à direita
Fig. 59: Network. Fonte:http:// www.homecounselgroup.com/
A produção da Usina terá como base a economia criativa, onde os produtos principais são idéias vivas em projetos, realizados através de parce- rias interessadas nas transformações positivas para cidade.
Os trabalhos podem ser realizados em regime de imersão onde os personagens produtores podem se instalar por temporada, e se utilizarem do espaço de forma livre e ilimitada.
A Usina foi idealizada para exercer in- fluência em diversas camadas da sociedade, ating- indo um público diverso, exercendo papel social através da divulgação cultural e a manutenção de um espaço aberto aos diálogos e colocações. A im- portância da integração com o espaço público, por todo edifício, funciona como afirmação das liber- dades individuais e a legitimação da democracia, que abre espaço para as observações e participações.
O público alvo envolve visitantes, em- preendedores e artistas, que juntos realizarão dif- erentes funções que se complementam e tornam viável as ações culturais.
O maior público influenciado é dos visi- tantes, que podem ser físicos ou virtuais. A interface virtual é indispensável para o que a Usina de Idéias transmita quantidade de informação compatível
com as necessidades da Era que se vive atualmente. Os visitantes têm permanência livre e incerta, mas exercem a importante função de divulgação das idéias da Usina, uma vez que foram sensibilizado em experiência com os grupos.
Os empreendedores têm função de apoiar, investir e conceber conjuntamente propos- tas na Usina, e tem permanência frequente, uma vez que já foram estabelecidas as parcerias.
Cabe aos artistas a função de concepção, desenvolvimento e produção dentro da Usina, estes tem permanecem por temporadas estabelecidas em editais realizados para cada projeto.
Setores
O programa de atividades da Usina de
Idéias se divide em espaços de circulação, exposição,
que são abertos ao público em geral, e os de pro- dução, administração e serviços, que são restritos aos artistas e a equipe técnica.
Optou-se como solução a distribuição espacial do equipamento colado a Rua Pinto Madei- ra para garantir uma maior área possível de afasta- mento do leito do riacho e da vasta vegetação em suas margens.
A programa se distribuiu em três pavi- mentos interligados por espaços de exposição, com destaque para uma grande laje que sustenta o piso superior e abriga os pisos intermediários e térreo.
No térreo, no meio do quarteirão, en- tre áreas de circulação e serviço, foi pensado uma grande área livre, para facilitar os fluxos de pedes- tres pelo parque e pelo equipamento, e evitando o confinamento da paisagem.
A intenção é que o espaço público flua por dentro do edifício e as intervenções e atividades fluam do edifício para o parque, tornando as áreas de exposição e atividades mais convidativas e abertas ao público geral.
O piso intermediário abrigará o setor administrativo e uma segunda parte do setor de ex- posições. Nesse piso será importante a presença de mezaninos que articulem o diálogo entre os níveis do térreo e parque.
O piso superior abrigará o núcleo de pro- dução da Usina, envolto num terraço jardim aberto a circulação pública, elevando a condição de parque do térreo para o piso superior.
Na Usina de Idéias, a arte tem como seu objetivo alcançar a transformação da cidade de forma a torná-la mais unida e contínua, por isso, o tratamento constante das áreas públicas que per- mitem a sociedade de forma democrática, tenha uma apreenção de um convívio aberto e de produção participativa.
A criação do espaço arquitetônico é a criação do espaço vivencial, tanto para o indivíduo quanto para o meio social, onde está em per- manente deslocamento de uma atividade à direita
Fig. 60: O grupo “árvores hu- manas”em exibição na praça do Barbican Art Gallery em Londres. Foto: Alex Traylen.
para a outra para criá-lo utilizam-se os senti- dos perceptivos, os sistemas visual, auditivo, tátil, cinestésico. Mas, além do espaço per- ceptivo e do movimento, existe a dimensão do espaço simbólico pleno de proposições e juízos de valor, criado pelo homem, no qual vive deslocando-se de um lado para o outro. (Okamoto, 2002. Pág. 19)
O setor de exposições está presente nos três pavimentos da Usina, para que possa abrigar dif- erentes exposições simultaneamente, além das ex- posições abertas na área externa do Parque.
O setor de serviços contará com um café e banheiros públicos voltados para o Parque, além do apoio logístico a produção artística e as exposições.
Os devidos abastecimentos e transportes técnicos serão realizados unicamente pela Rua Pin- to Madeira, em acesso próprio de forma a não se tornarem uma interferência ao fluxo de transeuntes no Parque e na Usina.
A produção artística da Usina de Idéias acontecerá no piso superior, contará com labora- torios, estudios, auditórios, salas multiuso e um es- paço de convivência para o estabelecimento de re- des entre os artistas que ai estão realizando algum trabalho.
Para exploração das infinitas necessi- dades que surgem a cada dia, os espaços de produção se utilizam de plataformas em continua atualização à conveniência dos meios, espaços flexíveis e ex- pansíveis. Por isso o pavimento superior tem estru- tura diferenciada, se apoia sobre um piso elevado na laje, e tem seus espaços fechado por painéis móveis e desmontáveis.
Implantação
A quadra escolhida para implantação da Usina de idéias é limitada pelo Riacho Pajeú, Rua Vinte e Cinco de Março, Rua Pinto Madeira e Av. Dom Manuel. Possui uma testada de 102 metros para a Rua Pinto Madeira, profundidade variando de 79 a 58 metros, de acordo com a sinuosidade do Riacho, com um caimento de 4 metros.
Na quadra atualmente existe dois esta- cionamentos, uma loja de materiais de construção, e alguns pontos comerciais desocupados, que não oferecem qualquer relação com o Parque Pajeú, são verdadeiras muralhas que impedem a apreenção e a circulação.
acima
Fig. 61: Terreno para a implantação da Usina de Idéias. Se vê um de- pósito de materiais de construção. Foto: Acervo pessoal.
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Fig. 62: Estudo de implantação dos setores. Foto: Acervo pessoal. à direita
Fig. 63: Estudo de implantação e adaptação às copas das árvores. Foto: Acervo pessoal.
Para a implantação da Usina de Idéias se estabeleceu a Av. Dom Manuel como propicia ao re- cebimento de um acesso principal, porém desde que fosse garantido um certo afastamento da avenida para maior contenção dos ruídos do trânsito e para que da avenida fosse possível se ter um visual amplo não só do edifício mas também do Parque Pajeú.
Outro fator de relevância, foi o patrimô- nio arbóreo imponente da área. Pelo enorme valor paisagístico já presente na área, foi necessário di- versos estudos de implantação de forma a conseguir uma forma de espacializar o programa sem que fosse necessário a retirada de nenhuma árvore.
Vários estudos foram feitos para im- plantação de uma rampa que levasse do Parque até a laje jardim do pavimento superior. A solução cum- inou numa comprida rampa de concreto com 86m apoiada em três pilares, que serpenteia comtempla- tivamente por entre as copas das árvores mais próx- imas, em sentido paralelo ao Pajeú.
Dessa forma a implantação se deu de for- ma retilínea na fachada da Rua Pinto Madeira, man- tendo a linguagem arquitetônica das edificações já existentes, o que também é acentuado pelo gabarito que não se sobressai do restante.
Pela testada a partir do Riacho, a implan- tação recebeu diversas curvas sinuosas que se mol- davam a copa das árvores aproveitando o espaço e gerando uma diversidade de ambientes favorável a contemplação do Parque.
O setor de exposição possui fechamento em painéis de vidro para garantir uma transparen- cia que sempre remeta ao Parque. O ultrapasso da laje superior em 2,5m garante a proteção solar extra, para que não se torne uma dificuldade ambiental.
O uso da madeira dentro (em painéis e o piso no café) e fora do edifício (nos tablados sobre o parque) contribui para integração entre os jardins e espaço interno, já que por suas funções, o edifício e o Parque Pajeú se complementam.
à esquerda, acima
Fig. 64 e 65: Modelo em papelão para estudos de implantação, volumétricos e acerca da rampa. Foto: Acervo pessoal.
à esquerda, abaixo
Fig. 66: Croqui de estudo da rampa. Foto: Acervo pessoal.
à direita
Fig. 66 e 67: Resultado volumétrico e rampa. Foto: Acervo pessoal.
A estrutura foi idealizada em lajes nervu- radas de concreto que utilizam uma modulação tri- angular de fôrmas, com alguns pontos de protensão. A modulação triangular permitiu um melhor en- caixe das curvas na modulação da estrutura.
O pavimento superior da Usina, o setor de produção, optou-se por uma estrutura mais leve, realizada em perfis metálicos encaixados que possi- bilitariam que transformações fossem feitas no es- paço sem maiores esforços, tendo em vista o avanço contínuo dos meios tecnológicos e a demanda do edifício, que podem exigir uma ampliação ou modi- ficação dos espaços.
Os fechamentos internos no setor de prudução, são feitos por painéis acústicos modula- dos que permitam maior flexibilidade dos espaços que podem ser divididos ou unidos conforme a ne- cessidade.
A coberta em material termo-acústico possui prolongamentos de beirais generosos que proporcionam, juntamente com um conjunto de
à esquerda, acima
Fig. 68: Estrutura de concreto/ Es- trutura metálica da coberta/ Fe- chamentos e coberta. Foto: Acervo pessoal.
brises metálicos, a proteção contra a alta incidên- cia luminosa e as chuvas, porém deixando na parte superior das cobertas um respiro necessário a ex- austão do aquecimento interno.
Há escadas e dois elevadores panorâmi- cos por dentro da área de exposição, de forma a sem- pre haver um motivo de passar pelas mostras.
O setor de serviço possui circulação vertical exclusiva, situada na torre de caixa d’água. Em casos de emergência pode ser usar a escada, so- mente do nível superior para o térreo, pois o acesso de baixo para cima é restrito a funcionários.
No terraço jardim, há um percurso que pode ser realizado por fora dos espaços de produção, de forma que os visitantes possam ver o que está sendo produzido nas salas da Usina.
A oeste no terraço jardim, as jardineiras são interrompidas enquanto surge um guarda cor- po, com a intenção de abrir a visual em direção a continuidade do Pajeú no parque, tornando a espla- nada do riacho o centro das atenções.
A criação do espaço arquitetônico é a criação do espaço vivencial, tanto para o indivíduo quanto para o meio social, onde está em per- manente deslocamento de uma atividade para a outra para criá-lo utilizam-se os senti- dos perceptivos, os sistemas visual, auditivo, tátil, cinestésico. Mas, além do espaço per- ceptivo e do movimento, existe a dimensão do espaço simbólico pleno de proposições e juízos de valor, criado pelo homem, no qual vive deslocando-se de um lado para o outro. (OKAMOTO, 2002, p. 19)
O desenvolvimento desse trabalho foi bastante positivo para o meu apreendizado. Talvez uma das mel- hores lições aprendidas foi relativo a organização do meu tempo e os cronogramas de trabalho, dado que várias vezes me deparei com a falta de tempo para realizar certa tarefa, dentro do tempo que havia planejado. Muitos conhecimentos foram testados, ora relativos a integração de propostas de diferentes escalas ur- banas, ora relativos a necessidade de saber exatamente até que ponto eu iria me aprofundar ou não. Aconteceu que a proposta tomou uma amplitude avantajada em virtude da identificação da necessidade de intervenções urbanas integradas e, por questões acadêmicas, ter sido cobrado o estudo de um objeto arquitetônico. O que me faz pensar agora, ao fim do trabalho, que propostas com essa dimensão são melhores desempenhadas por equipes, e que talvez fosse mais apresentável mesmo, um trabalho breve e denso.
Todavia a proposta seguiu unindo as partes e propondo um objeto integrado a uma rede outros equipa- mentos na cidade, e embora eu não tenha consumado o projeto até o fim, com todos os detalhes cabíveis, me sinto bem porque diante desse trabalho exercitei também minha capacidade de pensar e propor para a cidade e para o indivíduo.
Essa reta final da faculdade também foi o momento em que eu estive mais só, com minhas idéias. Tive sempre um liberdade imensa pra pensar o que seria feito, até porque longe das salas de aula, o projeto foi indo assim sem uma turma, a própria sorte. Essa liberdade dada ao trabalho, talvez faça dele um pouco do que eu sou, sujeito que inventa de tudo um pouco, e de pouco em pouco, muito.
Livros
ALENCAR, Eunice M. L. Soriano de. Psicologia da criatividade. Porto Alegre: Artes Médicas, 1986.
ALEX, Sun. Projeto da praça: convívio e exclusão no espaço público. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2008. FREIRE, Paulo. Ação cultural para a liberdade. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1982. 6a edição.
FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. Rio de Janeiro: Terra e Paz, 1983, 13a edição.
GROPIUS, Walter. Bauhaus: Novarquitetura. São Paulo: Editora Perspectiva, 1974 2a edição.
MONTANER Josep Maria. A modernidade Superada / arquitetura arte e pensamento do século XX. Barcelona: Editorial Gustavo Gili, 2001.
NUNES, Débora. Pedagogia da Participação: trabalhando com comunidades. Salvador: UNESCO/Quarteto, 2002. OKAMOTO, Jun. Percepção ambiental e comportamento: visão holística da percepção ambiental na arquitetura e na co-
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PALLASMA, Juhani. Os olhos da pele: a arquitetura e os sentidos. Porto Alegre: Bookman, 2011.
SALLES, Cecilia Almeida. Redes da Criação: construção da obra de arte. São Paulo: Editora Horizonte, 2008, 2a edição.
SANTOS, Milton. A Natureza do Espaço: Técnica e Tempo, Razão e Emoção. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2008, 4a edição.
SANTOS, Milton. O espaço do cidadão. São Paulo: Nobel, 1993, 2a edição.
SANTOS, Milton. Por uma outra globalização: Do pensamento único à consciência universal. Rio de Janeiro:Record, 2010, 19a edição.
SPIRN, Anne Whiston. O Jardim de Granito. São Paulo: EDUSP, 1996.
Publicações
Contribuição paulista à tropicologia; trabalhos apresentados no Seminário de Tropicologia da Universidade Feder-
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FIUZA, Regina Cláudia Pamplona. O Pão… da Padaria Espiritual. Rio de Janeiro, 1977. Dissertação de mestrado em Literatura Brasileira, UFRJ.
JACQUES, Paola Berenstein. Notas sobre espaço público e imagens da cidade. São Paulo: Arquitextos , 2009. Dis- ponível em:
http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/10.110/41 . Acessado em agosto de 2012.
MOREIRA, Eugênio. Entre Memórias alheias e palimpsestos urbanos. Fortaleza, 2011. tabalho Final de Graduação em Aruquitetura e Urbanismo. UFC
PINTO, Sandro da Silva. Cultura um conceito antropológico. Disponível em: http://www.idealdicas.com/cultu- ra-um-conceito-antropologico/ . Acessado em março de 2012.
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