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Kart 6 Norske bydeler i Minneapolis

2.5 Otter Tail county, et norsk settlerområde

2.5.3 Norsk innvandring til Otter Tail county

Para discutir a origem dos cativos em Vitória dividiu-se a população cativa entre nascidos no Brasil (crioulos) e nascidos na África. A análise dessas categorias de origem - ainda que definidas de forma genérica - constituem boas ferramentas analíticas para a interpretação de variáveis demográficas, tais como os padrões de reprodução53. Alguns estudos destacaram a concentração de crioulos nas

escravarias capixabas no transcurso do século XIX54. Patrícia Merlo revelou que

esse grupo representava a maior parte dos cativos, não importando o tamanho da propriedade. Os dados que levantamos permitem conclusões semelhantes. Passa-

50 BERGAD, 2004. p. 300. 51 CAMPOS, 2006, p. 577. 52 MERLO, 2008, p. 155. 53 BERGAD, 2004, p. 200. 54 MERLO, op, cit., p. 126.

se, então, à Tabela 3 que fornece a distribuição dos escravos segundo o grupo de procedência no período estudado.

Tabela 3 - Escravos por origem - Vitória - 1850-1871

Procedência escravosN° de % Crioulo 876 73,6 Angola 36 3,0 Moçambique 5 0,4 Benguela 4 0,3 Congo 4 0,3 Cabinda 1 0,1 Não especificado 265 22,3 Total 1191 100,0

Fonte: Arquivo da Justiça do ES, Inventários post-mortem (1850-1871).

Para o período entre 1800 e 1830, observou-se que os africanos representavam 20%, ao passo que os crioulos correspondiam a 79% dos cativos arrolados. Essa reduzida presença de africanos na composição dos plantéis em Vitória sugere que foi pequena a influência do tráfico na reposição dos cativos nas propriedades. Desse modo, a região de Vitória parecia não creditar ao tráfico transatlântico de cativos grande importância na manutenção da escravidão local já antes da Lei Eusébio de Queiroz55.

Após essa lei observa-se a intensificação desse quadro, conforme sugerem os dados levantados nessa pesquisa. De acordo com as informações da Tabela 3, os africanos representam apenas 4,2%, enquanto os crioulos representam 73,6% dos escravos da amostra. Ao compararem-se tais dados com os do período anterior, observa-se uma expressiva redução do número de escravos africanos com o passar do tempo: em torno de 15,8%. Considerando-se o fim do tráfico de africanos para o Brasil após 1850, esse movimento no sentido da redução da participação de africanos apresenta-se compreensível e esperado.

Para a região de Mariana, entre 1850 e 1888, Heloísa Teixeira constatou que os crioulos perfaziam pouco mais de 60%, chegando a atingir a porcentagem de 82,7% em fins da década de 1880. Em sentido oposto, a participação de africanos,

apresentou significativa redução no transcurso do tempo: na década de 1850, correspondiam a 15,1% dos escravos e, na de 1880, apenas 4,1%. Desse modo, observou-se que “à medida que o tempo avançava, diminuía o número de africanos e eles ficavam mais velhos”56. Essa redução da participação de africanos e sua

concentração na faixa etária superior indicam que essa população encontrava-se envelhecida e mais escassa. Certamente, esses dados tornam-se compreensíveis quando relacionados ao advento da supressão do tráfico de cativos africanos para o Brasil em 1850.

Laird Bergad, trabalhando com a população escrava em Minas Gerais entre 1790 e 1880, constatou que os escravos nascidos no Brasil compunham 67% dos cativos, enquanto os nascidos na África correspondiam a 33% de sua amostra. Ademais, também verificou que ao longo do século XIX os escravos nascidos no Brasil aumentaram firmemente sua presença na população cativa57. De acordo com Adriana Campos, no caso do Espírito Santo, o processo de crioulização da população cativa remonta a fins do século XVIII, intensificando-se ao longo do século XIX. Segunda ela, esse processo deveu-se, em parte, à pequena influência do tráfico de africanos na reposição de mão de obra cativa nessa região. Soma-se a esse fato um crescimento vegetativo positivo da população escrava propiciado pelos nascimentos no interior das escravarias58.

A comparação com as observações feitas por Manolo Florentino e João Fragoso a respeito da região da Paraíba do Sul, área de plantation na Província do Rio de Janeiro, também indica fortes evidências de apoio a essa conclusão. Esses historiadores estimaram em 64,5% a porcentagem da população cativa formada por africanos no período compreendido entre 1850 e 185459. A região de Vitória apresenta um perfil diferente na segunda metade do Oitocentos. Os crioulos perfaziam um total de 73,6% da população cativa, já a participação dos africanos girava em torno de 4,2%, conforme já indicado. Se a população escrava de Vitória 56 TEIXEIRA, 2001, p. 65. 57 BERGAD, 2004, p. 205. 58 CAMPOS, 2006. 59

FRAGOSO, João Luís R.; FLORENTINO, Manolo. Marcelino, filho de Inocência Crioula, neto de Joana Cabinda: um estudo sobre famílias escravas em Paraíba do Sul (1835-1872). Revista de

fosse fortemente influenciada pela importação de africanos, a porcentagem relativa de escravos nascidos na África e no Brasil seria comparável a da Paraíba do Sul. Ainda segundo Patrícia Merlo, a significativa presença de crioulos pode ser interpretada como indício de que estamos frente a escravarias já antigas, onde ocorreu uma paulatina renovação de mão de obra cativa via natalidade60.

Sheila Faria afirma que em áreas mais antigas, com unidades produtivas pequenas e fraca entrada de africanos, a população cativa crioula predominou, diminuindo a interferência africana. A autora observa ainda que “[...] após 1850, esse processo de ‘crioulização’ se acentuou, o que interferiu, sem dúvida, no comportamento dos escravos em relação à vida e à morte”61. Consoante sua interpretação, em áreas

onde predominou a produção para exportação, próximas a portos, a proporção de africanos nas escravarias foi sempre superior à das mais distantes do litoral. Sendo assim, em áreas de plantation escravista, como na Bahia, a média oscilou entre 60% e 70% de africanos dentre os cativos ao longo do período colonial. Contudo, em outras regiões relativamente distantes dos mercados negreiros a proporção foi bem inferior.

Convém esclarecer ainda que as informações concernentes à origem dos cativos africanos se mostram problemáticas, pois não há como saber se revelam a verdadeira etnia ou o ponto de embarque de escravos trazidos de regiões distantes do interior para a costa africana62. Segundo Mariza Soares “[...] não existe qualquer

homogeneidade nos nomes das procedências: vão desde os nomes de ilhas, portos de embarque, vilas e reinos a pequenos grupos étnicos”63. Assim, essas

informações, por si só, não são suficientes para que se possa avançar na compreensão dos grupos africanos escravizados no Espírito Santo64. Mas elas apontam indícios de possíveis praças mercantis que alimentavam o tráfico de africanos para o Espírito Santo. Tendo em vista a cessação do tráfico de africanos 60 MERLO, 2008. 61 FARIA, 1998a, p. 293. 62 BERGAD, 2004, p. 227. 63

SOARES, Mariza de Carvalho. Devotos da cor: identidade étnica, religiosidade e escravidão no Rio de Janeiro, século XVIII. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2000. p. 109.

64

Sobre a temática da diáspora africana no Brasil, ver. MAMIGONIAN, Beatriz G. África no Brasil: mapa de uma área em expansão. Topoi.Revista de História, Rio de Janeiro, v. 5, n. 9, p. 33-53, jul./dez. 2004.

para o Brasil, em 1850, é provável que as informações obtidas nessa pesquisa apontem para importações em épocas anteriores.

Entre os cativos africanos o grupo de procedência predominante é o angola, que representa 72,0% dos cativos africanos arrolados nessa amostra. A esse respeito, Patrícia Merlo65 e Adriana Campos66 esclarecem que a praça mercantil do Rio de

Janeiro constituiu a principal fonte de abastecimento de cativos para Vitória. Essa predominância angola na designação dos cativos provenientes da África para o Espírito Santo reflete, ainda que em escala reduzida, o panorama étnico encontrado na densa população africana da corte do Rio de Janeiro na primeira metade do século XIX. No mosaico étnico da população africana do Rio de Janeiro predominaram os africanos da África Centro-Ocidental (Angola – Congo), cuja presença mostrou-se marcante no centro-sul do Brasil, reflexo da importação maciça de cativos via tráfico transatlântico.