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Norsk-tyske kontraster

In document Visning av Volum 64 (sider 73-80)

O trabalho de pilotar envolve situações de alta visibilidade. Segundo Lima (2011), a visibilidade refere-se ao ato de tornar público os modos de fazer a atividade e supõe sempre um risco subjetivo porque exige defrontar-se com o julgamento e a reação do outro. Essa exposição faz parte da atividade aérea e pode trazer consequências sérias para a pilotagem se o piloto não souber lidar com ela.

A exposição pode levar o piloto ao desejo de impressionar (exibicionismo), ao receio de ser testado (processo de formação) e ser criticado e avaliado pelos outros, durante o desempenho das atividades. “Esses comentários no nosso meio não tem jeito... um fica analisando o outro... querendo ou não, a gente sempre está observando um ao outro”. “Até, na escola a gente faz isso... mas até o próprio aluno, ele sabe que vai ter a pressão”. “E até acaba sendo prejudicial, porque o cara fica nervoso de ver que tem 50 pessoas assistindo o pouso dele. Então, quando ele vai pousa longe da turma lá, ele faz um pouso bacana. Aí, quando ele chega ali na frente, ele quer mostrar que sabe, aí ele vai e erra e fica se cobrando”.

As pessoas também tem curiosidade a respeito da aviação. “Eu acho que, pelo próprio fato de você ter curiosidade com a máquina, então, até hoje, a gente escuta o barulho do helicóptero, na sala, a gente abre a janela pra ver que helicóptero que é e quem tá chegando”. “... quando é um helicóptero diferente, eu quero ver quem é que está chegando, que helicóptero que é, como que vai se aquele pouso e tudo”. “As vezes

que eu decolei aqui, sempre os pilotos ficavam por ali, estavam todos lá fora, o pessoal de pista vai lá pra fora pra olhar”.

O piloto também observa o outro para aprender. Ser observado e criticado de forma adequada pode contribuir para que a pessoa melhore seu desempenho no trabalho. “Os comentários são mais para enriquecer e apontar uma situação que deve ser alterada, que deve ser mudada”. Comenta-se diretamente para a pessoa. Porém, há comentários maldosos também. Quem vai atrás, no helicóptero, sente falta de um retorno (feedback) sobre o seu trabalho, pois não é visto como quem vai na frente. O trabalho também se torna visível pelas horas de voo que o piloto tem. As horas são registradas e servem para comprovar a atividade executada.

Ao contrário dessa parte visível, a atividade de pilotar tem aspectos que são invisíveis para quem não conhece a atividade aérea, dando a impressão que o trabalho é só voar e as pessoas não veem o trabalho que está por trás disso, ou seja, o trabalho de fazer voar. “Muita gente do DETRAN acha que a gente não faz nada, que a gente vai, voa uma hora por dia e acabou. Vai pra sua casa”. “É difícil explicar seu trabalho porque o DETRAN não nasceu para voar. É preciso sempre estar provando e mostrando o que faz, por que faz, como faz. Parece que a aeronave faz tudo sozinha”. Mas “se a gente não correr atrás... se não brigar nas lutas diárias aqui, ela não voa e não vai adiante”.

Além da tarefa que não é vista, também há a parte subjetiva que nem sempre se considera na avaliação dos resultados como a preocupação com o desempenho e a busca de aperfeiçoamento que visam garantir a segurança do voo. Nenhum piloto tem garantia de que seu voo será perfeito e que ele não terá problema nenhum. O piloto pode ter receio de não estar preparado para enfrentar situações incomuns e incertas que exigem muita habilidade e competência profissional. Em situações comuns de pilotagem de helicóptero, podem acontecer incidentes e acidentes cuja origem não se consegue jamais entender e que podem abalar e desestabilizar os pilotos mais experientes.

Embora haja planejamento do voo e se siga rigorosamente os procedimentos aeronáuticos, podem ocorrer no voo situações imprevisíveis como incidentes, panes e acidentes. As situações são treinadas várias vezes em busca do melhor procedimento, mas quando se foge a isso, usa-se a experiência do piloto para se tomar a melhor decisão. Para Dejours (2007), é o próprio sofrimento que guia a inteligência e lhe confere sua capacidade de intuir as soluções para as dificuldades de trabalho.

Os pilotos se esforçam para fazer o melhor, pondo nisso muita energia, paixão e investimento pessoal. “Se faz bem feito ou morre”. “... não é permitido errar. Seu erro

pode ser fatal. Pode arriscar sua vida e a de muitas outras pessoas”. “... o desempenho em pilotar, todo mundo se preocupa. Todo mundo quer saber se o voo foi bom, se fez um pouso seguro, se fez uma decolagem mais segura”. “Mas isso tem que ser. Isso é inerente ao piloto. Ele tem que se cobrar sempre”. Embora sejam feitos vários pousos corretos, quando se faz um “pouso duro” se fica chateado.

Quanto ao desempenho, evita-se fazer comparações, pois as experiências são diferentes. “Cada um tem uma habilidade maior”. “Eu posso ser muito bom na área técnica, mas posso não gostar da parte administrativa... no lado pessoal não ser muito bom”. “A gente tende a não ficar se comparando porque sabe que vai ser diferente”.

A pessoa procura fazer uma autoavaliação do seu desempenho. “Pro nível que estou, está bom do jeito que estou”? “Estou me dedicando o suficiente”? “Então, eu procuro não ficar aqui comparando a minha situação que é uma com a situação dele que é outra”.

Dejours (2008) defende a ideia de que uma parte importante do trabalho efetivo é invisível e assim não pode ser avaliada. O trabalhador, por mais hábil que seja, nem sempre consegue entender e descrever o trabalho efetivo. Sua inteligência está muitas vezes à frente da consciência, do conhecimento objetivo do trabalhador. Portanto, tudo o que pertence ao trabalho efetivo e não pode ser simbolizado não pode ser objetivado.

Outra preocupação do grupo é com as formas de comunicação. O processo de comunicação é precário, mas o grupo tem procurado melhorar a cada dia. Acredita-se que trabalhar por escala e trabalhar em dois locais diferentes dificultam a comunicação do grupo, pois não há como encontrar todos os dias as mesmas pessoas. “É diferente de você vir só pro trabalho aqui na sede. Estar todo dia aqui na sede. Todo dia estar com as mesmas pessoas. A comunicação com certeza é melhor do que você hoje está aqui de manhã (sede) e outro dia de tarde está na... (hangar). Outro dia de manhã está aqui”. “É por telefone, é por email. Pessoalmente ela é muito complicada”.

Também há problemas em mandar emails por causa da interpretação. A pessoa pode entender a mensagem de outra forma e levar para o lado pessoal e se ofender. O grupo acaba se encontrando apenas nas reuniões. Além disso, as atividades que são realizadas deveriam ser passadas para todos, pois nem todos sabem. “Essas mensagens, às vezes, por email é um negócio complicado porque às vezes você fala uma coisa, dá um recado com a maior boa vontade e aí se entende de outra forma. E pra você desfazer e querer escrever de novo demora”. “A questão da interpretação você pode colocar em número e a pessoa vai conseguir interpretar que depois do cinco não é seis é sete. Então

vai do ânimo que a pessoa está no momento, sabe, ela vai levar pro lado pessoal e acabou”.

A dificuldade de comunicação vai ter efeito nas relações interpessoais e pode influenciar as relações de poder. Para haver um espaço de discussão é preciso que as pessoas conversem, troquem ideias, negociem e cheguem a um acordo. Os modos de gestão também serão mais satisfatórios quando houver boa transmissão das normas, das tarefas e das ordens.

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