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Norwegian Research School in Bioinformatics and Biostatistics (NORBIS)

7 Evaluation of the research schools

7.10 Norwegian Research School in Bioinformatics and Biostatistics (NORBIS)

(Imagem miniatura do link do sítio do MP onde se encontra o ESTUDO)

O “arranjo espacial” da relação cidade-campo no Brasil resulta do movimento de conjunto das relações e ações realizadas e mediadas pelo Estado em contraposição às “classes territoriais”. Tal movimento se realiza numa via de mão dupla e teria a forma de uma espiral. Conforme o tema e o momento histórico, a projeção parte de certo lugar em direção a uma diversidade de lugares. A partir dos polos econômicos mais desenvolvidos, dá- se primeiro um movimento centrífugo e, em seguida, um movimento centrípeto de territorialização.

A forma geral deste “arranjo” é uma espiral que se prolonga horizontal e verticalmente sobre o território. O prolongamento horizontal resume-se no processo de desconcentração, na escala do território nacional, e, o de concentração, na escala das cidades - “polo”. O prolongamento vertical, resume-se na forma centralizada da horizontal desconcentração - concentrada.

A forma espiralada é a característica do traço que se projeta sobre o mapa do Brasil, unindo o movimento de conjunto, quando vistos em separado pela necessidade do recorte, à observação dos fenômenos coexistentes e interdeterminantes da territorialidade. Se vê realizar um movimento espiralado, centrífugo e centrípeto de expansão espacial, de modo a adensar as ocupações e relações em alguns polos, e estes, interligando-se entre si à escala nacional e daí, às escalas “latino-americana” e mundial. Visualizar tal fenômeno na paisagem demanda aceitar como inseparável a relação cidade- campo ou campo-cidade, considerando a dupla direção e as características das ações e das relações que se estabelecem num movimento de conjunto.

Um todo em rede de lugares interligados e que constitui o tecido que cobre o território brasileiro, o que num esforço de visualização caracterizaria o

“arranjo espacial” do Brasil. Como este todo espacial é e está em movimento, necessita-se do recorte para poder visualizá-lo.

A forma espiralada do movimento também projeta-se sobre “a nova regionalização” proposta por Ruy Moreira (in AGB, 2011), considerando “a nova divisão do trabalho”. Tal regionalização se reparte “em quatro grandes âmbitos”:

1º âmbito - A região do polígono industrial, [...] espaço que se estende de Belo Horizonte ao Rio Grande do Sul compõe a primeira região. Trata-se da faixa do território nacional imediatamente vinculada à indústria paulista e que reúne o grosso do mercado consumidor de classe média e alta do país.

2º âmbito - A região do complexo agro-industrial, [...] espaço formado pelos estados do Centro-Oeste e áreas circundantes do Sul, Sudeste, Norte e Nordeste, até onde chegam o relevo das chapadas e o ecossistema do cerrado. [...] A seqüência de cadeias que se arrumam ao redor de produtos de agroindústria, como a soja e o algodão, a exemplo da cadeia carne-grão- ração vinculada à produção da soja, e que aglutinam desde o setor primário ao quaternário em sua função, compõe o cerne da sua economia.

3º âmbito - A região de reserva biotecnológica, [...] espaço da imensa floresta amazônica [...]. A abundância de recursos genéticos e de água em ambiente tropical dá o tom regional, através do elemento que oferecem ao florescimento de uma economia centrada na bioengenharia e na biomassa.

4º âmbito - A região da indústria de não-duráveis e agroindústria. [...] espaço, por fim, constituído pelo Nordeste [...]. A transferência de muitas das indústrias de não-duráveis para esta região vai formando nela uma concentração desse ramo em nível nacional, uma região industrialmente identificada pela maior presença das indústrias de bens de consumo não- durável no país. Ao lado das quais mantêm-se ainda a velha agroindústria açucareira e se desenvolve a agroindústria de fruticultura irrigada, numa nova identidade regional dentro do país. (Ruy Moreira, in AGB, 2011)

A título de exemplificação...

Na perspectiva de exemplificar a “espiralidade” do movimento de conjunto, experimenta-se lançar o traço espiralado a partir da Capital Federal Brasília em direção à diversidade de lugares que a ela se ligam e se interligam, no presente e ou no futuro planejado. Territorialmente, as vias deste

movimento de ligação materializam-se nas redes de transporte, comunicação e energia, principalmente.

Um primeiro aspecto que se aponta é o perfil de cidade - metrópole nacional, cravada na interlândia do “complexo agro-industrial” que marca o “4º âmbito da regionalização brasileira” moreiriana. Entre outros aspectos, Brasília está: rodeada de, um complexo, diversificado e amplo circuito econômico industrial; posicionada estrategicamente no centro do continente sulamericano e, nos altiplanos divisores das águas brasileiras, que partem à norte, nordeste e sul. Trazendo contribuições de estudos recentes da dinâmica demográfica64,

aponta-se que:

Dando continuidade à caracterização das formas de Brasília, segue-se ao ESTUDO, segundo eixo de entendimento desta dissertação.

Primeiro, aponta-se dois dos cinco aspectos “obstáculo”, e ao mesmo tempo, “portadores de futuro” do chamado “Território 2A – Centro-Oeste”: 1) “Fortalecimento dos elos que se estruturam no arco Brasília-Anápolis-Goiânia, o que ajudará a região a se tornar um pólo de atração de empreendimentos de base científica e tecnológica e serviços de alta complexidade.”; e, 2) “Integração sul-americana baseada em complementaridade de recursos e projetos conjuntos, capazes de embasar uma agenda de desenvolvimento para o coração do continente.”

No mapa dos “territórios homogêneos”65da “visão estratégica nacional”

(Vol. I, p. 25) a cidade de Brasília é um ponto cravado na tríplice fronteira regional onde se encontra as linhas circundantes dos “Territórios 2A”; “2B1(Sertão Semi-árido Nordestino)”; “2B2 (Centro-Norte)”. Este mapa enxerga

64 Conteúdo extraído do Artigo Migrações Internas, IBGE, 2010, op. Cit. 65

“o País pela ótica da homogeneidade” e com isso faz de Brasília um dos dois únicos lugares que passam a ter quinze e não cinco “vetores de obstáculo e ao mesmo tempo portadores de futuro”. Assim, se triplicam as possibilidades de realizações do planejamento estatal dirigido à cidade.

Numa passagem mais adiante, se observa que a cidade de Brasília posiciona-se estrategicamente posicionada no mapa66 dos “conjuntos

territoriais construídos no âmbito no módulo 3 [...] – os quais enxergam o País pela ótica da força polarizadora das cidades” (Vol. I, p. 38). O dado da localização estabelece a relação entre esta (onde Brasília se inclui na “Macrorregião Brasil Central”) e as caracterizações anteriores, e reafirma:

Observe-se que os novos macropolos propostos (pontos azuis) se situam na área centro-ocidental do país (Palmas/TO, Cuiabá/MT, Campo Grande/MS, Uberlândia/MG, Porto Velho/RO, Belém/PA e São Luiz/MA), onde se deve reforçar as cidades para que sejam capazes de polarizar o grande espaço econômico do Centro-Oeste brasileiro e frear a concentração urbana e econômica no sul-sudeste. A escolha se deu basicamente em cima das capitais dos Estados, que já têm uma estrutura econômica minimamente consolidada, mas precisam ser reforçadas enquanto vértices de uma rede policêntrica de cidades capaz de desconcentrar e interiorizar o desenvolvimento do país no médio e longo prazos. A única exceção é Uberlândia, que tem o importante papel de contribuir para frear a concentração tanto de São Paulo quanto de Brasília. (Vol. I, p. 38)

Assim, Brasília tem campo aberto para influenciar as realizações territoriais à norte e à nordeste, dividindo a atração “natural” exercida por São Paulo com a cidade de Uberlândia/MG, ficando menos pressionada pela força centrífuga desta direção do “arranjo espacial”. Pode assim usufruir da grande potencialidade que lhe sobra, tanto de força centrífuga quanto centrípeta, nos eixos centro-norte e centro-nordeste. O movimento de conjunto das “linhas de ação” estatal e de (re)ação populacional e popular tende a exercer novas territorializações, intra e inter expandindo-se, e, distribuindo-se a pavimentação da rede (infra e supra) estrutural e, os locais de trabalho e de morada das “classes territoriais”.

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Assim, e nessa expansão centrífuga e centrípeta da região de Brasília, convivem, no mesmo lugar, mas em datas distintas, os movimentos populares do “espaço campo-rural”, por exemplo “A Marcha dos Sem Terra”, organizada pelo MST (Movimento dos Trabalhadores Sem Terra), e, os movimentos populares do “espaço urbano-cidade”, por exemplo os “Meninos da Ceilândia” e “CUFA – Central Única das Favelas”. A existência territorial simultânea fortalece a ideia moreiriana de movimentos, e portanto, e de existência das “classes territoriais”. Falta-lhes a sincronia histórica do tempo e, para Ruy Moreira:

A história é espaço porque é movimento em pleno devir; e sem materializar-se em formas espaciais concretas, o devir não se efetiva e a história inexiste. Sendo o próprio movimento do devir configurado, o espaço não é o que a história deixou para trás, e agora amarra seus passos como coisa inerte. O espaço compõe a própria lógica das determinações, e só no interior desta dialética pode ter sua lógica desvendada, e, então, pode propiciar o desvendamento da lógica e direção das determinações da história. (OR, p.15)

A complexidade existencial dessas “classes territoriais” de Brasília pode-se se encontrar, até o presente momento histórico, na temporalidade musical da composição de Renato Russo, denominada “Metrópole”:

"É sangue mesmo, não é mertiolate" E todos querem ver

E comentar a novidade.

"É tão emocionante um acidente de verdade" Estão todos satisfeitos

Com o sucesso do desastre: Vai passar na televisão "Por gentileza, aguarde um momento. Sem carteirinha não tem atendimento - Carteira de trabalho assinada, sim senhor.

Olha o tumulto: façam fila por favor. Todos com a documentação.

Quem não tem senha não tem lugar marcado. Eu sinto muito mas já passa do horário. Entendo seu problema mas não posso resolver:

É contra o regulamento, está bem aqui, pode ver. Ordens são ordens.

Em todo caso já temos sua ficha. Só falta o recibo comprovando residência. Pra limpar todo esse sangue, chamei a faxineira -

E agora eu vou indo senão perco a novela E eu não quero ficar na mão

(“Metrópole” - Legião Urbana - Composição: Renato Russo)

O descrito e supra citado, é um exemplo da “espiralidade” do “arranjo espacial” da relação cidade-campo no Brasil, ou seja, da forma espiralada do movimento de conjunto de relações e ações interdeterminantes ao próprio espaço geográfico brasileiro, no caso, de Brasília. E, logo, da projeção espiralada do movimento de conjunto que delineia o Brasil que viveremos.