7 Evaluation of the research schools
7.11 National interdisciplinary Research School Religion-Values-Society (RVS)
Ao término da análise, considera-se ter contribuído ao debate sobre o Brasil a partir de um pensamento que se propõe ser geográfico, pois projeta sobre “o arranjo espacial da relação cidade-campo no Brasil” um entendimento sobre o debate do movimento de conjunto que o constitui.
Considera-se o modo de “internalização do capitalismo” no Brasil ter alcançado os estágios avançados de desenvolvimento, considerando a forma como se apresenta o planejamento estatal nos idos de 2008. O discurso pautado na organização do “território como base do desenho das políticas públicas” amplia a oportunidade de se trabalhar a compreensão da geopolítica pensada e difundida, interna e externamente, pelo bloco de poder dominante. Com as projeções lançadas abre-se uma janela de diálogo e de futuras proposições que transcendem as instâncias decisórias. Possibilita, assim, que homens e mulheres das “classes territoriais”, exclusos de tais escritórios de planejamento estratégico, tenham acesso às informações por eles produzidas, imprescindíveis à compreensão do Brasil que vive(re)mos.
Assim, cria-se a oportunidade da concordância e da discordância em relação ao planejamento futuro, fundamentais às metas de se visualizar e trabalhar pelo Brasil que está por vir. Os cidadãos, ao menos os informados sobre o ESTUDO, poderão propor um redesenho das políticas públicas não mais se pautando em especulações ou paradigmas externos, pois agora, a solicitação do redesenho envolve replanejar aquilo que está traçado para o próprio país, e pelo próprio país, na obra pré-fabricada pelo Estado, que é o ESTUDO. Aqui se enaltece o feito considerando a riqueza de informações que se prestam à construção de um novo Brasil, seja no plano da realidade, seja no plano da intelectualidade, pois trata-se de uma ação presente de fundamental importância para o futuro.
Tal pertinência se confirma no previsto pela OR, pois lá já se aponta que por meio de seus aparatos, o Estado Nacional é um nato realizador da organização territorial na direção do que seu substrato político de composição
pretende. Nas “linhas de ação” identificadas, ficam à margem apontamentos específicos e metódicas avaliações de resultado às políticas de oferecimento de garantias ao pequeno produtor, bem como as de ajustes aos conflitos de ordem jurídico-política.
Resumindo, o Estado, que nem sempre é o realizador direto dos investimentos, é, através de seu aparato jurídico-institucional, a instância que detêm o poder de autorizar, aprovar, avalizar e abrir caminho para quem os pode fazer. Assim, o ciclo se repete, o Estado prepara o terreno às investidas dos setores produtivos privados, que também se aproveitam da fragilidade das economias regionais “menos dinâmicas”. Estes, ali se instalam, usufruindo de um sem número de benefícios por levar àquela determinada localidade: 1) elevação dos recursos recolhidos nas esferas municipal e estadual; e, 2) oportunidade de trabalho à população. Teoricamente, elevando o nível de qualidade de vida de quem passa a integrar a massa de consumidores que no entorno se instala.
Considerando a riqueza de informações que se prestam à construção de um novo Brasil, seja no plano da realidade, seja no plano da intelectualidade, trata-se de uma ação (presente) de fundamental importância para o futuro. Neste ponto, convergem o ESTUDO, a OR e a análise que se desenvolveu, convergência que se explicita no último parágrafo da Introdução da OR:
Se este trabalho-ensaio puder servir de estímulo ao debate e à “práxis” das lutas dos trabalhadores brasileiros, e do modo de colagem do saber geográfico com essas lutas, ter-se á atingido o escopo desejado. (p. 24)
Considerando os propósitos gerais supracitados observa-se a concordância entre os eixos de entendimento deste trabalho, justamente com relação ao “debate acerca da necessidade de se olhar o território como base do desenho das políticas públicas”, o que, necessariamente, passa por uma revisão sobre o “debate e à “práxis das lutas dos trabalhadores brasileiros e do modo de colagem do saber geográfico com essas lutas”.
Considera-se a relação cidade-campo como síntese do movimento de conjunto entre as ações do Estado e as (re)ações da população e dos
movimentos populares, os quais inserem-se em uma ordem de conflito de classes, denominada por Ruy Moreira como “classes territoriais”. O termo aparece quando se busca atualizar as proposições feitas na OR de 1985, sobretudo nas publicações do autor nos idos de 2011. Contudo, considera-se a atualização na forma das “classes territoriais” como indicação de que o movimento e a questão continuam em aberto, ou seja, pedem reforço de estudo e debate.
Na perspectiva de conclusão deste trabalho e de projeção para novos estudos, coloca-se a capital federal, Brasília, como exemplo de ponto inicial e final da projeção espiralada do movimento de conjunto que delineia o Brasil que viveremos, na forma do “arranjo espacial da relação cidade-campo”. A imagem é a de que Brasília pode ser vista como polo de partida e de chegada deste movimento espiralado e que, de tempos em tempos, e, sobretudo, de lugares em lugares, constitui e constituirá o Brasil que viveremos.
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