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fundou, porém, na realidade, universidade

alguma. Primeiro porque se limitava a

estabelecer um nexo jurídico entre

Faculdades que já existiam, todas de

caráter profissional, e segundo. porque as

relações entre os estabelecimentos de

ensino eram de fachada, meramente

figurativas, e o todo, mal cimentado e

incongruente, sujeito ao con-

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tróle minucioso do M i n i s t r o da Justiça, e, mais tarde, da Educação c Saúde.

Nenhum aluno se sentia da Univer-sidade, mas desta ou daquela Faculdade. Nenhum professor ousava apresentar 0 titulo de " universitário", porque

o grande público e, às vezes, alguns de seus próprios colegas não saberiam explicar o sentido da palavra. Havia um nome, que nem todos entendiam, e da coisa que o nome rotulava ninguém sabia onde, quando e como funciona va... Era tudo um texto no "Diário Oficial" e um cabeçalho de papel tim brado. Nada mais.

Ao longo de vinte anos, essa entidade semi- real, teve metamorfoses. Mudou de título e, em vez de uma cidade, passou a denominar-se pelo nome do próprio país: Universidade do Brasil.

Criaram-se novas escolas por desdobramento das antigas. Da Faculdade de Medicina, nasceram as de Odontologia e de Farmácia; da Politécnica a de Química, da de Belas-Artes a de Arquitetura. A Escola Nacional de Educação Física emergiu do nada. Outra, a Faculdade de Filosofia, apareceu como travesti da efêmera Universidade do Distrito Federal. Foi um crescimento evidente. Uma adolescência promissora.

Continuava, entretanto. enfermando do mal da maturidade, a dependência por subordinação. O Ministro estabelecia os currículos, o Ministro escolhia os professores interinos, o Ministro distribuía as verbas, o Ministro designava o Reitor e os decanos das Faculdades, o Ministro resolvia da validade dos concursos, o Ministro dava ou negava, casa, mobília e aparelhagem, o Ministro aprovava os horários de aula !...

Depois veio o DASP a intervir, dia a dia mais, com aspereza e inciência.

Ora. a autonomia das universidades está na sua própria essência, revelada pela evolução histórica.

Embora o nome de "universidade" só viesse a ser aplicado ao conjunto escolar de formação cultural superior por volta do século XIV, a realidade universitária já estava constituída por um processo espontâneo de desenvolvimento, do XI ao XIII séculos.

E esse processo consistiu precisamente na reivindicação autonomica.

Os " universistas magistrorum et Scholarium", verdadeiros sindicatos medievais de mestres e estudantes das velhas escolas episcopais, sujeitas ao bispo e ao rei, pugnaram bravamente pela emancipação e, através de privilégios papais e reais, viram-se livres, de um lado da administração episcopal e de outro passo, da justiça real. Com auto-govêrno, com justiça própria e com o direito de conferir grau de licença e de doutorado, por si mesma, a Universidade, constituiu-se como um todo complexo e independente. E foi ai que tomou vulto e passou a desempenhar a alta função social que lhe assiste.

Universidade sem autonomia é como Estado semi-soberano ou sem soberania alguma. E' como Parlamento sem ordem do dia. E' como cinema sem écran.

Alguma coisa que não se chame uni- ve rs i d a d e e que tenha autonomia, pode ser uma universidade. Mas, qualquer coisa que se denomine universidade e não tenha autonomia, universidade não é.

Por isso mesmo os educadores brasileiros, reunidos no 9.º Congresso, em junho do ano findo, ao proclamarem a Carta Brasileira de Educação Democrática, sustentaram que o regime de autonomia era " inegável condição para a vida normal das universidades".

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Tinham razão ao afirmarem. Esta-vam com eles 10 séculos de tradição e o exemplo dos povoa contemporâneos do Novo e do Velho Mundo. São, vitoriosos, hoje, com a autonomia da Uni-versidade do Brasil, agora, e só agora, Universidade. — RAUL J. BITTENCOURT (Gazeta de Noticias, Rio).

A MAIOR ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE ENSINO NOTURNO

O trabalhador londrina que desejar melhorar sua educação, estudar uma arte ou aprender um ofício nos seus momentos de lazer conta com maiores

facilidades para realizar sua ambição do que os seus colegas de qualquer outra capital do mundo.

O Conselho do Condado de Londres, que sempre se distinguiu pelo tamanho c variedade de suas classes noturnas, voltou a organizar seus planos educativos, alterados pela segunda guerra mundial. Os 40 mil estudantes matri- culado., em setembro de 1945 já aumentaram para 200 mil nos primeiros meses de 1946. Em 1940 e 1941, quando

eram mais intensos os bombardeios da aviação alemã, a matrícula se reduziu a uma terça parte, porém as aulas não foram interrompidas, tendo muitas delas sido dadas em abrigos anti-aéreos. Quando cessaram os bombardeios, a matricula aumentou de 50% sobre o total de antes da guerra. Motive um aumento de interesse pelas aulas práticas, especialmente as referentes à confecção e concerto de móveis.

Este foi só um aspecto do trabalho realizado durante a guerra. Além das classes habituais, organizaram-se cursos de idiomas para 20 mil "coman-dos", instruiram-se 20 mil pessoas no uso de aparelhos de rádio-localização e se converteram milhares de obreiros

sem instrução em babeis torneiros e montadores, de acordo com as instruções do Ministério do Trabalho. Quando se verificou a escassez de pessoal especializado em algumas profissões, desde a mecanografia ao uso de aparelhos de projeção cinematográfica, o Conselho do Condado de Londres org a n i z o u os adequados cursos de instrução.

O ensino realizado fora das horas normais pode servir para passar nos

exames e obter t í t u l o s ou para ampliar os conhecimentos do própria ofício ou, enfim, para aumentar a cultura pessoal com disciplinas como literatura.

artes on o estudo de línguas estrangeiras. Nas aulas noturnas se pode apren der também arte dramática e declama-ção ou música em qualquer de suas formas e aplicacôes. O manual de classes noturnas publicado pelo Conselho do Condado de Londres enumera 400 temas ou disciplinas distintas, entre as qua i s figuram contabilidade, arquitetura, inglês básico, engenharia civil, dietética, corte e Costura, tapeçaria, jor- nal i s m o , etc.

Era breve, o Condado de Londres abrirá uma escola para hoteleiro. O plano de estudos foi organizado com a

cooperação dos melhores hoteleiros de Londres. Durará vários anos e abrangerá todos os aspectos do cuidado e ad-ministração de um hotel moderno. Ou-tra inovação será um curso d e d i c a d o

aos produtos plásticos.

Como l i i s t i i u t o s Técnicos foram criado, para que ampliem os seus conhecimentos os jovens de várias profissões,

foram instalados nos pontos mais próximos dos centros onde se p r a t i c a m es-

sas profissões. Assim, a Escola de Fotografia e Litografia fica situada nas proximidades da Fleet Street, onde se

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encontram os principais jornais de Londres; o Instituto Smithfield, onde se aprende tudo o que se refere ao comércio de carne, está situado nas imediações desse mercado, e o I n s t i t u t o de Ofícios Distribuitivos fica a cinco minutos da zona onde se encontra a maior parte dos grandes armazéns.

No entanto, nem todos os institutos noturnos do Condado de Londres se dedicam 80 ensino, técnico comercial OU superior. Em várias partes de Londres há institutos cujas atividades são Fundamentalmente recreativas. Os homens costumam se dedicar a certas ocupações como talha em madeira, carpinta-ria, rádio, fotografia, mecânica e automobilismo; enquanto as mulheres se dedicam ao estudo das artes domésticas em geral. — JOHN LITTLEFIELD (A Noite, São Paulo).

CURSOS UNIVERSITÁRI O S DE ESPECIALIZAÇÃO

Um dos característicos mais flagrantes da moderna cultura é, sem dúvida nenhuma, a rapidez com que ela evolui no sentido de uma especialização crescente, não só no domínio abstrato dos conceitos e dos métodos como no campo concreto das aplicações técnicas a que esses dão lugar. Por outro lado, a facili dade de comunicações, a variedade e

abundância dos meios de publicidade Fazem com que os progressos da ciência, tenham origem onde tiverem, alcancem rapidamente a máxima divulgação. Esta, porém, enquanto se restringe ao âmbito dos livros e revistas, raramente é o bastante para levar a um perfeito domínio dos progressos recentes da ciência, por parte dos profissionais já em atividade. Bastam, no máximo, para despertar a curiosidade e indicar as fontes.

Por largo tempo, a especialização pro- fissional foi desconhecida no Brasil; não apenas pela falta de oportunidade de

adquiri-la, mas, principalmente, por que o próprio meio profissional a dispensava e, às vezes, chegava a contra-indicá-la. Com efeito, num ambiente em que as relações sociais ainda são simples e as oportunidades de exercício das profissões pouco freqüentes, pode acontecer que o fato de um profissional ser especializado lhe traga mais desvantagens que lucros, por diminuir o número de suas oportunidades. Em tais meios, o que convém ao profissional é a posse de uma cultura básica e genérica que lhe permita exercer, bem ou mal, um grande número de atividades afins. O

efeito, porém,

da evolução (principalmente quando

acompanhada ou provocada pelo

desenvolvimento industrial ),

é inverter por completo a situação indicada. Nos meios muito evoluídos é o profissional não especializado aquele que

se arrisca a ficar sem emprego.

Longe estou eu de afirmar que o Brasil já tenha a t i n g i d o esta última fase.

Não se pode no entanto, negar que em algumas de suas regiões já estejamos francamente caminhando para ela. E' aos mais avisados e ao poder público que sempre coube preparar o caminho do

Futuro. Por isso mesmo, deve

ser motivo

de grande satisfação a assinatura pelo Presidente da República do decreto que, dispondo sobre a organização das faculdades de filosofia, ciências e letras, per-mite que nelas se introduzam cursos de especialização, cuja necessidade de há muito já se fez sentir. De acordo com esse decreto, o estudante, após cursar os antigos três anos de uma determinada seção, ainda poderá, num quarto ano. escolher matérias de especialização dentre as existentes no quadro de ensino da respectiva Faculdade. Este fato possui

inúmeras e preciosíssimas

conseqüências.

Já se tem dito que os cursos universitários em geral, e os das faculdades

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de filosofia em especial, não raro se Mantêm distantes e divorciados da realidade cotidiana, encastelados na torre de marfim de teorias abstratas das quais o graduado só se salva quando, em contato já com a prática profissional, aprende o que lá não aprendeu. Ora, um pouco de bom-senso e de reflexão bas- tam para mostrar que tal divórcio da realidade é, em geral, produto da necessidade de, na escola, dar-se apenas uma cultura básica e genérica que se, por um lado, é o fundamento indispensável de qualquer especialização, por outro lado é incapaz de, por si só, fornecer os elementos suficientes de que o profissional tem necessidade. A primeira função dos cursos de especialização é, pois, estreitar o contato entre o ensino, acadêmico e a realidade prática. E' na- tural que o estudante escolha, dentre as matérias de especialização, aquelas que melhor lhe sirvam para atender às exigências da vida prática. Os cursos de especialização possuem, assim, a virtude de trazer o ensino acadêmico para um contato mais intimo com a vida real.

Está claro também que, do momento em que se fala em "especializações", os cursos de especialização de fato tendem a multiplicar-se, no sentido, principalmente, das solicitações de meio ambiente. Uma vez admitida, pois, a existência de cursos de especialização, a ten- dência é para que o seu número aumente progressivamente. Ora. isto não só traz a vantagem de um paralelo enriquecimento do ponto de v i s t a puramente cul-tural, como permite que o contato entre o ensino universitário e as solicitações do meio ambiente seja o mais completo e perfeito possível. Haverá cursos que são oportunos agora: haverá cursos que só serão oportunos daqui a três anos;

haverá cursos que daqui a cinco anos já terão perdido sua oportunidade. Mas se se permitir essa constante renovação, a escola superior terá deixado de ser um organismo estático e tendente à cristalização para transformar-se em algo de vivo e que vive a própria vida do país.

Enquanto, porém, os cursos de especialização forem o privilégio apenas dos estudantes que, naquele momento, tenham completado o curso básico, estarão eles faltando a uma de suas maiores utilidades. Os cursos de especialização (de uma ou mais matérias) deverão poder ser seguidos sob a forma de cursos avulsos por pessoas que, formadas já há tempos, sintam a necessidade de completar ou renovar sua cultura profissional. Nos tempos atuais, com a rapidez com que a ciência evolui, um profissional perde facilmente contato com os mais recentes progressos verificados dentro do seu campo. A simples leitura dos últimos tratados aparecidos e das revistas publicadas freqüentemente não bas- ta para essa renovação de cultura, pois, muito freqüentemente, nesses progressos científicos incluem-se aperfeiçoamentos de técnica, por vezes crivados de minúcias, que somente o ensino teórico e prático ministrado por um professor capaz pede comunicar com eficiência. No dia, porém, cm que as as nossas univer- sidades dispuserem de um grande número de cursos de especialização abertos a todos os profissionais, não assistiremos mais a esse espetáculo profundamente melancólico que constitui a existência de profissionais envelhecidos, não pelos anos de sua vida, mas pela senec-tude de sua cultura. — MILTON DE SILVA Rodrigues. Estado de São Paulo, São Paulo).

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UM GRANDE EDUCADOR: