4. REGNSKAPSANALYSE
4.4 Omgruppering for analyse
A B.E tem como função desenvolver nos alunos, desde o início de sua vida escolar, o contato com o livro e com a leitura, selecionando e interpretando informações, contribuindo para a prática efetiva da leitura e a apropriação do discurso. Desta forma, a biblioteca é voltada para o processo educativo.
É enriquecedor que o gestor escolar participe efetivamente das ações e dos programas desenvolvidos pela B.E, sendo este espaço parte integrante da escola e do processo de ensino-aprendizagem. Portanto, torna-se positivo que o gestor se faça presente na elaboração da proposta pedagógica da biblioteca e tenha conhecimento do plano docente, das atividades e das estratégias de leitura que são desenvolvidas nesse ambiente, visando a ampliação das práticas de leitura. Afinal, a interação entre professor dinamizador, equipe docente e gestão escolar resulta na promoção e no desenvolvimento eficaz da B.E. A esse respeito, Silva (1998, p.31) assevera que: “A biblioteca escolar é ‘tarefa de todos’(diretor, supervisores, orientadores, professores, alunos e pais) sem distinção”.
Diante da importância do envolvimento do gestor escolar junto aos programas da biblioteca, percebi que seria enriquecedor ouvir, por meio de entrevistas semiestruturadas (Apêndice D, p. 241), as gestoras das três escolas participantes desta pesquisa, com o objetivo de investigar o nível de envolvimento das mesmas com o espaço e as atividades desenvolvidas na biblioteca. Com o intuito de conhecer o perfil das gestoras entrevistadas, a tabela a seguir apresenta algumas informações:
Tabela III – Perfil Gestoras Entrevistadas em Rio Verde
Nome Gestora Escola Formação Tempo de Gestão
Amanda Fernando Pessoa Pedagogia 08 anos
Ana José de Alencar Pedagogia 04 anos
Assim, agendei as entrevistas, de forma muito receptiva fui atendido por todas as gestoras, que por uma questão de privacidade, chamarei-as por nomes fictícios18
. A primeira pergunta que realizei, foi: “Vocês (gestoras) destinam algum valor para investimentos na B.E provenientes das verbas recebidas do governo federal e municipal?”. A gestora Amanda, da escola Fernando Pessoa, respondeu:
Sim, são feitos investimentos. Dentro dos mais de 07 anos de gestão, posso afirmar que já foram investidos uma média de R$ 20.000,00 na compra de acervo, mobiliário, televisão, DVD, som, fantoches e etc. Isso com verbas do PDDE e PDEM. (Entrevista – 2013)
A gestora escolar Ana, da escola José de Alencar, disse:
Com os recursos do PDDE e PDEM a gente pode utilizar uma parte para investimentos na biblioteca. Todo o início do ano, a professora dinamizadora faz uma lista do que precisa para a B.E, e nós, na medida do possível, durante o ano, vamos adquirindo aquilo que é necessário. No ano de 2012 por exemplo nós adquirimos R$ 980,00 em compra de livros com recursos da escola. (Entrevista – 2013)
Já a gestora Alice, da escola Machado de Assis, falou o seguinte:
Destinado especificamente para investimentos em biblioteca não, mas na medida em que a gente vai vendo as necessidades, a gente vai investindo em mobiliário, em acervo, mas um valor específico para investimentos na B.E não existe. Mas com as verbas a gente pode gastar com que quiser, inclusive com a biblioteca. Eu não tenho um valor exato, mas penso que em 2012 investimos com esses recursos entre R$ 2.000,00 e R$ 3.000,00 na compra de acervo. (Entrevista – 2013)
Nota-se que todas as gestoras afirmam que, de acordo com suas possibilidades, estão investindo mesmo que com valores reduzidos, na compra de acervo, mobiliário e equipamentos para as B.E’s. Vale lembrar, que esses recursos recebidos pelas unidades escolares, provenientes dos órgãos públicos, servem também para outras despesas, tais como material de limpeza, merenda escolar, material de expediente e demais necessidades.
Na realidade, o que se evidencia é que o poder público como visto anteriormente não investe nas B.E’s pesquisadas, e as gestoras, por não terem muitos recursos, destinam um valor limitado. O resultado disso são bibliotecas carentes de investimentos. Esse cenário me reporta a Silva (1997, p.21), ao explicitar que “Daí a
18Todas as gestoras escolares entrevistadas em Rio Verde-GO serão chamadas por meio de nomes
necessidade de se pensar uma política para o povo brasileiro e para a escola, levando em consideração as reais condições para a produção da leitura”.
Outro aspecto levantado foi se a gestão escolar já havia se mobilizado para que a dinamizadora de sua escola participasse de algum curso de qualificação que tratasse da B.E. A resposta das três gestoras foi que nunca haviam se mobilizado para buscar a qualificação das dinamizadoras. Não quero afirmar que a capacitação em si é suficiente para a mudança na proposta didática dentro da B.E, mas, segundo Lerner (2001), a capacitação e a atualização são sempre necessárias para as mudanças e para vislumbrar novas ações. Dessa forma, penso que a ausência das gestoras, na articulação de cursos e seminários para essas profissionais, pode enfraquecer as relações entre gestão e B.E.
Dando sequência as perguntas, indaguei se a gestão estabelecia metas ou objetivos para serem alcançados pelas professoras dinamizadoras no trabalho executado na B.E. A resposta dada pela gestora Amanda (Escola Fernando Pessoa) foi:
No início do ano são estabelecidas metas que são renovadas mensalmente, principalmente no sentido de motivar às crianças a prática da leitura. (Entrevista – 2013)
A gestora Ana (Escola José de Alencar) a esse respeito explicou:
As metas pré-estabelecidas para a professora dinamizadora é que nas datas comemorativas a biblioteca é que fica responsável pela organização dos eventos. (Entrevista – 2013)
Já a gestora Alice (Machado de Assis) respondeu:
O que a dinamizadora vai fazer durante o ano, ela tem que me apresentar porque vai para o projeto político pedagógico da escola. Esse projeto é desenvolvido durante todo o ano, então, o profissional da biblioteca tem que desenvolver as visitas dos alunos na biblioteca, empréstimos de livros e contação de histórias. (Entrevista – 2013)
É possível notar que as respostas dadas pelas gestoras com relação às metas estabelecidas foram superficiais, dando a entender que não há metas estruturadas, elaboradas por meio de projetos para serem desenvolvidos durante o ano letivo. Prova disso foi a fala da gestora Ana que afirmou que a meta estipulada por ela para a dinamizadora é de organizar as programações das datas comemorativas, tal declaração remete a Campello (2012, p.58), quando afirma que “Diversas pesquisas mostram que a maioria dos diretores tem uma compreensão limitada de como as atividades da
biblioteca funcionam e de como elas contribuem para a qualidade dos projetos da escola”.
Também fiz a seguinte questão às gestoras: “Com qual frequência a gestão se informa das atividades realizadas na B.E?”
A gestora Amanda (Escola Fernando Pessoa) explicou:
A coordenação pedagógica faz reuniões mensais com as dinamizadoras, e tudo que está sendo trabalhado, ou que se pretende trabalhar, deve ser apresentado a coordenação pedagógica. (Entrevista – 2013)
Ana (José de Alencar) a esse respeito respondeu:
Semanalmente a coordenação e a professora dinamizadora se reúnem para saber como andam as atividades, e para ver o que pode ser feito. (Entrevista – 2013)
A gestora Alice (Escola Machado de Assis) contou o seguinte:
Tanto a coordenadora quanto eu, vamos até a biblioteca com frequência ver como andam as atividades e os projetos. A gente está sempre sabendo o que se passa na biblioteca.
Percebe-se que a coordenação pedagógica, que em Rio Verde-GO é quem dá suporte didático aos professores de sala de aula, é quem mais tem contato com as atividades realizadas na B.E, e dá impressão de ser a coordenação a ponte entre biblioteca e gestão. Sabe-se que a direção de uma escola tem diversas atividades administrativas e burocráticas, o que pode consumir grande parte do tempo das gestoras, porém, penso que seja importante e salutar que as gestoras tenham um novo olhar para as atividades da biblioteca e para as professoras dinamizadoras. Ou seja, a gestão não pode definir a escola e colocar em posição central somente professores de sala de aula e coordenadores, é necessário que a B.E e as dinamizadoras sejam vistas também como responsáveis pelos resultados de ensino-aprendizagem e como parte das instituições escolares. A esse respeito, Campello (2012, p.60-61) pontua o seguinte:
Por causa de sua própria experiência e do foco de seu trabalho, os diretores tendem a definir a escola em termos de ensino/aprendizagem. Em consequência, para eles, professores e coordenadores têm posição central na escola e o bibliotecário é percebido apenas como membro da equipe que apóia os responsáveis pelos resultados da aprendizagem – professores e coordenadores –, e não como alguém diretamente interessado na aprendizagem dos alunos.
Outra questão que merece destaque e que pode apresentar com mais clareza o grau de envolvimento e o olhar que algumas gestoras têm pela B.E, foi quando perguntei para a gestora Alice (Escola Machado de Assis): “Se a sua escola tiver um número elevado de matrículas, e faltar salas de aula, você desativa a B.E para transformar em sala de aula ou não?” E a gestora respondeu:
Eu desativaria porque como ser humano não posso deixar um aluno fora da sala de aula tendo o espaço de uma B.E. Eu faria as atividades da biblioteca no corredor, eu não fecharia a biblioteca, mas eu iria conseguir outro espaço para ela no corredor da escola, eu daria um jeitinho brasileiro. (Entrevista – 2013)
Dá a entender que em algumas escolas a B.E existe porque ainda não apareceu nenhuma situação para fechá-la. Esse cenário passa instabilidade e incerteza da permanência desses ambientes de leitura nas unidades escolares. Além disso, de certa forma, essa insegurança quanto ao espaço das B.E’s limita a constituição de leitores. Na realidade, o que se percebe é que quando há o efetivo envolvimento das gestoras, no sentido de contribuir para que a B.E seja vista como um local importante, lúdico e dinâmico, esse espaço se torna um instrumento que contribui efetivamente na formação de leitores; daí a importância do apoio das gestoras nas ações voltadas para a biblioteca. “O apoio do diretor da escola é vital para a implantação e manutenção dos projetos da biblioteca escolar” (CAMPELLO, 2012, p.57).
A B.E, quando valorizada pelos seus gestores, professores e poder público, passa a ser um espaço vivo e dinâmico, assim, terá também a atenção dos alunos e da comunidade. Por isso é enriquecedor, que aqueles que detêm o poder vejam a biblioteca como um espaço de congregação da leitura e da cultura, vendo como o local que recebe o leitor, que lhe oferece novidades, o local de presença constante de educadores, de alunos, de funcionários e de famílias, ou seja, toda comunidade escolar. Isto é, um lugar de troca e de apropriação, um local de conhecimento.
2.8 A Relação Pedagógica das Bibliotecas Escolares de Rio Verde na Formação de