• No results found

Kittler - Slottets slør, eller makt gjennom medier

5. Das Schloß – Analyse

5.2. Analyse

5.2.1. Kittler - Slottets slør, eller makt gjennom medier

Os instrumentos de pesquisa são concebidos pela Epistemologia Qualitativa como um espaço de interseção e interação entre o pesquisado e pesquisador e constitui-se mediante um conjunto de estratégias relacionáveis que hão de compor “um sistema único de informação” (GONZÁLEZ REY, 2005b, p. 43).

Não há normas de uso quanto aos instrumentos, considerando-se que o valor encontra-se em habilitar o instrumento como “espaço portador de sentido subjetivo” (GONZÁLEZ REY, 2005b, p. 45). O pesquisador não precisa seguir um padrão de uso,

mas ser sensível em sua observação quanto à eficácia do instrumento diante das ideias propostas.

Os instrumentos possuem a finalidade maior de provocar e facilitar a expressão do sujeito pesquisado utilizando “estímulos e situações que o pesquisador julgue mais convenientes” (GONZÁLEZ REY, 2005b, p. 43). Dessa forma, não são buscadas respostas determinadas e nem resultados específicos, mas sim, composições expressivas da subjetividade do pesquisado com as quais o pesquisador possa explorar teoricamente.

De modo ideal, a escolha dos instrumentos deve integrar formas orais e escritas, pois dessa forma o sujeito aloca-se em diferentes posições de reflexão gerando uma visibilidade e criticidade sobre sua própria experiência. González Rey (2005b) ressalta a opção de escrita como a melhor indicada para “os sujeitos que conseguem se expressar por escrito”, subentendida a finalidade do uso de instrumentos como a de “deslocar (o sujeito) de um sistema de expressão, qualquer que seja” e inserindo-o “em zonas alternativas de sentido subjetivo em relação àquela que concentrava sua atenção em outro instrumento” (p. 50).

González Rey (2005b) aponta que os procedimentos de uso podem ser diferenciados para os casos individuais e os coletivos. Nas abordagens individuais, como no presente caso, tanto pode ser utilizado o diálogo - como em uma entrevista semi-aberta, quanto o questionário para o completamento de frases, como por exemplo, (GONZÁLEZ REY, 2005b).

Gostaria: de saber o que se passa comigo; Lamento: estar deprimida;

Não posso: trabalhar;

Sofro: quando penso na minha situação (p. 60).

As palavras em negrito (destaque do próprio autor) são apresentadas ao pesquisado para a elaboração de uma frase completa utilizando uma palavra ou frase incompleta. A frase que acompanha as palavras em negrito exemplifica possibilidades de resposta.

A conversação representa, para o autor referido, uma das fontes principais de produção de informação, no entanto, outros instrumentos – orais e escritos - podem ser criativamente elaborados para os fins que lhe são cabidos.

Os instrumentos de pesquisa utilizados no presente trabalho foram: entrevistas semi-abertas e completamento de frases.

4.1. Antes de tudo

González Rey (2005b) não aponta de modo evidenciado nenhum protocolo quanto a acordos prévios entre pesquisador e pesquisado. No entanto, em se tratando de uma relação a qual se desenvolverá sob a esfera da intimidade, achei plausível estabelecer um acordo prévio, condizente com o espírito ético, característico de uma pesquisa qualitativa. Compartilho aqui com Rosa e Arnoldi (2006), quando adiantam que é mediante um protocolo que todas as informações e esclarecimentos são dispostos aos pesquisados. É nesse momento que o pesquisador torna explícito ao pesquisado todo o procedimento implícito na pesquisa, como, por exemplo, o sigilo de suas identidades e permissões sobre gravações e outras formas de registro dos depoimentos expressos.

Dessa forma, um acordo prévio será estabelecido entre os participantes, em formato jurídico preconizado pela lei 9610/98 que regulamenta “os direitos do autor e os que lhe são conexos” (art.1). Neste sentido, um contrato individual será registrado em cartório, no qual constarão as autorizações e as restrições relativas à identidade, divulgação do trabalho, gravação de conversas, ciência do projeto, entre outros tópicos que se fizerem importantes. Esse documento será devidamente arquivado e homologado à documentação relacionada à pesquisa.

4.2. De conversa em conversa

“A conversação é um processo cujo objetivo é conduzir a pessoa estudada a campos significativos de sua experiência pessoal” (GONZÁLEZ REY, 2005b, p. 126). A conversação possui, então, dentro da pesquisa, uma condição de processadora “da relação com o outro como um momento permanente da pesquisa” superando seu caráter instrumental. O autor enfatiza que a entrevista é a grande orientadora do trato subjetivo e teórico e tem estado presente nas pesquisas sociológicas e antropológicas como “um marco privilegiado para o estudo de diversas tramas e fenômenos sociais” (p. 50).

Essa concepção também acolhe em sua dinâmica outros instrumentos interagentes que poderão ser utilizados como indutores envolvidos com a produção de sentido na intenção de expandir a informação. Tem-se como exemplo, fotografias, registros fonográficos, redação, e outros. Isso se justifica pelo fato de que, na verdade, “a subjetividade não aparece imediatamente ante os estímulos” de simples e objetivas perguntas e respostas (GONZÁLEZ REY, 2005, p. 28). As lembranças trazidas geram no “sujeito pesquisado [...] verdadeiras construções implicadas nos diálogos nos quais se expressa“ (p. 55). Essas se compõem como matéria prima de trabalho.

Dentro do “sistema conversacional” de González Rey (2005b, p. 45), o pesquisador torna-se um conversador e não um perguntador. A conversa se baseia, naturalmente, no diálogo e no desenvolvimento temático de modo conjunto.

O autor referido sugere que para manter a espontaneidade da conversação, não há necessidade da apresentação prévia ao pesquisado de perguntas elaboradas. Fato é que a própria proposta de uma entrevista para pesquisa já expõe o assunto ao participante o que descarta em verdade a necessidade de um roteiro perguntador.

Aos participantes foram enviados com antecedência unicamente os termos do protocolo, o qual pode oportunizar ao mesmo, reflexões acerca das questões pessoais do protocolo, como por exemplo, a preservação ou não de sua identidade. No encontro seguinte, foram estabelecidas as condições contratuais já previamente sabidas pelos participantes. Pesquisadora e pesquisado mantiveram um canal aberto de comunicação, principalmente por correio eletrônico e sempre puderam esclarecer as dúvidas surgidas. Vários encontros foram agendados visando a interações necessárias para o andamento da pesquisa.

4.2.1. Transcrições

Embora González Rey (2005b) não se refira à transcrição do material falado, não visualizo um recurso mais adequado do que esse para que se possa preservar minimamente as histórias contadas, evitando o esquecimento ou distanciamento oriundo do tempo corrido após as mesmas.

Compartilho com as autoras Rosa e Arnoldi (2006) que afirmam ser a transcrição literal a sequência natural após as entrevistas. As autoras reforçam que transcrições quanto mais completas e fidedignas à matéria prima falada; maiores são as chances de uma análise

de qualidade. Do mesmo modo, as autoras ressaltam a necessidade imperativa de lê-las e ouvi-las repetidas vezes. Compreende-se que a cada repetição, novas percepções de um mesmo tópico se apresentam. O próprio pesquisador se concede a chance de rever suas impressões.

Em um primeiro momento, a transcrição dos textos será realizada inicialmente por um transcritor que empregará uma sinalização gráfica baseada no sistema Norma Lingüística Urbana Culta - NURC e que utiliza o uso de sinais clássicos de pontuação para a obtenção de maior legibilidade do conteúdo transcrito. Trata-se aqui de uma transcrição literária.

Em um segundo momento, a transcrição será re-elaborada por mim para que nuances tais como, “entonação de voz, titubeios, silêncios, gaguejos, emoções” possam ser sinalizadas, reconsideradas e igualmente alegadas como produção de sentidos, o que contribuiria em importância no momento da análise (SIMSON, 2008).

O processo de transcrição é também um momento de análise quando realizado pelo próprio entrevistador. Ao transcrever, revive-se a cena da entrevista, e aspectos da interação são lembrados. Cada reencontro com a fala do entrevistado é um novo momento de reviver e refletir (SZYMANSKI, ALMEIDA e PRANDINI, 2004, p. 74)

Embora González Rey (2005b) não tenha abordado essa maneira de contato com o material da pesquisa, conforme já foi anunciado acima, creio que a transcrição e suas possibilidades de uso, como a repetição de gravações e releituras da entrevista, de modo algum se incompatibilizam com a proposta metodológica em pauta; de modo contrário, acredito que esse procedimento possa irrigar o fértil terreno da produção de sentidos do pesquisador.

4.3. Completamento de frases

Conforme foi explanado anteriormente (ver tópico 4 - os instrumentos de pesquisa - página 54), o completamento de frases corresponde a um questionário de frases incompletas, provocativas fornecidas pelo pesquisador ao pesquisado, cuja intenção é deduzir indicadores de sentido subjetivo. Um roteiro de 80 frases foi utilizado, tendo sido o mesmo extraído de González Rey e Mitjáns Martinez (1989) e adaptado ao presente trabalho. A adaptação correspondeu à retirada de algumas frases e inclusão de algumas

novas, que me ocorreram como mais favoráveis ao propósito da vigente pesquisa. Essas se originaram pontualmente de informações observadas já no momento da conversação.