesmo perfil daquele mencionado anteriormente nos documentos da FIT, ou seja, carente de informações e em busca de um certificado que justifique melhor posicionamento no mercado de trabalho e ascensão social. No Manual do Aluno constam atribuições e responsabilidade dos coordenadores de curso superior, conforme a seguir:

Os coordenadores são responsáveis por fiscalizar a observância do regime escolar e o cumprimento dos programas e planos de ensino, bem como a execução dos demais projetos da Coordenadoria, tanto por discentes como por docentes de seu curso. (MANUAL DO ALUNO, p. 30)

Além dessas responsabilidades, cabe ao Coordenador buscar melhorias dentro do curso para o corpo discente, conforme mencionado:

Aprovar as propostas de adaptações de curso visando melhorias da grade curricular, assim como, o aproveitamento de estudos dentro do âmbito acadêmico da sua respectiva graduação são atribuições dadas aos coordenadores. (MANUAL DO ALUNO, p. 30)

Ademais, trata-se de regulamentos internos sobre a burocracia da FIT e Normas Acadêmicas relacionadas ao percurso acadêmico do aluno (sistema de notas, procedimentos para desligamento etc.). Como mencionado, apenas o Manual do Aluno possui conteúdo em referência pontual à coordenação de curso superior, porém, sem mencionar a figura do professor docente. Todos estes documentos presentes no link “manuais e resoluções” possuem sua relevância para a faculdade, isto é, possuem sua importância para a IES devido a estes serem os únicos documentos realmente disponíveis que contém algum tipo de informação sobre coordenação e professores, mas nenhum destes condiz com algum tipo de Regimento Acadêmico, PPI e PDI.

Diante da dificuldade de localizar fontes que pudessem ajudar a responder às questões associadas à estrutura organizacional e atuação dos professores na UNIESP/FIT, a alternativa foi acessar alguns documentos relacionados à avaliação realizada periodicamente para o MEC. Para tanto, será feita uma breve descrição do processo.

A visita do MEC é realizada somente quando o curso de graduação obtiver nota dois no Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (ENADE). Essa avaliação é realizada bienalmente com todos os alunos cursando o oitavo semestre letivo do seu respectivo curso. Trata-se de uma prova composta por todas as disciplinas da graduação em questão, dividida em 35 questões, a maioria com questões alternativas. O resultado desta avaliação é importante para a IES e graduação em questão devido ao viés relacionado à qualidade do curso. Segundo o MEC, é através desta avaliação que se pode “medir” o nível de qualidade da graduação. Segundo o IGC (Índice Geral de Cursos) é desejável que esta qualidade atinja os requisitos mínimos de pontuação, ou seja, mínimo 3, sendo que a notas variam de 1 a 5, sendo 1 e 2 insuficientes. O resultado

desta avaliação é anunciado um ano após a realização. Caso a IES não atinja a pontuação mínima necessária no Enade, esta IES receberá a visita do MEC no ano seguinte.

Esta visita do MEC é uma prática comum tanto do MEC quanto da IES que receberá a comissão do MEC para avaliar a graduação em questão. Diversos quesitos são analisados, como a estrutura física, laboratório de informática, biblioteca, documentação trabalhista de funcionários e docentes, trabalho dos funcionários, direção, coordenação e docentes, entrevistas com professores, coordenação, direção, docentes e discentes, análise de atas de reunião do NDE e Colegiado de professores dos cursos em questão e publicações acadêmicas dos professores. Todos estes quesitos são avaliados pelo MEC, que, por sua vez, atribui uma nota de 1 a 5 para cada quesito. Caso a IES não consiga atingir a nota 3, o curso é suspenso para novas matrículas e a graduação reprovada precisará passar por um processo de reforma interna para se adequar às exigências mínimas do MEC.

Para atingir a nota mínima 3 quando da visita do MEC, as IES necessitam fazer adequações. Muitas vezes essas adequações são realizadas de maneira rápida, imediata e urgente. O MEC agenda esta visita com meses de antecedência e muitas das IES iniciam soluções de problemas para visitas do MEC nas últimas semanas. No caso da UNIESP/FIT, o trabalho de recepção para visita do MEC é iniciado com uma semana de antecedência. Este trabalho é feito por uma Diretora da IES especializada neste tipo de situação. Além disso, são convocados outros profissionais que poderão ser úteis para este tipo de trabalho, além da participação imprescindível do Coordenador do referido curso que será avaliado e a Diretora Geral. Todas as melhorias são realizadas rapidamente para que os avaliadores do MEC possam analisar e averiguar. Os Coordenadores e Diretora Geral são obrigados a participar deste tipo de melhoria, compondo uma espécie de “força-tarefa". Além do mais, o Coordenador em questão e a Diretora Geral igualmente são analisados pelos avaliadores, logo, precisarão estar incorporados nessa suposta melhoria que só é real devido à necessidade de se atingir uma boa nota na avaliação feita pelo MEC.

Os documentos gerados nesse processo avaliativo são formulários que explicitam diversos quesitos relacionados ao projeto acadêmico da faculdade. O primeiro deles que será analisado está relacionado ao modelo de avaliação dos alunos.

As diretrizes das avaliações são comunicadas pela Matriz da UNIESP para todas as suas coligadas. Consequentemente, os Diretores Gerais necessitam informar seus

Coordenadores de graduação para que estes possam informar os professores que irão se utilizar desta avaliação para aplicar em sala de aula com os alunos. Os professores, Coordenadores e o Diretor Geral não possuem autonomia alguma para escolher que tipo de avaliação é melhor a ser utilizada para aplicação em sala, independente da disciplina, metodologia utilizada em sala de aula e condições psicológicas dos discentes. De acordo com o PDI (2006-2010) da FIT, as avaliações na FIT eram feitas da seguinte forma: o semestre era dividido em dois bimestres. Em cada bimestre existia um trabalho em sala e uma avaliação em forma de teste. Para este trabalho, o professor possuía autonomia para melhor aplicar. Em alguns casos, dependendo da disciplina e do professor, este trabalho era realizado em grupo cujos integrantes tinham a possibilidade de realizar consultando seus materiais, sejam livros, apostilas ou anotações sobre a disciplina em questão. Esse trabalho representava trinta por cento da nota total do bimestre. A avaliação em forma de teste era elaborada pelo professor, que possuía autonomia para aplicação, elaboração e metodologia utilizada. Esta avaliação poderia ser elaborada com questões descritivas ou alternativas conforme a necessidade da disciplina e/ou do professor e possuía um peso de setenta por cento da nota total do bimestre, ou seja, o trabalho aplicado em sala e a avaliação totalizavam cem por cento da nota bimestral. A média do semestre era um coeficiente da somatória dos dois bimestres letivos divido por dois. Como não havia coordenação ativa nas graduações da gestão FIT, os professores possuíam autonomia na elaboração dessas médias semestrais, entretanto, não possuíam suporte acadêmico e administrativo. Muitas vezes a aprovação de avaliações mais elaboradas ou específicas era questionada diretamente pela Diretora Geral para aprovação e/ou sugestão sem intermédio de Coordenação de graduação. Ressalta-se que o corpo docente da Gestão FIT não possuía acesso ao PDI 2006-2010, e as avaliações aplicadas eram informadas oralmente de professor para professor, ou seja, era uma prática tradicional do corpo docente, uma cultura. Após a incorporação, a UNIESP/FIT mudou a forma de avaliar os alunos da antiga FIT.

As médias bimestrais continuaram, todavia, na média bimestral eram aplicadas duas avaliações em períodos predeterminados. Ambas as avaliações possuem o mesmo peso: cinquenta por cento cada avaliação. A diferença está no fechamento da média bimestral, pois da mesma forma que se faz o cálculo de coeficiente da média semestral, se faz igualmente na média bimestral. Os professores possuíam menos autonomia para elaboração de avaliações e fechamento das médias bimestrais e semestrais, entretanto, possuíam um maior suporte acadêmico dos Coordenadores de graduação. Estes

precisavam conferir as avaliações de todos os professores que faziam parte do curso em questão para analisar se o material aplicado aos alunos condizia com as ementas distribuídas aos alunos no começo de cada semestre. Além disso, era de responsabilidade dos Coordenadores a confecção e quantidade de avaliações impressas na data combinada. Este trabalho era realizado junto à secretaria da UNIESP/FIT.

Para o ano de 2015, a matriz da UNIESP modificou o sistema de avaliações. Essa modificação foi transmitida em reunião da Diretora Geral com os três Coordenadores de graduação, depois transmitida em reunião dos Coordenadores de graduação com os docentes de cada graduação em questão e, finalmente, em reunião geral entre Diretora, Coordenadores e docentes de todos os cursos de graduação da IES. A Diretora Geral recebeu estas normas em comunicado por e-mail da matriz UNIESP, mas os Coordenadores de seus respectivos cursos não receberam comunicado escrito algum da Diretora Geral da UNIESP/FIT e da matriz UNIESP. Uma norma foi elaborada para estabelecer as novas regras de avaliações, orientando os Diretores de cada IES. Somente os Diretores receberam tal orientação, devendo posteriormente orientar os Coordenadores e estes orientariam os professores de seus respectivos cursos. O semestre letivo não é mais dividido em bimestres e as avaliações receberam novo formato e peso dentro do semestre letivo. Foi decidido o seguinte: o aluno será avaliado por meio de três notas. A primeira dessas notas é a presença em sala de aula. Cada dia assistido em sala contará meio ponto a mais nesta nota. No total, se o aluno comparecer em todas as aulas, ele terá a nota máxima dez. A segunda nota são trabalhos aplicados em sala de aula. Cada trabalho será aplicado em dia predeterminado pelo Coordenador do curso. Foram disponibilizadas datas para aplicação destes trabalhos. Poderão ser aplicados de três a quatro trabalhos no decorrer do semestre. O professor possui a liberdade de totalizar a pontuação de acordo com seu perfil, mas estes trabalhos em sala necessitam totalizar dez pontos. A terceira, última e não menos importante nota é uma avaliação integral. Trata-se de uma prova com conteúdo de todo o semestre letivo agregando todas as disciplinas. Esta prova é aplicada em um único dia estabelecido pela coordenação em questão. O número de questões totais nesta avaliação pode variar de trinta e cinco a quarenta questões envolvendo todas as disciplinas do semestre letivo. A média semestral de cada disciplina do aluno será o resultado de um cálculo de coeficiente entre estas três notas, ou seja, soma-se o total de cada nota e divide-se por três. A média mínima para aprovação continua sendo sete. Este novo sistema de avaliação semestral dá menos autonomia pedagógica ao professor, entretanto, torna-se

mais democrático para o aluno, pois este não dependerá de apenas uma nota para ser aprovado pelo professor em determinada disciplina. O Coordenador torna-se mais responsável pela supervisão destas avaliações e fechamento de médias semestrais de cada aluno, além de necessitar estar alinhado com cada professor para melhor qualidade na aplicação destas avaliações.