No item Temas múltiplos, foi exposto que seriam tecidos alguns comentários sobre os
complexos oracionais, bastante freqüentes nos quatro corpora, uma vez que causaram alguma dificuldade de análise até o momento de decidir se seria considerada uma ou duas orações, ou seja, uma ou duas estruturas Temáticas.
Os complexos oracionais podem ocorrer de duas maneiras: se as orações forem independentes, a relação é de parataxe, o que significa, oração coordenada; se a relação entre as orações for de dependência, ha uma hipotaxe, ou melhor, uma oração subordinada.
Eggins (1994: 290-293) diz que as orações paratáticas são compostas por duas orações e que devem ser analisadas individualmente porque: cada uma possui uma estrutura de Modo e Transitividade; as orações podem estar separadas, com ou sem a conjunção, e pode haver uma série de orações separadas por vírgula com Sujeito elíptico, considerado, portanto, o Tema ideacional. Já as orações hipotáticas funcionam de forma diferente: há uma oração, a principal, que pode estar sozinha, e outra, a subordinada, que não pode. Eggins apresenta dois níveis de análise para as hipotáticas: se a oração principal vier primeiro e a subordinada depois, considera-se que elas sejam independentes e, assim, analisadas individualmente. No caso da oração subordinada ocorrer antes da principal, pode-se considerar cada uma separadamente ou toda a oração subordinada como Tema da principal.
Para Thompson (1996: 132-133), se a oração dependente estiver em posição inicial e for considerada o ponto de partida da mensagem, o método de desenvolvimento do texto emerge mais claramente. Sugere, ainda, que a oração dependente seguida da que depende não precisar ter seu Tema identificado separadamente.
Halliday (1994: 57-58), assim como Eggins, também sugere que o Tema da oração dependente precedendo a principal seja considerado o Tema de todo o complexo ou o Tema dessa primeira oração, o que depende da entonação: “se é falado como um grupo de tom separado, é parte do Tema1; se não, é parte do Tema2. Mas isso não importa muito, desde que
se mostre que é Temático”.
Para que fique mais claro onde se quer chegar com essa explicação, é importante que se observem os pares de exemplos a seguir:
(273) Aí, o barão emprestou o dinheiro // e alugou-se esse pavimento no Pátio do Colégio // e a primeira agência começou a funcionar. (M2Br)
(274) Bien, lo que nos presenta Rita Magalhães son esos espacios íntimos, momentos íntimos de esta mujer, // pero que a la vez son momentos muy estudiados (...) (M2Es)
Os exemplos (273) e (274) apresentam orações com uma relação paratática, pois são separadas por uma conjunção aditiva, a primeira, e adversativa, a segunda. Dessa forma, em (273) temos três orações, cada uma com sua estrutura Temática, uma vez que são independentes uma da outra. Em (274), o mesmo caso ocorre. Há duas orações independentes na sua estrutura Temática. Como pode ser visto, as orações coordenadas não apresentaram problema de análise. O problema maior está com as orações hipotáticas, abaixo:
(275) Como o algodão acabou não pegando, né, não virando uma, uma cultura de exportação, // eles passaram pra transporte de café e pessoas, né. (M2Br)
(276) Llamo Alcalá de villa, // porque hasta 1687 no se convierte en ciudad. (P1Es)
(277) Eu vou falar pra vocês o que houve nessa cidade. // Porque se a gente olha pra essa cidade, o arruamento, a organização, nada a ver com os primeiros anos. (P1Br)
(278) Las abrirán ellos dentro de una hora, algunas ya las están abriendo. // Porque los grandes almacenes tienen el horario como, como los países extranjeros, de no cerrar al mediodía, pero aquí la tradición de la siesta es muy fuerte.
Os exemplos acima apresentam uma oração principal e uma dependente e possuem estruturas Temáticas diferentes. Assim, em (275), o Tema da oração subordinada é Como o
algodão, e da principal, eles; em (276), o elíptico yo e porque hasta 1687; em (277), Eu e Porque se a gente; e, em (278), Las e Porque los grandes almacenes. Ora, se cada uma possui
principal com apenas uma estrutura Temática? Por esse motivo, nesta pesquisa, cada oração foi considerada contendo sua estrutura.
Também foi observado que as orações podem ser separadas por uma pausa curta, aqui, representada por uma vírgula (275, 276), ou por uma pausa maior, aqui, separadas por um ponto final (277, 278). Muitas vezes, os guias e monitores diziam uma oração e a continuavam após mudar de sala ou de posição, numa espécie de ampliação ou complemento do que estavam dizendo. Esse é outro motivo por cada estrutura ter sido considerada separadamente.
Para finalizar, na linguagem escrita, esses ‘problemas’ não teriam ocorrido: as orações hipotáticas estariam, provavelmente, separadas por vírgula. Não obstante, há que levar em consideração o que Palmer (1968: 3) diz: “Os lingüistas concordam que a língua falada e a escrita deveriam ser mantidas separadas na análise, pois são duas línguas diferentes”, exatamente o que pôde ser visto neste item.
3.3 Modo interrogativo
Em todos os textos ocorreu o modo interrogativo, embora não muito freqüentemente. Portanto, a importância das perguntas não está na quantidade de vezes em que apareceram, já que é considerada pequena, mas sim, em como apareceram, o que ocorreu de duas formas: quando os guias e monitores realmente pediam a participação dos visitantes, requisitando respostas, ou quando as perguntas eram imediatamente respondidas pelos guias e monitores, sendo, assim, perguntas retóricas.
As perguntas feitas aos visitantes foram com o uso de um pronome de segunda pessoa do plural, explícito ou elíptico, referindo-se diretamente aos participantes da visita, ou com o uso de um pronome interrogativo (Qu-):
(245) Vocês já conhecem a sala? (M1Br)
(246) ¿∅ me oyen bien? (P1Es)
(247) E por que vocês acham que ele usou o verde como suporte da, da estrutura? (M1Br)
(248) ¿Qué tenemos aquí?
Os exemplos (245) e (246) são perguntas polares, aquelas que requerem do interlocutor uma resposta curta, apenas sim ou não. (247) e (248) já são exemplos de perguntas com o elemento Qu-, que exigem do interlocutor uma resposta mais completa ou, talvez, mais elaborada.
Em algumas visitas, o guia ou monitor avisava que queria que o visitante respondesse o que estava perguntando, talvez para incentivá-lo a participar ou porque o visitante sempre ache que o profissional vai respondê-la:
(249) Bien, ¿qué es esto? // Venga, un poco de participación. (M2Es)
As perguntas retóricas foram as mais comuns. Também ocorreram com o uso de pronomes pessoais e pronomes interrogativos (Qu-). Percebe-se pelos exemplos abaixo que, imediatamente após as perguntas, as próprias guias responderam, como se estivessem dialogando consigo mesmas:
(250) Vocês sabem o nome dessa rua? // Rua São Bento. (P2Br)
Em M1Br e M2Es, todas as perguntas foram direcionadas aos visitantes. Isso pode ter acontecido pela formação das monitoras: história. O fato das duas terem feito licenciatura pode ter contribuído para que incentivassem a participação dos visitantes, da mesma forma que faz o professor com seus alunos. Em M2Br, M1Es, P2Br, P2Es, houve apenas perguntas retóricas e os monitores e guias pareciam adiantar a pergunta que o ouvinte faria, numa tentativa de antecipar suas possíveis dúvidas e resolvê-las. E em P1Br e P1Es, houve a mescla dos dois tipos de pergunta, mas o predomínio das retóricas. Em outras palavras, ao mesmo tempo em que adiantavam as dúvidas de seus ouvintes, requisitavam sua participação.
3.4 Comentário Tematizado
Segundo Thompson (1996: 129), o Comentário Tematizado “permite que os falantes tematizem seu próprio comentário sobre o valor ou validade do que vão dizer” (minha tradução). Em português e espanhol, essa estrutura é o verbo ser + o comentário, sendo que o Sujeito aparece na próxima oração. Exemplos:
(251) É interessante a gente ver a foto porque aí faz outro sentido, né. (M1Br)
(252) É bom que se ressalte também que a XXX não foi a primeira XXX do Brasil. (M2Br)
(253) É impossível a gente fazer tudo de toda a cidade, né, (...) (P1Br)
(254) Bien, eh, es importante decir que es una exposición multidisciplinar. (M2Es)
(255) (...) y es verdad que un setenta por ciento de los delitos ha sido gente extranjera, lo que se han visto.
O número de ocorrências de Comentário Tematizado foi muito baixo. Apareceu no máximo duas vezes nos textos e nenhuma vez em alguns, o que causou surpresa por esperar que os guias e monitores fizessem mais comentários. No total, houve oito ocorrências. Observa-se que Thompson, em sua definição desse tipo de estrutura Tematizadora, utiliza as palavras ‘falantes’ e ‘dizer’, o que nos faz pressupor que seja algo típico do discurso oral. No entanto, sua escassez nos corpora aqui estudados faz com que esse tipo de texto se assemelhe bastante aos textos escritos. Também deve ser lembrado que, assim como os Temas interpessoais, esse tipo de elemento Temático expressa julgamento, o que é evitado pelos profissionais, como já o mencionei.
3.5 Orações paratáticas e hipotáticas
No item Temas múltiplos, mencionei que teceria alguns comentários sobre os
complexos oracionais, bastante freqüentes nos quatro corpora, uma vez que causaram alguma dificuldade de análise até o momento de decidir se consideraria uma ou duas orações, ou seja, uma ou duas estruturas Temáticas.
Os complexos oracionais podem ocorrer de duas maneiras: se as orações forem independentes, a relação é de parataxe, o que significa, oração coordenada; se a relação entre as orações for de dependência, temos uma hipotaxe, ou melhor, uma oração subordinada. Vejamos o que dizem os teóricos.
Eggins (1994: 290-293) diz que as orações paratáticas são compostas por duas orações e que devem ser analisadas individualmente porque: cada uma possui uma estrutura de Modo e Transitividade; as orações podem estar separadas, com ou sem a conjunção, e pode haver uma série de orações separadas por vírgula com Sujeito elíptico, considerado, portanto, o Tema ideacional. Já as orações hipotáticas funcionam de forma diferente: há uma oração, a principal, que pode estar sozinha, e outra, a subordinada, que não pode. Eggins apresenta dois níveis de análise para as hipotáticas: se a oração principal vier primeiro e a subordinada depois, considera-se que elas sejam independentes e, assim, analisadas individualmente. No caso da oração subordinada ocorrer antes da principal, pode-se considerar cada uma separadamente ou toda a oração subordinada como Tema da principal.
Para Thompson (1996: 132-133), se a oração dependente estiver em posição inicial e for considerada o ponto de partida da mensagem, o método de desenvolvimento do texto emerge mais claramente. Sugere, ainda, que a oração dependente seguida da que depende não precisar ter seu Tema identificado separadamente.
Halliday (1994: 57-58), assim como Eggins, também sugere que o Tema da oração dependente precedendo a principal seja considerado o Tema de todo o complexo ou o Tema dessa primeira oração, mas que isso depende da entonação: “se é falado como um grupo de tom separado, é parte do Tema1; se não, é parte do Tema2. Mas isso não importa muito, desde
que se mostre que é Temático” (minha tradução).
Para que fique mais claro onde se quer chegar com essa explicação, é importante que se observem os pares de exemplos a seguir:
(256) Aí, o barão emprestou o dinheiro // e alugou-se esse pavimento no Pátio do Colégio // e a primeira agência começou a funcionar. (M2Br)
(257) Bien, lo que nos presenta Rita Magalhães son esos espacios íntimos, momentos íntimos de esta mujer, // pero que a la vez son momentos muy estudiados (...) (M2Es)
Os exemplos (256) e (257) apresentam orações com uma relação paratática, pois são separadas por uma conjunção aditiva, a primeira, e adversativa, a segunda. Dessa forma, em (256) temos três orações, cada uma com sua estrutura Temática, uma vez que são independentes uma da outra. Em (257), temos o mesmo caso. Há duas orações independentes na sua estrutura Temática. Como vemos, as orações coordenadas não apresentaram problema de análise. Sigamos com os exemplos:
(258) Como o algodão acabou não pegando, né, não virando uma, uma cultura de exportação, // eles passaram pra transporte de café e pessoas, né. (M2Br)
(259) Llamo Alcalá de villa // porque hasta 1687 no se convierte en ciudad. (P1Es)
(260) Eu vou falar pra vocês o que houve nessa cidade. // Porque se a gente olha pra essa cidade, o arruamento, a organização, nada a ver com os primeiros anos. (P1Br)
(261) Las abrirán dentro de una hora, algunas ya las están abriendo. // Porque los grandes almacenes tienen el horario como, como los países extranjeros, de no cerrar al mediodía, pero aquí la tradición de la siesta es muy fuerte.
Se analisarmos as orações acima, vemos que se trata de orações hipotáticas e que cada uma, a principal e a dependente, possuem estruturas Temáticas diferentes. Assim, em (258), o Tema da oração subordinada é Como o algodão, e da principal, eles; em (259), o elíptico eu e
porque hasta 1687; em (260), Eu e Porque se a gente; e, em (261), Las e Porque los grandes almacenes. Ora, se cada uma possui seu Tema e seu Rema, por que considerar as que
apresentam a oração dependente antes da principal com apenas uma estrutura Temática? Por esse motivo, considerei cada oração contendo sua estrutura.
Também observamos que as orações podem ou não ser separadas por uma vírgula. No entanto, no segundo par, as orações foram separadas por um ponto final. A razão para isso é que houve uma pausa maior do que o esperado em orações hipotáticas, o que decidi marcar com esse signo de pontuação. Muitas vezes, os guias e monitores diziam uma oração e a continuavam após mudar de sala ou de posição, numa espécie de ampliação ou complemento do que estavam dizendo. Esse é outro motivo por ter considerado cada estrutura separadamente.
Para finalizar, na linguagem escrita, esses ‘problemas’ não teriam ocorrido: as orações hipotáticas estariam, provavelmente, separadas por vírgula. Não obstante, concordo com o que Palmer (1968: 3) diz: “Os lingüistas concordam que a língua falada e a escrita deveriam ser mantidas separadas na análise, pois são duas línguas diferentes”.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Tendo como base a Gramática Sistêmico-Funcional (GSF), este trabalho investigou as escolhas Temáticas do discurso dos guias de turismo e monitores de museus em duas culturas diferentes: a brasileira e a espanhola. Tratou, portanto, da análise de textos orais produzidos em seu ambiente de ocorrência, ou seja, em sua forma natural.
A abordagem Sistêmico-Funcional foi adequada a este estudo, visto que se concentra na análise do sistema em uso, e, talvez, nenhuma outra teoria tivesse sido tão bem-sucedida nesta pesquisa, uma vez que a GSF não trabalha somente com aspectos gramaticais, mas culturais e léxico-semânticos.
Começou-se pelo estudo do gênero, da estrutura que o compõe e do problema de se poder falar em um ou dois gêneros. Para seu melhor entendimento, foram importantes as comparações feitas com outros textos já analisados. Seguiu-se com o estudo de elementos léxico-gramaticais. Dentro dos vários elementos possíveis de investigar, optou-se pela Metafunção Textual, mais especificamente, pelas escolhas Temáticas, já que o Tema permite que se observe como a mensagem está organizada. O Tema, sendo o primeiro elemento na oração, é, talvez, o componente oracional que mais se sobressai, pois toda a mensagem se desenvolverá a partir do que nele for proposto. Assim, se a oração tiver como primeiro elemento da Transitividade um Participante, a sua continuação conterá Processo e Complemento e/ou Circunstância; se tiver um Processo, serão Participantes (Sujeito ou Complementos) e/ou Circunstâncias; e se tiver uma Circunstância, podem vir, a seguir, Participantes e/ou Processos.
Os autores que serviram para o embasamento do estudo do gênero foram Hasan (1989), Swales (1990), Bathia (1993), Fries (1995) e Ramm (2000); os principais teóricos de Tema foram Halliday (1994), Eggins (1994) e Thompson (1996); os teóricos que deram suporte sobre questões específicas no português quanto às classificações de Tema e escolhas Temáticas foram Barbara e Gouveia (2001) e Gouveia e Barbara (2001).
Em relação às perguntas de pesquisa, serão aqui retomadas e respondidas para que se possa entender mais claramente os objetivos na realização deste trabalho e os resultados mais relevantes e que melhor definem ou classificam os textos:
1. Quais são as semelhanças e diferenças das escolhas Temáticas na fala dos guias de turismo e monitores de museus?
Conforme visto ao longo do Capítulo 3, Análise e discussão dos dados, há nos textos mais semelhanças do que diferenças. Os Temas ideacionais, elementos obrigatórios, foram, em sua grande maioria, os Participantes que coincidiram com o Sujeito, ou seja, são não- marcados. Os mais recorrentes foram os informacionais e em número muito superior em relação ao número de Temas interacionais: acima de 80%. Percebeu-se, então, nas visitas, que a informação predomina sobre a interação direta entre falantes (guias/monitores) e ouvintes (visitantes). Não se pode, assim, dizer que se trata de uma conversa, já que, segundo Eggins (1994: 301), ela teria Temas com pronomes pessoais, geralmente eu/você, pois, na conversa face-a-face, o ponto de partida da mensagem são os próprios interactantes. A ocorrência de Temas elípticos foi grande. Não foi o propósito fazer um estudo sobre a progressão Temática e o desenvolvimento dos Temas, mas foi possível observar que um Tema era repetido em outras orações através de anáforas e que houve uma seqüência de dêiticos, cuja função era apontar para os lugares e obras mostrados. Os outros Temas ideacionais que ocorreram foram as Circunstâncias e os Processos, nessa mesma ordem. Em apenas uma visita, P2Br, houve mais ocorrência de Processos do que de Circunstâncias, mas essa diferença é muito pequena, o que talvez não se possa caracterizar como ‘diferença’. Os Temas são bastante curtos e, como Martin (1996) diz, após a leitura dos textos, através de uma simples passada de olhos pelos Temas, não se faz necessária sua leitura completa, pois apresentam as informações principais dos assuntos tratados. Esse é um ponto em comum entre os Temas do discurso dos guias e monitores e os utilizados na conversa: são curtos, normalmente um ‘breve grupo nominal’ (Eggins: 1994: 301), referindo-se a indivíduos específicos ou com uma simples expressão circunstancial. Isso pode ser observado nos exemplos oferecidos nas análises. O conteúdo semântico dos Temas também foi igual em todas as visitas, nos dois idiomas. Sobre outros aspectos, como Temas múltiplos, Comentários Tematizados e o uso das orações paratáticas e hipotáticas, houve semelhança em todas as visitas. Os Temas interrogativos tiveram duas formas: quando o profissional queria realmente fazer uma pergunta ao visitante, o que foi raro, e quando fazia uma pergunta retórica, recurso mais usado.
2. Quais são as semelhanças e diferenças das escolhas Temáticas dos guias e monitores brasileiros e espanhóis?
As diferenças entre as duas línguas aqui estudadas ocorrem não por uma questão de gênero, mas por uma questão cultural e idiossincrática, o que significa que cada língua tem
formas diferentes de expressar coisas semelhantes. Entre as principais estão: o maior número de elipse do Participante-Sujeito em espanhol do que em português; o maior uso de Temas marcados em espanhol do que em português, ou seja, de complemento em posição Temática na oração; e o maior uso dos pronomes pessoais pelos profissionais brasileiros, principalmente eu e você, o que lhe confere um perfil mais informal. Sobre as Circunstâncias, as de tempo ocorreram mais no Brasil e as de lugar, mais na Espanha, mas o número foi próximo. Dentre os Temas ideacionais, os Processos foram os elementos que apresentaram maior diferença. Sua freqüência foi maior em visitas guiadas do que em monitoradas, mas esse resultado não torna as duas visitas diferentes. Por fim, os Temas múltiplos apresentaram resultado bastante diferente no que diz respeito aos adjuntos de continuidade. Os brasileiros utilizaram-no muito mais, o que demonstra, mais uma vez, uma linguagem mais informal.
3. Pode-se falar em um ou dois gêneros quando se analisa a linguagem desses profissionais sob o ponto de vista de gênero e de escolhas Temáticas?
Essa pergunta é respondida levando-se em consideração o estudo do gênero e do Tema. Em primeiro lugar, considerem-se as entrevistas feitas a profissionais da área: professores universitários do curso de Turismo e os próprios guias e monitores brasileiros e espanhóis. Em seguida, o que diz à Embratur sobre o guia de turismo. São, também, apresentadas as hipóteses de Fries sobre a relação Tema-gênero e o estudo de Ramm (2000) sobre guias de viagem.
Dos professores universitários, a informação obtida foi que, no turismo, a única modalidade que é reconhecida como profissão é a de guia. Para atuar nela, é necessário ter autorização da Embratur, órgão do Governo Federal responsável pelas leis do turismo brasileiro, conseguida após realização de um curso técnico. Sobre a linguagem no turismo, disseram que não sabiam da existência de nenhum material que pudesse contribuir para esta pesquisa.
Os guias e monitores brasileiros dizem ser sua área muito diferente. Abaixo, há alguns trechos de entrevistas, depois de perguntados sobre a diferença entre guia e monitor:
1. Entrevista a uma das responsáveis pela contratação de monitores em um museu não utilizado na análise:
“Aqui tem monitor, não guia. O que a gente quer não é mostrar um monte de coisa e nada ao