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2. Procedural Models 17

3.6 Retrieval and Classification with Deep Learning of Procedural Models 161

3.6.3. Object Classification

Falar de relações amorosas não é tão simples como visto em novelas ou lido em romances e revistas. Para a pesquisa acadêmica é necessário indicar o recorte, delimitar o objeto de pesquisa e levantar questões que irão ser de fundamental importância para o desenvolvimento do estudo exploratório.

Gilberto Velho (1986)58 nos mostra que a escolha dos informantes não acontece de forma aleatória. Os atores desta pesquisa não foram “selecionados” a partir de um lugar específico, como, por exemplo, um bairro, uma igreja, uma instituição, e, sim, definidos a partir da colaboração dos interlocutores na pesquisa, tomando como ponto de partida o locus que trabalhei antes, entretanto não posso falar dos colaboradores como grupo por razões que passo a discutir. A partir disso não defino critério de seleção, então optei por não restringir faixa etária, escolaridade e camada social.

Sabe-se que para a construção da pesquisa algumas escolhas são necessárias. Portanto, a opção em selecionar interlocutores foi não estabelecer homogeneidade, e sim heterogeneidade, a partir das variantes: idade, gênero, classe e escolaridade. Através das informações obtidas, pude perceber e observar as relações tecidas pelos interlocutores com amigos e parentes. Eles discutem, conversam, estudam, estabelecem relações, concebem e

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Cf. CARDOSO, Ruth. “Aventuras de antropólogos em campo ou como escapar das armadilhas do método” IN CARDOSO, Ruth (Org.). A Aventura Antropológica. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1986, pp. 95-106.

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Cf. VELHO, Gilberto. “Histórias de vida: Resumos e Reflexões” IN Subjetividade e Sociedade. Uma

vivenciam as práticas amorosas. A questão do espaço poderá surgir a partir do depoimento oferecido pelos informantes, de onde se encontram ou onde podem ser encontrados.

Vários são os tipos de relacionamentos afetivo-sexuais na sociedade e, inúmeras são as definições, mas para não correr o risco de ficar sem objeto definido, o relacionamento conjugal que pretendo trabalhar é o que refere as relações entre casais heterossexuais.59 O estudo se volta para jovens e adultos, casais de namorados, noivos, marido e mulher, e/ou separados, privilegiando depoimentos sobre infidelidade, a partir dos quais foi possível enxergar e trabalhar diversas situações ao mesmo tempo, que possibilitou a observação de como as pessoas se relacionam, que elementos as aproximam, o que pensam e fazem em relação à afetividade, como se dão as relações amorosas em família e os momentos de sociabilidade.

Os espaços escolhidos para a pesquisa foram delineados de acordo com as relações sociais estabelecidas pelos informantes, não esquecendo que trabalho com pessoas que se dispuseram a revelar um pouco de suas vidas, portanto, me aproximei de pessoas de idade diversas e posições sociais diferenciadas, pois as representações sobre infidelidade circulam60 socialmente manipuladas pelos envolvidos no assunto. Por se tratar do tema infidelidade, assunto delicado, polêmico e, um tanto espinhoso, não posso isolar pessoas e atribuir-lhes tal prática, pois assim estaria imputando às pessoas condutas condenadas socialmente, em lugar de fazer Antropologia.

Minha intenção ao trazer os atores à cena é ampliar o espectro e focalizar as representações dos envolvidos sobre infidelidade que, segundo acredito, não atinge apenas uma camada social, buscando os sentidos e significados articulados pelos informantes, que de uma forma ou outra, se dispuseram a participar da pesquisa, compartilhando comigo suas histórias de vida, às vezes alegres, outras nem tanto.

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Optei por trabalhar com casais heterossexuais, embora evidentemente, existam outras formas que também são designadas como união. É importante ressaltar que a categoria heterossexual é de acordo como o informante se auto denomina, vivenciando relações heterossexuais, não se referindo a nenhum outro tipo de relacionamento afetivo.

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Não é preciso ser de uma classe social para pensar de acordo com seus preceitos e visões de mundo, as idéias circulam entre categorias e gerações distintas. Dessa forma, a pesquisa pretende formular um texto que demonstre quão importante e real é a circularidade de idéias entre as culturas e nas sociedades. Sobre o assunto, consultar: GINZBURG, Carlo. O Queijo e os vermes. O quotidiano e as idéias de um moleiro perseguido pela

Opto pela diferenciação etária para verificar se os momentos históricos de diferentes formas de socialização apresentam variação, que signifique modos de compreensão da realidade na diversidade conforme a época em que foi vivida e a experiência extraconjugal. Segundo Goldani (1990),61 do ponto de vista demográfico a diferença de idades não causa mudanças, mas na medida em que há diversidade de idades, pode possibilitar uma intermediação no processo de transformação, podendo exercer uma mediação entre o processo de mudança e as condutas desses indivíduos. De todo modo, os alcances serão limitados, pois o número de entrevistados não é muito grande, mas satisfatório para os objetivos propostos.

A partir daí, busco contrastes, diferenças e semelhanças que constituem os relacionamentos expressos nessas emoções. A solicitação de relatos sobre relacionamentos afetivos e sexuais pode incorporar, segundo a relevância do entrevistado, elementos que o informante considera significativo para explicação de sua história. São experiências concretas dos interlocutores, vivências, “... percepções pessoais, sentimentos íntimos que marcaram experiências ou acontecimentos vividos no contexto de sua trajetória de vida” (CHIZZOTI, 1991, p. 95), que estão em primeira instância construídos socialmente, segundo as normas vigentes, mesmo que vivenciadas com nuanças diferentes pelos entrevistados.62

De acordo com Heilborn (1999)63, o depoimento sobre experiências e circunstâncias traduzem roteiros onde se combinam distintas marcas sociais que delimitam o campo de possibilidade das pessoas: origem, história familiar, etapa do ciclo de vida em que se encontram, as relações de gênero estatuídas no universo em que habitam, são os elementos que tentam mostrar o sentido do “eu”.

Sigo os passos de Moutinho (2004),64 ao adotar à aleatoriedade na seleção dos informantes, permitindo ampliar o quadro investigativo em distintas camadas sociais, com

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Cf. GOLDANI, Ana Maria. “Família, Trajetórias Individuais e Mudanças Demográficas” IN Anuais da ABEP. VII Encontro Nacional de Estudos Populacionais, Vol. I, Caxambu, out/1990, pp. 55-99.

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Cf. CHIZZOTTI, Antônio. Pesquisa em Ciências Humanas e Sociais. São Paulo, Cortez, 1991.

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Cf. HEILBORN, Maria Luiza. “Construção de si, gênero e sexualidade”. IN HEILBORN, Maria Luiza (Org.).

Sexualidade. O olhar das ciências sociais. Rio de Janeiro, Zahar, 1999, pp. 40-58.

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Moutinho traz em sua obra a abordagem de um novo olhar sobre a complexa relação racial e sexual no Brasil, comparando-a com a sociedade sul-africana, enfocando maneiras que os relacionamentos afetivos, sexuais e inter-raciais são estruturados e pensados nas distintas sociedades. Nesse sentido, a autora dialoga com diferentes camadas sociais, com níveis educacionais distintos, pois cabe lembrar que categorias, como sexualidade, não são fixas. Sobre o assunto, consultar: MOUTINHO, Laura. Razão, “cor” e desejo: uma análise comparativa sobre

níveis educacionais diferenciados, pois as representações sobre infidelidade não são fixas. Creio que o contexto social tenha fundamental importância, mas é necessário ir além desses contextos. O mérito desse procedimento é poder cotejar trajetórias e cenários distintos, seja pelo prisma de classe, seja pelo gênero.

Considerar os diferentes contextos culturais possibilita recuperar um percurso de experiências no âmbito dos afetos e contatos físicos, designados pelas representações masculinas e femininas de uma sociedade complexa e heterogênea.

Ao descrever os informantes é necessário apontar que todos pertencem a camadas sociais diferenciadas, que vão de camadas médias a populares. (Quadro 1) Três informantes são ou foram militantes políticos de esquerda. Quatro têm curso superior, sendo que um está fazendo estudos de pós-graduação. Oito pessoas não têm curso superior, dois possuem curso técnico profissionalizante; três possuem curso fundamental e quatro possuem nível médio. Uma mulher faz o curso pré-vestibular. Nove dos informantes são de família católica, mas cinco se declaram não praticantes. Apenas duas mulheres confessam-se evangélicas e uma segue a doutrina Testemunha de Jeová. Todos moram na capital, Belém. São três mulheres e dois homens com relacionamento de namoro “fixo”,65 três mulheres casadas, dois casais e um homem divorciado, mas que está namorando “fixo”.

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A denominação “fixo” foi dada pelos interlocutores, para distinguir dos relacionamentos conhecidos como “ficar” ou “paquera”. O “ficar” surgiu no final da década de 90 substituindo a “paquera”, que predominava nas décadas anteriores, conhecida também como “xaveco”. O “ficar” é visto como característica marcante do comportamento juvenil, entre 12 a 17 anos, que em festas podem até ficar com inúmeros parceiros, podendo indicar conotação sexual ou não, mas sem maiores conseqüências. O “ficar”, a “amizade colorida”, a “paquera”, entre outros termos, compõem um quadro de palavras que veiculam significados diferentes de modos de relacionamentos afetivos. Sobre o assunto, consultar: CAVALCANTE, Adriana. “Geração Beijo na Boca” IN

Quadro 1