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In document PENGEPOLITISK RAPPORT (sider 44-47)

Na organização, os seus diferentes intervenientes, têm visões diferentes da mesma. É crescente o uso de ontologias para estabelecer uma linguagem comum para partilha e reutilização de conhecimento. Neste contexto, um importante objectivo das ontologias é explicitar o significado dos conceitos para melhorar a comunicação.

Uma ontologia define um vocabulário específico usado para descrever uma certa realidade, mais um conjunto de decisões explícitas fixando de forma rigorosa o significado pretendido para o vocabulário. Uma ontologia envolve, então, um vocabulário de representação que captura os conceitos e relações dentro de algum domínio e um conjunto de axiomas, que restringem a sua interpretação (Guarino, 1998).

Segundo Uschold e Gruninger (1996), ontologia é o termo usado para nos referirmos ao entendimento compartilhado em algum domínio de interesse, o qual pode ser utilizado como uma infra-estrutura unificada para resolver problemas, evitando a redescoberta de resultados equivalentes. Por exemplo, a definição de uma ontologia para uma organização possibilita que conceitos já estabelecidos e que são comuns a organizações diferentes possam ser aplicados no desenvolvimento de sistemas de várias organizações. Isso diminui o tempo que se leva no levantamento de requisitos, pois, para uma organização específica, é utilizada uma especialização da ontologia mais geral, na qual os conceitos comuns já estão definidos e podem ser utilizados, prosseguindo no levantamento de conceitos particulares da organização específica.

As ontologias são um meio de superar este problema de heterogeneidade. Consegue-se atingir interoperabilidade, reconciliando as diferentes visões. No entanto, estas reconciliações são normalmente parciais, dependendo do ambiente organizacional – nem sempre o nosso colega concorda com tudo o que dizemos. Assim, podem-se definir ontologias parcialmente globais (de grupo) e locais (de cada elemento). O conhecimento de um elemento da organização poderá não coincidir completamente com a ontologia da organização, com o conhecimento que a organização pretendia que este detivesse. Também o que a organização pretende para um determinado elemento pode mudar com o tempo. Os agentes da organização acumulam conhecimentos com as suas experiências, com as suas vivências. Assim, o que é pretendido hoje para um elemento da organização poderá não ser suficiente para amanhã. As organizações enriquecem com os conhecimentos, experiências dos seus elementos, assim como os elementos enriquecem com a experiência e conhecimento da organização.

As organizações baseadas em conhecimento têm nos seus quadros técnicos qualificados, trabalhadores do conhecimento, cujo papel é essencialmente o de solucionar problemas. Com a concorrência existente, as organizações facilmente se apercebem de como é fácil perder um elemento vital da sua propriedade intelectual: conhecimento obtido ao longo das suas funções na organização. O desafio que se coloca às organizações, nomeadamente às organizações baseadas em conhecimento, é de lidar com o conhecimento de forma efectiva.

Assim, muitos negócios e empresas começam a reconhecer a importância da gestão do conhecimento organizacional.

As organizações são sistemas complexos, com uma cultura organizacional própria, caracterizada não só pelo que é explícito, mas sobretudo por um enorme volume de conhecimento e de relações informais que estão submersas e pouco visíveis, mas que representam uma grande parte do conhecimento organizacional (Selfridge et al, 1975).

A jeito de exemplo1, uma universidade ou outra instituição de ensino superior deve ser interpretada como uma organização de conhecimento intensivo (ou organização baseada em conhecimento). Uma universidade confina um conjunto de áreas de conhecimento e um conjunto relacionado de recursos humanos com diferentes áreas de interesse e competências. O objectivo primordial de uma universidade é a efectiva transmissão de conhecimento aos seus discentes, tendo subjacente a capacidade pedagógica, o conhecimento científico e as respectivas competências dos seus docentes. De modo a melhorar continuamente este processo (ensino-aprendizagem), práticas de partilha e reutilização de conhecimento entre os recursos humanos, práticas de I&D e consequentes práticas de inovação científico-pedagógica deverão fazer parte do processo de gestão do conhecimento de uma universidade.

A universalidade que, por sua vez, significa a totalidade, tem que ser uma realidade na forma como os vários públicos das universidades pensam, trabalham e se relacionam, é fundamental interiorizar que quanto melhor informado e quanto mais conhecimento detiver o todo (comunidade académica) melhor vai poder o indivíduo desenvolver o seu trabalho. Espera-se que os membros pertencentes a uma universidade através da adopção de uma atitude colaborativa, em que cada um dá o seu melhor, criem um ambiente de trabalho mais positivo e produtivo. Assim, cada um deve ter uma postura aberta ao diálogo, deve procurar partilhar a informação e o conhecimento e deve tentar motivar os colegas.

Contudo, a mudança é um desafio que fica frequentemente comprometido devido a uma certa inércia que resiste a novas abordagens, indispensáveis à aquisição das competências necessárias para mudar.

3.2.1 Tipos de Ontologias

As ontologias podem ser classificadas em cinco categorias (Gómez-Pérez e Benjamins, 1999): ontologia genérica, ontologia de tarefa, ontologia de método, ontologia do

1Este exemplo foi referenciado tendo em conta que o objecto em estudo é uma Instituição de Ensino Superior, nomeadamente a

domínio e ontologia da aplicação. Cada tipo de ontologia compreende um conjunto de classes, relações, funções e axiomas.

Ontologia genérica, define conceitos básicos que estão relacionados com um domínio específico e que servirão de suporte para todas as demais ontologias.

Ontologia de domínio, representa o conhecimento, as actividades, as teorias e os princípios básicos que governam um dado domínio.

Ontologia de tarefa, descreve um conjunto de tarefas que não estão necessariamente relacionadas com o mesmo domínio; ou seja, descrevem o vocabulário relacionado a uma actividade ou tarefa genérica.

Ontologia de método, descreve o processo de raciocínio necessário para executar uma tarefa, explicando os conceitos que fundamentam os formalismos de representação de conhecimento.

Ontologia de aplicação contém o conhecimento necessário para modelar uma aplicação.

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