A localização é pouco convidativa e bas- tante restritiva, pois não há meios que suscitem aglomerações, como por exemplo espaços e ativi- dades voltadas ao lazer e/ou cultura, salvo esporáti- cas apresentações promovidas pela CDL.
O acesso ao parque através de transporte público é feito a partir da Av. Dom Manuel: nela há dois pontos de ônibus nos seus respectivos sentidos, facilitando o embarque e desembarque de visitantes.
A ausência de sinalizações que estimulem uma boa circulação, tanto no parque como em seu entorno, explica um pouco o desinteresse dos tran- seuntes em adentrar na área.
A presença da escola Alba Frota estreita uma agradável relação com o parque, pois a exuber- ante flora possibilita um ótimo aprendizado as cri- anças, e facilita aos professores o desenvolvimento de programas de educação ambiental.
Percebe-se uma disposição dos lotes geminados ao Parque, que de modo geral (com ex- cessão da CDL) oferecem as costas para o parque. Essa configuraçao torna o parque confinado entre muros e contribui claramente para a falta de vitali- dade do espaço, uma vez que não existe um diálogo entre o parque e a vizinhança.
Em contra-partida, não há pontos atra- tivos que congreguem equipamentos direcionados aos idosos ou portadores de deficiência motora, que carecem de um desenho urbano especial para a loco- moção e acesso. Se não há um gerador de interesses para a terceira idade, tampouco se vê para jovens - não há no Parque sequer o convite ao repouso, senão à passagem, contribuindo para a não apropriação do espaço público.
A própria vizinhança convive pouco no parque, pela falta de atrativos e pelo aspecto de abandono. Existe um senso comum de certa insegu- rança que atinge tensão maior nos trechos habitados por moradores de rua.
Há ainda lotes e edifícios em abandono que agravam a situação de confinamento do parque. Junto ao prédio do Arquivo Municipal, foram agre- gados outras muitas contruções que tonam-se bar- reiras na apreenção da arquitetura do prédio de valor histórico, e também barreiras a circulação e visualização do Parque Pajeú.
à esquerda
Fig. 49: Escola Alba Frota. Fonte: Acervo Pessoal
à direita, acima
Fig. 50: Limites do Parque Pajeú, muros de fundos e degradação. Fonte: Acervo Pessoal
à direita, centro
Fig. 51: Arquivo Público, um cerco de muros impede a apreensão do edifício. Fonte: Acervo Pessoal à direita, abaixo
Fig. 51: Edifício abandonado gera degradação e impede a circulação para o Parque. Fonte: Acervo Pes- soal
No parque, próximo a Av. Dom Manuel, encontra-se uma estação elevatória de esgotos da CAGECE, que cria um impacto tremendamente neg- ativo por conta dos fortes odores liberados, que fin- dam por repelir os transeutes em um dos acessos ao Parque.
A estação cumpre uma importante função de bombear os esgotos acumulado nas cotas mais baixas, de caimento para o riacho, para locais mais altos, de forma a seguir o seu livre fluxo em direção as estações de tratamento. Porém é ques- tionável sua localização numa área de circuito de pessoas, e o tratamento externo que esta recebe tendo em vista o convívio humano dentro de um parque.
Entorno
Nas proximidades do parque, muitas ti- pologias de residências conjugadas resguardam um certo valor histórico inerente ao bairro.
A história presente nas alvenarias, é importante não apenas pelos detalhes das facha- das e suas caraterísticas construtivas. O registro ar- quitetônico é uma amostra do espaço vivencial que conferiu o contexto ambiental a sociedade em deter- minado período, e existindo como elemento históri- co, apresenta o significado e evidência da existência atual no espaço social.
Infelizmente, interesses econômicos no bairro têm ignorado esses valores patrimoniais iner- entes a paisagem de suas ruas. Os proprietários do solo, vêm descaracterizando e destruindo várias tip- ologias para construção de pisos para estacionamen- to, ou quaquer outro tipo de negócio que promova certa rentabilidade.
A descaracterização das edificações por toldos e placas de publicidade em excesso também é uma constante. Nas áreas de comércio mais inten- so, somente uma atividade de garimpo especializado consegue identificar dentre tanta poluição visual, alguns tesouros da história de Fortaleza.
à esquerda
Fig. 52: Estação elevatória da CAGECE no Parque Pajeú. Fonte: Acervo Pessoal
à direita, acima
Fig. 53: Residências na Rua Vinte e Cinco de Março. Fonte: Acervo Pessoal
abaixo
Fig. 54 : Tipologias de residências no entorno do Parque Pajeú. Fonte: Acervo Pessoal
O entorno do Parque Pajeú também se encontra muitas instituições, como faculdades, bancos, o Tribunal de Contas do Estado, a Secretaria Municipal de Finanças, a Bolsa Brasileira de Merca- doris, mostrando que a região ainda é um impor- tante setor financeiro na cidade.
Ao longo da rua Governador Sampaio, a presença de um Comércio atacadista predominante estabelece uma forte barreira aos possíveis usuários que frequentam o centro da cidade, mais ao norte. Esse corredor comercial gera um tráfego de veículos pesados que parasitam a via e contribui para o con- finamento visual do parque.
Será justo todo esse valor de identidade escapar da sociedade em troca de certo potencial econômico e/ou imobiliário? Não há como os inter- esses serem balanceados, conciliando o interesse co- mum dos cidadãos, gerando um saldo positivo para sociedade como um todo?
à esquerda, acima
Fig. 55: Demolição de tipologias para estacionamentos, próximo ao Parque Pajeú. Fonte: Acervo Pes- soal
à esquerda, abaixo
Fig. 56: Demolição de tipologias para estacionamentos, próximo ao Parque Pajeú. Fonte: Acervo Pes- soal
à direita
Fig. 58: Caminhões estacionados na rua Governador Sampaio. Fonte: Acervo Pessoal
A valorização do potencial cultural do bairro pode reverter esse quadro. O incentivo a per- manência das edificações obtendo um uso apropria- do, residencial ou pequenos ambientes de trabalho, podem fazer de uma rua ou um bairro, uma referên- cia em certa atividade. Assim próximo a um equipa- mento de interesse artístico podem funcionar out- ros espaços independentes, estabelecendo elos na vizinhança.