2. PRESENTASJON AV FLYINDUSTRIEN
2.6 Norwegian og Komparative Selskaper
A distribuição do acervo no espaço da B.E, quando bem organizado, facilita o acesso à consulta do usuário, e promove a preservação dos materiais que os constituem. Desta forma, analisar se as obras estão devidamente acondicionadas e armazenadas nas estantes é importante para proporcionar aos leitores o manuseio correto e facilitar o processo de busca de livros. Diante disso, é importante realizar periodicamente o controle físico do acervo através de inventários, provenientes da avaliação da coleção, que possam diagnosticar a situação dos livros dentro da B.E.
Além da organização do acervo, é interessante que existam procedimentos que visem a preservação dos livros. Daí a necessidade de verificar se o local em que a biblioteca se situa é adequado para a guarda e conservação das obras, não apresentando fendas ou aberturas que possam proporcionar infiltrações e abrigar insetos ou roedores tanto nas áreas internas, como externas da B.E; além de procedimentos que instruam os usuários quanto à conservação e manuseio dos livros.
Diante da importância de se ter um acervo devidamente organizado e preservado, observei como se encontrava, nas bibliotecas pesquisadas em Rio Verde- GO, o estado de guarda e conservação das obras. Afinal, organizar e preservar o acervo resguarda o espaço da B.E enquanto estrutura dinâmica, e contribui para o desenvolvimento desse ambiente.
Nas três B.E’s em estudo, percebi que as condições de organização e localização das obras precisavam de ajustes, isso porque evidenciei que a distribuição dos livros nas estantes não obedecia aos critérios relacionados ao interesse das diferentes faixas etárias, volume de texto e quantidade de ilustrações. Ou seja, os livros não estão organizados em áreas distintas, e não existe nenhum critério formal de catalogação das obras. De maneira geral, os livros são organizados nas estantes usando como critério o gênero das obras, porém, não existe nenhum programa de computador ou livro tombo que auxilie na catalogação e localização desse acervo.
No processo de organização, outro fator fundamental diz respeito à localização do acervo. Como mencionado anteriormente, há bibliotecas que as estantes não são apropriadas para crianças, e, constatei que muitos livros de literatura infantil se encontravam acondicionados em prateleiras muito altas. Nesse sentido, Nery (1998, p. 56) destaca a necessidade de se ter na biblioteca escolar: “Estantes baixas ou, pelo menos, ao alcance dos menores [...] Estantes com livros divididos por assunto ou por interesse”.
Diante dessa realidade, nota-se que muitas vezes priva-se das crianças o contato com o acervo, e a oportunidade de escolher nas estantes o livro que mais lhe agrada. Ademais, o fato da criança localizar uma obra de seu interesse na biblioteca lhe proporciona satisfação e confiança, o que vai ao encontro da proposição de Kuhlthau. Segundo ela (KUHLTHAU, 2009, p.107), é preciso que a disposição e localização do acervo
Desenvolva nas crianças a confiança em sua habilidade de localizar materiais. Elas tornam-se menos confiante quando não conseguem localizar o material rapidamente [...] Caso tenham sucesso na busca de materiais, desenvolvem autoconfiança e atitude positiva com relação à habilidade de usar a biblioteca.
Fica evidente que o acesso das crianças aos livros nas prateleiras da biblioteca vai muito além da localização, mas envolve autoconfiança e passa ao aluno a certeza de que ele possui habilidades e competências para usar com segurança a B.E, daí a necessidade do acervo estar sempre organizado e em plenas condições de acesso para seus usuários.
Outro aspecto observado durante a aplicação dos instrumentos foi quanto à conservação do acervo. Percebi que os livros não são submetidos a nenhum cuidado de conservação, ou seja, não são encapados e nem cartonados. Dessa forma, o desgaste da capa e das páginas ocorre com mais rapidez, o que compromete a vida útil do acervo, principalmente, quando são emprestados, porque são transportados em mochilas e, caso não estejam encapados ou cartonados, estarão sujeitos a se danificarem com mais facilidade. Segundo as responsáveis pelas B.E’s, o que elas fazem para tentar conservar o acervo é um trabalho de conscientização junto aos alunos, avisando-os diariamente da importância de se cuidar bem dos livros. A esse respeito Silva (2009, p. 133) afirma o seguinte:
Nesse contexto, o aluno precisa ser informado dos procedimentos para o empréstimo, do cuidado e manutenção do acervo emprestado, entretanto, deve-se evitar exageros na recomendação, pois muitas crianças desistem de emprestar o livro com medo de perdê-lo e não ter como fazer a reposição.
Nos procedimentos de empréstimos de livros em Rio Verde-GO, as B.E’s alertam os alunos e os responsáveis de que no caso de perda do livro, o leitor deverá ressarcir a B.E com outro livro igual ao que foi perdido, o que nem sempre conseguem. Deve-se ter cuidado com essas regras nas B.E’s para que elas não se tornem um mecanismo de cerceamento, isso porque presenciei em uma das visitas na biblioteca da escola Machado de Assis, uma aluna que estava tentando pegar um livro emprestado, porém foi impedida, pois no último empréstimo feito por ela, houve atraso de uma semana na devolução do livro e, de acordo com as regras da referida biblioteca, quem atrasa na devolução fica o mesmo período do atraso sem poder fazer empréstimos de livros.
Também pude observar que para certas coleções de livros há um cuidado exagerado em mantê-los conservados, livros que os alunos não podem pegar emprestados, e que somente a responsável pela B.E pode manuseá-lo na Hora do Conto. Isso porque, segundo as responsáveis, trata-se de livros caros. E o que mais me chamou a atenção, é que para esses livros há até um pedestal onde eles ficam expostos. Assim, segue abaixo imagem de livro “intocável” pelos alunos que fica em local de veneração:
Foto 11: Livro “Intocável” pelos alunos
Essa blindagem ao livro, me remete a Cavallo e Chartier (1998, p.199- 200), quando retratam que:
Entre os preceitos de moral religiosa dos pietistas da região do Reno, encontramos uma seção inteira de uns sessenta parágrafos dedicada à maneira de tratar os livros: como conservá-los colocando-os “numa bela e decorosa arca”, como não estragá-los e assim por diante. São todos testemunhos do desenvolvimento de uma sensibilidade em relação ao livro visto como um objeto de uso, certamente digno do maior respeito, porque contém a mensagem divina, mas também porque é extremamente caro e de difícil acesso aos menos abastados. Porém, ao mesmo tempo, são também testemunhos de uma tomada de consciência da necessidade de remediar essa dificuldade e de tornar o livro acessível a todos.
As B.E’s, quando dinâmicas, possuem políticas de organização e conservação que se adaptam visando o uso equilibrado das obras, de maneira a atender as necessidades informacionais dos usuários das bibliotecas. Dessa forma, os meios de acondicionar os materiais ali presentes não podem sufocar e nem limitar o acesso dos alunos aos livros presentes no espaço da B.E, pelo contrário, as medidas de guarda e
conservação devem existir, visando a melhoria do acesso ao acervo e a devida organização das obras ali presentes.
A estrutura física das três B.E’s pesquisadas encontram-se em bom estado, o que evita infiltrações e goteiras, que podem comprometer na conservação do acervo. Porém, falta boa circulação de ar nas bibliotecas em estudo, o que pode resultar na proliferação de fungos e bactérias junto aos livros.
Um trabalho direcionado, que dinamize o processo de organização do acervo por meio da catalogação e informatização, além, é claro, de um cuidado especial quanto ao local onde as obras são acondicionadas, levando em consideração o público que frequenta a B.E, podem contribuir no processo de dinamização das bibliotecas.