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Kapittel 3. Teoretiske perspektiver

3.3 Aktiviteter, praksiser, ordninger og systemer

3.3.1 Omsorgssystemer og tidssamspill

A pesquisadora Sue Walker50 desenvolveu, de 1999 a 2005, um projeto de pesquisa

chamado Typographic design for children51 que teve por finalidade procurar

responder aos seguintes questionamentos: “a tipografia tem efeito significante na leitura das crianças? ela afeta a motivação para a leitura? tipos sem serifa ou serifadas são mais fáceis ou mais difíceis de ler? as crianças consideram os “caracteres infantis” (por exemplo adaptações das letras “a” e “g”) mais fáceis ou

50 A Doutora Sue Walker é membro da Sociedade de Pesquisa em Design e decana da Faculdade de Artes e

Humanidades da University of Reading de Londres. Nessa universidade, dirigiu a Escola de Artes e Design de Comunicação, e o Departamento de Tipografia e Comunicação Gráfica. Antes de se tornar acadêmica com dedicação exclusiva em 1999, ela trabalhava como designer. Maiores informações em: http://www.reading.ac.uk/about/people/about-walker.aspx 51 Maiores informações sobre o projeto: http://www.kidstype.org/

mais difíceis de ler? mais ou menos espaço entre as letras, palavras e linhas ajudam ou dificultam a leitura das crianças?” (WALKER, 2005, p. 3, tradução do autor).52

Os chamados “caracteres infantis” são adaptações das letras “a”, “g” e “y” para que seus desenhos possam ser mais facilmente identificados, sem causar dúvidas na sua diferenciação dos outros caracteres. A FIGURA 26 mostra a diferença entre esses caracteres nas fontes Gill Sans e Gill Sans Schoolbook:53

FIGURA 26 - Comparativo entre os caracteres “normais” e os “caracteres infantis”. Figura elaborada pelo autor.

Para a investigação proposta, foi escolhido o livro de literatura A sheepless night, escrito por Geraldine McCaughrean e ilustrado por Mike Spoor, que faz parte do acervo de livros da Oxford Literacy Web, projetados para atender aos padrões do

programa estratégico britânico para escolas primárias (National Literacy Strategy). O livro é destinado a crianças de aproximadamente seis anos, que estão entre o primeiro e o segundo ano do ensino britânico - o que equivale ao atual período de alfabetização no Brasil. Esse estágio de aprendizagem é chamado, de acordo com o currículo britânico (National Curriculum), de Individualised reading stage 7. O livro adotado para a pesquisa se encaixou perfeitamente nos padrões desse currículo, possuindo 24 páginas, cada uma contendo uma ilustração e um texto (de no mínimo duas e no máximo sete linhas). Para exemplificar, apresentamos a seguir duas páginas do livro.

52 Texto original em inglês.

53 A fonte fonte Gill Schoolbook está disponível em http://www.fontmarketplace.com/font/gill-sans-schoolbook-regular. aspx#related

Capítulo 1 - referências teóricas e metodológicas

FIGURA 27 - Páginas do livro de literatura A sheepless night, de Geraldine McCaughrean.

A pesquisa foi realizada em escolas primárias de Berkshire e consistiu em apresentar o livro selecionado para as crianças e ouvi-las lendo em sala de aula, simulando o contexto real de uma atividade de leitura. O texto do livro foi diagramado com tipos de letra diferentes para cada teste de leitura. No primeiro teste, foram investigadas as diferenças entre a percepção de tipos com serifa e sem serifa e com ou sem os “caracteres infantis”.

As fontes utilizadas foram as seguintes: Century, Century Educational (serifadas - sem e com “caracteres infantis”); Gill Sans e Gill Schoolbook (sem serifa - sem e com “caracteres infantis”). A figura a seguir mostra os blocos de texto diagramados.

FIGURA 28 - Fontes utilizadas no teste de leitura comparando fontes serifadas e sem serifa. Fonte: WALKER, 2005, p. 7.

Em relação à utilização de tipos serifados ou sem serifa, os resultados da investigação foram os seguintes.

De 24 crianças, 8 preferiram “Gill Sans”, e 3 “Gill Schoolbook”. Somente duas preferiram “Century” e 3 “Century Educational”. No entanto, 8 crianças expressaram não ter preferência.

As crianças fizeram os seguintes comentários sobre a fonte “Gill Sans”: - as letras saltam aos olhos e são muito maiores para ler;

- não havia linhas pequenas. Eu não gosto de linhas pequenas - elas estragam tudo;

- boa espessura de letras; - letras grandes;

- me parecem fáceis de ler.

E os seguintes comentários sobre a fonte “Century”: - você pode lê-la adequadamente;

- é a mais fácil de ler;

- é muito fácil de ler e tem aparência diferente (WALKER, 2005, p. 8, tradução do autor).54

Podemos perceber que não existe uma preferência clara entre tipos sem serifa ou serifadas, pois um terço da amostra se posicionou sem preferência e os comentários sobre a facilidade de leitura são feitos para os dois tipos de letra. Esses dados vão

Capítulo 1 - referências teóricas e metodológicas

de encontro às conclusões de Alex Poole, comentadas anteriormente, a respeito da utilização de fontes serifadas ou sem serifa: praticamente é uma questão de estética. Outra questão investigada foi a utilização ou não de fontes que possuem “caracteres infantis”. A pesquisa destaca que

Nem todas as fontes que possuem “caracteres infantis” favorecem a leitura das crianças. Se os “caracteres infantis” são usados, o importante é que haja uma clara diferenciação entre letras como “o”, “a” e “g”. É o caso da fonte Gill Schoolbook, por exemplo, mas não de fontes como Avant Garde

Gothic ou Helvetica (WALKER, 2005, p. 8, tradução do autor).55

Percebemos que o detalhe mais importante do desenho da fonte é a diferenciação dos caracteres para sua melhor identificação - que é o princípio fundamental da legibilidade. Aqui vale a pena destacar que a fonte Avant Garde Gothic apresenta uma configuração complicada para diferenciação dos caracteres por ser linear geométrica, como a Futura, comentada anteriormente. A figura a seguir apresenta alguns caracteres da fonte Avant Garde Gothic para a visualização da similaridade entre os caracteres.

FIGURA 29 - A fonte Avant Garde Gothic possui caracteres geométricos muito parecidos que dificultam sua diferenciação. Figura elaborada pelo autor.

Outro aspecto interessante destacado na pesquisa de Sue Walker sobre a percepção das crianças em relação à forma das letras foi a seguinte:

Muitas crianças em nosso estudo estavam bem conscientes a respeito da presença de diferentes formas das letras “a” e “g” e algumas até comentaram que a letra “a” (com caractere infantil) é aquela que escrevemos e a letra “a” (normal) é aquela que lemos (WALKER, 2005, p. 9, tradução do autor).56

55 Texto original em inglês. 56 Texto original em inglês.

Essa observação não só reforça a recomendação da utilização de letras minúsculas para a composição de blocos de texto, inclusive para crianças, como atesta que estas não possuem nenhuma dificuldade na identificação dos caracteres. Pelo contrário, conseguem desde cedo perceber as diversas formas e funções dos caracteres. A pesquisa de Sue Walker ainda testa a utilização de tipografias desenhadas especialmente para crianças - como as fontes Sassoon Primary e Fabula - comparativamente às fontes de uso “não infantil”, como Gill Sans ou Century. Os resultados dos testes de performance de leitura são os seguintes.

Nos testes de performance, o desempenho da fonte “Sassoon” não foi melhor nem pior do que as fontes “Gill”, “Century” ou “Flora” e nos testes de preferência, nem a fonte “Sassoon” nem a “Fabula” foram consideradas pelas crianças como particularmente notáveis ou úteis (WALKER, 2005, p. 12, tradução do autor).57

Os resultados apresentados acima nos revelam que, independentemente da fonte ter sido desenhada especificamente para crianças, algumas características são favoráveis para a mais clara identificação dos caracteres e essas características podem ser encontradas em várias fontes. Uma das conclusões mais importantes da pesquisa de Sue Walker é a seguinte.

Um dos perigos das fontes desenhadas especificamente para crianças é a presença de qualidades que talvez as façam “amigáveis”, como as pontas das hastes arredondadas ou a adição de “enfeites”, pode significar que ela não possua uma aparência de uma fonte convencional. Se um dos propósitos de ensinar as crianças a ler é familiarizá-las com as convenções tipográficas da leitura, então as fontes especialmente desenhadas talvez não sejam a solução. Selecionar fontes estabelecidas que possuam generosas hastes ascendentes e descendentes, clara distinção entre os caracteres, que às vezes são confundidos, e sem caracteres peculiares incomuns, talvez seja uma igualmente boa seleção tipográfica (WALKER, 2005, p. 13, tradução do autor).58

A pesquisadora ressalta que o fato de a fonte possuir ou não serifas e possuir ou não caracteres infantis não tem influência relevante para a legibilidade dos textos. Os fatores que realmente devem ser considerados são: as proporções entre as hastes ascendentes e descendentes e a clara distinção entre os caracteres da tipografia escolhida.

57 Texto original em inglês. 58 Texto original em inglês.

Capítulo 1 - referências teóricas e metodológicas