6. REGRESJONSANALYSE AV MOTIVASJON
6.2 O RGANISASJONSTILKNYTNING
Com o advento dos computadores, a necessidade da ação social do compartilhamento de conhecimento, nesta área específica, não foi diferente de outras comunidades (TORVALDS, 2001), dado o enorme volume de informações disponíveis. Pessoas começaram a se reunir para a socialização de informações sobre as tecnologias que foram sendo criadas.
Os primeiros grupos de usuários de informática foram criados no início da década de 1970 por amadores em eletrônica e hackers de computadores (SCULLEY & BYRNE, 1987, p. 58), que já participavam de clubes como o Homebrew Computer Club, então, um dos primei- ros grupos de usuários dos Estados Unidos, que se reunia duas vezes por mês (SCHAFF,1991; LEVY, 1995). Kendall (2000) afirma que Gordon French fundou o Homebrew Computer Club em 1975 e, inicialmente, todos se reuniam na sua garagem. Posteriormente, com o crescimen- to do grupo, as reuniões passaram a ser no auditório do Stanford Linear Acceletor Center.
A história de clubes como o Homebrew exemplificam bem a importância destes gru- pos de usuários no desenvolvimento da informática. Sculley (1987, página 140), conta que, um tímido Steve Wosniak, o co-fundador da Apple Computers, mostrou neste clube seu pri- meiro computador, o protótipo do Apple 1, feito à mão em casa, com apenas 4K de memória
RAM, pois tentava impressionar seus colegas do Homebrew (HERTZFELD, 2005).
A APCUG – Association of Personal Computer User Groups18 descreve assim um grupo de usuários: “DOS, Windows, MAC, Linux e Unix, de bancos de dados à programação Web, eles começam com um seminário formal de treinamento sob o guarda-chuva de uma corporação ou apenas um grupo de amigos compartilhando e aprendendo uns com os outros, nossos membros todos têm uma coisa em comum ... eles são entusiastas por computadores. Eles têm um desejo, não apenas de aprender mais sobre a “misteriosa” caixa chamada de computador, mas também, de compartilhar seus conhecimentos com outros.”
No sítio da Borland19 encontramos sua definição de grupo de usuários como sendo uma “organização de usuários de um produto específico de software ou hardware. Os mem- bros compartilham experiências e idéias para aumentar seus conhecimentos sobre o uso de um produto em particular. Grupos de usuários variam assim como os usuários, do espectro do in- formal ao das organizações formais. Entretanto, todos compartilham um propósito simples, ajudar seus membros sobre como operar computadores pessoais. Um grupo de usuários pode ser um grupo informal que se encontra todas as semanas na casa de um de seus membros, no auditório de uma empresa, ou pode ser uma grande e sofisticada organização de negócios com milhares de funcionários.”
Segundo Schaff (1991), a Apple Computers define um grupo de usuários como uma afiliação de usuários da Apple dedicados a aumentar o uso dos seus sistemas Apple comparti- lhando informações, suporte e insights (palpites subjetivos) uns com os outros. Grupos de u- suários formam-se em comunidades residenciais, sistemas escolares, corporações, agências governamentais, universidades, associações profissionais e organizações nacionais. Apesar das diversidades, todos os grupos de usuários Apple compartilham seu objetivo educacional.
Mas, o que são grupos de usuários? Segundo a Apple Computers20, os Users Groups (UG) são organizações criadas por pessoas interessadas em compartilhar informações sobre computadores e o que podem realizar com a ajuda da tecnologia digital. Grupos de usuários dizem respeito não só à tecnologia, mas também, às relações pessoais que dela resultam. Elas estão unidas por um desejo comum de aumentar seus conhecimentos e desenvolver novas a-
18 http://www.apcug.net/APCUG/whatis_user_group.htm 30/12/2004
19 http://info.borland.com/programs/usergroups/startup/#what 30/12/2004
mizades. Grupos de usuários ajudam seus membros nas dúvidas técnicas, fornecem conselhos desinteressados quando da escolha de um programa e fornecem um ambiente amigável onde pessoas podem aprender mais sobre seus computadores. Muitos grupos dão cursos, suporte individual, encontros mensais, boletins informativos, descontos a membros, grupos de interes- se específicos e, é claro, a inevitável camaradagem que todos os usuários de Macintosh com- partilham. Grandes grupos oferecem programas de treinamento intensivo, laboratórios de computação e bibliotecas de apoio. Ainda segundo informações disponíveis no sítio da Apple Computers (2004), são dez as razões para uma pessoa aderir a um grupo de usuários: (i) Fazer novos amigos; (ii) Obter suporte e aumentar seus conhecimentos; (iii) Ensinar; (4) Economi- zar; (v) Encontrar suporte local; (vi) Ponto de encontro; (vii) Fazer contatos comerciais; (viii) Ser voluntário na comunidade; (ix) Aparecer para o mundo e (x) É diversão garantida.
Segundo Kawasaki (1993), um grupo de usuários é o local onde os formadores de opi- nião se congregam, sendo que seu principal objetivo é repassar informações. Seus membros dedicam uma quantidade considerável de tempo e esforço dando aulas, publicando boletins e apresentando mini-feiras, sem nenhum pagamento a não ser a satisfação de ajudar os outros. Além de repassar informações, os grupos de usuários preenchem as necessidades sociais de pessoas com interesse comum em se reunir em bandos.
A Borland sempre reconheceu a importância dos grupos de usuários. Philipe Kahn, criador do Turbo Pascal, antigo CEO e Presidente, pessoalmente credita muito dos primeiros sucessos da Borland aos grupos de usuários. “No início, a imprensa não dava atenção à Bor- land. Entretanto, a palavra veio através dos grupos de usuários e atraímos o que se seguiu, que nos ajudou a crescer e nos tornar uma das grandes empresas de software.”
Qual é o papel de um grupo de usuários? Kawasaki (1993) afirma que eles podem ace- lerar o sucesso de um produto ou matá-lo na largada. Trabalhar efetivamente com grupos de usuários pode anular a força de venda e recursos maiores do concorrente, porque os usuários espalharão as novas para você. A maioria das pessoas dos grupos de usuários nunca vai com- prar seu produto, mas vai comentar suas demonstrações, espalhar sua reputação e elogiar seu atendimento. Sua palavra tem mais força que qualquer propaganda, segundo Kawasaki. “A- brir caminho até o coração do grupo de usuários é simples, porque os membros já estão pre- dispostos a colaborar com você.” Kawasaki (1993) ainda afirma que, são quatro os papéis de um Grupo de usuários: (i) Disseminar informações sobre o produto; (ii) Oferecer grandes e
entusiasmadas multidões sem nenhum custo; (iii) Reduzir custos de suporte técnico, (iv) dan- do aulas de treinamento e criando grupos de interesses específicos e (v) Evangelizar pessoas nas empresas em que trabalham, mesmo que eles próprios não comprem o produto.
Gamse & Grunwald (2004?) destacam também a importância dos grupos de usuários como uma fonte de recursos potencial para o treinamento e suporte tecnológico. Para esses autores, a construção de comunidades eletrônicas se dá através de sete passos. Eles sugerem:
(i) Desenvolva um plano de relacionamentos; (ii) Selecione uma “plataforma” de relaciona-
mentos; (iii) Venda para seus usuários; (iv) Treinamento e suporte técnico; (v) Configure e gerencie um fórum on-line de informações públicas; (vi) Use as redes com o objetivo de cola- boração e resolução de problemas e (vii) Crie um espírito de comunidade.
A partir da popularização da linguagem Java, tecnologia de programas de computado- res voltada para a Internet, lançada em maio de 1995, começaram a se formar diversos grupos de profissionais interessados em aprender e compartilhar conhecimentos sobre esta lingua- gem. Tais grupos são chamados de JUG (Java Users Group), ou Grupos de Usuários Java.
No Brasil, vários JUGs se formaram espontaneamente e têm proliferado, nestes últi- mos anos, tanto em número quanto na quantidade de afiliados. Entre tais grupos destaca-se o DFJUG (OLIVEIRA, 2003, p. 62), grupo de Brasília constituído a partir de fevereiro de 1998. Até o fim de Dezembro de 2004, o número de afiliados do DFJUG ultrapassava 8000 desen- volvedores. O DFJUG é hoje, segundo a Sun Microsystems, um dos maiores JUGs do mun- do21.
Por outro lado, nos JUG, a cada dia surgem, naturalmente, problemas de gestão de re- lacionamentos, a diversidade de formação e interesses dos associados aos JUGs brasileiros e de interesses oriundos da quantidade, muitos grupos com mais de 1000 membros (Apêndice 1). A propósito do número ideal de membros para uma Comunidade de Prática, Wenger (2002, pg. 35 e 242) afirma que:
“Comunidades com menos de 15 pessoas são muito pessoais. Entre 15 e 50 partici- pantes, os relacionamentos se tornam mais fluídos e diferenciados. Entre 50 e 150 as comunidades tendem a se dividir em sub-grupos em torno de tópicos ou localização geográfica. Além de 150 membros os sub-grupos normalmente desenvolvem identi- dades locais muito fortes. De acordo com antropólogos, comunidades “reais” rara- mente incluem mais de 150 membros, porque este é, em geral, o maior número que pessoas podem se conhecer em termos de significância emocional. Sentimentos co-
munitários e de intimidade são tecidos para linhas de relacionamentos interpessoais e estes tomam tempo e experiência para se desenvolver.”
Como vimos, este trabalho busca comprovar a hipótese de que um JUG é uma CoP, idéia essa que nos parece ser intuitiva. No entanto, nem todos entendem dessa forma. Mc- Dermott (1999) afirma categoricamente que um grupo de usuários NÃO é uma CoP. Segundo ele, tais grupos, tipicamente, têm pouco ou nenhum senso de identidade comum ou de propó- sito.