Visando uma melhor apropriação das intervenções, o planejamento deste trabalho se dá em três diferentes etapas: Curto, Médio e Longo pra- zos, de forma que as intervenções possam evoluir numa lógica de sensibilização e amadurecimento das transformações.
Ações a Curto Prazo:
+ Implantação dos Padrões Paisagísticos I (ver PR2): A reestruturação das avenidas prevê a demarcação dos passeios em Faixa de Acesso, Faixa
Livre, Faixa de Serviços, Ciclofaixa, Pistas de rolamento e Canteiro central.
A Faixa de Acesso será um espaço de 60 centímetros de largura a partir do limite das edi- ficações que servirá ao uso dos proprietários, para que possam instalar pequenos totens de informação, jardineiras, apoios para marquises, desde que não atrapalhem o acesso aos estabelecimentos.
A Faixa Livre tem dimensões que podem variar, mas o tamanho médio segundo as análises das dimensões das vias será de 2,4 m, podendo em trechos mais estreitos atingir uma dimensão míni- ma de 1,5m. É destinada a exclusiva circulação de pe- destres, deve conter superfície contínua, totalmente livre de obstáculos, rampeada nos acessos e esquinas e com faixa de piso tátil para facilitar o trânsito de portadores de deficiência visual.
A Faixa de Serviço possui 1 metro de lar- gura e situa-se entre a faixa Livre e a ciclofaixa. É destinada aos elementos de serviços e mobiliário urbanos como arborização, sinalização, iluminação, orelhões, lixeiras, etc.
As Ciclofaixas terão sentido único, com 1,2m de largura, em cada lado da via, colada as Faix- as de serviços e separada da pista de rolamento por tachões, deverão conter a devida sinalização hori- zontal para evitar que outros obstáculos possam a vir a ocupar a via que é exclusiva para ciclistas.
Quando houver pontos de ônibus, a ci- clofaixa troca de posição ficando entre a faixa de serviço e a faixa livre, passando na parte posterior do ponto de ônibus, que ficará ao lado da pista de rolamento.
As Pistas de Rolamento são destinadas ao trânsito de veículos, tem dimensão de 7 m (duas faixas em sentido único de 3,50m) em piso asfáltico, com uma faixa destinada a prioridade de transporte público.
Os canteiros centrais terão 1 metro de largura e serão destinado a arborização e iluminação urbanas.
+ Implantação do Padrão Paisagístico II (ver PR2) As vias locais deverão ter o leito da via dividido em Faixa Livre, Faixa de Serviço e Pista de Rol-
amento.
A Faixa Livre segue as mesmas orientações do Padrão Paisagístico I, porém com dimensão vari- ando entre 2m e 1,20 m.
A Faixa de Serviços segue as mesmas ori- entações do Padrão Paisagístico I.
A pista de rolamento terá dimensão de 7,6 m, duas faixas de 3,8m em sentido único, des- tinadas a circulação lenta de transporte público, e de abastecimento de cargas apenas em horários não-comerciais de pouco fluxo. Será recomendada a remoção da camada alfáltica existente com o objeti- vo de restaurar o piso de paralelepípido soterrado, implantado em todo Centro histórico no plano de Adolfo Herbster de 1888.
Tais intervenções visam estimular a im- plantação progressiva da prioridade de pedestres dentro no centro histórico da cidade, tornando os percursos mais agradávéis e convidativos.
+ Ações de sensibilização da importância ambiental do riacho Pajeú
Conjunto de ações que visem a recu- peração e preservação do Riacho Pajeú como um todo desde sua nascente até a foz. São essas ações que alimentarão o anseio popular para que o Pa- jeú tenha sua integridade respeitada e nos muitos casos relembrar a própria existência do riacho em trechos em que este passa desapercebido sob gale- rias subterrâneas.
Como referência pode-se citar o movi- mento Existe rio em SP: por um parque linear, em Vila Madalena, São Paulo, no qual durante um dia foi realizada uma extensa programação de atividades
dentre elas passeios, conversas e oficinas que contou com a participação de diversos coletivos, moradores, artistas, comerciantes e intelectuais, que discutiam a implantação de um parque linear para o Rio Verde (hoje inteiramente canalizado) que resolvesse as constantes enchentes e agregasse valores ambien- tais ao bairro.
Esse tipo de ação é de fundamental im- portância para sensibilizar a população sobre as questões urbanas e a partir da mobilização tornar viável as intervenções futuras.
Ações a Médio Prazo:
+Expansão dos Padrões Pasagísticos (ver PR3) Depois de consolidados os Padrões Pais- agísticos no Centro Histórico de Fortaleza, se prevê a expansão do circuito, agora conferindo personal-
idade urbana para outras regiões da cidade, prin- cipalmente através da orla marítima em direção ao eixo turístico da Beira-Mar em sentido leste, e à Jacarecanga em sentido oeste (decorrente do enorme acervo patrimonial do bairro a ser incor- porado e a imensa demanda de atividades cul- turais na região) e em sentido sul, em direção ao bairro universitário Benfica.
+ Prolongamento da Av. do Imperador até a Av. Leste-Oeste (ver PR3)
O encontro das avenidas tem a intenção de fechar o circuito de Avenidas (Padrão Paisagísti- co Tipo I) para melhor distribuição e circulação pelo Centro Histórico.
É proposto que a interligação seja feita por um mergulhão (ver corte PR3) que passe sob os trilhos da estação João Felipe, e sob o bairro Moura Brasil, de forma a provocar impactos mínimos à co- munidade e evitar o cruzamento com a via férrea, aproveitando o desnível de 12 metros entre a aveni- da do Imperador e a av. Leste-Oeste.
+ Criação de novos focos de atração cultural (ver PR5)
Seguindo a proposta de expansão do cir- cuito cultural, outros pontos podem ser criados de preferência com intensão de recuperação de áreas degradadas.
acima
Fig. 28: Patrimônio material no bairro Jacarecanga carente de con- servação. Fonte: http://fortaleza- nobre.blogspot.com
à esquerda
Fig. 29: Divulgação do movimente Existe rio em SP. Fonte: http://ri- oseruas.worldpress.com
abaixo
Fig. 30: Comunidade Moura Brasil. Desnível entre a Av. Leste-Oeste. Fonte: acervo pessoal
Esse trabalho, mais adiante, se aprofun- da no estudo na implantação de um equipamento artístico-cultural ( a Usina de Idéias), implantado as margens do riacho Pajeú, resgatando valores socio ambientais bastante desgastados na área. A proposta é um modelo de atitude que se busca na implantação dos outros pontos de cultura que possam surgir.
+ Recuperação ambiental (ver PR3)
Se pretende recuperar os trechos ao lon- go do riacho Pajeú que ainda correm a céu aberto dentro de propriedades de uso privado. Efetuada a desprivatização das áreas, restaria ao poder público a recuperação da mata ciliar e urbanização, sempre integrando as outras partes do Pajeú como forma de conferir uma continuidade ao riacho.
Ações a Longo Prazo:
+ Resgate da integridade ambiental do Pajeú (ver PR3)
Se pretende a total desobstrução do ria- cho da sua nascente até a foz, mesmo que este tenha que fazer algumas alterações no na direção do seu percurso. Se entende que o Pajeú como uma con- tinuidade integra atravessando o Centro Histórico , seria uma das principais vias paisagístico-culturais para Fortaleza.
A desobstrução da sua foz, demandaria a mudança da Indústria naval cearence (INACE) irá favorecer a criação de uma imensa esplanada de contemplação, com a paisagem e passagens livres, além de toda importância histórica de ser o berço da formação de Fortaleza.
A imagem acima mostra a antiga Praia Formosa, onde o riacho Pajeu desaguava. Hoje esse visual está obstruído por conta do Marina Park Ho- tel que está ai instalado e a faixa litorânea foi engol- ida pelo avanço do mar.
Fig. 31: Ladeira de Rua General Sampaio em direção a praia For- mosa. Fonte: arquivo Nirez