3. VEGETASJON OG BEITE
3.2 O MTALE AV REGISTRERTE VEGETASJONSTYPAR
A família exerce importante função para que seja conservada a ordem social, na reprodução, não apenas biológica, mas da estrutura do espaço social e das relações que nele se processam. É ainda um dos lugares fundamentais para acumulação dos distintos tipos de capitais, bem como de sua transmissão para as gerações posteriores; e atua como principal agente das estratégias de reprodução (BOURDIEU, 1996).
Para Bourdieu (1994), existe uma cronologia ordenada de experiências, na qual a família se exprime como primeiro espaço de socialização da criança. Isso é bem elucidado na seguinte citação:
O habitus adquirido na família está no princípio da estruturação das experiências escolares (em particular, da recepção e da assimilação da mensagem propriamente pedagógica), o habitus transformado pela ação escolar, ela mesma diversificada, estando por sua vez no princípio da estruturação de todas as experiências ulteriores (por exemplo, da recepção e da assimilação das mensagens produzidas e difundidas pela indústria cultural ou das experiências profissionais) [...] ( p. 80). A família, vista nesse contexto proposto por Bourdieu, é um princípio de constituição da realidade social, o qual é socialmente constituído e comum a todos os agentes socializados. É, por assim dizer, um dos elementos que compõem o habitus, essa estrutura mental, individual e coletiva (op. Cit.).
O processo pelo qual o habitus passa, ao ser assimilado pelo sujeito, pode ser percebido nas primeiras experiências no ambiente escolar, quando a criança é posta em contato com diversas maneiras de pensar e agir, novos costumes, outros valores; enfim,
quando uma cultura então surgente é posta diante dela. É, portanto, um momento de novas aquisições, e a escola torna-se um espaço onde as experiências evidenciarão seu modo de ver, encarar e se expor ao mundo. No decorrer de sua trajetória social, no entanto, essas condutas são alteradas, sofrem alteração, podendo ser transformadas ou confirmadas, involuntariamente.
Assim, o ser humano recebe influências do meio, mesmo de modo inconsciente, as quais vão determinando seu habitus, que converge para uma reprodução do contexto no que foi incorporado durante sua história. Esse complexo de relações no ambiente escolar pode ser percebido, em uma situação hipotética, em que se observe o ingresso de alunos em um determinado sistema de ensino, que independendo da classe social a qual pertençam os estudantes, todos sejam alocados em uma mesma sala de aula. De um modo geral, supõe-se que as distinções deverão se manifestar, entre estes, nos procedimentos, nos costumes e na própria maneira de recepção dos conteúdos. Isso denota a apreensão de um capital anterior ao escolar, uma herança cultural, transmitida pela família, e que é ajustada segundo seu nível sócio econômico3. Nesse aspecto, o modo como a pessoa assimila a cultura familiar influi no modo de sua aquisição da cultura escolar (erudita) (BERTOLETTI E AZEVÊDO, 2006).
Em síntese, toda pessoa, no princípio de vida, dá início à constituição de um habitus por intermédio de elementos culturais, dos costumes que estão postos pela sociedade e que lhe são transmitidos pela família. Isto pode acontecer intencionalmente na inculcação de habitus, culturais como a leitura, a frequência a teatros, a museus e outros comportamentos ensinados; também indiretamente, pelo contato com determinado tipo de gosto, de postura, dos quais a pessoa vai se apropriando sem mesmo perceber. Bourdieu recorreu ao termo capital como metáfora para falar das vantagens culturais e sociais que pessoas ou famílias possuem e, via de regra, os conduzem a um nível socioeconômico mais elevado. Esses componentes da herança familiar podem ser postos a serviço do sucesso escolar: o capital econômico, como bens e serviços a que ele dá acesso, o capital social, entendido como o círculo social de relações influentes que a família mantém, e o capital cultural institucionalizado, formado basicamente por títulos escolares. Nogueira e Nogueira (2002) acrescentam a ideia de que:
O capital econômico e o social funcionariam, na verdade, na maior parte das vezes, apenas como meios auxiliares na acumulação do capital
cultural. No caso do capital econômico, por exemplo, permitindo o acesso a determinados estabelecimentos de ensino e a certos bens culturais mais caros, como as viagens de estudo. O benefício escolar extraído dessas oportunidades depende sempre, no entanto, do capital cultural previamente possuído (p. 22).
Assim sendo, a tradição familiar ou a herança cultural, bem como costumes e hábitos que fazem parte do cotidiano doméstico, seja da cultura dominante ou dominada, são determinantes na relação escolar dos sujeitos e definem suas ações e o jeito como se apropriam das mensagens culturais transmitidas pela escola. A esse respeito Bourdieu assinala:
Na realidade, cada família transmite a seus filhos, mais por vias indiretas que diretas, um certo capital cultural e de um certo ethos, sistemas de valores implícitos e profundamente interiorizados, que contribui para definir, entre coisas, as atitudes face ao capital e a instituição escolar.A herança cultural, que difere, sob dois aspectos, segundo as classes sociais, é a responsável pela diferença inicial das crianças diante da experiência escolar e, consequentemente, pela taxas de êxito (BOURDIEU, 2007, p. 41, 42).
Esse capital cultural a que Bourdieu se refere é produto da incorporação de uma cultura familiar, resultado de inculcação e assimilação, tendo o tempo como principal esteio. É, pois, um trabalho de investimento pessoal que passa a fazer parte do indivíduo como um só corpo integrando o ser. Considerando o tempo como principal fator de aquisição, não pode ser transmitido sem levá-lo em conta. Está propenso a funcionar como capital simbólico, exercendo um efeito de reconhecimento no mercado de bens culturais. O ethos, por sua vez, se refere à atitude do sujeito quanto às expectativas futuras ou a interiorização de um devir em condições objetivas atribuídas aos membros de uma mesma classe. Por conseguinte, se desenvolve a lógica de interiorização que transforma as oportunidades objetivas em esperanças ou desesperanças subjetivas (idem). Esse movimento de interiorização de estruturas exteriores é completado pelo habitus e exteriorizado pelas práticas dos agentes.
Para melhor entendimento de todo esse esquema de ação e perpetuação da estrutura objetiva, convêm ressaltar a visão de Bourdieu sobre as três modalidades de estratégias de investimento escolar, que em geral são abraçadas pelas classes populares, a pequena burguesia e as elites.