4.3 Forvaltningen av utvalgte fiskebestander
4.3.5 Norsk-arktisk sei
As limitações ao estudo revelaram-se de variada ordem, umas ligadas aos equipamentos e infraestruturas e outras aos recursos humanos. Como a construção de uma Wiki tem de ser realizada em ambientes online, a investigadora teve de garantir a existência de Internet em todos os postos de trabalho, assegurando-se que não existiria nenhuma falha de eletricidade na sala de aula. Contudo, logo no primeiro dia de aulas do terceiro período, dia de aplicação do Questionário Inicial, criado no Google Docs, (ferramenta também ela online e gratuita, e disponibilizado na plataforma moodle da escola), verificou-se uma anomalia na sala de informática, onde só dois dos vinte e seis computadores tinham acesso à Internet, o que fez com que só dois alunos de cada vez respondessem ao questionário e os restantes respondessem ao mesmo em outros locais. Este problema provém da instabilidade da Internet que hoje em dia é facultada pela Parque Escolar, não tendo o problema a ver diretamente com a Escola. Visto isto, em algumas aulas, durante alguns momentos, esta instabilidade foi sentida, ficando alguns computadores sem Internet ou o seu acesso mais lento que o normal.
Na segunda aula do terceiro período, também ela destinada à exploração livre da Wiki de turma através de uma página criada para o efeito, denominada “Realiza aqui as tuas experiências”, a investigadora confirmou que todos os alunos podiam estar num computador diferente com a Wiki de turma ativa, ou seja, cada um na sua conta da Wiki de turma, mas constatou que existia a impossibilidade dos alunos editarem em simultâneo a mesma página, ou seja, podiam editar em simultâneo em páginas diferentes, mas na mesma página só um aluno o podia fazer de cada vez. Caso isto não acontecesse, apenas ficava gravada a alteração desse aluno. Caso um segundo aluno gravasse, estando a editar em simultâneo, a informação do primeiro seria apagada, prevalecendo os últimos dados gravados. Esta limitação foi muito facilmente contornada em sala de aula, cabendo a cada elemento do mesmo grupo avisar os outros elementos da turma quando escrevia e gravava e o elemento seguinte atualizava a Wiki, clicando no F5, e continuava a sua edição.
Na segunda aula de criação propriamente dita da Wiki de turma, a instabilidade da Internet foi novamente sentida e apenas 8 dos 26 computadores acediam à Internet. A investigadora foi informada que a Escola possui 300 computadores ligados à Internet e a parque escolar só permite o acesso a 200, daí os conflitos que existem nos acessos e as quebras que são sentidas, muitas vezes só repostas no dia seguinte. Esta situação só será resolvida no fim do ano letivo, quando a escola proceder à migração para a Internet sem fios, mas esta operação demora vários dias a ser efetuada, por isso, só será possível a sua realização em agosto, quando não existirem aulas nem alunos na escola.
Acrescem a estas limitações outras decorrentes da própria dinâmica da escola, que se consubstanciam na operacionalização do seu Plano Anual de Atividades. Referimo-nos, em concreto, à dinamização de atividades cuja calendarização não estava ainda definida aquando da planificação deste estudo, ou seja, uma visita de estudo, no âmbito de algumas disciplinas do currículo dos alunos. Estas limitações foram passíveis de serem superadas com a redefinição de novos horários e com a rendibilização do trabalho interdisciplinar realizado com a disciplina de Oficina de Estudo, cuja professora dispensou algumas das suas aulas para que os alunos trabalhassem na construção das suas Wikis e um tempo letivo da hora de DTT cedida pelo diretor de turma para aplicação do questionário final.
Outros fatores que poderiam ter afetado a validade deste estudo seriam o cansaço dos alunos e os seus ritmos de aprendizagem, dado que se trata de alunos do ensino básico cujo tempo de concentração e rendimento não é o mesmo durante os 90 minutos de aplicação do experimento. Contudo, estes fatores não podem ser controlados pela investigadora visto tratar-se de amostras não aleatórias (de conveniência), de natureza intencional, onde não foi possível a escolha de cada aluno, nem da turma, visto que esta faz parte do horário da investigadora.
A própria investigadora pode ser considerada um fator que influencie a validade do estudo (efeito investigador) com o entusiasmo demonstrado pela aplicação de um novo tratamento. Mas, neste caso, a investigadora é professora da turma e já o era no ano transato. Os alunos estão já acostumados à inserção de inovações (novidade do tratamento) em contexto sala de aula, desde a utilização da plataforma Moodle (participação em fóruns, chats, entrega de trabalhos, repositório de informação, resposta a questionários), criação de jogos interativos recorrendo ao Microsoft PowerPoint, criação de bandas desenhadas, utilizando ferramentas online como o Toondoo, criação de apresentações online recorrendo ao Prezi, entre outros.
O facto de se trabalhar com amostras não aleatórias (de conveniência), do tipo intencional, não garante a validade externa do estudo, visto que a amostra existente não é representativa do contexto onde se insere (comunidade escolar), contudo, nada impede que seja aplicado em estudos futuros, com outros alunos e outras escolas.
Num estudo de caso como o aqui realizado o que garante a qualidade científica do estudo – a sua credibilidade - não tem a ver com a representatividade das amostras nem tampouco com a preocupação do investigador em controlar as várias fontes de invalidade associadas aos estudos quantitativo de tipo experimental (Coutinho, 2011). Para Coutinho (2008a) a credibilidade “(…) é o
termo paralelo ao de validade interna de um estudo quantitativo e diz respeito ao quanto as construções/reconstruções do investigador reproduzem os fenómenos em estudo e/ou os pontos de vista dos participantes na pesquisa” (Coutinho, 2008a:8). Num estudo de caso a credibilidade consegue-se através de um trabalho como o realizado, que se prolongou no tempo, envolvendo o estudo intensivo de um grupo, conceito rotulado por Lincoln e Guba (1985) de prolonged engagement e definido da seguinte forma: “(…) um investimento no tempo que se considere necessário para atingir os objectivos da pesquisa; aprender a cultura (dos participantes); testar informação contraditória introduzida por distorções tanto do investigador como dos participantes; criar confiança (nos participantes); ouvir diferentes perspectivas” (Lincoln & Guba, 1985:301). Obtém-se sobretudo através de uma descrição maciça, compacta, dos dados recolhidos, as thick descriptions que refere Stake (1995:39), no sentido do investigador ser capaz de representar a diversidade das perspetivas do fenómeno analisado bem como a forma como estas conduziram a uma interpretação que teve em conta tanto as variações como as redundâncias em diferentes contextos/condições (Coutinho & Chaves, 2002). Foi sempre nossa preocupação descrever ao pormenor tudo tal como aconteceu, os critérios que presidiram à construção dos instrumentos bem como os procedimentos associados à sua aplicação e análise de resultados.
Da mesma forma a questão da validade externa, ou seja, a generalização dos resultados, aspeto central nos estudos quantitativos, num estudo de caso coloca-se de forma totalmente distinta. A generalização é analítica, emerge dos dados e processa-se através de transferibilidade, ou seja, “(…) a possibilidade de os resultados obtidos num determinado contexto, numa pesquisa qualitativa, poderem ser aplicados noutro contexto.” (Coutinho, 2008a:8)