3. VEGETASJON OG BEITE
3.3 H EIEVIS OMTALE AV VEGETASJON OG BEITE
3.3.1 Heiar vest for Kvina
história de vida, ao participar de um estudo cuja estratégia de coleta de dados foi realizada com origem no “ateliê (auto) biográfico”. O ateliê é uma proposta que registra a história de vida numa dinâmica integradora do passado com o presente e o futuro do sujeito, e procura fazer emergir seu projeto pessoal (DELORY-MOMBERGER, 2006). Enfoca a dimensão do relato como constituinte da experiência do sujeito e a história de vida como espaço de mudança aberto ao projeto de si.
Nessa experiência, tive a oportunidade de obter conhecimentos sobre essa técnica em leituras e discussões, desenvolver relatos autobiográficos de maneira oral e escrita, envolvendo atividades individuais e coletivas em um grupo de seis pessoas, incluindo os sujeitos da pesquisa e duas pesquisadoras.
Ao refletir nessas atividades, compreendi que poderia fazer uso dessa abordagem e que seria de grande contribuição à minha pesquisa acrescentar a ideia de desvelamento do Projeto de formação dos estudantes. Assim, passei a enfocar o pensamento de Pierre Dominicé, ao ressaltar que
A vida é o lugar da educação e a história de vida o terreno no qual se constrói a formação [...], a análise dos processos de formação, entendidos numa perspectiva de aprendizagem e de mudança, não se pode fazer sem uma referência explícita ao modo como um adulto viveu as situações concretas de seu próprio percurso educativo (Apud NÓVOA, 1992, p. 24).
Nesse sentido, a possibilidade de produzir conhecimento mais apropriado para compreender melhor os estudantes do Curso de Música-licenciatura da UFCA, como
pessoas e profissionais docentes, se constitui, no âmbito da história de vida, como tática por situar-se justamente no ponto em que se cruzam vida individual e contexto social. 3.5.1 Os fios e o tear: dos sujeitos da pesquisa e do ateliê
Mantendo como meta investigar o modo como é constituído o habitus docente em estudantes do curso de Música licenciatura da UFCA, ou como esses estudantes se constituem professores com base no relato de suas histórias de vida, optei por trabalhar com seis estudantes do Curso, especificamente, dois de cada uma das três turmas que primeiro ingressaram nesse programa de graduação. No percurso da coleta de dados, no entanto, permaneceram apenas cinco que cumpriram todo o processo do ateliê, na elaboração de suas (auto) biografias.
A priori, esses sujeitos entre si parecem ter percursos diversificados, se forem considerados alguns aspectos, como idade, trabalho, origem familiar, religião, dentre outros. Esses estudantes foram meus alunos durante, no mínimo, dois semestres, e o que determinou sua escolha foi visualizar neles intensiva tendência à obtenção de sucesso acadêmico e profissional.
A análise que fundamentou a definição dos perfis a serem investigados não se ateve à mensuração por intermédio de notas, mas a respostas alcançadas por esses sujeitos a objetivos propostos em disciplinas por mim ministradas, em que eles estiveram matriculados. Essas respostas foram caracterizadas na participação em discussões orais desenvolvidas na sala de aula, na escrita de textos, artigos, relatórios e portfólios produzidos durante as disciplinas. Outros aspectos, que também fizeram parte do perfil almejado, se mostraram no dinamismo expresso em ações no contexto de outros espaços formativos proporcionados pelo Curso, como monitorias, pesquisa, projetos de extensão, que evidenciaram comprometimento dos sujeitos com sua formação. Todas essas peculiaridades colaboraram para defini-los como um grupo que pode dar um bom direcionamento às questões levantadas na pesquisa.
Quando começamos as atividades de pesquisa com o ateliê, apenas dois desses sujeitos eram egressos do Curso e participavam do quadro de docentes do Curso, como professores substitutos; outros dois eram formandos e os últimos dois cursavam o 5º semestre.
Definida a escolha do grupo, fiz o convite individualmente e obtive na totalidade a aceitação para fazerem parte como sujeitos de minha pesquisa na perspectiva do ateliê. Em seguida, adiantei uma conversa com o grupo, buscando perceber o grau de comprometimento e engajamento que teriam com a pesquisa, considerando que as narrativas autobiográficas devem ser constituidas no contexto de um procedimento que exige uma constância nos encontros, realização de atividades escritas e uma série de etapas.
A dinâmica de realização do ateliê teve como inspiração e suporte os trabalhos de Josso (2004) e Delory-Momberger (2006) e ocorre desde momentos de escrita, fala, leitura e escuta de narrativas (auto) biográficas - que tenham como eixo as “experiências
formadoras” de seus autores - bem como momentos de estudo de textos sobre a
abordagem (auto) biográfica. Assim, propus a realização de no mínimo nove encontros quinzenais.
As atividades foram organizadas por etapas, no seguinte formato: 1) aproximação com o grupo, 2) primeira narrativa (dois encontros), 3) segunda narrativa ( quatro encontros), 4) transposição do relato oral para a escrita pelos sujeitos, 5) explicitação dos projetos futuros, 6) avaliação do ateliê e 7) entrevista de explicitação. As duas primeiras etapas foram intercaladas por estudos de textos relacionados à abordagem (auto) biográfica. Cada etapa correspondeu a um ou mais encontros.
3.5.2 O trabalho com narrativas
Vivemos hoje em um sistema social que, de maneira consciente, nos envolve em um contexto de ação sem reflexão. De modo generalizante, tomamos o que outros fazem como padrões a serem repetidos, e, pelo discurso daqueles que se colocam em evidência e pelo estimulo da mídia massiva, acabamos agindo sob pontos de vista que não são os nossos. Com efeito, abrimos mão de quem somos, da liberdade que deveria nos pertencer e da capacidade de ver, entender, significar e agir sobre o mundo por nós mesmos (CUNHA, 1997).
Em tal circunstância, trabalhar com narrativas traz em sua proposta tornar a pessoa visível a si mesma, ao olhar para si, debruçando-se sobre sua história. E, assim fazendo, passamos a compreender esse emaranhado de ações e produções sociais, podendo refletir e agir criticamente sobre a realidade em que estamos inseridos.
Nesse contexto, as narrativas não são simplesmente descrição da realidade, mas
“produtoras de conhecimento que, ao mesmo tempo que se fazem veículos, constroem os condutores” (idem p. 190).
E, ainda, “narrar não é descrever, é reescrever. Interpretar a narrativa experiencial
não é interpretar objetivamente o presente com um encadeamento casual de um passado: é subjetivá-lo para projetá-lo no futuro” (CORREIA, 2003, p. 37).
Desse contexto, emerge esta indagação: formar um professor é possível? Formar não, formar-se! O professor forma a si mesmo mediante suas inúmeras interações, não apenas com o conhecimento e as teorias aprendidas nas escolas, mas também com a prática didática de todos os seus antigos mestres e outras pessoas, coisas e situações com as quais interagiu em situações de ensino durante toda a sua vida (NÓVOA, 1997, p.28). Tomando esse mote, apresento a discussão das histórias de vida dos autores, dando ênfase aos processos de constituição do ser professor de Música.
4. CONTA-ME TUA HISTÓRIA: DE COMO NOS CONSTITUÍMOS