• No results found

4 Omfanget av barnefattigdom

Com este estudo pretendemos descrever e compreender a forma como os diferentes actores escolares vêem a liderança protagonizada pela coordenadora de uma escola E.B.1 e a sua influência no processo de desenvolvimento do currículo, na cultura da escola, no comportamento e aproveitamento dos alunos, e na comunidade.

Como salienta Pacheco (1995:9), uma investigação de âmbito educacional caracteriza--se por “uma actividade de natureza cognitiva que consiste num processo sistemático, flexível e objecto de indagação e que contribui para explicar e compreender os fenómenos educativos”. Neste sentido, a investigação educacional deve-se pautar pela sistematização, rigor científico e adequação ao objecto de estudo (Pacheco, 1995).

Trata-se de um estudo exploratório e descritivo, centrado na análise do caso específico de uma escola semi-urbana do 1º CEB, sobre a qual pretendemos desenvolver uma análise sistemática, reflexiva e tão aprofundada quanto possível, com a intenção de descrever a realidade para a tornar inteligível, “numa lógica exploratória, como meio de descoberta e de constituição de um esquema teórico de inteligibilidade” (Abarello et al, 1997:117).

Na linha de pensamento de Bisquerra (1989) e Fox (1987), a investigação descritiva tem como objectivo descrever determinado fenómeno, ou seja, “descrever o que é. Compreende a descrição, registo, análise e interpretação das condições existentes no momento” (Best, 1981:31). Assim, pretendemos analisar o mundo pessoal dos sujeitos, procurando saber como interpretam as diferentes situações e que significado lhes atribuem (La Torre et al, 1996).

Embora os limites temporais para a realização deste projecto não nos permitam analisar de uma forma mais completa e aprofundada a realidade, utilizando a triangulação de instrumentos de recolha de dados (nomeadamente com a observação), recorremos à metodologia qualitativa com aproximação ao estudo de caso para estudarmos a particularidade e complexidade do caso especifico de uma escola (Stake, 1995).

Este método tem sido muito utilizado nas Ciências Socais e aplicado para o estudo de uma pessoa, um acontecimento, uma associação, uma organização, uma instituição, um grupo social, uma sociedade nacional, um processo ou uma dinâmica social. Vários autores têm-se debruçado sobre este método, entre os quais, Gomm et al (2000), Yin (1994) e Stake (1995, 2003) e, mais concretamente no campo da educação, Stenhouse (1988) e Bassey (1999).

Apesar de se poderem vir a verificar semelhanças com outros casos e situações, o estudo de caso pretende analisar e compreender aquilo que ele tem de único, particular e singular. Embora o investigador não possa compreender determinado caso sem que conheça outros, quando estuda uma realidade específica, concentra-se nela e tenta perceber a sua complexidade (Stake, 2003).

Stake (2003) distingue três tipos de estudo de caso: intrínseco, instrumental e colectivo. No primeiro, o investigador interessa-se pelo estudo do seu caso em particular, não se preocupando com as suas semelhanças com outros casos. O objectivo não é construir ou provar teorias mas sim compreender aquele caso específico. No estudo de caso instrumental, o investigador interessa-se por compreender determinado fenómeno, ou seja, tem um interesse externo e o caso serve de pretexto para o estudar. Por fim, no estudo de caso colectivo, numa perspectiva multicasos, o investigador tem ainda menos interesse por um determinado caso, pretendendo antes estudar um número significativo de situações que lhe permita analisar e compreender um determinado fenómeno, população ou teoria (Stake, 2003). Outros investigadores propuseram outros tipos de estudo de caso, como White (1992), Lincoln et al (1985) e Ragin (1992).

O nosso estudo insere-se num caso instrumental, uma vez que, apesar nos debruçarmos em profundidade sobre um caso, o nosso interesse não é compreendê-lo em particular, mas sim contribuir para o estudo dos fenómenos de liderança no 1º ciclo do ensino básico, mais ainda porque se insere no contexto de uma investigação mais vasta, onde entram outras escolas.

Como refere Flores (2003:395):

“O desenvolvimento de um determinado projecto de investigação pressupõe sempre a consideração e análise do espectro de possibilidades que os chamados “paradigmas de investigação” oferecem. Por outras palavras, para além dos aspectos mais técnicos ou instrumentais (por exemplo, a escolha dos métodos

para a recolha e análise dos dados), a opção por uma determinada abordagem investigativa implica uma reflexão mais profunda sobre os pressupostos filosóficos, ideológicos e epistemológicos que lhe estão subjacentes.”

A natureza dinâmica e complexa do fenómeno da liderança escolar e o facto de pretendermos analisar com profundidade e com detalhe a realidade de uma escola (Patton, 1990) fizeram com que este estudo privilegiasse a metodologia qualitativa. Esta abordagem, que segundo Bryman (1988:46), é “a perspectiva de estudar o mundo social que procura descrever e analisar a cultura e o comportamento dos seres humanos e dos seus grupos a partir do ponto de vista daqueles que estão a ser estudados”, permitiu-nos compreender a realidade em estudo, como já dissemos, numa aproximação ao estudo de caso.

Nesta óptica, optámos por uma metodologia qualitativa, procurando “investigar ideias, descobrir significados nas acções individuais e nas interacções sociais a partir da perspectiva dos actores intervenientes no processo” (Coutinho, 2005:89). Sendo a realidade humana, social e organizacional complexa e baseada em interrelações, a sua análise tem que ter em conta estes factores e o contexto social de cada situação. Por conseguinte, parece-nos que o modelo qualitativo, baseado no idealismo de Kant e seus sucessores, dentro do paradigma fenomenológico, se adapta melhor à natureza do problema de investigação em causa, uma vez que tem como principal objectivo compreender o significado e o sentido das situações e experiências (Bogdan et al, 1994), com um design de investigação flexível, com ênfase no processo (Bryman, 1988; Murphy, 1998; Bryman, 2001; Flores, 2003).

Desta forma, será feita uma abordagem intuitiva e exploratória (Van der Maren, 1987), numa perspectiva emergente (Patton, 1990), onde se procura descobrir e não fazer prova, uma vez que, à luz das abordagens qualitativas, “a melhor porta de entrada para as realidades humanas e para o estudo das práticas sociais são, portanto, as interpretações e as justificações dos actores sobre essas mesmas práticas” (Ferreira, 2003:135).

Lessard-Hébert et al (1994), na sua obra dedicada à investigação qualitativa, distinguem esta abordagem da quantitativa, referindo que a primeira se situa tendencialmente no “contexto da descoberta” e a segunda no “contexto de prova”. Assim, enquanto que, na investigação qualitativa, as questões, as hipóteses e as variáveis ou categorias de observação não são totalmente definidas no inicio da pesquisa, sendo descobertas antes e durante a recolha de dados; no caso da investigação quantitativa, estas questões são definidas a priori, baseando-se o valor da prova no controlo das variáveis em estudo.

regularidades mas analisar singularidades, sendo o objecto da investigação a acção e o significado, numa “viagem pela interioridade dos actores envolvidos” (Friedberg, 1993:293). Neste caso, como salientam Lincoln et al (1985:175), “os contextos influenciam e são influenciados pelas perspectivas/construções das pessoas que neles habitam”, sendo este facto reconhecido pelas abordagens qualitativas.

Embora consideremos todos os argumentos que defendem o uso das abordagens qualitativas, não ignoramos o longo e controverso debate em torno da oposição ou complementaridade entre os paradigmas da investigação (qualitativo e quantitativo). Assim, sabemos que a abordagem qualitativa não substitui a quantitativa, mas, pelo contrário, a primeira pode ser complementada com a utilização de instrumentos típicos da segunda, e vice-versa, reconhecendo que ambos os paradigmas têm as suas limitações e as suas vantagens. No entanto, devido ao facto de pretendermos que o projecto seja exequível tendo em conta as limitações temporais para a sua concretização, optaremos por uma abordagem qualitativa, deixando a triangulação de métodos e técnicas para estudos posteriores.