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In document Lærebok: Vegteknologi (sider 44-49)

2 Planlegging og styring av vegprosjekter

3.2 Materialklassifisering for dimensjonering av overbygning

3.6.2 Ofte benyttede grunnforsterkningsmetoder Motfylling Motfylling

Como assinala Chesnais, os países emergentes entram na era da mundialização numa terceira etapa, a partir de 1986. No Brasil, a discussão ideológica do neoliberalismo versus Estado interventor coincide com o declínio da ditadura, em meados dos anos 80, e com a explosão inflacionária deixada pelos governos militares para o primeiro governo civil que assumia depois de 20 anos. A discussão econômica, no período autoritário, foi marginal, em especial pelo fato de que havia um veto militar ao compartilhamento de decisões na área econômica – embora fosse inegável a hegemonia nacional-desenvolvimentista. Já no governo Figueiredo, onde coincidiram tanto o estouro da dívida externa como a abertura política, a divisão entre os liberais e os nacional-desenvolvimentistas veio ao claro. A disputa ideológica intensificou-se na Constituinte (1987-1988), quando um grupo de parlamentares assumiu de forma aberta a ideologia liberal e foi o centro do embate por uma maior liberalização das regras que condicionavam o funcionamento da economia e a livre concorrência de capitais, inclusive os estrangeiros. O grupo designava-se Centrão.

Em 1989, os países da América Latina, vindos de longos períodos de ditadura política e concentração de poder econômico nas mãos do Estado e premidos por uma enorme dívida externa, foram trazidos ao centro internacional do neoliberalismo. Em 1989, o Institute for International Economics, entidade de caráter privado, reuniu em torno de um seminário com o nome de “Latin America Adjustment: How Much Has Happened?” economistas latino-americanos simpáticos ao liberalismo e funcionários do FMI, do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e do governo norte- americano. Ao final do encontro, o economista britânico John Williamson, diretor do instituto, foi o responsável pela síntese dos dez pontos consensuais do encontro, corolário neoliberal batizado de “Consenso de Washington”. As “regras universais” consagradas foram:

“1) disciplina fiscal, através da qual o Estado deve limitar seus gastos

à arrecadação, eliminando o déficit público; 2) focalização dos gastos públicos em educação, saúde e infra-estrutura; 3) reforma tributária que amplie a base sobre a qual incide a carga tributária, com maior peso nos impostos indiretos e menor progressividade nos impostos diretos; 4) liberalização financeira, com o fim das restrições que impeçam instituições financeiras internacionais de atuar em igualdade com as nacionais e o

afastamento do Estado do setor; 5) taxa de câmbio competitiva; 6) liberalização do comércio exterior, com redução de alíquotas de importação e estímulos à exportação, visando a impulsionar a globalização da economia; 7) eliminação de restrições ao capital externo, permitindo investimento direto estrangeiro; 8) privatização, com a venda de empresas estatais; 9) desregulação, com redução da legislação de controle do processo econômico e das relações trabalhistas; e 10) propriedade intelectual”74.

Embora o encontro fosse de caráter acadêmico, foi esse “Consenso” o adotado pelo FMI como exigência para a renegociação das dívidas dos países latino-americanos.

No Brasil, a ofensiva ideológica internacional – com a devida ajuda do aparelho ideológico público internacional, o FMI – foi simultânea à ampliação da área de influência de políticos com vocação liberal. Embora o Centrão, na Constituinte, não tenha conseguido vencer uma barreira nacionalista que sobreviveu no Legislativo durante a ditadura militar, o neoliberalismo prosperou pelo voto. Em 1989, foi eleito presidente Fernando Collor de Mello, apoiado em um pequeno partido de ocasião, o PRN, e na esteira de um discurso moralista. Na primeira fase do seu governo, entre um primeiro e um segundo plano econômico (15/3/1990 e 1/2/1991), Collor oscilou entre a heterodoxia – quando enxugou drasticamente a liquidez da economia através do confisco do dinheiro em circulação no mercado bancário – e a ortodoxia: enxugou drasticamente a máquina governamental. A partir do segundo plano, quando a economia se recobrava de uma profunda recessão provocada pelo enxugamento brutal da liquidez na economia, a inflação voltou a crescer – e, a partir daí, Collor fez a opção definitiva pela política ortodoxa, fincada nos princípios do Consenso de Washington.

No segundo momento do governo, e até o seu afastamento por denúncias de corrupção, em setembro de 1992, Collor fez as seguintes mudanças na economia: acabou com a indexação que protegia os salários dos altos índices inflacionários; extinguiu a correção monetária, um índice de “ajuste” dos ativos à inflação criado em 1964; promoveu um realinhamento de preços de bens e serviços, que deixaram de embutir subsídios governamentais e, em seguida, foram momentaneamente congelados; acabou com o reajuste automático de salários de acordo com os índices de inflação, passando os sindicatos a negociar aumentos apenas anuais, na data-base das categorias; impôs o controle dos gastos públicos, com proibição de contratação de pessoal. A

política monetária de seu ministro Marcílio Marques Moreira, nessa segunda fase do governo, seguiu as orientações do FMI: juros altos, liberalização da entrada de capitais estrangeiros de curto prazo e contenção salarial.

Negrão resgata, como evidência documental da adesão do chefe de governo às idéias neoliberais – embora designasse as suas próprias de “proposta social-liberal” –, uma série de artigos assinados por Collor e publicados em janeiro no Jornal do Brasil. Embora posteriormente identificados como um plágio de escritos de José Guilherme Melquior, o autor os considera como uma declaração ideológica do então presidente.

“O papel do Estado proposto por Collor (Melquior) é o mesmo dos neoliberais: não produtor e não intervencionista, enxuto. A ele caberiam itens como educação, saúde, saneamento, segurança. E, conforme esse ideário, deveria prover ‘um horizonte de cálculo para as decisões privadas; as condições necessárias para que o desenvolvimento tecnológico seja potencializado; a restauração da capacidade de investimento’. Tal tarefa exigiria um ‘Estado forte’, o que, ao contrário do que pensam alguns, não é incompatível com o neoliberalismo: o estado mínimo é um ‘Estado forte’, capaz de intervir no sentido de ampliar os espaços do mercado e abafar resistências” 75.

Fernando Henrique Cardoso, como ministro da Fazenda de Itamar Franco, vice de Collor que assumiu após a declaração de seu impedimento pelo Congresso, e depois como presidente da República por dois mandatos (1995-1998 e 1999-2002), deu continuidade ao projeto de inserção do país no sistema financeiro mundial. Segundo Emir Sader, “Fernando Henrique Cardoso governou com maioria absoluta no

Congresso, à frente de uma coalizão que englobava seu partido – o Partido da Social- Democracia Brasileira, originalmente de centro-esquerda – e forças da direita tradicional. Obteve o apoio unânime do grande empresariado nacional e internacional e governou com o beneplácito de quase toda a grande imprensa. Teve, assim, as condições que nenhum outro brasileiro havia conseguido, entre força política, apoio social e sustentação midiática para seu governo. Reformou a Constituição ‘cidadã’ tantas vezes quanto desejou, tirando-lhe aspectos reguladores essenciais e direitos sociais” 76.

“Um balanço sintético das transformações vividas pelo Brasil na 75 NEGRÃO, João José, op. cit., 59-64.

década de 90 e especialmente durante o governo de Cardoso pode ser resumido em dois aspectos centrais: a financeirização da economia e a precarização das relações de trabalho. A modalidade adotada de estabilização monetária, como foi dito, centrada na atração de capitais financeiros para os papéis da dívida pública, promoveu esse capital a um papel hegemônico na economia” 77.

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