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Norsk institutt for naturforskning, NINA

In document Årsrapport 2019 - Miljøinstituttene (sider 29-33)

2 Institutter som omfattes av det resultatbaserte finansieringssystemet

2.5 Norsk institutt for naturforskning, NINA

No espectro das muitas opções de casas de alta-costura e de modistas de Pa- ris, a escolha por um vestido de Boué Soeurs tem um significado expressivo. Escolher uma roupa para si atravessa algumas variáveis – como preço, design, ocasião de uso, entre outras – determinantes da escolha. A ordenação dessas variáveis e o peso que terão na decisão são imprecisos e, em boa parte, subje- tivos. Na introdução ao guia de compras em Paris, as irmãs Bonney (1929: 8) apresentam muito bem essa questão e, apesar de longo, o parágrafo merece ser transcrito:

[...] now and then some one springs into print with a list of the ten leading dressmakers of paris, the ten highest of the high! I shall not presume to do that. the finest house in the city will not interest you if the spirit of its creations does not appeal to you. the house which boasts a startling success this year may not be so popular next, due to any one of a number of factors: a change of important designers, a change in management, the loss of a fine fitter, the failure of the season’s materials to inspire the head of the house as happily as last year’s. you should know enough of the personalities and the polices of a house to decide for yourself whether it will interest you. an unexpected detail may convince you more than any starred list or special recommendation. the well-dressed woman, no matter how she accomplishes this end, attends to the matter herself.65

Observando o vestido e investigando o funcionamento das maisons de alta- costura, podemos nos aproximar do processo dessa escolha. Até 1910 a dis- tinção entre couture e confeccion (confecção) não era muito clara, visto que os novos processos de produção industrial estavam ainda sendo absorvidos por todos os tipos de fabricantes de roupas (GRUMBACH, 1993). Com os desa- fios nascidos nos anos posteriores, especialmente pelas restrições de produ- ção das duas Guerras Mundiais, a fabricação de roupas na França permanece

65 “Vez por outra alguém noticia uma lista dos dez maiores costureiros de Paris, os dez melhores dos melhores! Eu não pretendo

fazer o mesmo. A casa mais elegante na cidade não interessará a você se o espírito de suas criações não lhe parecer atraente. A casa que abrilhanta sucesso neste ano talvez não seja tão popular no próximo, em virtude de um número de fatores: uma mudança dos principais designers ou na administração, a perda de um ótimo modelista, o insucesso dos materiais da estação que não puderam inspirar o designer chefe da casa tão rapidamente quanto no ano passado. Você deveria conhecer suficientemente a personalidade e as políticas de uma casa para decidir por você mesma se ela lhe interessará. Um detalhe inesperado talvez a convença mais do que qualquer lista estrelada ou recomendação especial. A mulher bem-vestida, não importa como ela o faça, resolve a questão ela mesma”. Tradução minha.

indistinta, sendo apenas em 1943 e depois 1947 que a Chambre Syndicale de la Couture Parisienne define termos que distinguem a couture dos outros modos de produção de roupas em Paris, e passa a adotar a partir dali o termo

haute couture.66 Entre os critérios de distinção estavam a criatividade, o uso

de matérias-primas, em especial o tecido, e de mão-de-obra (costuras e acaba- mentos) de qualidade superior, além do atendimento a uma clientela profis- sional (venda ao atacado) e da particular (varejo) (DELPIERRE, 1997: 74). No período de fabricação do vestido Boué Soeurs, na década de 1920, não ha- via, portanto, uma clara definição dos termos aplicados ao tipo de fabricação de roupas. As diferenças de qualidade entre os tipos de confecção de roupas eram, no entanto, percebidos pelos clientes e fabricantes. Isso é possível ve- rificar pela crescente preocupação das maisons em definir seu estilo através da publicidade de suas criações, do design de suas etiquetas e da constante repreensão à cópia ilegal de modelos. A partir da década de 1910 essas carac- terísticas são evidentes nos anúncios e editoriais das revistas femininas que publicam imagens de mulheres das altas sociedades vestindo criações de cou-

ture e legitimando aqueles estilos através de seu “bom nome”. Nas revistas

encontramos também reportagens sobre a luta da couture contra a cópia feita por confecções mais modestas, e mesmo da pirataria de artigos, como vemos em um protesto escrito em 1913 por Paul Poiret (Figura 14).

FIGURA 14.

Declaração de Paul Poiret contra a cópia ilegal, publicada na revista norte-americana Women’s Wear em 1913 (14 de outubro), p.3. Fonte: Troy (2003: 237). A etiqueta transforma-se num elemento distintivo do design criativo de roupas.

Apesar da ausência de le- gislação específica à época, é possível deduzir que a Maison fosse das principais casas de couture de Paris não apenas devido a seu endereço na cidade, às apre- sentações de desfiles e ao atendimento a compradoras ricas como as mulheres que doaram seus Boué Soeurs a museus da Europa, Estados Unidos e Brasil, mas, so-

bretudo, por aquilo que in- formam esses documentos (os vestidos que estão nos museus) sobre a qualidade de fabricação e de maté- rias-primas selecionadas para aquela confecção.

Para investigarmos como se deu a escolha do vestido, passamos por estudar seus aspectos físicos, já que não podemos contar com uma biografia de Carmem que pudesse nos guiar neste momento. Há meios na análise de uma roupa para datá-la, conhecer sua origem e qualidade de fabricação, como faremos a seguir.

66 “Décision V.I. a

29” du Commissaire provisoire du Comité général d’organisation de l’habillement et du travail des étoffes (Validée au J. O. du 18 juillet 1947). In: Grumbach (1993:266- 268).

O vestido como documento

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