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7. AVSLUTNING OG KONKLUSJON

7.2 B ETYDNINGEN AV KRAV , KONTROLL OG SOSIAL STØTTE I ARBEIDET

No dia 23 de maio de 1995, a Sun Microsystems lançou a linguagem de programação de computadores Java. Historicamente, o sucesso desta linguagem se deu, inicialmente, no fato de permitir, pela primeira vez, que imagens animadas fossem inseridas em páginas da Internet. Gradativamente, novas funcionalidades foram sendo inseridas na linguagem, tornan- do-a tão extensa que os programadores se viram compelidos a formar grupos de usuários que lhes permitisse compartilhar os novos conhecimentos agregados a cada nova versão. Atual- mente, existem 574 grupos de usuários em todo o mundo, dos quais 43 no Brasil com mais de 25.000 membros, sendo que estes são governados por entusiastas, com pouca experiência na administração de suas comunidades.

O objetivo geral para este trabalho foi identificar, junto aos JUGs brasileiros, a ade- rência destes a alguns aspectos (Tema, Governança e Aprendizado) do modelo estrutural das Comunidades de Prática (Domínio, Comunidade e Prática), conforme definido por na hipóte- se primária deste trabalho:

Os elementos estruturais de uma CoP (Domínio, Comunidade e Prática) estão presen- tes na comunidade brasileira de desenvolvedores Java, o que os torna aderentes ao modelo definido por Wenger (WENGER, MCDERMOTT & SNYDER, 2002, p. XX do prefácio).

Para alcançar essa meta, este trabalho foi desdobrado em três hipóteses secundárias, que foram objeto de pesquisa junto à comunidade Java brasileira. Durante os meses de junho e julho de 2005, os 25.730 desenvolvedores cadastrados nos 43 JUG brasileiros foram convi- dados a participar da VI Pesquisa Nacional Java. A pesquisa foi feita por meio de duas per- guntas e quinze afirmações, tendo sido respondida por 1.230 pessoas da comunidade Java, o que permitiu chegar ao nível de confiança de 95 ± 2,5%. As três hipóteses secundárias pro- postas por este trabalho foram avaliadas pela comunidade:

• A participação dos desenvolvedores Java da comunidade é motivada pelo interesse

do Tema em questão.

O tema define o mote que direciona os valores do grupo, e seus trabalhos, orientando os tópicos que lhes são estrategicamente importantes. A comunidade foi questionada, atra- vés de três afirmações selecionadas entre nove pesquisadas na literatura (Tabela4a), so-

bre a veracidade da existência, dentro do grupo, de discussões envolvendo um tema cla- ramente definido. Tal tema é importante para o assunto no qual o respondente se encon- tra envolvido. Das três afirmações apresentadas, duas são baseadas em afirmações de McDermott, que, junto com Wenger e Snyder, formaram os pilares teóricos os estudos sobre CoP realizados neste trabalho, 79% dos respondentes concordam que o fato do

tema da comunidade estar bem delineado em torno de Java, não dando margem para

desvios sobre outros assuntos é um fator de adesão, envolvimento e permanência. Como o fator relevante tema, é derivado do elemento estrutural Domínio, pode-se afirmar que a primeira hipótese secundária foi confirmada.

• A atuação de membros respeitados pela comunidade é essencial para sua Gover- nança e a mantém ativa.

Doze afirmações foram localizadas na literatura relativas a Governança (Tabela4h), as- sunto de grande importância para a comunidade dos JUGs. Dessas, foram selecionadas cinco que analisavam o reconhecimento, por parte da comunidade, da importância da existência de um líder e/ou coordenadores dirigindo o grupo. Wenger, McDermott & Snyder (2002), abordam extensamente este assunto, que denominam de Core Group (Capítulo 3, Figura 3), mostrando o papel relevante do líder comunitário, do grupo cha- ve e dos formadores de opinião (também denominados como “Gurus”). Paixão e energia são termos usados para caracterizar estas pessoas que assumem o papel de orientar a comunidade. A análise dos resultados, deste trabalho, faz com que possamos afirmar que a Governança é um fator relevante para o sucesso da comunidade, uma vez que em todas as afirmações referentes a esse fator foram bem aceitas por parte significativa da comunidade (86,4%), no que diz respeito ao elemento estrutural Comunidade. Assim, pode-se afirmar que a segunda hipótese secundária atende ao modelo proposto por Wenger.

• O Aprendizado é um dos principais fatores determinantes para a participação da

comunidade em grupos estruturados de desenvolvedores.

A comunidade afirmou maciçamente (90,6%) que Aprendizado é a principal razão para seus membros se congregarem nos JUGs brasileiros. Das vinte e duas afirmações relati- vas a Aprendizado localizadas na literatura (Tabela 04m), cinco foram selecionadas por permitirem identificar, junto a comunidade respondente, sua opinião sobre o motivo pe- lo qual se associam aos grupos de usuários. Como Prática é o elemento estrutural asso-

ciado ao fator Aprendizado, confirma-se a terceira hipótese secundária deste trabalho, de forma contundente. Pode ser verificado que os JUGs brasileiros são fonte de apren- dizado e seus membros os procuram para obter informações que lhes permitam obter sucesso profissional e algum tipo de satisfação pessoal. Ao oferecem recursos de com- partilhamento de conhecimentos, os grupos têm se apropriado de instrumentos impor- tantes para a disseminação das melhores práticas profissionais.

Assim, concluímos que as pessoas participam dos JUGs porque querem aprender. Es- ta afirmação, junto com a hipótese primária desta dissertação, ou seja, que os elementos estru-

turais de uma CoP (Domínio, Comunidade e Prática) estão presentes nos JUGs brasileiros,

nos mostra que a estrutura comunitária dos JUG é aderentes ao modelo definido por Etienne Wenger, e estas são as duas principais constatações que se destacam do presente trabalho. Portanto, foi possível identificar os três elementos estruturais de uma Comunidade de Prática (Domínio, Comunidade e Prática) na composição dos JUGs brasileiros e, por isto, estes são aderentes às características encontradas nas CoP, confirmando nossa hipótese inicial.

A título de recomendações para estudos futuros, vale destacar as seguintes possibilida- des:

• Apresentar recomendações de características de CoP que possam ser apropriadas pelos JUG brasileiros. Foi determinado, para este trabalho, que um dos objetivos específicos (Seção 2.4.2) seria sugerir aos responsáveis pelos JUGs orientações sobre a condução de seus grupos. A literatura sobre CoP, apesar de recente, já é bastante rica em docu- mentos orientadores e podem servir de guia para o sucesso das CoP. Farto material bi- bliográfico de boa qualidade (livros e artigos de autores consagrados) pode ser reco- mendado nas listas de discussão voltadas para os coordenadores de JUG, bem como im- portante assunto para artigos nas revistas especializadas da comunidade Java brasileira. Sugerir aos lideres comunitários atenção aos fatores relevantes, Tema (Java), Gover-

nança (direcionamento comunitário) e Aprendizado são três fatores que podem contri-

buir significativamente para o crescimento e orientação da comunidade, como identifi- cado neste trabalho.

• Como se afirmou na Seção 2.1, a resultados aqui alcançados não podem ser inferidos para a comunidade Java mundial. Sabe-se que os resultados encontrados para os JUGs brasileiros não encontrarão similaridade, pois a realidade dos desenvolvedores Java em

muitos países é completamente diferente daquela verificada no Brasil. Assim, justifica- se a realização de estudos desse tipo junto a essa comunidade no âmbito mundial e pos- teriores estudos comparativos entre os JUG, particularmente entre os grupos de usuários Java brasileiros com os de outras nacionalidades. Neste sentido, em Julho de 2005, em San Francisco, EUA, os resultados preliminares da presente pesquisa e os valores con- solidados das pesquisas nacionais Java anteriores foram apresentados a Matt Thomson, diretor do programa Tecnology Outreach & Open Source Program da Sun Microsys- tems e responsável pelo movimento dos JUG em todo o mundo. Frente a seu interesse e, conseqüentemente, de sua empresa, pelos resultados alcançados, planejou-se ensejar es- forços no sentido de repetir a mesma pesquisa junto aos 574 grupos de usuários Java de todo o mundo.

• Este trabalho levantou 234 fatores relevantes para as CoP, que foram agrupados em conjuntos que apresentavam características semelhantes:

− Em Domínio, foi levantado o fator relevante tema.

− Em Comunidade, foram agrupados os temas identidade, membros, emocionalida-

de, limites, comunicação, reputação, governança, cultura e tempo.

− Em Prática, foram agrupados os temas organização, ambiente, aprendizado e his-

tória.

Para garantir a exeqüibilidade da pesquisa no âmbito desta dissertação, foram levados em conta apenas os fatores que mais se destacaram na literatura consultada, restringin- do, assim, os fatores relevantes estudados a Tema, Governança, e Aprendizado, para os elementos estruturais Domínio, Comunidade e Prática, respectivamente. Para trabalhos futuros, propõe-se que os outros onze conjuntos de fatores relevantes não abordados na presente pesquisa também sejam objetos de estudo. Isso permitirá, por um lado, apro- fundar o conhecimento a respeito da comunidade Java e, por outro, contribuir com a á- rea de CoP por meio de um confronto dos conceitos preconizados pela literatura com a realidade de uma comunidade real.

• Durante a próxima “Pesquisa Nacional Java”, deverá ser verificada a progressão históri- ca dos lados levantados neste trabalho e possíveis alterações nos objetivos e interesses da Comunidade.

formação em Pedagogia, habilitação em ensino fundamental e especialização em defici- ência da áudio comunicação) a refletir sobre os processos de aprendizado que ocorrem nos grupos de usuários. Este autor entende que os elementos estruturais básicos das CoP (Domínio, Comunidade e Prática) são fundamentais para o entendimento das relações pedagógicas que ocorrem nos grupos de usuários pois, como visto ao longo de todo este trabalho, as CoP favorecem a troca de conhecimentos entre os pares ou, como afirma o próprio autor (LAVE &WENGER, 1991, p. 15,):

“Aprendizagem é um processo que ocorre em um meio participativo e não individual. É na comunidade, ou pelo menos naqueles que participam do contexto de aprendizagem, que o aprender se define. O aprendido é então distribuído entre os co-participantes e não é uma ação individual”.

Nesse sentido, é possível vislumbrar o prosseguimento deste estudo no sentido de se compreender as relações pedagógicas que ocorrem nos grupos de usuários, uma vez que, do ponto de vista do autor, a mais importante conclusão deste trabalho é que a-

prender é a maior motivação para que os desenvolvedores Java brasileiros se reúnam

em torno de grupos de usuários e, talvez, de qualquer outro grupo de pessoas que for- mem CoP. A interação entre os pares (peer to peer), a permanente troca de informações e conseqüente compartilhamento de informações entre colegas, de forma voluntária e colaborativa, sejam por meio de palestras técnicas, blogs, e-mails trocados, boletins

(newsletters) para a disseminação das melhores práticas e listas de discussão levam à