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2. Procedural Models 17

3.3 Extended Surface Distance 115

3.3.2. Extended Surface Distance Calculation

Quadro 4 - Comparação de Designação do Vocábulo Usual (DVU), Não Designação (ND) e Processos de Substituição (PS) entre os grupos de cinco e seis anos

Campo conceitual % DVU % ND % PS

5 anos 6 anos 5 anos 6 anos 5 anos 6 anos

Vestuário 30 33 1 10 69 57 Animais 36 57 14 5 50 38 Alimentos 15 36 4 3 81 61 Meios de transportes 27 54 8 1 65 45 Móveis e utensílios 36 40 7 4 57 55 Profissões 18 26 29 4 53 70 Locais 1 18 24 7 75 76 Formas e cores 31 49 29 8 40 43

Brinquedos e Inst. Musicais 47 57 6 5 47 38

A comparação entre as crianças de cinco e seis anos do INES apontou diferenças significativas para DVU (p=0,008) e ND (p=0,044), demostrando que as crianças de seis anos apresentam vocabulario mais completo do que as de cinco anos. Dados relativos à média, mediana e desvio padrão podem ser encontrados na tabela 3. Não foram observadas diferenças em relação aos processos de substituição (p= 0,172).

Tabela 4 – Comparação da amostra de alunos nas faixas etárias entre cinco e seis anos

DVU ND PS

5 anos 6 anos 5 anos 6 anos 5 anos 6 anos

N 9 9 9 9 9 9 Média 26,7778 41,1111 13,5556 5, 2222 59,6667 53,6667 Mediana 30,0000 40,0000 8,0000 5,0000 57,0000 55,0000 DP 13,63614 14,09295 10,98989 2,72845 13,68393 13,74773 Legenda:

DVU designação de vocábulo usua ND não designação

3 DISCUSSÃO

Diante dos resultados da pesquisa realizada, observou-se que as crianças surdas tiveram desempenho abaixo do esperado para a idade na maioria dos campos conceituais. Sendo que no grupo de cinco anos, o processo de substituição mais utilizado foi nos campos conceituais alimentos (81%); seguido por locais (75%) e, em terceiro lugar, vestuário, com 69%. Em contrapartida, no parâmetro de comparação da autora para essa faixa etária, uma primeira diferença é que as crianças utilizaram poucos recursos de substituição, sendo as maiores porcentagens encontradas de 40% para os campos meios de transportes e profissões.

Já para o grupo etário de seis anos, enquanto que no parâmetro de comparação do ABFW as maiores porcentagem são de 30% para meios de transportes e profissões, nos resultados encontrados por este estudo, os percentuais mais significativos foram em locais (76%), seguidos por profissões (70%) e alimentos (61%).

A permanência dos grupos locais e alimentos em ambos os grupos etários sugere uma diferença sutil em relação aos resultados do estudo de Costa e Chiara (2006), no qual os campos conceituais profissões e locais predominaram nas respostas do tipo PS em todos os grupos etários.

Befi-Lopes (2002) afirmou que o bom desempenho nos campos conceituais profissões e locais requer maior domínio de conhecimento, pois para a aquisição de tais conceitos são necessárias capacidades de representação e abstração. Nesse sentido, Pedromônico et al. (2002) observaram que palavras relacionadas à categoria lugar foram as menos frequentes nas falas de crianças ouvintes com idade entre vinte e dois e trinta e seis meses.

Em um universo de dezessete processos de substituição previstos pelo ABFW os mais encontrados em ambos os grupos etários foram: substituição de semiótica verbal por não verbal correta nos campos conceituais animais, profissões e locais; substituição e/ou complementação de semiótica verbal por gesto indicativo nos campos conceituais vestuário e com menos frequência em móveis e utensílios, onde as crianças recorreram ao apontamento – em si mesmas, na terapeuta e no próprio ambiente – para designar o que lhes era solicitado.

Segundo Quadros (1999; 2000), quando a criança utiliza-se de uma linguagem não verbal através de apontação, ela mostra sua intenção de comunicar e interagir com o interlocutor. Na aquisição da linguagem tanto crianças surdas como ouvintes, passam dos gestos à fala seja na modalidade oral ou sinalizada. Todavia, em crianças com audição normal, essa fase linguística ocorre aproximadamente no primeiro ano de idade.

Ao fazer uso de gestos como processo de significação, a criança acaba por atuar no mundo simbolicamente, mesmo que não adquira por completo uma língua. O gesto se torna o principal mecanismo pelo qual ela interage. Ao apontar o objeto corretamente a criança faz uma ligação entre significado e significante.

Albano (2001) afirma que “desde crianças somos sujeitos do gesto (fônico ou manual) e é através de nossas interações que vamos adquirindo um saber sobre a construção do léxico, da gramática e dos usos de uma língua. Opinião semelhante a de Mori (1994), que em estudo concluiu que a partir do momento em que o interlocutor reconhece seus movimentos como gestos culturalmente determinados, eles são interpretados pelo outro e ganham significado e reconhecimento social.

Os gestos indicativos e representativos integram o repertório gestual da criança surda em fase aquisitiva da linguagem e são concatenados entre si por ela e pelos seus interlocutores, o que determina a construção de uma sintaxe gestual e demonstra que está privilegiando suas intenções comunicativas (MORI, 1994).

Em alimentos, o PS mais utilizado pelo grupo de cinco anos foi o hiperônimo não imediato, o que configura que a criança reconhece a figura, porém, no momento de nomeá-la, utiliza-se de um processo generalizante, isto é, substitui um vocábulo por outro mais abrangente. Ao ver a imagem de uma alface, a criança designa “comida”.

Nesse mesmo campo conceitual, o grupo de seis anos utilizou mais a designação por função, que também se caracteriza por ser uma forma abrangente de nomeação, o que demonstra que os vocábulos ainda não estão fixados no repertório vocabular da criança. Segundo Hage e Pereira (2006), as crianças em processo de aquisição de linguagem, em especial, aquisição lexical, podem cometer uma série de desvios semânticos em função de ainda não terem organizado

adequadamente o conjunto de traços de significação que diferenciam o uso de uma palavra e outra nos diferentes contextos linguísticos.

Para Gândara (2008), a tarefa de nomear uma figura, independentemente da idade dos sujeitos, envolve pelo menos três estágios básicos, sendo o primeiro deles a identificação do objeto representado, que ativa o conteúdo visual armazenado ou a sua representação estrutural, durante a qual somente as características físicas são recuperadas; seguido pelo acesso à representação semântica, que permite então que o objeto seja reconhecido; e, finalmente, a lexicalização ou ativação da representação fonológica, por meio da qual o nome da figura é recuperado e pronunciado.

Quanto à designação do vocábulo usual (DVU), os campos conceituais mais relevantes no grupo de cinco foram: brinquedos e instrumentos musicais, com 47%, seguido por animais e móveis e utensílios, ambos com 36%. É interessante notar que comparando os resultados obtidos com o parâmetro do ABFW para brinquedos e instrumentos musicais (55%), a diferença é relativamente pequena: apenas 8%. O resultado vai ao encontro do que observa Luetke-Stahlman (1993) quando afirma que vocábulos representativos de objetos interessantes para a criança tendem a aparecer precocemente no repertório de sujeitos deficientes auditivos.

No grupo de seis anos a nove anos e 11 meses os campos mais nomeados pelas crianças foram: animais e brinquedos e instrumentos musicais, ambos com 57% de acerto; seguido por meios de transportes (54%) e formas e cores (49%).

Acosta et al. (2003) indicaram que as primeiras palavras aprendidas pelas crianças são referentes ao que pode mover-se ou mudar de lugar. Befi-Lopes e Galea (2000) e Bastos et al. (2004) verificaram em seus estudos que palavras que designam meios de transporte estão presentes no vocabulário de crianças.

Em relação a não designação (ND), os piores desempenhos das crianças do grupo de cinco anos ocorreram nos campos conceituais profissões e formas e cores, ambos com 29%, seguido por locais (24%). É interessante notar a presença dos mesmos três campos conceituais em relação ND no ABFW, onde profissão obteve 25%, seguido por formas e cores e locais, ambos com 10% de não nomeação.

No grupo de seis anos, os piores desempenhos foram nos campos conceituais vestuário (10%), seguido por formas e cores (8%) e locais (7%). Novamente, há coincidência de campos conceituais e, desta vez, até de

porcentagens quando comparamos os resultados obtidos ao parâmetro ABFW, que assinala que os maiores percentuais de não designação para a faixa etária são relativos aos campos: vestuário (10%); formas e cores (5%); e locais (5%).

A literatura revela que as oportunidades limitadas de ouvir informações levam à privação de experiências, com consequências negativas para o conhecimento de mundo e desenvolvimento de vocabulário.

Segundo Azcoaga et al. (1977), a falta do reforço auditivo em coincidência com os vocábulos que representam os objetos presentes no ambiente das crianças prejudica a aquisição e o aumento do vocabulário.

Connor et al. (2000); Eisenberg et al. (2004) afirmaram que o vocabulário dos indivíduos com surdez não aumenta na mesma razão em que ocorre com sujeitos ouvintes, apresentando atrasos cada vez maiores conforme a idade da criança.

CONCLUSÃO

No Brasil, muitos estudos têm sido realizados com o objetivo de avaliar o vocabulário de crianças com alterações de linguagem, no entanto, não existem pou instrumentos validados e padronizados específicos para avaliar o processo de aquisição e desenvolvimento de linguagem da criança surda, comprometendo de maneira significativa os resultados e intervenções que se façam necessárias;

Em relação aos resultados do teste ABFW utilizado na avaliação de crianças matriculados na educação infantil do INES, observou-se que o baixo desempenho do grupo estudado pode ser explicado pelo fato de que a maioria das crianças são oriundas de famílias ouvintes que desconhecem ou pouco usam a Libras como língua de instrução, comprometendo etapas que são cruciais para que a criança adquira conceitos e amplie seu vocabulário.

Dessa forma conclui-se que há necessidade de mais estudos investigativos nesta área, a fim de prover aos profissionais instrumentos eficazes para avaliação de crianças surdas nesta faixa etária, que certamente contribuirão para a sua inclusão na escola e no mundo.

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APÊNDICE

APENDICE A – Carta para obtenção do consentimento livre e esclarecido

CARTA PARA OBTENÇÃO DO CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO Caro(a) Senhor(a)

Eu, Regina Célia de Azevedo Soares, Fonoaudióloga, portador(a) do CPF 113.431.847-20, RG 24259004-8, estabelecido(a) na Rua: Comendador Queiroz, 67 aptº 1113, BL B, CEP 24230-220, na cidade Niterói, cujo telefone de contato é (21) nº 2711-8676 vou desenvolver uma pesquisa cujo título é: AVALIAÇÃO DO VOCABULÁRIO DE CRIANÇAS SURDAS INSERIDAS NO CONTEXTO EDUCACIONAL DA PRÉ-ESCOLA DO INSTITUTO NACIONAL DE EDUCAÇÃO DE SURDOS

Este estudo tem como objetivo avaliar por meio de teste padronizado o vocabulário expressivo de crianças surdas de ambos os sexos da educação infantil do Instituto Nacional de Educação de Surdos – INES, analisando em quais campos conceituais os educandos apresentam maior domínio de nomeação e identificar os processos por eles utilizados. Necessito que o Sr(a). permita “a execução de uma avaliação de fala em seu filho