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Norsk poltikk for energieffektivisering og alternative energikilder

6 NORGE - REFORMER I ET VANNKRAFTSYSTEM

6.4 Norsk poltikk for energieffektivisering og alternative energikilder

E a comitiva de Benignus decide partir. Talvez em poucas vezes, destaca o narrador, havia se realizado um empreendimento de tamanha envergadura de for- ma tão organizada. Eram trinta pessoas, dentre elas o Dr. Benignus, M. de Fron- ville, Jaime River, Katini e um número considerável de camaradas distribuídos entre os mais diversos perfis. Eram “homens brancos e de cor”, alguns “mesti- ços”, portugueses, havia também um dinamarquês e dois alemães. 402 Conduziam

a comitiva e seus objetos sessenta animais, prontos a transportarem uma explora- ção que, nos dizeres de Benignus, exploraria em “diversos sentidos o vasto territó- rio da grande e formosa província de Minas, uma das primeiras do Império em interesse histórico e em riqueza de produtos naturais”. 403

O doutor não poderia deixar de potencializar sua prática científica. Levava um conjunto de objetos, sendo eles “instrumentos astronômicos”, “aparelhos res- piratórios”, “lâmpadas de luz eléctrica” e outros objetos que de tão atuais talvez ainda fossem desconhecidos no Brasil, com destaque as mais “modernas escafan- dras, vestimentas próprias para se descer ao fundo do mar ou dos grandes rios”.404 O sábio, por não ter conseguido “proteção e amor” de seus compatriotas e compa-

401 Ibidem, p. 121. 402 Ibidem, p. 106. 403 Ibidem, p. 124. 404 Ibidem, p. 124.

dres mais próximos, então se apartava deles, procurando auxílio em outras rela- ções e optando por mudar de terra. Diz o narrador, contudo, que de um modo ge- ral a humanidade se apresentava ao sábio a partir de um “rosto prazenteiro e modo sempre afável” 405, visto que Benignus, enquanto “cultor da ciência”, não negava

esforços heroicos para produzir um conhecimento que, diferentemente daquilo que se supunha pelos “sábios oficiais”, não deveria encastelar-se, mas antes ser disponibilizado a “todas as compreensões” na convicção de que o saber era útil aos “progressos da indústria e da civilização geral” 406. Tinha Benignus, assim, o

desejo de colaborar com as “aspirações morais e elevadas de seu tempo” e, para tanto, formulava suas singulares conclusões de forma sincera, a partir da criteriosa observação e experiência dos fatos isolados e gerais. 407

Embora, diz o narrador, viajar pelo interior do Brasil exija paciência em meio às possibilidades sempre presentes de perder-se na mata, o viajante depara- se em compensação com uma “natureza luxuriante” de mais variados painéis. A diversidade é tanta que

ao sair de uma mata silenciosa e agreste, onde todas as pompas da vegetação se ostentam com imponente majestade, surgem nos extremos do horizonte os árduos píncaros das cordilheiras, cachoeiras espumantes, rios caudalosos, e desdobram-se no fundo dos vales extensas e ondulantes planícies, comparáveis a mediterrâneos de verdura! 408

Assim, cabe à imaginação humana maravilhar-se e aos sentidos encanta- rem-se perante uma riqueza geológica e vegetal que não se esgota. Em meio a uma pluralidade de painéis que fazem da natureza algo grandioso e sublime, a romântica e consciente insuficiência do verbo (e até da imagem) se expressa com toda força.

Nem a palavra nem o pincel, essas duas sublimes expressões das formas exteriores para nós perceptíveis, poderão desenhar nunca a diversidade, a magnificência e o esplendor de tão ines- peradas e fantásticas transformações, que se sucedem a cada momento, nos desvios das quebradas, no alto dos morros, nas depressões irregulares do solo, quando se penetra no silêncio destes desertos, e eloquentes testemunhas das primeiras e enér- gicas palpitações deste imenso continente. 409

405 Ibidem, p. 125. 406 Ibidem, p. 125. 407 Ibidem, p. 125. 408 Ibidem, p. 132. 409 Ibidem, p. 133.

A comitiva encontra próximo a Barbacena um “velho mineiro”, “sertane- jo” ou “campeiro” que, em diálogo com Benignus, mostra-se bastante conhecedor da província de Minas Gerais. 410 O sertanejo diz a Benignus ter um irmão por meio do qual lhe chegara notícias de que certos “selvagens” ou “índios bravios” haviam aprisionado, na “margem direita do Araguaia”, viajantes que seguiam em direção a Tocantins. Na esperança de conseguir resgatar River, Benignus decide ir até o irmão de o sertanejo procurar maiores informações sobre tal ocorrido. Para chegar a Juca de Ouro Preto, irmão do sertanejo, a comitiva teria que caminhar até as redondezas de Uberaba, mesmo sabendo que para chegar até lá poderia demo- rar mais de um mês. 411 Portanto, logo no início da viagem o interesse pelo resgate de um amigo sobrepõe-se às necessidades de observação científicas, embora Be- nignus, portando o papiro de dizeres indígenas, não deixasse de inquietamente se perguntar sobre a questão científica que o movia: “—Haverá realmente habitantes no Sol?” 412 Tal sobreposição fica ainda mais clara quando o narrador enfatiza que

o desejo de chegar de forma mais acelerada a Uberaba fazia Benignus deixar de visitar regiões mineiras caras a “homens de ciência”, paragens que sempre se afi- guravam enquanto “novidade para quem as observa e examina à luz da ciência e com verdadeiro espírito de patriotismo e progresso”. 413

No entanto, as observações científicas das mais diversas, isto é, inerentes a “qualquer das províncias do saber humano” vão sendo feitas pelo sábio, assim como pelo francês M. Fronville e Jaime River. 414 Enquanto fauna e flora, a natu- reza é nomeada, quantificada, situada geograficamente, agrupada em classes, apresentada em relação ao apelo a certos sentido (cor, cheiro, clima), qualificada como “singular” aos olhos europeus, como graciosa, porém sedutora, abundante em “várias pedras preciosas” e em ferro. 415

Uma discussão encetada por Benignus e Fronville sobre o ouro e o ferro traz à superfície uma perspectiva utilitária ligada à natureza. O jovem naturalista francês diz a Benignus que o ferro é o metal mais precioso, pois é o mais útil. Fa-

410 Ibidem, p. 133-134. 411 Ibidem, p. 134-135. 412 Ibidem, p. 139. 413 Ibidem, p. 152. 414 Ibidem, p. 141. 415 Ibidem, p. 152.

la-se, continua Fronville, de um metal que assegura a civilização, já que se ele desaparecesse da Terra, desapareceriam em consequência

a enxada, que foi a primeira máquina agrícola da humanidade, a habitação, que é, assim como o vestuário, o abrigo do homem contra as intempéries das estações, o navio, que é o primeiro ve- ículo de aproximação que comunicou umas com as outras as nações e as raças, enfim todos os instrumentos de progresso, que tanto na esfera do desenvolvimento social como nas con- quistas elevadas da inteligência, têm concorrido até hoje para realizar um dia o belo sonho da felicidade universal. 416

Embora Benignus diga a Fronville que pela província de Minas Gerais era possível encontrar “mais de sessenta fábricas de ferro”, Fronville retoma o peso do passado, indicando o erro de Minas Gerais em ter optado ambiciosamente pela exploração do ouro, pois se ela tivesse “com o mesmo ardor extraído o ferro e aperfeiçoado os seus produtos” estaria muito “mais feliz”. Os mineiros, conclui Fronville, deveriam aproveitar-se do “imenso tesouro que por toda a parte lhes prodigaliza a natureza”. Enquanto o ouro, diz Benignus concordando com o ami- go, é a origem do “luxo e devassidão”, pois “brilha, seduz e perde”, o ferro, com- pleta Fronville, é o “severo santo instrumento do trabalho, o gerador da economia e o conselheiro moral!” 417 A natureza, portanto, aparece novamente em dualida-

de: ao mesmo em que pode instigar a devassidão, isto é, o emergir de homens que se corrompam pela realização de seus particulares desejos de luxo, ela também pode fomentar o trabalho, tão indispensável enquanto fonte de alimento, abrigo, locomoção e interlocução linguística a corpos que vivem imersos num horizonte de expectativas aberto, em função do qual os progressos sociais e da inteligência concorrem para a realização futura da felicidade universal. Contudo, mesmo con- siderando a natureza como fonte segura de vida e garantia evidente da civilização, perder-se na mata é possível, confrontar-se com os perigos naturais é inevitável. Lembra Fronville o que havia acontecido em 1870 a M. Everts, na expedição ci- entífica ao Parque Nacional dos Estados Unidos. O míope e inexperiente Everts, perdendo-se dos seus amigos,

esteve doze dias dormindo perto das fontes de água quente para assim se preservar do frio da noite e sustentando-se de raízes de cardo, empoleirado nas árvores para poder dormir, onde teve uma vez por sentinela um leão da Califórnia. Por duas vezes passou cinco dias sem sustento, e três sem água. Quando foi en-

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Ibidem, p. 155.

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contrado por seus amigos, depois de mais de trinta dias de au- sência, o seu cérebro sofria contínuas alucinações e só por ver- dadeiro milagre escapou à morte. 418

A natureza pode ser árida com o homem ao colocá-lo em perigo, mas a narrativa volta a falar em harmonia, pois com a chegada a noite era possível per- ceber o esplendoroso céu, a forma com que as estrelas “fulgiam no espaço com brilho cintilante e vaporoso”. Era o momento em que o Cruzeiro do Sul lançava luz ao misterioso firmamento. Naquele ambiente natural, a semelhança por con- veniência era possível, pois “o murmúrio das águas confundia-se na terra com os rumores que vinham da floresta, estabelecendo nessa hora solene o diálogo inefá- vel e harmonioso da natureza”. 419 Uma harmonia logo em seguida relativizada,

porque Fronville, enquanto homem desestabilizador, não poderia deixar de angus- tiar-se mesmo depois de observar as impressionantes e brilhantes estrelas cadentes que ali se afiguravam. O motivo da angústia era a “incerteza do destino de sua aventurosa jornada”. 420

Depois de uma longa explicação científica sobre as estrelas cadentes, o narrador informa que, caçando junto a Katini e alguns camaradas, Jaime River encontra um cinto de couro, destes que “usam quase todos os tropeiros e arreado- res do sertão”. A tais objetos, esclarece Benignus, dá-se o nome de xiripá, sendo possível também chamá-los de enduape ou guaiaca. Ao abrir o cinto, fechado por três botões, River depara-se com um papel grafado com as seguintes palavras em inglês, logo reconhecendo em lágrimas a letra de seu pai: “Ao Dr. Lund. Lagoa Santa. Um inglês prisioneiro dos índios carajás, nas margens do Araguaia, pede- lhe socorro”. 421