Esta etapa dos trabalhos envolveu trabalhos de laboratório, gabinete e uso de computadores e de recursos de informática como softwares para confecção de mapas, elaboração de tabelas, perfis e gráficos.
4.2.3.1 Atividades de Laboratório
O material amostrado nos perfis, nas tradagens e nos diversos ambientes mapeados nas etapas de campo, totalizaram 54 amostras (Quadros 4 e 5), sendo analisados no Laboratório de Solos – LATOSSOLO da Universidade Federal do Amazonas – UFAM.
Os materiais superficiais foram identificados e descritos inicialmente em campo quanto à sua morfologia, isto é, foi realizado um estudo da sua aparência no meio ambiente natural e sua descrição segundo as características perceptíveis, visíveis a olho nu ou sensíveis ao tato. As principais características morfológicas descritas incluíram a cor, textura, estrutura, consistência, porosidade, atividade biológica e por fim os horizontes diferenciados por estas características e espessura dos mesmos.
As análises granulométricas foram realizadas adotando-se o Método da Pipeta, de acordo com o Manual de Métodos e Análise de Solo (1997) da EMBRAPA – Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, cujo princípio baseia-se na velocidade de queda das partículas que compõem o solo. Fixa-se o tempo para o deslocamento vertical na suspensão do solo com água, após a adição de dispersante químico (NaOH). Pipeta-se um volume da suspensão, para determinação da argila que seca em estufa é pesada. A fração argila é determinada por densimetria no sobrenadante. As frações grosseiras (areia fina e grossa) são separadas por tamisação, secas em estufa e pesadas para obtenção dos respectivos percentuais. O silte corresponde ao complemento dos percentuais para 100%. É obtido por diferença das outras frações em relação à amostra original.
Os procedimentos adotados, cálculos, reagentes e equipamentos utilizados encontram- se detalhados no referido manual (EMBRAPA, 1997, p.27-32).
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Quadro 4: Localização dos pontos de observação e amostragem e número de amostras coletadas Pontos de
observação Geográficas do pontoCoordenadas Amostras coletadas Unidade morfológica Ambiente
01 Lat. 02° 35’ 44,7”
Long. 60° 56’ 39,7” ANA_1 Canal – Barra fluvialcentral Fluvial
02 Lat. 02° 35’ 44,7”
Long. 60° 56’ 39,7”
ANA_2 Planície de inundação -
Promontório
Insular
03 Lat. 02° 35’ 43,1”
Long. 60° 55’ 24,9” ANA_3, ANA_4 Planície de inundação -Lago Lacustre
04 Lat. 02° 38’ 13,5”
Long. 60° 52’ 24,1” ANA_5, ANA_6 Planície de inundação -Lago Lacustre
05 Lat. 02° 36’ 39,0”
Long. 60° 53’ 01,7”
ANA_7 Planície de inundação –
Dique longitudinal
Insular
06 Lat. 02° 36’ 11,3”
Long. 60° 49’ 39,7” ANA_8 Planície de inundação -Lago Lacustre
07 Lat. 02° 31’ 32,3”
Long. 60° 51’ 42,1” ANA_9,ANA_11, ANA_12ANA_10, Terra Firme Vertentesvale e
08 Lat. 02° 35’ 18,6”
Long. 60° 58’ 36,1” ANA_13 Canal - Barra fluviallateral Fluvial
09 Lat. 02° 32’ 46,6”
Long. 60° 59’ 51,8”
ANA_14 Canal – Barra fluvial
central
Fluvial
10 Lat. 02° 29’ 16,1”
Long. 61° 01’ 30,7”
ANA_15, ANA_16 Planície de inundação -
Lago
Lacustre
11 Lat. 02° 26’ 03,3”
Long. 61° 03’ 39,6” ANA_17 Canal - Barra fluvialcentral Fluvial
12 Lat. 02° 28’ 51,9”
Long. 61° 04’ 11,8” ANA_18 Terra Firme Vertentesvale e
13 Lat. 02° 31’ 11,5”
Long. 61° 02’ 35,3” ANA_19, ANA_20 Terra Firme Vertentesvale e
14 Lat. 02° 32’28,9”
Long. 61° 00’ 43,0”
ANA_21 Planície de inundação –
Dique longitudinal
Insular
15 Lat. 03° 00’ 11,3”
Long. 60° 25’ 34,7” ANA_21 Planície de inundação -Ilha Insular
16 Lat. 03° 00’ 07,4”
Long. 60° 25’ 51,3” ANA_22 Planície de inundação –Dique longitudinal Insular
17 Lat. 02° 58’ 22,7”
Long. 60° 27’ 15,9”
ANA_23, ANA_24 Planície de inundação -
Dique longitudinal
Insular
18 Lat. 02° 57’ 30,5”
Long. 60° 26’ 28,8” ANA_25 Canal – Barra fluviallateral Fluvial
19 Lat. 02° 24’ 00,3”
Long. 61° 04’ 17,4” ANA_28 Canal – Barra fluvialcentral Fluvial
20 Lat. 02° 24’ 47,8”;
Quadro 5: Localização dos perfis realizados e número de amostras coletadas Pontos de
Observação Perfil Coordenadasgeográficas Amostras coletadas morfológicaUnidade Ambiente
21 Perfil 1 Lat. 02° 32’ 39,3”
Long. 61° 00’ 22,7” ANA_26a,ANA_26c, ANA_26b,ANA_26d,
ANA_26e, ANA_26f,
ANA_26g
Planície de
inundação - Ilha Insular
22 Perfil 2 Lat. 02° 41’ 33,2”
Long. 60° 49’ 51,4” ANA_29a,ANA_29c, ANA_29b,ANA_29d, ANA_29e, ANA_29f
Planície de
inundação - Ilha Insular
23 Perfil 3 Lat. 02° 38’ 29,5”
Long. 60° 53’00,6” ANA_30a,ANA_30c, ANA_30b,ANA_30d, ANA_30e
Planície de
inundação - Ilha Insular
24 Perfil 4 Lat. 02° 35’ 44,3”
Long. 60° 56’38,8” ANA_31a,ANA_31c, ANA_31d,ANA-31b, ANA_31e, ANA_31f
Planície de
inundação - Ilha Insular
Para a classificação das classes texturais dos materiais foi adotada a escala granulométrica de Wentworth (1922) apresentada na tabela 1, cujos limites de suas classes são determinados em termos de propriedades físicas envolvidas no transporte de grãos. Os limites de classes, nesta escala, longe de serem arbitrários, concordam perfeitamente com limites de distinções entre cargas transportadas em suspensão e por tração.
Tabela 1 - Escala granulométrica de Wentworth (1922)
Fração Diâmetro (mm)
Argila < 0,004
Silte 0,062 - 0,004
Areia muito fina 0,125 – 0,062
Areia fina 0,250 – 0,125
Areia média 0,50 – 0,250
Areia grossa 1,0 - 0,50
Areia muito grossa 2,0 - 1,0
Grânulo 4,0 - 2,0
Após a determinação da distribuição granulométrica das partículas sedimentares em classes texturais de acordo com a escala granulométrica de Wentworth (1922), o percentual de cada classe textural obtida, para cada amostra analisada, foi lançado no diagrama triangular para a Classificação de Sedimentos de Flemming (2000). Os diagramas triangulares baseiam- se, como o nome indica, num triângulo, em que cada vértice corresponde a 100% de uma
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classe textural elementar (por exemplo, areia, silte e argila). O lado oposto do triângulo corresponde a 0%. O Diagrama Triangular de Flemming classifica sedimentos constituídos por partículas menores de 2 mm de diâmetro (Figura 21).
Figura 21: Diagrama Triangular de Flemming (2000)
O diagrama triangular de Flemming considera as proporções entre as frações areia/silte/argila, e trabalha com dois componentes principais: areia e lama (silte e argila). De acordo com a razão areia/lama são definidos seis tipos de sedimentos: Areia (S) com menos 5% de lama; Areia levemente lamosa (A) com 5-15% de lama; Areia lamosa (B) com 25- 50% de lama; Lama arenosa (C) com 50-75% de lama; Lama levemente arenosa (D) com 75-95% de lama e Lama (E) com mais de 95% de lama. Em cada caso, o tipo de sedimento (ex: Areia lamosa) pode ser utilizado para tipificar o ambiente deposicional ou fácies com base no critério textural (ex: fácies areia lamosa). De acordo com o modelo hidrodinâmico proposto por Pejrup (1988) apud Flemming (2000), a localização de um conjunto de dados no diagrama ternário reflete condições hidrodinâmicas de energia específica. Quanto mais esse conjunto está localizado próximo ao eixo do silte, maior é o nível de energia; quanto mais próximo do eixo da argila, menor é a energia, sendo o regime mais energético associado ao
campo (S) da Areia. O diagrama de Flemming subdivide esses seis tipos de sedimentos em 25 classes texturais com base nas razões areia/silte/argila (Quadro 6):
Quadro 6: Tipos de sedimentos e classes texturais de sedimentos lamosos de acordo com a
classificação de Flemming (2000)
Código Tipo de Sedimento Conteúdo de
lama (%) Classe Textural
S Areia <5% Areia
A-I Areia levemente lamosa 5-15% Areia levemente siltosa
A-II Areia levemente argilosa
B-I Areia muito siltosa
B-II Areia lamosa 25-50% Areia siltosa
B-III Areia argilosa
B-IV Areia muito argilosa
C-I Lama arenosa extremamente siltosa
C-II Lama arenosa muito siltosa
C-III Lama arenosa 50-75% Lama arenosa siltosa
C-IV Lama arenosa argilosa
C-V Lama arenosa muito argilosa
C-VI Lama arenosa extremamente argilosa
D-I Lama levemente arenosa extremamente siltosa
D-II Lama levemente arenosa muito siltosa
D-III Lama levemente arenosa 75-95% Lama levemente arenosa siltosa
D-IV Lama levemente arenosa argilosa
D-V Lama levemente arenosa muito argilosa
D-VI Lama levemente arenosa extremamente argilosa
E-I Silte
E-II Silte levemente argiloso
E-III Lama >95% Silte argiloso
E-IV Argila siltosa
E-V Argila levemente siltosa
E-VI Argila
Para facilitar a distinção entre os tipos de sedimentos e as classes texturais dos materiais classificados, na análise dos dados será adotado nesta pesquisa a proposta de Oliveira, M. A. T. e Lima (2004), ou seja, sempre que houver referência ao tipo de sedimento, sua nomenclatura aparecerá em itálico e com iniciais maiúsculas, por exemplo: Areia Lamosa; quando houver referência às classes texturais, sua nomenclatura aparecerá em itálico e com iniciais minúsculas: lama arenosa muito argilosa.
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4.2.3.2 Sistematização
A sistematização compreendeu a tabulação e o tratamento de todos os dados levantados nas diversas etapas da pesquisa, envolvendo os dados de levantamento de campo (morfométricos, perfis, caracterização morfológica dos materiais superficiais, tradagem), dados cartográficos, dados secundários (bibliográficos), dados pluviométricos e fluviométricos (dados de chuva, cota, vazão e velocidade) e dados de laboratório (análises dos materiais superficiais). Estes dados foram também articulados cartograficamente, sendo que informações morfológicas, sedimentológicas, hidrológicas, assim articuladas, permitiram propor tendências espaciais de processos hidromorfodinâmicos.
O principal produto gerado nesta etapa é a Carta Geomorfológica de detalhe da área, na escala 1:100.000. Para a elaboração desta carta, a sistematização compreendeu a fotointerpretação das fotografias aéreas disponíveis, checagem das formas no campo, vetorização dos overlays, articulação das informações geradas em todas as fases da pesquisa e consequente sistematização da legenda, e edição da carta.
Após a sistematização de todos os dados disponíveis e levantados, foi dado procedimento as análises e interpretação a partir das correlações espaciais dos parâmetros investigados.