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7. Avslutning, oppsummering, konklusjoner

7.4 Nyhetskultur og hegemoni

5.1. Agricultura e representação política no governo provincial.

A análise dos relatórios e falas para as décadas finais do século XIX apontam uma tendência dos políticos da província em defender a atividade agrícola. Os administradores se expressaram claramente na defesa de práticas que contribuiriam para o desenvolvimento da agricultura, como a construção de ferrovias para o escoamento da produção, pontes que favoreceriam o transporte, dentre outras medidas, como a criação de escolas agrícolas de aprimoramento do trabalho na lavoura, etc. À guisa de exemplo, cito a discussão que se prolongou em alguns relatórios e falas, a respeito do traçado da Estrada de Ferro de Leopoldina. O presidente Pedro Vicente de Azevedo discutiu uma medida sua que modificou o traçado desta ferrovia, no trecho de Bocaína a Leopoldina, na Zona da Mata, não permitindo mais passar pela cidade de Leopoldina. Para o presidente, esta modificação permitiu um encurtamento da ferrovia, que traria uma economia de subvenção significativa para os cofres provinciais, além do fato de o terreno anteriormente traçado ser acidentado e improdutivo. Um trecho do seu relatório é sugestivo. Ao defender que o traçado deveria beneficiar a agricultura ao invés do comércio das cidades, o presidente afirmou:

“Se a cidade de Leopoldina é por ventura prejudicada com o afastamento da estrada, cumpre atender por outro lado que este fato traz lucros à lavoura, à empresa e aos cofres públicos, e não estamos ainda em circunstâncias de fazer estradas de ferro, que prefiram o comércio das cidades aos interesses da lavoura; porquanto esta é quase que a nossa única fonte de rendas, e não temos e nem poderemos ter tão cedo cidades que por sua indústria possam, já não digo sustentar por si caminhos de ferro, mas obrigar estes a deixar em seu proveito, aliás incerto e falível, os produtos conhecidos de uma agricultura já feita e que se aumentará infalivelmente com as facilidades de transporte e de consumo.”566

Este privilégio dedicado à atividade agrícola mostrou-se evidente nos relatórios e falas também na ausência de informações mais consistentes relacionadas às demais atividades econômicas que não fosse a agricultura, na desilusão dos administradores em relação às minas de metais preciosos e na defesa da produção agrícola que costumava aparecer acompanhada de propostas que atendiam à expectativa de desenvolvimento econômico provincial que, na verdade, era sinônimo de desenvolvimento da agricultura.

Apesar de também apontar para o privilégio da agricultura no discurso dos administradores e notar uma preocupação em diversificar a produção agrícola, Francisco Iglesias não se deteve em uma característica fundamental no pensamento dos presidentes de Minas: apesar de identificarem uma diversidade na agricultura e na economia mineira, os administradores demonstraram preocupação com uma atividade agrícola específica centralizada numa região, a Zona da Mata. Iglesias não identificou a que tipo de agricultura os presidentes mineiros se referiam, se cafeicultura de exportação, se agricultura de abastecimento, se agricultura de subsistência. Não identificou as regiões que as medidas tomadas no governo provincial visavam beneficiar. Parte disso parece ter explicação no fato de que, ao tratar do tema da “lavoura”, o autor concentrou-se nas décadas de 1830, 1840, 1850 e fez uma referência à década de 1860 sobre a divulgação de obras de agricultura e indústria.567

Pelas referências dos relatórios e falas presidenciais e relatórios ministeriais, percebe-se que o autor não avançou sua análise para as medidas adotadas e as impressões e propostas dos administradores para as décadas de 1870 e 1880, quando a cafeicultura já estava consolidada na Zona da Mata mineira e era

566 AZEVEDO, Pedro Vicente de. Relatório de 1875. p. 31-32. 567

O historiador afirmou que, a partir de 1860, criado o Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas, esse expediente tornou-se comum. IGLESIAS, Francisco. Op. Cit., 1958. p. 64.

considerada a mais importante região de Minas, do ponto de vista econômico.568 Interessa frisar que ele se concentrou num período anterior ao da minha pesquisa, apesar de seu recorte abranger desde a década de 1830 até o final do Império. Ou seja, o retrato que Iglesias fez sobre a agricultura parece não abranger todo o período que ele se propõe a analisar, de 1835 a 1889.569

Ao discutirem a produção agrícola, os presidentes de Minas Gerais costumavam classificar as áreas que se dedicavam a este ramo da economia em regiões que produziam para o abastecimento de outras zonas ou para o consumo local, que produziam para exportação, mas também produziam para o abastecimento e regiões em que não havia exploração agrícola e/ou havia apenas produção de subsistência. De uma forma geral, os administradores descreviam a situação da economia nas diferentes atividades e localidades, que foram tratadas de forma diferenciada. A algumas atividades como a produção agrícola em determinadas áreas, foram dedicados maiores espaços e uma descrição mais detalhada da atividade, da sua importância para dada região. Além disso, os problemas que entravavam o seu desenvolvimento foram tratados e debatidos e as discussões referentes às soluções para tais problemas foram, em muitos momentos, bastante acaloradas. Isto é perceptível na análise dos anais da Assembléia Provincial Mineira. Mas é importante destacar que os presidentes fizeram uma classificação dos tipos de agricultura existentes, e não esconderam uma hierarquia nessa classificação, ao propor soluções para o crescimento econômico.

Os administradores traçaram um panorama da economia que, à primeira vista, explorava a diversidade econômica de Minas Gerais. As diversas regiões e atividades estavam presentes, porém, a forma de tratamento dedicada a uma delas demonstrou claramente uma escolha dos administradores que é indicativo da sua política econômica no governo provincial. A discussão sobre em que atividades e regiões investir estava explicitamente atrelada à atividade agrícola voltada para a exportação.

5.2 Zona da Mata: de sertão e zona proibida à região mais importante de Minas.

568

Sobre a formação e consolidação da cafeicultura na Zona da Mata mineira, ver: OLIVEIRA, Mônica Ribeiro. Op. Cit., 2005.

569

A Zona da Mata mineira não era só hegemônica economicamente, mas seus representantes impunham diretrizes na formulação de uma política econômica provincial. Os interesses das elites desta que era a região mais rica de Minas Gerais, transparecia não só no ato da apresentação de projetos de lei visando a beneficiar os setores cafeeiros, como também na aprovação destes. Os deputados da Mata defendiam a construção de estradas naquela zona de modo a viabilizar o escoamento do café das diferentes localidades para a Corte. Em Sessão de 19 de Julho de 1872, o deputado Manoel Gomes Tolentino,570 mostrou-se fiel defensor da cafeicultura na Mata. Afirmou ser conhecedor da Mata e de “suas mais palpitantes necessidades, e as dificuldades com que lutam os fazendeiros, para levarem os seus gêneros ao mercado”.571 Representante da região, asseverou que tinha a “obrigação de pugnar pelos interesses da importante classe dos fazendeiros” e disse ser “representante imediato da lavoura”.572 De acordo com o deputado, a classe comercial e muitas outras classes estavam cercadas de imensas garantias na sociedade, ao passo que:

“a nobilíssima classe dos fazendeiros, classe esta, donde emana o brilho e as riquezas do nosso belo país, tem menos garantias, além de gemer com contribuições. Se isso é exato, nós os membros da Assembléia Mineira, nós os enviados do povo, os representantes de uma província eminentemente agrícola, devemos procurar desenvolver as vias de comunicação. (apoiado)./Sr. Presidente, o que é o comércio sem a lavoura? E ainda acrescento: o que é a própria política sem a lavoura? O comércio, Srs., não toca ao seu zenith, não tem um progressivo desenvolvimento, se a lavoura também não tocar ao seu

zenith, não tiver um desenvolvimento a toda prova.”573

Segundo o deputado, a agricultura contribuía poderosamente para as riquezas do país e os fazendeiros contribuíam na mesma medida com a política nacional. Manuel Gomes Tolentino citou o município de São Paulo do Muriaé e o descreveu como um dos mais importantes da Zona da Mata e, portanto, de Minas. Um município “de futuro assaz lisonjeiro, pelos bons e laboriosos fazendeiros de que

570 Manuel Gomes Tolentino foi deputado provincial pelo 1º distrito em 1872-1873 e 1876-1877. Afirmou ser representante e morador da Zona da Mata mineira. Fonte: Anais da Assembléia Legislativa Provincial de Minas Gerais.

571 Ibidem. p. 33.

572 AALPMG, Sessão de 19 de Julho de 1872. p. 240. 573

se compõe, pela fertilidade de suas terras, pela amenidade e temperamento de seu clima”.574

Este município possuía o território todo voltado para o cultivo do café que era colhido em grande escala. Geralmente os deputados faziam uma descrição da região a ser beneficiada antes de apresentar seus projetos, como neste caso. Após comentar a importância do município de São Paulo do Muriaé, Manoel Gomes Tolentino, que afirmou ser “filho da lavoura” e “morador da Mata”,575 cobrou dos outros deputados a sua responsabilidade no melhoramento de tão importante região, mais uma vez justificando a ação do governo pelo argumento da compensação dos lucros obtidos com essa zona:

“Se esta verdade é intuitiva, se essa importante classe da sociedade tanto contribui para as riquezas do país, se os lavradores, como se sabe, pagam tributos, eles têm todo direito de exigir de seus representantes ou a revogação dos tributos ou os melhoramentos correspondentes.”576

E com esse argumento o deputado considerou que os fazendeiros mais importantes da freguesia de Glória do Muriaé e outros lutavam com imensas dificuldades na exportação de seus cafés e mais gêneros e, por isso, deveriam ser beneficiados com os consertos de uma ponte no rio Glória que ligava a cidade a importantes vias.577

Em outra sessão de outubro do mesmo ano, Manoel Gomes Tolentino578 defendeu também o conserto de uma ponte em São Paulo do Muriaé, por onde passavam as tropas que carregavam a produção do município. Segundo ele, um dos municípios “mais populosos e rendosos da mata”, com a lavoura “caminhando a passos agigantados”, sempre em desenvolvimento, “o café colhe-se em grande escala” e outros gêneros.579

Quatro anos depois, em 1877, Manoel Gomes Tolentino580 continuava a afirmar que representava imediatamente a lavoura, por ser natural de um distrito eminentemente agrícola, e por isso, defendia medidas para melhorias no município 574 Ibidem. p. 240. 575 Ibidem. p. 240. 576 Ibidem. p. 240. 577 Ibidem. p. 240.

578 AALPMG, Sessão de 13 de Outubro de 1873. p. 352. 579 Idem. p. 352-358.

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