Em 16 de maio de 2012, a cota registrada do rio Negro, no porto de Manaus foi de 29,78 metros, superando a marca da cheia histórica de 2009 que foi de 29,77 metros (Figura 40). Em 29 de maio de 2012, no porto de Manaus, foi registrada a maior cheia histórica do rio Negro no período de 1903 a 2012 que atingiu a cota de 29,97 m (Quadro 11). O registro deste evento é mostrado nas figuras 41 a 45.
Figura 40: Cotagramas das maiores cheias em Manaus – Rio Negro Fonte: CPRM (2012)
Quadro 11: Dados das Cotas do Rio Negro na Estação de Manaus no período de 1902-2012.
Ano Cota Máxima
Enchente (m)
Data Ano Cota Máxima
Vazante (m) Data 2012 29,97 29/05 2010 13,63 24/10 2009 29,77 01/07 1963 13,64 30/10 1953 29,69 09/06 1906 14,20 13/11 1976 29.61 14/06 1997 14,34 04/11 1989 29,42 03/07 1916 14,42 07/10
Fonte: Porto de Manaus, 2012 Organizado por ALVES (2012)
De acordo com o Serviço Geológico do Brasil (CPRM) em citação já feita neste trabalho, na série histórica das cotas em Manaus 75% tiveram o seu valor máximo anual no mês de junho, 19% em julho e 6% em maio (Figura 41). Em 2012 a cota máxima anual foi atingida em maio, mês de menor frequência observado na série histórica das cotas do rio Negro medidas no porto de Manaus.
Figura 41: Distribuição histórica (%) de cotas máximas e mínimas do Rio Negro em Manaus (atualizado até 2010)
Fonte: CPRM (2012)
Eventos de cheias extremas na bacia do Rio Negro diminuíram em tempo de recorrência e ampliaram suas intensidades conforme pode ser observado no Quadro 12. O que se observa é, de uma maneira geral, um aumento de eventos extremos em diversas seções da bacia Amazônica registrados em menores intervalos de tempo, associados à intensificação dos fenômenos de vazante ou de enchente.
Um aumento da freqüência de eventos hidrológicos extremos na bacia amazônica é observado desde o final dos anos 80, que é coerente com a hipótese de que as secas extremas podem tornar-se mais frequentes e intensas por causa das mudança climáticas (ESPINOZA et al., 2009).
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Quadro 12: Histórico das cheias do sistema Negro/Solimões em Manaus N° de
Ordem
Ano Evolução do Processo Pico da
cheia (m)
Tempo de retorno (ano)
Início Fim N° de dias
1° 2012 12/10/2011 29/05/2012 231 29,97 110
2° 2009 30/10/2008 01/07/2009 244 29,77 55
3° 1953 31/10/1952 09/06/1953 221 29,69 36,6
4° 1976 30/11/1975 14/06/1976 197 29.61 27,5
5° 1989 15/10/1988 03/07/1989 261 29,42 22
Fonte: Porto de Manaus, 2012 Organizado por ALVES (2012)
De acordo com Gupta (2011) as precipitações sobre a Bacia Amazônica são influenciadas por mudanças anuais da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) e da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) sobre a região Andina, e, tanto a precipitação como a vazão dos rios da bacia é afetada em determinados anos pelo El Niño Oscilação Sul (ENOS) e baixos fluxos do Amazonas estão associado com anos de El Niño (MERTES; DUNNE, 2007). Estas variabilidades climáticas afetam as inundações e sedimentação (AALTO et al., 2003 apud GUPTA, 2011) mas seu efeito na morfologia dos rios da Bacia Amazônica ainda devem ser compreendido.
É apontado como responsável por esse evento extremo no rio Negro o fenômeno La Niña, fenômeno oceânico-atmosférico com características opostas ao El Niño, e que caracteriza- se por um esfriamento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Tropical, cujos impactos na região norte do Brasil inclui o aumento da precipitação e vazão dos rios. A cheia de 2009 também é atribuída a La Niña quando rio Negro atingiu a cota máxima de 29,77 m em Manaus.
As secas na Amazônia estão geralmente associadas a anomalias positivas da Temperatura da Superfície do Mar (TSM) no Atlântico tropical norte durante o outono e inverno austral, e uma posição anormal, ao norte, da ZCIT, que transporta ventos alísios fracos e vapor de água para a Bacia Amazônica. Eventos de El Niño podem também produzir condições de seca durante o verão austral, especialmente no nordeste da bacia e excepcionalmente na Amazônia Ocidental. Em contraste, durante La Niña, abundantes precipitações e inundações ocorrem durante o verão austral no norte e nordeste da região amazônica. Além disso, o gradiente de TSM do Atlântico
tropical meridional influencia a migração da ZCIT, e grandes anomalias positivas de TSM no Atlântico tropical sul, especialmente no final do verão e outono, podem produzir abundantes chuvas e inundações, como ocorreu em 2009, na Amazônia central (ESPINOZA et al., 2012).
Figura 42: A: Porto de Manaus. Cota: 29,78. Data da foto: 16/05/2012. (Autor: Edaílza B. da Gama); B: Prédio da Alfândega em Manaus. Data da foto: 20/05/2012 (Fonte: internet).
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Figura 43: Praia de Novo Airão com porto flutuante ao fundo. A: vazante de 2010: cota do rio Negro em Manaus 30/10/2010: 13,85 m; B: cheia de 2012; cota do rio Negro em Manaus 17/06/2012: 29,61 metros. C e D: Praia de Novo Airão com vista para montante do arquipélago. C: vazante de 2010; D: cheia de 2012; cota do rio Negro em Manaus 17/06/2012: 29,61 metros. Diferença das cotas: 15,76 metros. (imagens da autora)
Figura 44: Promontório da Ilha Grande das Anavilhanas e Praia do Meio. A: Vazante de 2011. Cota do rio Negro em Manaus em 27/11/2011: 17,69 metros; B: Cheia de 2012. Cota do rio Negro em 17/06/2012: 29,61 metros. C: Vazante de 2011; D: Cheia de 2012; E: Praia do Meio, vazante de 2011; F: Praia do Meio; cheia de 2012. Diferença das cotas: 11,92 metros. Direção da tomada das fotos: A e B: NE-SW; C e B: NW-SE e E e F: aproximadamente N-S. (imagens da autora)
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Figura 45: Entrada do Furo que liga Paraná ao Lago Tamatá. A: Imagem da vazante de 2011: cota do rio Negro em Manaus em 25/10/2011: 17,64 metros; B: Imagem da cheia de 2012: cota do rio Negro em Manaus em 17/06/2012: 29,61 metros; C e D: Mesmo local com vista do furo a partir do Lago Tamatá; C: Imagem da vazante de 2011; D: Imagem da cheia de 2012; E: Lago Tamatá, vazante de 2011; F: Lago Tamatá, cheia de 2012. Diferença das cotas: 11,97 metros. (imagens da autora)
Figura 46: Praia do Sapato e Paraná do Sapato. A: vazante de 2010: cota do rio Negro em Manaus 30/10/2010: 13,85 m; B: cheia de 2012; cota do rio Negro em Manaus 17/06/2012: 29,61 metros. Diferença das cotas: 15,76 metros. C: Lago do Arraia, vazante de 2011 cota do rio Negro em Manaus em 26/10/2011: 17,67 metros; D: cheia de 2012 cota do rio Negro em Manaus em 17/06/2012: 29,61 metros. Diferença das cotas: 11,94 metros. (imagens da autora)
6.4 CARACTERIZAÇÃO MORFOLÓGICO-MORFOMÉTRICA