7 Evaluation of the research schools
7.4 Norwegian Research School on Dynamics and Evolution of Earth and Planets (DEEP)
Ano Expansão Industrial
Expansão da Agricultura Mercantil Expansão da Capacidade Energética Produção de Bens Intermediários (% S/Consumo) (1939 = 100) (1939 = 100) (mil kw) Aço Cimento
1921 40 65 371 - - 1922 48 68 382 - - 1923 48 71 395 - - 1924 48 64 465 - - 1925 49 63 507 38 - 1926 50 64 591 53 3 1927 55 72 649 61 11 1928 58 73 707 58 16 1929 56 77 706 70 15 (p. 105) Conforme se vê na Tabela 6:
[...] a divisão interna do trabalho é um processo que inclui já uma suficiente diversificação agrícola e fabril, esta última visivelmente na relação entre produção e consumo de aço e cimento. (p. 104)
Justamente nesta conjuntura interna, com a possibilidade de se ter uma aceleração do desenvolvimento do capitalismo a formas sucessivamente avançadas, sem que se precise realizar radicais transformações estruturais, e, com isto, pondo nas mãos da oligarquia a direção desse desenvolvimento [...]. (p. 105)
O corporativismo acaba, assim, traçando o reordenamento e direcionamento do caráter monopolista do capitalismo que se realiza, “particularmente”, no território nacional. Visto que, além de direcionar investimentos e políticas de desenvolvimento, há que se cuidar das contradições que se aprofundam, tanto no bloco dos dominantes quanto na relação entre suas realizações e as condições de vida dos dominados e, portanto, inclusive no jogo entre dominantes e dominados.
É nesse passo que o poder de Estado se torna uma combinação de aparatos, de modo a que a distribuição desses aparatos de governo entre
as frações de burguesia forme um bloco articulado e compartilhado por todas as frações de dominantes. É assim que cada aparato e o seu conjunto formam o lugar de concerto das contradições intradominantes, isto é, de hegemonização e alianças intra e extrabloco do poder, conferindo a cada fração do bloco dominante participação e poder no movimento [...] do próprio Estado e dos métodos produtivos.
Internamente assim reestruturado, o Estado adquire o caráter de uma ampla ramificação da hegemonia do bloco industrial-agrário pelo interior da sociedade civil, através de organismos como comissões, conselhos institutos, fundações, simpósios, por meio dos quais incorpore, por cooptação direta e indireta, intelectuais, professores universitários, entidades de classes, e organize o “intimismo à sombra do poder” que Lucácks já observara em suas análises [...].21 (p. 106)
Ruy Moreira apresenta a forma básica do funcionamento deste sistema de concerto, que, ao mesmo tempo, opera o avanço do capitalismo e assenta as contradições vividas pela sociedade e na sociedade.
Definido como o conjunto das práticas e valores mediante os quais o Estado atrai as contradições de classe do interior da sociedade civil para dentro de si e as devolve à sociedade civil como políticas de manipulação de massas, o corporativismo no Brasil se caracteriza pela forma como se viabiliza: a dupla e articulada tutela estatal sobre o trabalho, via aparatos do trabalho e da educação. (p. 107)
[...] O percurso da instauração do Estado Corporativo é o da subordinação simultânea e imbricada do sindicato operário e da cultura operária à burocracia estatal.
A criação do Ministério do Trabalho, Industria e Comércio (MTIC), em 1931, é a montagem do aparato com que o capital captura e opera pelo Estado o controle das relações de trabalho, através da pletora de leis que se inicia com a Lei n. 19.970, de 19-03-31, que subordina os sindicatos à burocracia deste ministério, e culmina com o Decreto-lei n. 2.162/40, que institui o salário mínimo. A criação do Ministério da Educação e Saúde Pública, em 1930, (...) é a montagem do aparato com que o capital captura e opera pelo Estado a produção da cultura operária, deslocando-as das mãos do operariado para as da burocracia desse ministério.22(p. 107-108)
21
A OR indica ver El assalto a La razón e El joven Hegel y los problemas de La sociedad capitalista. (p. 106)
22
Segundo a OR, “Na antecedência da criação do Ministério da Educação em relação à do Ministério do Trabalho, ambos em 1930, em março e novembro, respectivamente está provavelmente o entrecruzamento dos movimentos da “Escola Nova” e do “Fordismo”.” (p. 108)
[...] Os sindicatos têm que se organizar por categoria e lugar, cada categoria não podendo criar mais do que um sindicato em um mesmo lugar. Os sindicatos articulam-se no interior da categoria que representam, segundo uma hierarquia em que se sucedem sindicato-federação- confederação e tem encimado o Ministério do Trabalho. (p.109)
A estrutura verticalizada da representação sindical cindida por categorias e lugares, ao mesmo tempo em que reforça o caráter da divisão interna do trabalho e as contradições que esta carrega no seio da sociedade, as encaminha para o colo do Estado, para que ele, munido da instância de acerto jurídico, oriente-as ou amenize-as. Ainda mais forte se torna o Estado quando, junto disto, opera a formação cultural da sociedade mediante os aparatos da educação.
[...]Solidárias à substância corporativa, as normas do trabalho que a burocracia do Ministério do Trabalho vigia são as mesmas sustentadas pelas da cultura produzida sob a vigilância dos burocratas do Ministério da Educação. Imbricadas nessa reciprocidade orgânica, as burocracias ministeriais-secretariais do trabalho e da educação exprimem a encarnação máxima do Estado corporativo. (pp. 109-110)
Esse universo de regulações via aparatos do Estado forma o pressuposto necessário à “reformulação da política financeira da acumulação agromercantil, em que a realização externa do valor institui a moeda externa como a forma equivalente e, em consequência, cria internamente timidez dos meios de pagamento23 e faz a conjuntura interna subordinar-se às conjunturas cambiais.” (p. 110)
Assim, e devido à conjuntura de ociosidade das indústrias,
[...] institui-se pesada política da valorização cambial e rígida seletividade de importações. Instituída por solicitação da “grande indústria” sob protestos das “indústrias regional-regionais”, a seletividade de importações de maquinaria e equipamentos terá caráter de verdadeira proibição de 1932 a 1937, e se estenderá até 1945 por força da eclosão da Segunda Guerra Mundial. (p. 111)
23
Em tal contexto também se faz necessário uma revisão no sistema tributário, pois, até o início dos anos trinta, a arrecadação pauta-se em 74% de tributação sobre importações. Soma-se aos motivos o “aprofundamento da divisão interna do trabalho, forjando a urbanização e os primeiros elos de unificação do mercado nacional”. (p. 111)
Subordinando o trabalho pela tutela sindical e escolar do proletariado, o corporativismo realiza, sob outra forma, o sonho “fordista” dos anos 20, de estabelecer a ditadura do capital sobre o trabalho a partir da racionalidade fabril, mas via dissolução aparente do antagonismo capital-trabalho na regulação que nega a ordem liberal. Fecha-se o ciclo da instauração corporativa com os aparatos Ministério do Trabalho e Ministério da Educação um na raiz do outro. O bloco industrial-agrário institui o “autoritarismo industrial”. (p. 112)
Nas próprias palavras de Ruy Moreira,
[...] o “autoritarismo industrial” é a própria generalização do autoritarismo dos grandes proprietários rurais ao todo da formação econômico-social brasileira no seu todo. Sob esta forma “modernizada” o autoritarismo dos agrários tupiniquiza a ordem corporativa “importada” dos Estados fascistas, estendendo-a para além dos limites das relações fabris via legislação trabalhista-sindical e cultural-escolar, com o “Estado Novo” e a Constituição de 1937. (p. 112)
A relação cidade-campo, tanto na sua configuração espacial produtiva quanto na forma como abriga a classe dos “dominados fundamentais”, é o ponto chave dos processos territoriais que encaminham o Brasil à formação econômico-social, singular e particular, diante da conjuntura interna e imperialista, e conforme se relaciona e se insere na mundialização do capitalismo.
A indústria assume papel significativo devido, sobretudo, à bidepartamentalização, pois torna-se o ponto de referência tanto dos polos produtores agrícolas quanto do mercado estabelecido entre as próprias indústrias de diferentes Departamentos e, ainda, entre a produção realizada nas diversas esferas da economia e a massa de assalariado-consumidores que se adensa sobretudo nas cidades. O processo de adensamento urbano dessa
“massa” é fruto da incorporação do campo como pletora de mão de obra à nova divisão interna do trabalho.
A bidepartamentalização em seu nível global estrutura o avanço do movimento de unificação das formas sociais heterogêneas, própria à transição à subsunção real. A bidepartamentalização fabril, por restringir-se ao triângulo Rio-São Paulo-Belo Horizonte, configura a ordenação desse movimento global nacional como sendo uma regionalização territorialmente polarizada. O desenvolvimento é desigual e combinado.
[...] No geral, a bidepartamentalização é um movimento na direção da unificação do mercado interno, de vez que é este próprio movimento, em virtude de um departamento ser o mercado do outro. [...] A mais-valia se realiza, então, no próprio movimento da reprodução bidepartamentalizada.24 (p. 118)
[...] Efetuar a formação do exército de reserva industrial é direcionar o movimento de desterritorialização do campesinato no sentido de criar a mobilidade territorial campo-campo e campo-cidade. (p. 119)
[...] O aprofundamento da bidepartamentalização global, visível no avanço da ramificação interna do setor agrícola e na inter-relação que esta ramificação revela entre agricultura e indústria, torna os anos quarenta um momento importante na passagem à estrutura espacial monopolista plena. (p. 119)
É nesta mesma década que se vê a intensificação da urbanização, na qual, “embora, já nos anos 1920, Rio e São Paulo comandem o movimento da urbanização, esta urbanização regional desigual ainda mais se acentua”. (p. 119)
TABELA 7 - POPULAÇÃO RELATIVA E ABSOLUTA NA INFLEXÃO URBANA/RURAL
Ano Total Urbana Rural
1890 14.333.915 1.433.391 (10%) 12.900.624 (90%) 1900 18.200.000 2.730.000 (15%) 15.470.000 (85%) 1920 27.500.000 5.500.000 (20%) 22.000.000 (80%) 1940 41.252.944 13.100.512 (31%) 29.152.432 (69%) (p.120)
24 Para exposição detalhada, Ruy Moreira indica O Desenvolvimento do Capitalismo na Rússia e Estudos
TABELA 8 - INFLEXÃO TERRITORIAL DA