METHODOLOGY OF THE STUDY 3.1. Research Methods
4. FINDING AND ANALYSIS
4.2. The Themes identified about the Lived Experience of Mothers Raising children diagnosed with Autism
4.2.2. Mothers’ psychological wellbeing
4.2.2.2. Ongoing Emotional encounters
Os polímeros sensíveis à temperatura apresentam modificações em sua estrutura e propriedades em resposta a uma mudança na temperatura do sistema (YUAN et al., 2012).
A solubilidade da maioria dos polímeros sintéticos aumenta com o aquecimento, mas alguns polímeros hidrossolúveis sofrem separação de fases em solução com o aquecimento. Esta propriedade particular é referida como solubilidade dependente do inverso da temperatura. Este é um comportamento característico de sistemas poliméricos que exibem temperatura consoluta inferior (Lower Critical Solution Temperature – LCST) (NYKÄNEN et al., 2007; ALZARI et al., 2009; MA et al., 2010). Enquanto que, quando a separação de fases ocorre com a diminuição da temperatura, os sistemas poliméricos exibem uma temperatura consoluta superior (Upper Critical Solution Temperature – USCT) (SCHMALJOHANN, 2006). Em particular, a LCST é a temperatura na qual a solução do polímero sofre transição de fases, passando de uma fase (cadeias poliméricas solúveis no meio, estado isotrópico) para duas fases (cadeias poliméricas insolúveis no meio, estado anisotrópico) com o aumento da temperatura do sistema (BAJPAI et al., 2008; BAJPAI et al., 2010). Esta transição de fases é reversível e as propriedades iniciais do sistema polimérico são recuperadas quando o estímulo é removido (BAJPAI et al., 2010).
A temperatura consoluta inferior é o resultado de um balanço hidrofílico-hidrofóbico na estrutura química do polímero, em resposta às interações intermoleculares entre polímero- solvente e entre polímero-polímero (HSU; CHU; YANG, 2012). Abaixo da LCST, as ligações de hidrogênio entre os grupos hidrofílicos do polímero e as moléculas de água são predominantes, o que favorece a solubilidade do polímero no meio. Por outro lado, acima da LCST, a cadeia do polímero desidrata, isto é, as ligações de hidrogênio são enfraquecidas e as interações entre os grupos hidrofóbicos da macromolécula tornam-se mais fortes. Consequentemente, as cadeias do polímero compactam, levando à turvação do sistema (AGUILAR et al., 2007; HSU; CHU; YANG, 2012). Este comportamento é atribuído à transição da cadeia polimérica no solvente entre um estado expandido como novelo (abaixo da LCST) e um estado compactado como glóbulo (acima da LCST) (BAJPAI et al., 2008).
Gao e colaboradores (2005) investigaram a transição de fase e o tamanho das partículas de poli (N-isopropilacrilamida) com grupo carboxílico terminal (PNIPAAm- COOH) e copolímeros de poli (alilamina)-g-poli (N-isopropilacrilamida) com incorporação de de 50, 29 e 18% de PNIPAAm, na concentração de polímero de 2 g/L, em solução aquosa por espalhamento de luz dinâmico (DLS). Eles observaram que os tamanhos das partículas
praticamente não variaram com o aumento da temperatura de 25 até atingir 33 °C e foram menores do que aqueles da subsequente agregação, que atingiu um tamanho máximo em 34 ± 1 °C (temperatura consoluta inferior – LCST ou transição de fase). Neste trabalho, a LCST foi definida como o ponto de máxima agregação de polímero. Comparada com a PNIPAAm- COOH, todos os copolímeros apresentaram similar transição de fase, indicando que a graftização da cadeia lateral de PNIPAAm-COOH não interfere na transição de fase dos copolímeros sensíveis à temperatura estudados Acima da LCST da PNIPAM, as partículas maiores dos polímeros tenderam a compactar com o aumento da temperatura. (Figura 3.25). Basicamente, os tamanhos das partículas dos copolímeros aumentaram com a diminuição da quantidade de poli (N-isopropilacrilamida) incorporada na cadeia principal da poli (alilamina), e atingiu um valor máximo de 190 nm, quando a quantidade de PNIPAAm foi 29%. Uma quantidade ainda menor de graftização, entretanto, diminuiu o tamanho da partícula para 170 nm. Os polímeros sensíveis à temperatura mostraram comportamento de agregação reversível acima e abaixo da LCST (GAO; MOHWALD; SHEN, 2005).
Figure 3.25 - Raio hidrodinâmico em função da temperatura com aquecimento e resfriamento PNIPAAm-
COOH (a) e copolímeros de poli (alilamina)-g-poli (N-isopropilacrilamida) com diferentes porcentagens de graft: 50% (b), 29% (c) e 18% (d)
A função termodinâmica usada para avaliar a transição de fases da cadeia polimérica em um determinado solvente é a energia livre de dissolução (ΔG). A energia livre de
dissolução (ΔG) pode ser representada por ΔG = ΔH - TΔS, em que a energia livre do
sistema polimérico no meio pode mudar de negativa (processo favorável) para positiva (processo desfavorável) com o aumento da temperatura. Abaixo da LCST, a contribuição
entálpica (ΔH) relacionada com as ligações de hidrogênio entre o polímero e as moléculas de
água (entalpia de solubilização negativa), torna-se maior do que o ganho entrópico (ΔS) do sistema polimérico. Consequentemente, a energia livre de dissolução torna-se negativa, contribuindo com a dissolução do polímero (DIMITROV et al., 2007). Acima da LCST, a contribuição entrópica (interações hidrofóbicas) (entropia negativa) para a energia livre de dissolução do sistema polimérico torna-se maior do que a contribuição entálpica. Assim, ΔG torna-se um valor positivo e a separação de fases do polímero em solução começa a ocorrer (DIMITROV et al., 2007; BAJPAI et al., 2010; KUMAR et al., 2011).
As poliacrilamidas N-substituídas representam um dos grupos de polímeros termossensíveis que exibe LCST. A estrutura química de alguns destes polímeros é mostrada na Figura 3.26 (GIL e HUDSON, 2004). Outros polímeros da família correspondem a poli (N,
N’-dietilacrilamida, poli (2-carboxiisopropilacrilamida), poli (N-(L)-(1-hidroximetil)
propilmetacrilamida) e poli (N-acriloil-N’-propilpiperazina). A característica comum dos polímeros termossensíveis é a presença de grupos hidrofóbicos, tais como metil, etil e propil (BAJPAI et al., 2010).
Figura 3.26 - Estruturas químicas dos polímeros termossensíveis: (a) Poli (N-isopropilacrilamida, (b) Poli (N,
N’-dietilacrilamida), (c) poli (2-carboxiisopropilacrilamida), (d) poli (N-(L)-(1-hidroximetil)
propilmetacrilamida) e (e) poli (N-acriloil-N’-propilpiperazina)
R = -CH2-CH2-CH3
Fonte: Adaptado de (GIL; HUDSON, 2004)
Outros grupos de polímeros sensíveis à temperatura que exibem LCST podem ser representados, por exemplo, pela poli (vinil metil éter) (DIMITROV et al., 2007; LIU; FRAYLICH; SAUNDERS, 2009), poli (vinil isobutil amida) (GIL; HUDSON, 2004) e poli (N-vinil caprolactama) (ALZARI et al., 2009). Além disso, alguns derivados de celulose, tais como metilcelulose e hidroxipropilcelulose foram reportados como materiais que apresentam comportamento sensível à temperatura (LIU; FRAYLICH; SAUNDERS, 2009).
Alguns dos polímeros sensíveis à temperatura e seus respectivos valores de LCST em água são mostrados na Tabela 3.6 (JEONG; KIM; BAE, 2002).
Tabela 3.6 - Valores da temperatura consoluta inferior (LCST) de polímeros termossensíveis em água
Polímero LCST (°C)
Poli (N-isopropilacrilamida), PNIPAM ~32 Poli (vinil metil éter), PVME ~40 Poli (etilenol glicol), PEG ~120 Poli (propileno glicol), PPG ~50 Poli (ácido meta-acrílico), PMAA ~75 Poli (álcool vinílico), PVA ~125 Poli (vinilpirrolidona), PVP ~160
Metilcelulose, MC ~80
Hidropropilcelulose, HPC ~55
Poli (vinilcaprolactama) ~30
Fonte: (JEONG, KIM e BAE, 2002)
A poli (N-isopropilacrilamida) (PNIPAM) tem sido um dos sistemas termossensíveis mais estudados (JEONG; KIM; BAE, 2002; GIL; HUDSON, 2004; AGUILAR et al., 2007; NYKÄNEN et al., 2007; ALZARI et al., 2009; LIU; FRAYLICH; SAUNDERS, 2009; BAJPAI et al., 2010; HSU; CHU; YANG, 2012). Este polímero apresenta uma transição de fase abrupta na temperatura consoluta inferior (em inglês, lower critical solution temperature - LCST), em torno de 32 °C, quando dissolvido em água (NYKÄNEN et al., 2007; ALZARI et al., 2009; MA et al., 2010). Estudos sugerem que o número médio de moléculas de água que hidratam cada mero de NIPAM (N-isopropilacrilamida) diminui de 11 para aproximadamente 2 com o colapso hidrofóbico acima da LCST (32 °C) (MA et al., 2010). Abaixo da LCST, a solubilidade do polímero em fase aquosa pode ser atribuída às ligações de hidrogênio entre os grupos amida da cadeias do polímero e as moléculas de água. As macromoléculas estão hidratadas e em um estado expandido como novelo. Acima da LCST, as ligações de hidrogênio entre as moléculas de água e as cadeias do polímero são enfraquecidas e as interações hidrofóbicas entre os grupos isopropil da PNIPAM são fortalecidas, levando a compactação das cadeias de PNIPAM como glóbulos (Figura 3.27) (TAM; WU; PELTON, 1992; LIN; CHEN; LIANG, 1999; SALGADO-RODRÍGUEZ; LICEA-CLAVERÍE; ARNDT, 2004; DIMITROV et al., 2007; BURDUKOVA et al., 2010; LIM et al., 2014).
Figura 3.27 - Efeito da temperatura na transição de fases da poli (N-isopropilacrilamida) em água
T > LCST
T < LCST
Fonte: Adaptado de (DIMITROV et al., 2007; LIM et al., 2014)
A transição de fases da PNIPAM é governada pelo balanço entre os segmentos hidrofílicos e hidrofóbicos (LIN, CHEN e LIANG, 1999). Fatores que aumentam as interações entre polímero e solvente aumentam a LCST, enquanto que os fatores que aumentam as interações polímero-polímero diminuem a LCST (LIU; FRAYLICH; SAUNDERS, 2009).
É possível controlar a LCST de um polímero termossensível por um adequado balanço hidrofílico e hidrofóbico, como resultado de uma copolimerização ou modificação química (SCHMALJOHANN, 2006; ALZARI et al., 2009; LIU; FRAYLICH; SAUNDERS, 2009; HSU; CHU; YANG, 2012; YUAN et al., 2012). Quando o monômero NIPAM é copolimerizado com monômeros mais hidrofílicos, tal como acrilamida (AM), a LCST aumenta e pode até desaparecer. Entretanto, se o monômero NIPAM é copolimerizado com monômeros mais hidrofóbicos como o N-t-butilacrilamida (N-t-BAM), a LCST diminui, como mostrado na Figura 3.28 (HOFFMAN et al., 2000).
Figura 3.28 - Efeito da copolimerização na LCST da PNIPAM
Fonte: Adaptado de (HOFFMAN et al., 2000)
Zhang e colaboradores (2010) estudaram as propriedades das soluções de copolímeros hidrossolúveis termossensíveis de N-isopropilacrilamida (NIPAM), hidroxietil metacrilato (HEMA) e acrilamida (AM). Os autores concluíram que a LCST das soluções poliméricas pode ser controlada modificando a proporção de cada monômero. O aumento da quantidade do monômero HEMA diminuiu a LCST, enquanto o aumento do AM conduziu ao aumento da LCST. Outra forma utilizada para controlar a LCST é adicionando pequenas moléculas. A adição de NaCl diminuiu a LCST e a adição de dodecil benzeno sulfonato de sódio (Sodium Dodeyl Benzene Sulfonate – SDBS) aumentou a LSCT. Nesse estudo, as soluções aquosas dos polímeros mostraram um bom comportamento termoviscosificante (ZHANG et al., 2010).
De acordo com a literatura, copolímeros que apresentam cadeias de PNIPAM graftizadas em uma cadeia principal hidrofílica, tal como, PAA (poli(ácido acrílico)-g- PNIPAAM (DURAND; HOURDET, 2000) e CMC-g-PNIPAM (BOKIAS et al., 2001), exibem comportamento termoviscosificante. Este comportamento é apresentado por alguns polímeros em solução aquosa, que sofrem um ganho significativo de viscosidade com o aumento da temperatura. Comportamento semelhante foi observado para misturas físicas formadas por dois polímeros com propriedades diferentes: poli (acrilato de sódio) hidrofobicamente modificado com grupos octadecil (HMPA) e PNIPAM. Entretanto, a graftização das cadeias de PNIPAM na cadeia principal hidrofílica é um dos métodos mais usados para produzir materiais termoviscosificantes (BOKIAS et al., 1997; BOKIAS et al., 2001). Bem como, é possível sintetizar polímeros termoviscosificantes à base de NIPAM pela
modificação da quantidade de monômeros hidrofílicos ou hidrofóbicos, como reportado por (ZHANG et al., 2010).
A LCST também pode depender da massa molar e concentração de polímero (Bajpai et al., 2010). Pamies e colaboradores (2009) estudaram a transição de fase induzida pela temperatura para três amostras de poli(N-isopropilacrilamida) com massas molares de 5,35 x 103 (n = 47); 9,01 x 103 (n = 71) e 1,34 x 104 (n = 106) g/mol através da turbidimetria. Foi observado por diferentes técnicas que a temperatura consoluta inferior da PNIPAM é dependente do comprimento da cadeia polimérica (massa molar) e da concentração de polímero, considerando massas molares menores que 1,2 x 104 g/mol (PAMIES et al., 2009).
A Figura 3.29 apresenta os dados de turbidez para as amostras de PNIPAM com diferentes massas molares na concentração de 10 g/L. Para todas as massas molares, os dados de turbidez exibiram uma transição abrupta na temperatura, conhecida como ponto de turbidez (em inglês, cloud point - CP). O ponto de turbidez é o ponto a partir do qual a turbidez começa a aumentar com o aumento da temperatura devido ao aumento do caráter hidrofóbico da PNIPAM, que favorece agregados maiores e aumento dos valores de turbidez até atingir um valor máximo. Após este valor máximo, a densidade de segmentos hidrofóbicos no núcleo da partícula torna-se alta, resultando na contração dos agregados. As interações hidrofóbicas aumentam com o aumento do comprimento da cadeia do polímero e, consequentemente, o início da formação dos agregados ocorrerá em temperaturas menores. Quanto maior a massa molar do polímero menor será o ponto de turbidez, a uma concentração constante de polímero. Para soluções aquosas de polímero anfifílico como PNIPAM (PELTON, 2010) de cadeias razoavelmente curtas, o número de segmentos hidrofóbicos na cadeia aumentará com o aumento da massa molar; e a frequência de colisão e a probabilidade de interação são aumentadas. Isto conduz à formação de agregados em temperaturas menores e a diminuição do CP, o que demonstra claramente que o comprimento da cadeia é um fator importante para afetar a transição de fase da PNIPAM na variação de massa molar estudada (PAMIES et al., 2009).
Figura 3.29 – Efeito da massa molar na turbidez da amostra de P(NIPAM)n a 10 g/L
Fonte: (PAMIES et al., 2009)
Foi também observado que os valores do ponto de turbidez diminuem com o aumento da concentração de polímero, o que pode ser atribuído ao aumento das associações intermoleculares em concentrações maiores, favorecendo a redução do CP (Figura 3.30) (PAMIES et al., 2009).
Figura 3.30 – Efeito da concentração e massa molar na turbidez das amostras de P(NIPAM)n
Fonte: (PAMIES et al., 2009)
Por outro lado, de acordo com o estudo de Fujishige e colaboradores (1989), a transição de fase da PNIPAM não é afetada pelas massas molares maiores, isto é, da ordem de
5,0 x 104 a 8,0 x 106 g/mol e concentrações de polímero de 0,01 a 1 wt% (Figure 3.31), o que indica que a LCST é independente da massa molar e concentração de polímero (ALZARI et al., 2009). Este comportamento indica que o número de segmentos hidrofóbicos desempenha um papel menos dominante para as cadeias longas (FUJISHIGE, KUBOTA e ANDO, 1989; PAMIES et al., 2009). Foi observado que, a transição de fase da PNIPAM em solução aquosa ocorreu ao atingir 31 °C e os valores de transmitância diminuíram para aproximadamente 0 %, independentemente da massa molar. O aumento da concentração de polímero não afetou a LCST, mas contribuiu com a diminuição da transmitância, em particular, atingindo aproximadamente 0% de transmitância a 1 wt% de polímero, como mostrado na Figura 3.31 (b) (FUJISHIGE; KUBOTA; ANDO, 1989).
Figura 3.31 – Efeito da massa molar (a) e da concentração (b) nas medidas de transmitância da PNIPAM em
água com aquecimento (-) e resfriamento (---)
(a) (b)
Fonte: (FUJISHIGE; KUBOTA; ANDO, 1989)
Os polímeros termossensíveis têm despertado muito interesse por pesquisas devido ao seu comportamento reversível em resposta ao estímulo temperatura e por serem usados para formar materiais inteligentes com tamanho da ordem de nano ou micrometros, tais como géis, micelas, cápsulas e partículas. Estes materiais em diferentes formas físicas apresentam diversas aplicações, incluindo controle reológico, processo de separação por afinidade térmica, liberação controlada de fármacos, modificação de superfície e terapia gênica (LIU; FRAYLICH; SAUNDERS, 2009).