Na elaboração do roteiro da entrevista para levantamento de dados junto aos professores foram consideradas as seguintes variáveis:
- Imagem profissional do bibliotecário • valores profissionais
percepção dos professores e dos bibliotecários acerca do exercício profissional dos bibliotecários, se consideram que as atividades exigem criatividade, se são rotineiras ou desafiadoras, se a carreira é promissora, se a profissão é importante para a sociedade, os modelos profissionais.
• atitudes profissionais
percepção dos professores e dos bibliotecários acerca do exercício profissional bibliotecário no tocante à acomodação pessoal e da
classe, os estereótipos percebidos, a postura profissional que se traduz pela atitude mais agressiva ou mais tímida
satisfação no exercício profissional
a influência das tecnologias de informação e comunicação, da formação profissional na visão dos professores e dos bibliotecários. • identidade profissional
como o professor e os bibliotecários percebem os bibliotecários em termos de suas características, utilizando os mesmos parâmetros contidos nos itens relativos a valores ocupacionais e atitudes
como o professor e os bibliotecários acham que a sociedade percebe o bibliotecário
como os professores e os bibliotecários analisam/avaliam os bibliotecários e os demais profissionais da informação.
• influência da instituição e/ou do tipo de atividade realizado na auto-imagem. • autonomia no trabalho (se influencia a auto-imagem).
- Perfil dos professores • formação profissional • sexo
• idade
• tempo de atuação
• tipo de instituição e atividade que desenvolve • treinamentos
• pós-graduação
Visão do Corpo Docente Figura 9 – Esquema de pesquisa/entrevista
Imagem profissional dos bibliotecários Fatores que constituem a imagem Valores profissionais Prof. criativa, desafiadora, promissora Atitudes profissionais Identidade profissional Ambiente organizacional Autonomia; comprometimento Influência: Escola; Professores; Profissionais E T R E V I S T A
Em função de dificuldades de contato com os professores da Universidade Federal de Goiás, o pré-teste da entrevista foi feito com professor do Departamento de Ciência da Informação e Documentação da UnB, em 22 de maio de 2006, com a ciência do entrevistado de se tratava de pré-teste. A entrevista foi produtiva, no sentido de perceber que pelo roteiro traçado de fato era possível obter os dados relativos ao posicionamento e opinião dos entrevistados. Entretanto, foi necessário ajustar a forma de realização da entrevista, para captar melhor o áudio da gravação, e a não utilização de roteiro tão detalhado (Anexo II). O tempo de entrevista foi de uma hora, aproximadamente, e o entrevistado foi bastante receptivo e aberto a fornecer suas opiniões.
Igualmente em decorrência de sugestões da Banca, no exame de qualificação, as entrevistas foram diminuídas, em relação ao número de Estados pesquisados, pois foram incluídas questões qualitativas no questionário dos bibliotecários.
Para realização das entrevistas foram selecionados cinco professores, sendo um de cada estado, necessariamente atuantes nos cursos de graduação e que não pertencessem a linhas de pesquisa sobre o profissional da informação, de forma a verificar de que maneira e se as questões relacionadas com identidades, valores, nichos de mercado, potencial da profissão, entre outros itens, eram tratadas no âmbito das disciplinas ministradas. Outras características como: possuir graduação em Biblioteconomia, sexo, idade, tempo de docência não foram consideradas importantes e não se constituíram de parâmetros para seleção dos professores entrevistados. Então, seguindo o plano de pesquisa e seguindo esses parâmetros, os professores foram selecionados de acordo com as características relacionadas, a pesquisa dos nomes foi feita pelo ambiente de pesquisa do currículo Lattes105 e o contato para marcação das entrevistas foi por meio de mensagens por correio eletrônico.
As transcrições das gravações foram feitas nos meses de dezembro de 2007 e janeiro de 2008 e a análise dos conteúdos foi efetuada utilizando-se o método proposto por Bardin (2007) adaptado, em capítulo que trata de respostas a questões abertas. Nele Bardin (2007, p. 56) propõe que após uma primeira leitura, que ela denominou de flutuante, a partir da qual podem surgir intuições com relação às hipóteses da pesquisa, ao conjunto das leituras realizadas para a revisão de literatura e aos temas propostos aos participantes da pesquisa, podem ser feitas classificações e identificadas dimensões de análises.
Outra autora que trata do tema de análise dados qualitativos, Minayo (2007), embasa seu capítulo de análise de conteúdo em Bardin, mas alerta para outros pontos que devem ser considerados no processo de realização e análise de pesquisas qualitativas. Dentre os pontos que Minayo (2007, p. 299) ressalta para evitar que o pesquisador incorra em erros de interpretação, especialmente se tiver familiaridade com o objeto, destacam-se:
105
[...] analisar, compreender e interpretar um material qualitativo é, em primeiro lugar, proceder a uma superação da sociologia ingênua e do empirismo, visando a penetrar nos significados que os atores sociais compartilham na vivência de sua realidade. O segundo obstáculo é o que leva o pesquisador a sucumbir à magia dos métodos e das técnicas, esquecendo-se do mais importante, isto é, a fidedignidade à compreensão do material e referida às relações sociais dinâmicas e vivas.
Minayo (2007, p. 300) prossegue dizendo que “[...] métodos e instrumentos são caminhos e mediadores para permitir ao pesquisador o aprofundamento de suas pergunta central e de suas perguntas sucessivas, levantadas a partir do encontro com seu objeto empírico ou documental.” e levanta outro problema concreto que enfrentam os pesquisadores que trabalham com dados qualitativos que tem relação com a dificuldade de “[...] junção e síntese das teorias e dos achados em campo ou documentais.”
Para Bardin (2007, p. 37) a análise de conteúdo é:
[...] um conjunto de técnicas de análise das comunicações visando obter, por procedimentos sistemáticos e objectivos de descrição do conteúdo das mensagens, indicadores (quantitativos ou não) que permitam a inferência de conhecimentos relativos às condições de produção/recepção (variáveis inferidas) destas mensagens.
Nesse processo de análise de conteúdo, o pesquisador pode utilizar um conjunto de operações analíticas existente ou por ele criado, adaptado ao material de trabalho. (BARDIN, 2007, p. 37)
Considerando que as entrevistas gravadas tiveram uma dinâmica própria, relacionada com o entrevistado, com as condições dos locais em que aconteceram e com colocações que ensejaram outras perguntas, optou-se por seguir a metodologia de Bardin, mas adaptando à realidade das respostas. Deve-se reiterar que embora houvesse um roteiro, as perguntas não eram tão fechadas para que as respostas fossem prontas e sem comentários dos entrevistados. A análise foi feita, conforme sugere Bardin (2007), agrupando por temas, mas não foi construída uma tabela de assuntos e relações, conforme preconizado pela autora.
Embora todos os professores tenham sido extremamente gentis e disponíveis para as entrevistas, não se mostrando impacientes para terminar ou mesmo cansados pela quantidade de questões propostas, percebeu-se que o ambiente em que se realiza a entrevista pode ter alguma influência na conversa. Duas das entrevistas foram realizadas em locais com bastante barulho, por serem ou próximos de passagem, o que prejudicou a gravação em alguns momentos, ou pela aproximação de pessoas avisando do início das palestras ou cumprimentando os professores, sem perceber que havia uma gravação em curso. Ressalta-se que em todos os momentos os entrevistados, mesmo quando atrasados
para os trabalhos do Enancib106 e perguntados se preferiam continuar depois, deixaram clara a disponibilidade para finalizar com calma todos os itens, o que foi bastante produtivo. Entretanto, o local e a circunstância da entrevista devem ser considerados quando esta fizer parte da metodologia, pois além de o entrevistador não se sentir constrangido por perceber que pode estar incomodando aquele participante de sua pesquisa, inegavelmente a qualidade das gravações é melhor, facilitando o trabalho posterior de transcrição do conteúdo.
Todas as entrevistas foram iniciadas por outra apresentação formal do entrevistador, já que na mensagem de marcação, encaminhada anteriormente, haviam sido enviados os dados relacionados com o nome, orientador, escola e objetivos da tese e duraram, em média, 40 minutos, embora tenha havido algumas que ultrapassaram uma hora. A análise da entrevista recebida por escrito seguiu os mesmos parâmetros das demais, realizadas pessoalmente.